Domingo, 31 de Agosto de 2008

Rentrée política e não só

Reentre política à nossa maneira!

 

     Meus amigos, é na tal cadeira de baloiço que para além de ir dormindo uma soneca umas vezes por outras também vou dando conta do que se passa por este Portugal à beira mar plantado e não só. Assim, lembrei-me de vos dar conta das rentrées para a nova temporada, segundo o meu critério que vão desde o lançamento de novos livros, estreia de filmes até programas de TV.

     Não quero substituir os canais normais para estas coisas, mas aqui vão algumas sugestões com uma pontinha sarcástica aqui e ali, que você não pode perder nestes últimos meses do ano.

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Os famosos aqui apresentados para as várias dicas são:

O apresentador desta e outras ideias malucas - Nelson Camacho

1) - Livros - José Saramago

2) - Espectáculos & Televisão - Herman José

3) - Eleições - Barack Obama

4) - Promessas do Sr. Sócrates - José Sócrates

5) - Homossexualidade - D. Ferreira Leite

6) -  Novas tecnologias - O esperado Magalhães

 

 

 Feitas as apresentações das cabeças de cartaz dos temas aqui apresentados

vamos ao que interessa!

 

1) -  Livros

- “A Viagem do elefante”, de José Saramago.

- “O Arquipélago da insónia”, de António Lobo Antunes.

- “A sexualidade, a Igreja e a Bióetica, 40 anos de Humanae Vittae”, de Miguel Oliveira da Silva.

- “A Última colina”, de Urbano Tavares Rodrigues.

- “Escrever depois de Auschwist”, de Günter Grass.

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2) - Espectáculos & Televisão

- “Festa do Avante” - é no primeiro fim-de-semana de Setembro na Quinta da Atalaia que mais uma vez o Partido Comunista Português realiza a Festa Maior que qualquer outro partido tenha conseguido realizar até hoje em Portugal. Eu vou lá estar.

- “O Espectáculo de tango mais quente do mundo”. Pela mão da companhia Tango Fire, uma companhia Argentina, estreia-se no nosso país em Setembro.

- “Ballet Imperial Russo” - Está apontado para o dia 21 de Novembro no nosso Coliseu dos Recreios de Lisboa (a sala maior). A não perder. Eu vou lá estar.

- “Moda Lisboa/Estoril” Em Outubro os estilistas nacionais vão ter a oportunidade de apresentar as novas colecções Primavera/Verão para 2009.

- “Roda da Sorte” - Herman José, um dos maiores humoristas portugueses, volta 15 anos depois, (antes foi na RTP1) agora na SIC a apresentar este concurso.

- “Gatos Fedorentos” - Depois de terem batido com a porta à RTP1, eis que voltam para a SIC onde esperamos as sua maluquices em horário nobre, como o merecem.

- “A Vida Privada de Salazar”- Sobre esta mini-série, quero dar mais uma vez os parabéns a Balsemão, dizendo assim ao mundo que não nos podemos esquecer da nossa história, pois quem a quiser esquecer não terá futuro. Deixo também muita “merda” para o “puto” Diogo Morgado, actor que tem dado boas provas do seu profissionalismo, pois vai interpretar um papel bem difícil. Tá dito…. Prontos!

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3) - Eleições

- “Eleições nos Estados Unidos” Na altura em que escrevo este post a guerra para a presidência dos EUA está empatada entre os Republicanos de McCain e os Democratas, de Barack Obama. Todo o mundo está de olhos postos nestas eleições. Até 4 de Novembro ainda vamos sofrer mais um pouco. Eu torço, já que não posso votar, em Barack Obama e você?

 - “Portugal – Açores” – As eleições regionais acontecem a 19 de Outubro.

- “Portugal” - Tirando as regionais nos Açores, graças a Deus este ano não há mais caça ao voto.

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4) - Outras Promessas do Senhor Sócrates. (Vamos ver se é verdade)

Escolas” - Está prometido o ano lectivo 2008/2009 começar em 10 e 15 de Setembro.

- Justiça. Está prevista a unificação de vários serviços da justiça para o novo Campus a instalar no Parque das Nações.

- “Bairro-Alto” – Este típico Bairro de Lisboa, vai ficar mais limpo. A Câmara Municipal de Lisboa, prometeu ir limpar todos os graffitis das paredes do dito Bairro. Cá para mim, limpam num dia e no dia seguinte estão lá outros!

- “Saúde” – Segundo dizem vai sair uma lei ou norma não sei bem, que os genéricos vão baixar 30%, mas sé a partir de 1 de Outubro por questões burocráticas. (Somos um país que anda a reboque da burocracia).

Os preços das análises, dizem, também vai baixar 20% a partir de 1 de Setembro. Será? Como tenho análises para fazer, vou esperar sentado.

- “Armas” – O Ministério da Administração Interna vai entregar 8.750 pistolas novas às forças de segurança. (estas serão para destros ou canhotos como as outras e serão também não acompanhadas por peças de reposição como aconteceu com os aviões?).

- “Hospitais” – Diz-se que no final deste ano vai ficar concluído um projecto de hospital virtual, para servir de ferramenta de ensino para os enfermeiros. E os Hospitais a sério? Quando serão construídos? Perguntar não ofende Sr. Sócrates.

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5) - Homossexualidade

- Em Novembro nos EUA vai realizar-se um referendo sobre o casamento entre homossexuais (Gays). Aqui está um país democrata.

- Ferreira Leite, deu umas bocas sobre este assunto. Se quiser leia em um outro meu blogue: “Manuela Ferreira Leite, porque não te calas?”

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6) - Novas tecnologias

                                                Ainda em Setembro vai ser lançado o computador montado em Portugal que já tem o nome de Magalhães e é destinado aos putos da escola. Sobre este assunto já falei noutros sítios mas nunca é de demais voltar ao mesmo assunto! E os reformados que ainda querem estar em actividade mas não teem dinheiro para comprar um computador a sério? Senhor Sócrates ou seja lá quem manda neste país. Os reformados só servem para votar? É que os putos não votam e na altura os pais esquecem-se que receberam essa benesse…. Tá dito!....

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     Por aqui me fico não querendo substituir qualquer calendário cultural ou prognóstico de alguma bruxa tipo Maya ou Almerinda.

     Um abraço para todos nesta rentrée de 2008.

     Felicidades para a reentrada da malta da escola pois serão os homens de amanhã livres e atentos às realidades do nosso país, pois alguns aqui designados não prestam mesmo para coisa alguma.

 

Nelson Camacho D’Magoito

Estou com uma pica dos diabos: atrapalhado com este post
música que estou a ouvir: Hino Nacional
publicado por nelson camacho às 22:43
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Sábado, 23 de Agosto de 2008

Sonhar é fácil por um sonho de casamento

 

     Quando estamos numa de procurar inspiração para escrever algo não sobre um assunto actual no mundo ou perto, juntinho à nossa porta e não sai nada, eu pelo menos, não sei se mais alguém o faz, procuro encontrar algo digno de nota - a meu ver.

     Foi numa destas deambulações que encontrei um texto que adorei e reparei que já tinha sido editado á mais de três anos. Gostei tanto que de imediato mandei um e-mail ao seu autor contando-lhe o facto e mostrando vontade de o reeditar num dos meus blogs não alterando em nada o seu conteúdo, somente algumas alterações fonéticas para português de Portugal.

     De imediato recebi resposta que é a seguinte:

> Olá Nelson,

> 

> É bem intrigante e divertido saber que alguém leu uns textos que eu nem

> lembro de ter escrito, assim, faz bastante tempo que escrevi aquilo. Pelo

> menos uns 3 anos.

> Se quiser usá-los no seu blog, pode usá-lo sem mais problemas:)

> Eu fico imensamente honrado por tal ato;.

> Desde já, obrigado.

> Francirley Rodrigues

 

     Meus amigos, é assim que todos os bloguistas deviam proceder. A honradez na escrita devia ser uma constante e nunca fez mal a ninguém.

     Posto isto aqui fica à minha maneira!

 

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Sonho de casamento

 

     Um dia, aliás tem pouquíssimo tempo, decidi de uma vez por todas acabar com a minha ilusão de casar, ter filhos, morar em uma casa com quintal e finalmente ter o meu final feliz. Não que tenha deixado pra trás a minha aura de romantismo, nada disso. Ela continua intacta - mas em um estado de hibernação.

     Desde que lembro da minha mais remota lembrança, lá está a minha ilusão de casamento, naquela época com a minha prima. Fizemos juras, e nos importávamos de verdade um com o outro, do jeito que uma criança de quatro para cinco anos permite se importar. Sonhávamos com um carro vermelho e nossa ida à Fortaleza, teríamos filhos e moraríamos a beira da praia.

     Depois vieram ilusões de colégio, e o primeiro amor bateu. Novamente sonhando com o casamento perfeito, tudo dando super certo. Sem problemas, sem medos. Nessa época a minha visão de relacionamento perfeito compreendia somente o amor, sem se importar com o pão à mesa, com as TPM's e com tudo que é capaz de anular esse sentimento. Achava que bastava amar e ser amado para ter uma vida feliz. Doce engano!

     Até que um dia, me descubro bi. E vejo se abrir, junto com a minha descoberta da sexualidade, um novo leque a ser explorado. Aquele sonho se expandiu, englobando agora um parceiro, companheiro, respeitador e um bom amante. Já não tinha o sonho do casamento eterno, da casa na praia, de viagens e filhos.

     Vieram os namorados, as experiências, os que ficaram e as tampas que a vida dá. E tudo foi ficando mais amargo.

     Vi que estava no meio de um tiroteio, fiquei revoltado com a incompreensível e hipócrita sociedade. Vi pouco a pouco que estar casado na minha nova situação (entenda-se bi, ou gay) era praticamente impossível. Difícil ter uma vida 'normal' quando não podemos ser aquilo que gostaríamos de ser. Vi que não poderia ter filhos, não filhos meus, teria que os adoptar, mas me perguntava se isso seria possível. Vi que não poderia me casar na igreja, e jamais poderia ver minha família contente com uma cerimónia linda, cheia de flores e cânticos gregos. Vi que se tivesse um filho, ia ser bastante complicado explicar e até embaraçoso demonstrar nas festinhas de pais do colégio, o quanto o nosso amor por ele era tão grande quanto o de uma mãe. Vi que viver em mundo assim era tarefa para super-heróis.

     Decidi então perder, ou deixar de lado, os meus velhos sonhos. Decidi que ser feliz era o mais importante, e o melhor de tudo: Vi e decidi que não importa para os outros a minha felicidade, deveria ser feliz comigo e tentar levar a minha vida normalmente.

     Um dia, espero que muito em breve, possa buscar esses sonhos e ter ao meu lado um lindo esposo. Ter e educar filhos para serem pessoas extremamente flexíveis, compreensíveis, amáveis e de óptimo carácter. Talvez, isso seja um sonho tanto quanto impossível, mas o que posso fazer? Se apesar de tudo ainda tenho comigo uma intacta aura de romantismo...

Diley Rodrigues

 


Espero que tenham gostado quanto eu

Outro texto deste autor em: Histórias & Historietas Eróticas

 

     Nelson Camacho D’Magoito

 

Estou com uma pica dos diabos: feliz por contar esta história
música que estou a ouvir: Santa Lucia de T.Cottrau
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Solidão na praia

 

Um dia como tantos outros, mas diferente!

     Hoje fui até à praia e para não percorrer a caminhada dos fins-de-semana, deitei-me numa toalha nova grande, tem um golfinho como estampa e grande, grande que dá para dois (nesta altura não sei quem se irá deitar nela também, mas o mundo é grande e há por aí muita gente sedenta de amor).

     Estive durante um pouco a trabalhar para o bronze, ao mesmo tempo que ia mirando as gentes que aparentemente são felizes (nem tudo o que luz é ouro) mas enfim... Pelo menos fui alegrando a vista e sentei-me!


Sentado na areia da praia
deixo correr entre os dedos
os grãos molhados
d'uma mão cheia
Pouco a pouco nada resta.
Tento de novo.
Tento reter alguns!
Os maiores,
Os mais brilhantes
de descuido em descuido
fico sem nada.
Talvez não seja eu
que não sei reter a areia,
Talvez ela não goste de mim...

 

 

     Como não consegui reter aqueles grãos de areia, deitei-me novamente e adormeci com os anjos.....
     Já eram sete horas quando acordei! Já pouca gente havia na praia pois o tempo tinha piorado e embora o Sol lá estivesse as nuvens cobriam-no.

     Levantei-me, fechei o chapéu-de-sol, enrolei a toalha e fui até ao meu ninho.

    Tomei um duche, comi uma bucha, fui até ao computador e acendi um cigarro à espera de uma ideia qualquer para as minhas escritas de ocasião ou continuar o meu livro.

     A certa altura, tive de acender as luzes pois a noite já tinha chegado e em termos de escrita nada saia…

 

Lá fora

o vento lamentava-se,

numa tristeza tão dorida

num pranto eterno,

talvez lamente a fome

o frio

que arrasta consigo

a solidão

o negro passado dos dias iguais

o futuro cinzento

o Sol pálido.

É bom ouvir chorar o vento,

é meu irmão ao passar.

 

Nelson Camacho D'Magoito

 

Estou com uma pica dos diabos:
música que estou a ouvir: Sol de inverno de Simone de Oliveira
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Férias falhadas por uma lésbica

 

As minhas últimas férias

Ou Um sonho de verão

 

     As férias para o triste português, tem de ser repartidas, uns por oito dias, outros por quinze e poucos têm a possibilidade de as fazer pelos célebres trinta dias. Os tais trinta dias que nos prometeram são cada vez mais difíceis derivados à economia do país. Eu também estou nos menos afortunados e como tal, só fui gozar os quinze dias. Fui até ao Algarve.

     Os dias os meses de trabalho que antecedem as mini férias são de tal stress que normalmente não dão tempo para extravasar os nossos ímpetos amorosos e essa coisa de encontrar alguém para a nossa vida nem sempre é fácil. É então nas festas de verão que normalmente encontramos essa que julgamos ser para toda a vida. Foi o que me aconteceu este ano nas tais mini férias.

     Estava uma noite amena, nem calor nem frio: Tem sido assim este ano no Algarve. O meu corpo estava escaldado pelo sol que apanhei à beira mar durante o dia e apetecia-me dar uma volta pelos bares lá do sítio. Olhei para o espelho e vi que estava no ponto. Moreno do sol, lábios reluzentes e os meus olhos azuis saltavam cá para fora como lampiões à procura da algo. Olhei bem para mim, e disse para mim próprio! É hoje porra! Que vou engatar a mulher da minha vida. Tomei um duche, perfumei-me besuntei-me com um daqueles cremes próprios do metro sexuais, vesti uma calças pretas bem apertadas, uns sapatos de ténis de marca (está na moda este tipo de sapatos), uma camisa branca sem botões no colarinho e umas faixas azuis do lado esquerdo. Com a camisa meia aberta para se ver um pouco do peito (à antiga), cabelos soltos e ao vento e lá fui eu até à baixa de da Albufeira, estava um borracho.

     Entrei em várias discotecas. Como estava sozinho, fui deambulando de uma em outra até encontrar aquela que me agradasse mais em termos de assistência.

     Estava a tocar uma música do Júlio Iglésias “se calhar por ele lá ter estado há pouco tempo”, segui até ao balcão e pedi uma Eristoff. Olhei em toda a volta e lá estava uma garota aparentemente descomplexada, de saia curta, cabelos negros compridos que lhe iam até meio das costas e uma daquelas blusas que se vê o umbigo. Olhamo-nos e não sei porquê, senti um brilho especial no seu olhar. Mirámo-nos, desviamos os olhares mas voltámos a olharmo-nos mais insistentemente. Das duas uma estava ali uma miúda de programa ou a mulher da minha vida. Como estava ali para o engate fosse ele qual fosse, desencostei-me do balcão e dirigi-me a ela, pousei o copo na sua mesa e perguntei-lhe: -Vamos dançar? Foram uns segundos terríveis, até que ela se levantou, abriu os braços, encostámo-nos e começamos a dançar (a antiga).

     Tocavam na altura ainda um Slow do Júlio. A certa altura ele atirou: -Você não tem nada a ver com esta malta que frequenta estes bares, é costume atirar-se assim ás mulheres ou é daqueles casados que procura uma diversão? – Não, não!... Disse eu um pouco atrapalhado com tal pergunta. Sou solteiro, não procuro nenhum entretenimento, mas talvez a mulher da minha vida.

     Não ouve possibilidades de mais diálogo, pois entretanto apareceu um casal que lhe bateu no ombro e perguntou: - Olha a Isabel! Que fazes aqui tão bem atracada? (o atracado era eu, ta-se mesmo a ver).

     O casal afinal não era um casal mas um grupo de amigos com os quais passamos a noite nos copos e amenas cavaqueiras.

     A manhã chegou, fomos até à praia tomar o pequeno-almoço. Trocámos indicações onde estávamos hospedados e prometemos novos encontros.

     Fui deitar-me um pouco mas não consegui dormir. A Isabel não me saia do pensamento. À tarde fui até o hotel onde estava hospedada e procurei-a. Estava na piscina com uma amiga em amena cavaqueira. Dirigi-me a elas e entrei na conversa. Combinámos um jantar e a partir daí continua-mos a encontrar-nos durante as duas semanas que estivemos de férias. Cada vez mais a nossa cumplicidade foi aumentando até surgir a paixão. Julgava eu.

     Tudo o que é bom, acaba depressa… As férias terminaram e foi tempo de prometermos o nosso próximo encontro em Lisboa, porque (pensava eu), era a vontade de ambos. Cada um veio com o seu meio de transporte, eu, só e ela com os amigos um dia antes.

     Quando cheguei a casa a primeira coisa que fiz foi telefonar-lhe. Não atendeu. No dia seguinte, voltei a ligar e nada. Comecei a envias SMS e não obtive resposta. Passado uma semana, consegui falar com ela telefonicamente, mas pareceu-me distante, como aqueles quinze dias vividos intensamente no Algarve não tivessem existido.

     Uma noite, deu-me na mona e fui tomar um copo a um bar de Lisboa, o 160, é um local bastante agradável independentemente de ser frequentado também por gays e lésbicas. Entrei dirigi-me ao balcão, pedi uma Coca-Cola, olhei em redor e na penumbra de um canto, lá estava a Isabel beijando sofregamente uma amiga que também tinha estado connosco no Algarve.

     Afinal o que aconteceu nestas pequenas férias foi somente UM SONHO DE VERÃO.

 

   Nelson Camacho D’Magoito

 

Estou com uma pica dos diabos: Pronto para outra
música que estou a ouvir: Sempre que brilha o Sol
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Domingo, 17 de Agosto de 2008

Reencontro de uma vida - Uma história como tantas outras

O reencontro

 

     Para quem me conhece e lê, sabe que tenho um ombro amigo para ouvir os lamentos e histórias de quem está necessitado(a) de desabafar as agruras da vida. Foi o que aconteceu ontem. Como estamos em período de férias existem festas populares por tudo o que é sitio e como estou pertinho de Ericeira, fui até lá. Como estas festas populares não fazem muito o meu género, meia hora a ouvir as promoções ciganas ou aquelas amostras de artistas cantando em play back, chegam e sobram, então, fui até um bar tomar um copo e desanuviar os ouvidos daquele ruído ensurdecedor que pairava pelas ruas. A música de fundo era agradável, baixa, como convém neste tipo de casa para se poder ouvir as palavras das nossas companhias e a reciprocidade ser a mesma. Estava absorto nos meus pensamentos quando ouvi num ton conhecido mas que já não ouvia à muito:

- Olá Nelson! Tudo bem contigo?

     Como as mesas e os bancos são bastante baixos, tive de olhar para cima a fim de verificar quem me chamava. A Luz negra do ambiente e os pequenos projectores coincidiam na face de quem me chamava e assim de repente, não reconheci o chamado e fiz uma careta de interrogação.

- Então! Já não me conheces? Eu sei que já lá vão uns anitos, mas ainda estou na mesma e pela aparência assim de imediato tu também não estás nada mal.

     Perante tais palavras levantei-me, olhei melhor, e lá estava o Jorge que já não via de facto há uns anitos bons.

     Abraçamo-nos e só não nos beijamos porque esse cumprimento entre homens só está estabelecido entre os russos e nós de russos não temos nada.

     O Jorge é um moço que de facto já não via à bastante tempo. A última vez que tínhamos estado juntos, foi quando convidado para o meu casamento, entretanto as vidas separara-se e nunca mais o tinha visto. Nada sabia dele, o que fazia ou se se tinha casado. Só sabia que tinha acabado o curso de engenharia e tinha formado uma empresa. Da sua vida privada nada mais…

- Então! Conta-me! Que fazes por aqui? E’pá, estás com um belíssimo aspecto! Ainda estás casado? Quantos filhos têm?...

     Ainda não nos tínhamos sentado já o Jorge saltava com esta catadupa de perguntas, sendo eu obrigado a responder de imediato.

- Não! Já estou divorciado, mas temos um rapaz que já é formado também em engenharia mas electrónica. Vivo aqui perto, no Magoito, estou só e vou escrevendo umas coisas.

- Sim! Retorquiu o Jorge. Tu sempre tiveste a mania de escrever o que te vai na alma e um pouco a vida dos outros! Pois eu nunca casei, mas vivo em união de facto e de negócios com o Pedro. Lembras-te dele?

- Sim! Respondi eu. Lembro-me que era o teu amigo predilecto, creio que foi por causa dessa amizade que deixaste de aparecer na nossa roda de amigos de então… Mas ouve lá! Que é essa coisa de união de facto e de negócios?

     Entretanto já nos tínhamos sentado e pedido dois JBs sem água e sem gelo para não estragar a bebida e matar a nossa saudade.

     Foi assim que o Jorge me contou toda a sua vida privada que eu não sabia nem sonhava o que prova que podemos ser amigos de um Gay sem o saber nem adivinhar se ele não nos contar.

     Estivemos à conversa até à quatro da manhã, bebemos vários copos, contou-me toda a sua vida passada, inclusive que estava por ali sozinho porque o Pedro tinha ido a Espanha fechar um negócio para a sua sociedade de construção civil.

     O meu ombro ouviu todos os seus lamentos e alegrias assim como tinha resolvido o problema da sua relação sexual com os pais.

     Quando nos despedimos, fizemos promessas de reencontro, pois uma amizade nunca se perde, mesmo que se seja diferente.

     Mesmo na hora da despedida o Jorge num abraço comovido disse-me:

- Já que tens um blog para as tuas histórias e sabes dar-lhes um ton de romance, escreve a minha!

     As lágrimas correram pelas nossas faces (o homem também chora) e como os amigos são para as ocasiões, vamos voltar e encontrarmo-nos em breve e a sua história fica aqui contada.

 

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Uma história como tantas outras

Dedicada ao meu amigo Jorge

(Foto de J.P.Sousa)

 

     Um dia, tive de contar a minha mãe, que já não era “o menino de minha Mãe”. Tinha crescido, crescido em toda a excepção da palavra. Estudei e tirei o meu curso de engenharia. Hoje sou o Sr. Engenheiro! Pessoa conceituada na zona onde vivo e no trabalho.

     Tenho o meu apartamento, e quando estou só porque o meu companheiro por obrigações profissionais tem de se ausentar, dá-me vontade de percorrer a noite de Lisboa, mas esta, já não é como meu pai contava, por onde se podia passear até altas horas e tomar um copo de barem bar. Hoje existe a droga, os assaltos, o perigo do convívio com o primeiro companheiro de copos que nos aparece em um qualquer bar da cidade.

     Quantas noites dou comigo dentro do carro às voltas por esta cidade que queria ser mundana como antigamente (segundo contam) e não tenho coragem de parar o carro e entrar num qualquer bar. São as brigas permanentes à porta dos ditos, são os drogados caindo pelo chão e solicitando ainda um sopro de vida, são os alcoólicos com uma garrafa de cerveja em riste ameaçando tudo e todos como se se tratasse de alguém importante. São os homofóbicos verdadeiros e os disfarçados. São Emigrantes e imigrantes que deambulam pela cidade nocturna à caça de uma oportunidade de se fazerem à vida pela maneira mais fácil. São os racistas que deambulando em grupos, vão achincalhando este ou outro de raça ou cor diferente, chegando muitas vezes a vias de facto. É a delinquência juvenil que parece ter perdido todo o sentido do dever e do bom senso. São os assaltos aos menos precavidos transeuntes transportando-se de automóvel ou a pé. É a cidade democrática que temos e que os nossos governantes com o 25 de Abril de 1974 (ainda não tinha nascido) nos prometeram.

     Ainda hoje, infelizmente existem políticos dizendo que somos um país livre e seguro. (será seguro para eles que teem segurança privada e não só). Se segurança é os permanentes assaltos à mão armada a bancos, pessoas, bombas de gasolina, ourivesarias e casas particulares entre outros, começo a ter pena de ser português. Os governos não teem mão nestas situações e o povo já começa a estar cansado.

     Não é sobre a nossa cidade, sua segurança ou falta de habitação na mesma ou ainda falta de emprego, porque este, felizmente tenho que vos venho aqui contar a minha história, mas sim a forma que encontrei para dizer a meus pais que era diferente do que eles imaginavam.

     Tinha dezassete anos, já estava no 12.º ano, rapaz bem comportado e bastante estudioso mas sem namorada o que atrapalhava meus pais, pois só recebia amigos em casa e telefonemas de raparigas também não existiam. Volta e meia lá vinha a pergunta fundamental: - Então rapaz, quando nos apresentas a tua namorada? Tão giro como és, deves ter montes!... Dizia minha mãe que logo o meu pai retorquia: - Deixa lá o rapaz! Ele deve saber o que anda a fazer. No meu tempo foi o meu pai que me levou às “meninas” para me tornar homem. Estes putos de agora são diferentes, sabem mais acordados que no meu tempo a dormir.

     A conversa quando se tratava do tema sexualidade, era sempre a mesma. Mal sabiam eles que dentro de mim e desde muito novo, a minha tendência sexual já há muito que estava definida.

     Até resolver a minha situação com meus pais, foram tempos dolorosos com aquelas conversas chatas. Até algumas vezes tinha de arranjar uma história sobre uma rapariga qualquer para eles ficarem mais descansados.

     Entretanto meu avô da parte de meu pai faleceu e a sua última vontade foi que da sua herança, saísse uma verba para mim, destinada à compra de um apartamento, pois era um bom menino e só lhe tinha dado alegrias. Assim foi! Com o dinheiro que me coube do avô, comprei um apartamento, mobilei-o e comecei a ter uma vida mais ou menos independente.

     Minha mãe era uma querida, por vezes dava umas festas para os meus amigos e era ela, sem mais perguntas, fazia as refeições e eu tratava dos aperitivos. Depois ela ia para casa e as noites começavam. Estas festas não eram só para rapazes, também haviam raparigas, portanto, nada a criticar por parte de meus pais.

     Um dia, enamorei-me do Pedro. Tínhamos tudo em comum, início de estabilidade económica, rapazes perfeitos não afeminados, gostava-mos do mesmo modo de vida, sexualmente era-mos perfeitos e estávamos apaixonados. Entre nós só havia uma diferença. Ele já se tinha assumido perante os pais e eu não.   

     Porque tinha-mos resolvido que ele viesse viver comigo, comecei a andar um pouco cabisbaixo perante minha mãe, pois não sabia como resolver a situação.

     Um dia minha mãe perguntou-me:

- Filho, estás com algum problema? Posso ajudar-te em alguma coisa? Dar-te um conselho?

- Não! Não tenho qualquer problema que me possa ajudar. Respondi eu prontamente.

- Mas filho! Não me digas que é algo com a droga que se está a espalhar pela juventude?

- Por amor a Deus! Nem tanto ao mar nem tanto á terra. É um assunto natural a que todos nós estamos sujeitos ou já nascemos com ele.

- Mas por Deus filho! Será alguma culpa minha? Tens algum defeito que possa ser operado?

     Perante tanta insistência e porque queria ver aquele assunto resolvido, virei-me para ela, agarrei-lhe nas faces, dei-lhe um beijo em cada uma e disse-lhe:

- Perdoa-me Mãe! Não tenho qualquer doença, não preciso de ser operado e não em meto na droga! Amo-te assim como ao pai, mas pelo menos proximamente não vos posso dar um neto, pois estou apaixonado por um rapaz que vem viver comigo, pois SOU HOMOSSEXUAL.

     Minha mãe agarrou-se a mim com toda a força deste mundo, beijou-me lavando minhas faces com sua lágrimas e ali ficámos como duas estátuas de pedra inertes mas envolvidas por uma áurea de amor.

     Ela durante uma semana chorou, falou, falou com as amigas e chegou a falar com um psicólogo. Nada adiantou, só a sua angústia era ainda maior, pois quis acartar com esta revelação sozinha sem contar o quer que fosse a meu pai. (julguei eu)

     No fim de contas esta minha parte estava resolvida, no entanto não podia continuar a ver minha mãe neste estado e resolvi contar também a meu pai.

     Combinei um jantar em minha casa para os quatro, meus pais e o Pedro.

Mal entraram, minha mãe dirigiu-se à cozinha perguntando se necessitava de ajuda, enquanto o Pedro foi oferecer uma bebida a meu pai.

     Enquanto o jantar saia e não saia, sentamo-nos na sala, cada um com seu copo e iniciámos uma conversa da treta.

     Meu pai quis saber mais pormenores da vida do meu amigo. O que fazia, que estudos tinha e com quem vivia.

     Ficou a saber que o Pedro era arquitecto e estava nos seus planos, já que eu era engenheiro, abrir-mos um escritório de arquitectura. Ficou a saber também, que vivia com os pais, que estes estavam de acordo com o seu modo de vida e que proximamente iria viver com a pessoa que amava (sem dizer quem era).

     O terreno para a minha confissão estava a preparar-se e minha mãe de vez em quando tossia e ia até à cozinha.

     Meu pai estava satisfeito com o serão e com o meu amigo. A certa altura atirou com esta:

- Ó Pedro e então namoradas, que eu saiba o meu filho por enquanto diz que primeiro organiza a vida e depois pensa no assunto. E você? É da mesma opinião?

     Pedro um pouco trémulo com aquela pergunta atirou:

- Sabe Sr. João os meus pais conforme já disse, são pessoas abertas e não atrapalham a minha vida, apoiando-me incondicionalmente em todas as minhas opções. Até quando lhes contei desta minha amizade com o vosso filho disseram pura e simplesmente que já éramos crescidos para encarar a vida.

     O meu pai não sei se percebeu bem o que o Pedro lhe estava a dizer ou estava a fazer-se de parvo, pois retorquiu de imediato:

- Pois! De facto criar uma sociedade nos tempos que correm não é pêra doce. O país não está na melhor forma, assim como as pessoas ainda não entenderam que somos livres das nossas opções.

     Cá para mim, estava tudo dito. O meu pai, pessoa vivida e senhor do seu nariz já tinha adivinhado tudo. Estava perante dois homens que se amavam e por coincidência um deles era seu filho...

- Bem meninos! Vamos p’rá a mesa! Nós viemos para jantar e não ter conversa da treta. Disse minha Mãe.

     O jantar estava óptimo, os copos também, a conversa foi da mais delicada possível, com alguma retórica no entre linhas.

     Nunca cheguei a saber se minha mãe alguma vez abordou o assunto com o meu pai ou se ele descobriu a minha sexualidade derivado à sua experiência de vida e a aceitou, assim, sem mais nem menos. Simplesmente aceitou.

     Depois do jantar fomos até à sala para tomar café e beber um dring. Conversámos mais um pouco, tipo conversa da treta, sem tocarmos no assunto em questão, até que a certa altura eu disse a minha mãe:

- Mãe, Há palavras que te queria dizer mas não as encontro, então resolvi aproveita-me de um poeta que tu gostas “Eugénio de Andrade” e transcrever para este opúsculo onde conto a minha vida privada, o poema dedicada à Mãe, desse autor.

     Virei-me para meu pai e disse-lhe:

- Quanto a ti, Pai!... Quero que leis o poema que dediquei à mãe e agradecer-te o Pai Homem que foste para mim. Os valores que me ensinaste, a compreensão e carinho que deste e o provaste neste nosso jantar de família.

     Meu pai levantou-se calmamente, pegou num copo e dirigiu-se ao Pedro. Tocou no copo dele, pegou-lhe num braços e encaminhou-o até mim, com a outra mão, levantou-me e nos abraçou ao mesmo tempo que olhava para minha mãe. Todos soluçámos e as lágrimas caíram-nos pelos rostos ofegantes….

     Naquele momento, tinha-se feito Luz e Deus estava comigo.

     Os dias e os anos foram passando, hoje, tenho vinte e quatro anos continuo a viver com o Pedro, meus pais estão mais conformados e temos uma relação familiar bastante tranquila! Graças a Deus…

♂♂♂♂♂♂♂♂♂♂♂♂♂♂♂

 

Poema à mãe

(De Eugénio de Andrade)

 

 

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!

 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

 

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!


Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...

Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;


ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Boa noite. Eu vou com as aves!

 

--------------------------------------FIM-----------------------------------------

 

Depois desta história, como foi com você?

Como se assumiu junto de sua família?

E perante os amigos?

Está feliz por se ter assumido ou ainda está numa de esconde…. Esconde?

Se o seu caso não é este, diga-me o que pensa sobre o assunto.

Se tem um caso como este já resolvido ou ainda por resolver porque não compartilhar comigo a sua história?

Comente sem medo, desabafe, NÃO TENHA MEDO DE SER DIFERENTE!

Um beijo para uns e um abraço para outros

 

Nelson Camacho D’Magoito  

 

Estou com uma pica dos diabos: feliz por contar esta história
música que estou a ouvir: Traz outro amigo também
publicado por nelson camacho às 19:01
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