Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Manuela Ferreira Leite, mais uma argolada

Mais uma argolada da dita!

 

     Em entrevista a uma televisão MFL vem dizer que é menos verdade estar contra o aumento do salário mínimo proposto pelo governo actual para 2009 mas sim preocupada com o aumento de desemprego.

     Não há dúvida alguma que esta Senhora sabe dizer a sua opinião (O que faria se fosse governo “não aumentar os ordenados”).

     Já se sabe que a entidade patronal é contra qualquer aumento de ordenados do seu pessoal e por vias dessa situação ai está ele a protestar em vez de tentar competir no mercado nacional e internacional com inovação.

     Sabe-se também que para alguns patrões é mais fácil fechar o seu comércio ou indústria em vez de abdicar um pouco dos seus lucros. O país está em crise assim como todo o mundo financeiro derivado à gula dos que tudo têm contra os que pouco ou nada têm. Quando estão a ver a sua manutenção económica andar para traz, o governo é o culpado e quem paga é o Zé.

     É o Zé que tem de ter dois empregos, quando pode, para sustentar a família com o mínimo de dignidade.

     É o Zé que quando chega à reforma tem que viver com uns míseros cento e tal euros por mês.

     É o Zé que tem de estar na fila de espera anos e anos para uma consulta de oftalmologia ou uma mesma pequena operação.

     É o Zé que não tem direito a um tratamento dos dentes. (Algumas situações bastante graves derivado a lesões irreversíveis)

     É o Zé, independentemente do senhor Presidente da República estar constantemente a dizer que o Zé tem de procriar mais, não tem direito a tratamentos convenientes na saúde pública para colmatar a sua deficiência.

     É o Zé que tem de pagar atempadamente os seus impostos. Livre-se se o não fizer que as finanças, vão-lhe ao ordenado ou até à sua conta bancária.

     Em contrapartida os Senhores do dinheiro, vendem palacetes por um preço e informam as finanças de outro valor para pagarem menos impostos.

     São os Senhores do dinheiro que especulam na bolsa, onde ganham fortunas em poucos minutos frente a um computador.

     São os Senhores do dinheiro que movimentam dinheiros em Of Chores para fugir ao nosso fisco, que têm três e quatro carros de alta cilindrada, que têm três ou mais casa de habitação, que se movimentam socialmente entre Spas, hotéis, saunas e sustentam amantes.

     São os Senhores do dinheiro que estão sempre à espera de uma benesse do governo para que os seus lucros não desçam.

     Para que toda esta promiscuidade continue é o Zé que tem de pagar. Já dizia minha avó “que se lixa é o mexilhão”.

     Vem agora a Senhora Ferreira Leite dizer que está preocupada com o desemprego e não com o aumento do ordenado mínimo.

     Ainda não vi esta Senhora apresentar, apresentar quaisquer projectos viáveis para melhorar a condição de vida do Zé. Só a ouço criticar. Também como dizia a minha Avó “quem muito crítica e não apresenta soluções ou é parvo ou não tem tento”

               Agora digo eu que tenho tento:

     Aumentar o ordenado mínimo e as reformas de miséria Já.

     Como faze-lo?

     Verificar a contabilidades das empresas que estejam periclitantes e ajudá-las não com subsídios mas com incentivos fiscais e outras formas de apoio, tendo sempre em mente que os lucros das mesmas sejam pautados por dignidade, acabando com o facilitismo do lucro escandaloso.

 

     Tenho algumas vezes dado a minha opinião contra certas medidas do primeiro-ministro José Sócrates, mas desta vez estou totalmente de acordo quando ele diz “ considerar mesquinhez a opinião de Ferreira Leite quando se insurge contra o aumento do ordenado mínimo nacional de, 426 para 450 euros (0,80 cêntimos/dia), acusando os sociais-democratas de incoerência”.

     O Zé sabe que na Europa o limiar da pobreza ronda os 400 Euros.

     O Zé também sabe que mesmo com o ordenado mínimo proposto, depois de retirar só para a renda de casa que ronda os 350 Euros o que fica é mais que o limiar da pobreza. É miséria.

     Os velhos e velhas que vivem de uma miserável pensão, depois de terem trabalhado toda uma vida? Os que estão acamados, doentes e sem apoio de familiares que os não têm?

     Onde está a dignidade destes senhores e senhoras que nunca deram mostras nos seus tempos de governação para melhorar a situação do Zé e agora vêem criticar uns simples 0,80 cêntimos diários que nem dá para um pacote de leite e uma carcaça? O alimento de muitos!

     Senhora Ferreira Leite, tenha tento por favor.

     O Sócrates pode não ser o melhor, mas o Zé ainda não viu outro que lhe faça frente. A não ser que vá para a Madeira, mas lá não cabem todos!

 

     Eu por mim, por este andar quero ir p’ra Ilha.

 

   Nelson Camacho D’Magoito

     (A opinião de um Zé, em três tempos)

 

Estou com uma pica dos diabos: Bem comigo
música que estou a ouvir: Eles comem tudo
publicado por nelson camacho às 11:10
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Fernando Tordo quarenta e três anos depois, eu vou lá estar

 

                  Fernando Tordo

           no Coliseu dos Recreios

 

 

     Podia acontecer o mesmo que aconteceu com o Tony de Matos quando reapareceu pela mão de Vitorino, também no Coliseu dos Recreios, mas não, vou estar simplesmente na plateia, homenageando-te com a minha presença entre os anónimos que te seguem a 43 anos como seguidores do intérprete das palavras de Ary dos Santos.

 

     Dia 10 de Outubro corrente, o Coliseu dos Recreios de Lisboa, vai mais uma vez homenagear um intérprete das palavras acolitadas por músicas de cariz lusitano que as nossas rádios teimam e não difundir. Numa altura em que se fala tanto de homofobia, quanto a canções cantadas, interpretadas e escritas por portugueses também imperam homofóbicos na nossa rádio e o mais grave é que somos nós portugueses que com o nossos impostos pagamos parte dos seus ordenados - mas isso é outra história a que mais tarde voltarei -.

 

     Dia 10 de Outubro próximo temos dois eventos que vão marcar a vida de alguns! Na parte da tarde, na Assembleia da República vai-se discutir o casamento entre pares do mesmo sexo onde o homofóbico e fascista José Sócrates enquanto presidente do PS proibiu a liberdade de voto dando a desculpa esfarrapada que não estava este assunto, incluído no seu programa de voto. Quantas atitudes também não estavam inseridas na sua campanha eleitoral e foram feitas? Infelizmente, são os governantes que temos.

 

     Mas não é de politica que hoje e nesta hora me apetece escrever, mas sim, sobre uma voz do infelizmente neste pais já chamaram de nacional cançonetista Afinal verifica-se que é destes artistas que a revolução de Abril tão mal trataram trinta e tal anos depois verifica-se que o Povo sabe do que gosta, simplesmente é calmo e sereno.

 

     Fernando Tordo nasceu em Lisboa na Rua Feio Terenas a 29 de Março do ano de 1948 estando nesta altura com sessenta anos de idade e quarenta e três de carreira, - os mesmos da minha carteira profissional -.

 

     Embora já se tenha iniciado nas cantigas com outro grupo, foi com os Sheiks, quando substituiu o Carlos Mendes naquele grupo que começou a ser notado.

 

     É por iniciativa de Maria Leonor que alvitrando a Fernando Tordo se apresente num próximo festival cantando a solo, este aceita e volta interpretando “Cantiga”, tornando –se a cara do seu primeiro EP. (para quem não saiba um EP era um disco em vinil onde estavam incertos quatro temas, dois de cada lado).

 

     Logo no inicio da sua carreira conta em 1969 com Prémio de Compositor da Casa da Imprensa, atraindo poetas como Natália Correia, Sophia de Mello Breyner, Manuel da Fonseca e José Carlos Ary dos Santos de quem se torna amigo até à morte de este.

 

     Em 1971 volta ao festival da Canção da RTP, classificando-se em terceiro lugar com o tema “Cavalo à Solta” em parceria de Ary dos Santos.

 

     Em 1973 mais uma ida ao Festival da Canção da RTP, ganhando o 1.º Prémio, com o tema “Tourada” também em parceria com Ary dos Santos, levando-o a Luxemburgo alcandorando o 8.º Lugar.

 

     Com o 25 de Abril de 1974 (revolução dos cravos) assumiu publicamente a sua militância ao Partido Comunista Português.

 

     Antes de cortar relações com Ary dos Santos, com quem conviveu durante catorze anos, ainda gravou em 1980 e em colaboração com este, “Cantigas Cruzadas”.

 

     Entretanto já tinha feito um disco “Dez anos de Cantigas” com Carlos Mendes e Paulo de Carvalho, sendo uma retrospectiva da carreira dos Sheikes.

 

     Em 1983 grava o seu melhor disco sendo o tema principal “Adeus Tristeza”

 

     Até ter editado em conjunto com José Calvário, em 1988 um disco em homenagem a Ary dos Santos “O Menino Ary dos Santos”, trabalhou com Jacques Brel, François Rauber, com que grava "Anticiclone" e "A Ilha do Canto".

 

     Em 1994, depois de um largo afastamento das lides artísticas regressou aos palcos do CCB e às edições discográficas com um álbum gravado com a Youth National Jazz Orchestra, gravando em Londres o seu último disco “Lisboa de Feira”

 

     Entretanto já tinha gravado um CD de recordações “Só Nós Três” com Paulo de Carvalho e Carlos Mendes.

 

     Fernando Tordo é pai dos gémeos Joana e João que nasceram em 1975 aos quais tem dedicado uma vida de carinho e amor exemplar. Como prova desse amor, escreveu-lhes um dos seus melhores poemas “Balada para nosso Filhos”

 

     Quando completa os seus 43 anos de carreira apresenta um concerto na nossa melhor e maior sala de Lisboa o Coliseu dos Recreios. Vai estar acompanhado pela Orquestra Stardust Orchestra sob a direcção musical do Maestro Pedro Duarte. Para além dos 24 músicos ainda estarão presentes como convidados, Rui Veloso, Gato Fedorento e Carminho.

 

     Eu também lá vou estar mas a assistir e espero dar-lhe um abraço.

 

     Vocês se poderem não percam. Vai ser mesmo bom.

 

Discografia

 

1971 - Festival da Camaradagem (com Paulo de Carvalho, Duo Orfeu e José Carlos Ary dos Santos)
1972 - Tocata
1975 - Feito Cá P'ra Nós
1977 - Estamos Vivos
1979 - Fazer Futuro
1980 - Cantigas Cruzadas
1982 - Sopa de Pedra
1983 - Adeus Tristeza
1984 - Anticiclone
1986 - A Ilha do Canto
1988 - O Menino Ary dos Santos
1989 - Só Nós Três (com Paulo de Carvalho e Carlos Mendes)
1992 - Boa Nova
1993 - Os Melhores Êxitos de Carlos Mendes e Fernando Tordo
1994 - Só Ficou o Amor Por Ti
1995 - Lisboa de Feira

1995 – Calendário

1995 – Penisular

2002 – E no entanto ela move-se

2006 – Tributo a los laureados Nobel

 

(Nota: Peço desculpa ao FT se houver alguma imprecisão nas datas, mas eu não sei tudo)

 

Um abraço

 

Nelson Camacho

(Nelson Camacho D’Magoito)

 

Estou com uma pica dos diabos: com saudade
música que estou a ouvir: Tourada de Fernando Tordo e Ary dos Santos
publicado por nelson camacho às 03:23
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Nada é eterno

 

 

Quantas vezes me questionam?

 

     Há muito que guardo no meu caixote de recordações tua presença constante.

     Li algures “ Acordada sonho, a dormir construo mundos “ de facto, antes de me ditar olho para aquele caixote inerte e já cansado de por ali estar sem ser aberto, depois, apago as luzes, adormeço e sonho na continuação do nosso sonho. Um sonho que um dia tivemos. - Sermos senhores do mundo e com a cabeça levantada dizer-mos estamos aqui! Livres e felizes… -.

     Esse sonho durou enquanto durou como todas as coisas na vida pois por mais voltas que dermos nada é eterno. Tudo isto porque ainda carrego entre os meus pertences minhas memórias de um tempo que não volta.

     De manhã, acordo, levanto-me e no caminho para o duche habitual, passo pelo salão e lá estás tu - tal como o caixote de recordações -, a tua fotografia inerte com aquele olhar penetrante que era habitual teres quando acordavas.

     Do mundo que construi dormindo, volto à realidade e acordado sonho que me batas à porta e voltes para sonharmos os dois.

     Eu sei que este, também é um sonho inacabado, mas será só até desligar-me do mundo meu amor.

     Até que a barca me leve para a outra margem e porque meus caminhos se desviaram dos habituais é natural que se me procurares, não me encontres tão facilmente, mas se procurares bem, sabes onde me encontrares.

     Quando conto a amigos verdadeiros estas páginas do meu livro de vida, às vezes questionam-me se vale a pena carregar este fardo? – Podem questionar-me à vontade, não só estão no seu direito, como o poder de nos questionar seja a base da evolução constante, principalmente para quem nunca amou verdadeiramente.

     Quantas vezes me questiono se vale a pena continuar a olhar para aquele caixote de recordações ou para a fotografia de alguém que nos deu tantas alegrias e para nós já não existe?

 

 

Nelson Camacho D’Magoito

 

Estou com uma pica dos diabos: Inquieto
música que estou a ouvir: Ninguém é como tu. de nelson camacho
publicado por nelson camacho às 00:32
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