Sábado, 30 de Março de 2013

Portugal – Futebol, Carnaval & Fado

Nelson Camacho D´magoito mascarado em 1945

     Já lá vai o tempo em que meus pais tinham dinheiro para alugar um fatinho carnavalesco levarem-me a Cascais para participar no corso carnavalesco e irmos almoçar ao Padeiro, um restaurante mais in da época.

     Mais tarde glosei com fato de gala (smoking) em festas temáticas desta cidade. Mais tarde ainda fiz o percurso pelos carnavais de Portugal, Madeira, Paris, Madrid e Veneza.

 

     Podereis dizer que era rico ou filho de gente de bem, mas não! Éramos uma família como qualquer outra que trabalhava. Coisa que não faltava a quem o quisesse fazer. Saíamos de um emprego e na mesma rua havia logo outro. Tínhamos uma casa na praia e não faltavam os três meses de férias, parte passadas na Costa de Caparica e outra parte no estrangeiro. Não faltávamos todas as semanas às estreias dos filmes e às estreias das Revistas no Parque Mayer. No tempo em que todos os teatros estavam em funcionamento inclusive o Teatro Nacional D. Maria II ou as épocas de óperas no São Carlos. O Casino do Estoril no Estoril, também era ponto assente pelo menos para diversão ou uma jogatana, os bailes no 1.º andar do saudoso Café Chave D’Ouro. Quanto ao futebol embora não fosse grande adepto, até era sócio do Benfica. As touradas no Campo Grande no tempo do Manuel dos Santos ou do Diamantino Viseu também não faltavam.

 

Nelson Camacho D'Magoito - Pavilhão dos desportos

      Mais tarde virei cantor/trabalhador. Trabalhador pois aqui ou ali em várias profissões sempre o fiz, até como funcionário público, porque as cantigas só por si não dava grandes lucros mas era a minha paixão, do Continente aos Açores, Madeira e outros palcos do mundo.

     Naquele tempo não havia televisão computadores ou outras coisas no género mas havia trabalho, Bares, Boates e cafés onde nos encontrávamos para tertúlias e fazíamos amigos, coisa que hoje também não há. Os amigos hoje são virtuais através de redes mais ou menos sociais que a internet nos dá. 

     Cafés: “Lisboa”, “Monumental”, “Galo”, “Portugal”, “Chave d’Ouro” são saudades que vão ficando na minha caixa de recordações.

     Teatros: temos meia dúzia. As grandes salas fecharam para darem lugar a teatrinhos experimentais. 

     Cinemas: Até já uma boa parte deles estão a fechar.

     Comércio de rua: Todos os dias fecham às centenas.

 

     Pode dizer-se que sou saudosista mas não. Só tenho pena é deste povo que hoje das duas uma, ou vive na miséria com parcos recursos financeiros ou os outros que nos andam a roubar e se pavoneiam em grandes limusinas.

     São os gestores de Bancos e os grandes empresários que enviam os seus lucros chorudos que delapidando o povo o enviam para o estrangeiro e em contas Offshore.

     São os ministros que sentados nos seus cadeirões debitam regras e leis para empobrecer cada vez mais este povo. Esta máfia vai ao ponto de arranjar lugares no estado que é suportado por todos nós para licenciados de vinte e poucos anos com ordenados acima da média e agora até refugiando-se numa qualquer lei vai criar um novo lugar que nunca existiu e não faz falta alguma a um senhor que estando num lugar das secretas passou informações para o seu novo patrão. Para cúmulo das vergonhas este senhor nesta data, está em casa sem fazer coisa alguma mas a receber um ordenado chorudo, enquanto setenta por cento dos reformados vive com reformas de miséria.

     Para estes senhores tudo à fartazana, para o povo o ordenado mínimo nacional que não chega aos quinhentos euros.

 

     Este governo desculpa-se do défice. Mas como é possível não haver défice se não há emprego, não há consumo, não há impostos a entrarem no estado até pêlo contrário, há é despesas a aumentares com os subsídios do desemprego e com as reformas dadas antecipadamente.

     Onde está a força do trabalho? Na industria, na lavoura, nas pescas na exportação. Temos a maior costa da Europa de onde partimos à descoberta do mundo dando novos mundos ao mundo. Que se tem feito desse mar que nos abraça?

     Se não temos industria, se não aproveitamos os recursos que a natureza nos dá o que estamos por cá a fazer?

     A educação vai de mal a pior da política já nem se fala. Os partidos o que pretendem é olharem para os seus bolsos cada vez mais recheados. A quando das eleições as promessas são muitas mas depois cumpri-las são água passadas.

    

     Fizeram acordos com uns senhores que se intitulam de “Troika” Foram além das suas directrizes anulando por completo as promessas de Abril ultrapassando tudo o que consta no fundamental na nossa Constituição da Republica.

Fizeram com que as promessas de Abril ao fim de trinta e tal anos não passassem de uma miragem.

     Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Já não há uma classe intermédia.

     Uma velhota que rouba no super mercado uma lata de conserva no valor de nove euros vai para a prisão. Um qualquer senhor que rouba e defrauda um banco, pavoneia-se entre os seus demais como nada se tivesse acontecido.

     Os ladrões e assaltantes vulgares de casas, estabelecimentos, e bens do povo, cada vez são mais, e nada se faz.

     A pedofilia aumenta tanto nos seios familiares como entre conhecidos ou não.

     As polícias não se entendem. Cada uma puxa a brasa à sua sardinha.

     Fazem-se moções de censura ao governo sabendo antecipadamente que nada vai adiantar pois temos uma maioria governamental que vai obstruir qualquer moção.

     Fazem-se auto estradas para chegarmos mais depressa de cidade a cidade, descorando todo o interior do país cada vez mais ignorado e pobre.

     Temos um Presidente da Republica que vai deixando a banda passar, pois é da mesma cor do governo.

     Tudo aumenta: São os impostos directos e indirectos mas os ordenados e reformas ficam na mesma ao longo dos anos.

     Já lá vai o tempo em que com quinhentos escudos passava um fim-de-semana com uma puta qualquer, íamos ao cinema, almoçávamos e jantávamos fora e ainda pagava a pensão, Hoje os mesmos quinhentos Escudos traduzidos em Euros só dão para um maço de tabaco e um café. É caso para dizer “Volta Salazar! Estás perdoado”.

     No tempo do “Botas” dizia-se que Portugal era Futebol Carnaval e Fado. Mas tínhamos emprego. Os meus melhores anos foram de 1935 a 1977. Com a revolução dos cravos, fiquei mais pobre e os meus filhos é que vão sofrer com este país de futebol e fado, pois carnavais só os políticos.

     Feito este meu desabafo, vou até à beira-mar sonhar com o Portugal que me prometeram mas que o estão a delapidar paulatinamente.

Uma canção de raiva para nunca esquecer
Nelson Camacho 
Estou com uma pica dos diabos: e satisteito por desabafar
música que estou a ouvir: Grândola Vila Morena
publicado por nelson camacho às 17:41
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Sexta-feira, 22 de Março de 2013

Mordomo precisa-se – III Capítulo

 

mordomo

Mordomo Secretário e amante

 

    Depois de tudo o que se passou nos ( I ) e ( II ) Capítulos, que pode rever clicando nos respectivos, eis-me de volta:

 

III Capítulo

     Depois daqueles dias atribulados de afazeres profissionais e de contratações de pessoal, principalmente o último dia, apetecia-me estar só e repensar o tinha sido a minha vida nos últimos meses. O divórcio a amante que tinha ido para o marido a casa que por um golpe de sorte tinha conseguido e a solidão que sentia.

    Diz-se que o período mais difícil para um homem divorciado é os primeiros meses, principalmente mesmo que se tenha uma vida fácil no que se refere a parte económica não é bem assim. Fazer uma refeição em casa, é um problema, tratar da mesma, é outro problema e quando se trata de uma casa grande como a minha, ainda é pior, mas o pior de tudo é a solidão, com que nos encontramos. Resta-nos uns copos nas noites de Lisboa com os amigos ou uma prostituta para nos satisfazer as necessidades sexuais mais prementes.

    Naquela noite estava mesmo numa de solidão. Naquele dia, Já tinha tratado de tudo no respeitante à parte social, tanto no escritório como em casa e resolvi ir jantar fora. Tomei um duche e vesti-me à maneira para uma noitada sem problemas. Desci até à garagem, peguei no Honda, lá fui.

    Àquela hora na IC 19 só havia filas de carros no sentido inverso, portanto o percurso fez-se normalmente liguei uma Pen que tenho com uma miscelânea de músicas para estas ocasiões ao leitor do carro e lá fui direito a Lisboa. Onde ir jantar? Não sabia concretamente, desci a avenida da Liberdade sem saber ainda onde ir parar, dei uma volta pelo Rossio e não encontrei local para estacionar. Não me apetecia guarda-lo no parque de estacionamento. Queria um locar perto de um restaurante e voltei a subia a avenida. Estava chegar mesmo ao fim, quando vi um lugar um pouco antes do Diário de Noticias, mesmo e em frente à Cova da Onça. È mesmo aqui! Disse de mim para mim. Aproveito para jantar, tomar um copo e fazer uma converseta com uma gaja. Já agora mais puta menos puta serviria para passar um pouco da noite e só isso. Embora andasse a precisar de sexo não era ali que me ia satisfazer, já me bastava ter de lhes pagar os cocktails da treta, quanto mais pagar uma foda, coisa que nunca fiz, pagar para foder. Falando em dinheiro, comecei logo a gasta-lo à entrada quando o porteiro cheio de salamaleques me cumprimentando fazendo a observação:

       - Então Sr. Engenheiro há muito que não aparece por cá! Zangou-se com a gente ou com as meninas?

       - Não pá! Não me zanguei! Tenho tido uma vida muito ocupada. - Meti a mão na algibeira e lá boi barão. – Ainda sou dos que usam o dinheiro na algibeira das calças. Com tantos carteiristas que andam por aí!.. É mais seguro.

    Desci a escada, procurei uma mesa e esperei pelo empregado. Enquanto ele não vinha logo veio uma “menina” junto a mim:

       - Olá querido! Já não te via por cá há muito tempo. Posso sentar-me?

    Como é hábito naquelas casas, sem permissão alguma do cliente, logo se sentou dando o beijo da praxe e pediu sem aquelas – como também é hábito a bebida ao Manel que entretanto também já estava junto a nós.

       - Olá ser. Engenheiro, há muito tempo que não o via por cá. Posso servir a menina? O Sr. o que vai beber?

       - Boa noite Manel. É verdade é verdade já por cá não venho à muito. Hoje apeteceu-me ver se há meninas novas e quero jantar.

      - Quanto ao jantar hoje temos um Bacalhau com natas que está uma delicia, quanto a menina novas para comer, só há duas que são estrangeiras.

       - Sendo assim, podes trazer o bacalhau. Quanto às meninas, prefiro as portuguesas e pelos vistos já atracou aqui uma. – Ambos nos rimos e o Manel lá foi.

    Até vir o jantar e mesmo durante o mesmo a conversa com aquela puta não passou do habitual incluindo mais uma bebida para a mesma. A gaja ainda tentou uma garrafa de champanhe mas não fui na conversa. Não estava disposto a deixar ali uma pipa de massa assim como já estava farto dos beijinhos e dos apalpões nas pernas e na gaita, que não estava disposta a trabalhar com aquela gaja. Ainda dançamos umas músicas que agora são por aparelhagem. Já lá vai o tempo que aquela casa de putas mais ou menos finas, tinham orquestra. Actualmente o ambiente não tem nada a ver com o antigamente. Mais parece uma casa de prostitutas do Bairro Alto dos anos 60, mas para o pior.

    Os ponteiros já tinham batido nas duas horas, pedi a conta e pirei-me daquele lugar que já não era o meu. Naquela noite! Sexo! Nem vê-lo! Ainda ia bater uma com a mão esquerda que dizem dar a ideia que é feita por outra pessoa. Voltei à IC19 e fui para casa.

    Na volta pelo Marques de Pombal com as novas alterações de trânsito ainda ia batendo num gajo qualquer que apitou furiosamente e eu mandei-o para o caralho.

No dia seguinte

    Cheguei a casa fui direito ao chuveiro. Assim que a água quente começou a debitar calor pelo meu corpo o pau levantou-se de tal forma a pedir que o amaciasse e lá bati uma punheta. Acabei o banho e fui-me deitar.

 

homens na cozinha - o mordomo

    Tinha-me deitado tarde e quando acordei tinha uma certa sensação áspera na garganta, ainda reste-as dos whiskies bebidos durante a noite. Vesti um roupão e desci até à cozinha para apanhar um copo de água fresquinha.

    Quem lá estava já de volta de legumes e frutas? O Pedro!

       - Bom dia!

       - Bom dia Sr. Engenheiro.

       - Então fazendo trabalhos de cozinha?

       - Foi uma combinação que fiz com o João. Quem vai passar a preparar o pequeno-almoço para o patrão, vou ser eu, assim como da sua roupa. O João continua com os afazeres da cozinha, e o Luís com os restantes afazeres da casa. Quanto ao seu quarto vai ser segundo a minha supervisão.

       - Quer dizer que já fez as distribuições das tarefas.

       - É verdade! Na qualidade de Mordomo quero supervisionar tudo.

       - Não sei como vai ter tempo para tudo mas logo se vê. A propósito, está bem instalado?

       - Sim o melhor não podia estar. Quando quiser, o pequeno-almoço está pronto e o Luís irá servi-lo enquanto vou tratar da sua roupa para se vestir. A que horas quer sair?

       - Hoje como não tenho visitas a fazer a qualquer obra, vamos direitos ao escritório aí por volta das 10 horas. Assinamos o contrato que ainda não fizemos e depois logo se vê.

 

    Durante os primeiros oito dias o Pedro demonstrou ser um mordomo à antiga. Tratou eficazmente do mando da casa e como secretário, demonstrou igualmente ser um bom colaborador atendendo sempre às minhas necessidades profissionais.

    Naquele fim-de-semana apeteceu-me ir ver uma peça teatro de revista e mandei-o comprar dois bilhetes para o Maria Vitoria, único teatro ainda a funcionar no recinto, mercê da persistência do seu empresário Helder Freire Costa com a revista “Humor com Humor de Paga”.

 

    Depois do jantar em casa disse ao Pedro para vestir uma roupa mais informal, pois iria comigo. O rapaz ficou um pouco atarantado mas não disse nada. (nunca pensou que o segundo bilhete para o teatro fosse para si) 

    Mais tarde quando desci para a garagem, já lá estava ele de porta de traz do carro já aberta e ao lado da mesma do BMW.

       - Mas não vamos nesse! Vamos no Peogeot que é mais discreto.

    O Pedro logo solícito, saiu a correr a abrir a porta do pendura, pois aquele carro é só de três portas e abriu-a.

    Pelo caminho perguntei se se estava a sentir bem em minha casa e se os afazeres estavam de acordo com as suas expectativas.

    Ele comentou que nunca tinha pensado encontrar um emprego e um patrão como eu e alvitrou não fazer folgas, pois sentia-se como em sua casa e não tinha ninguém conhecido em Lisboa que merecesse a sua companhia.

       - E quanto a namoradas? Perguntei a certa altura.

       - Tive uma lá na terra, mas também durou pouco tempo. Não fazia o meu género.

       - Então qual é o teu género?

       - Se quer que lhe diga, ainda não sei. Também ainda estou novo.

       - Mas tens necessidades, como qualquer rapaz da tua idade!

       - Sim! É natural mas não me preocupam essas coisas. Quando chegar a altura logo se vê.

 

    Entretanto já estávamos a entrar no Parque Mayer. Ele arrumou o carro e lá fomos direitos ao Maria Vitoria. Foi no caminho que notei bem nele. Vestia umas calças de ganga, e um blusão por cima de uma camisa branca com os três botões desabotoados de forma a denotar-se a sua compleição física e atirei.

       - Estás a ver? Assim vestido passas por meu sobrinho nas horas de lazer. Estou sempre a encontrar pessoa conhecidas e ainda me iam criticar por vir ao teatro com o chofer.

       - Se o senhor o diz.

    Ficamos por ali na conversa e entrámos!

 

    Quanto à revista, não passou de mais uma sem grandes artistas de nota dez. Quanto aos cenários e guarda-roupa, fiquei com saudades do Pinto de Campos.

    Certamente por causa da crise ou por falta de inspiração, o teatro de revista de hoje já nada tem a ver com as de antigamente. Os quadros de rua deixaram um pouco a desejar. As encenações também são um pouco pobres. Quanto à parte musical, orquestra, nem vela, quanto a temas, nenhum que ficasse no ouvido como antigamente. Nota-se uma falta tremenda de inspiração, embora haja muita transpiração. Se compararmos com as peças encenadas pelo Lá Féria que também vive da bilheteira e não tem subsídios do governo, a distância é enorme.

 

    No intervalo fomos até ao bar tomar café e conversamos um pouco sobre a sua vida do Pedro até ao momento em que me conheceu demonstrando estar bastante satisfeito inclusive ser a primeira vez que vinha a o teatro e eu das discussões com a minha ex mulher e a razão do nosso divórcio. Como seria natural omitindo factos que não vinham ao caso.

    Acabou o espectáculo, aplaudimos de pé como é normal, até porque os artistas merecem e muitas vezes é o nosso aplauso o se maior pagamento.

Já na rua

       - Vamos tomar uma Cerveja?

       - Vou buscar o carro?

       - Não! Vamos ao Águia D’ouro! É mesmo aqui à saída do Parque.

    O Águia D’Ouro é uma cervejaria muito antiga e que tenho gratas recordações dos meus tempos das cantigas.

       - Das antigas?

       - Sim! Das cantigas! Era aqui que os artistas depois das sessões dos teatros vinham cear e fazer as nossas tertúlias.

    Batemos com o nariz na porta o Águia D’Ouro também tinha fechado.

 

    O Parque e todas as zonas envolventes estão totalmente degradados.

    No espaço do velho Parque, Haviam restaurantes, barracas de tirinhos e outras, esplanadas, pavilhões para exposições, cafés e casas de fado. Chegou a existir um pavilhão de luta livre e boxe por onde passaram os maiores artistas do mundo. O Parque Mayer com os seus locais de diversão foi um local de boémia por excelência, onde tanto ocorria o povo folião, como a elite política e os intelectuais de Lisboa.

    Quando aquele espaço foi vendido em 1921 a Luís Galhardo que sendo personalidade ligada ao meio teatral criou ali o Parque Mayer onde implantou um espaço dedicado à diversão.

    Em 1922 foi inaugurado o Teatro Maria Vitória, único que ainda persiste pela força e vontade do seu empresário, Helder Freire Costa.

    Em 1926 (8 de Julho), com a revista "Pó de Arroz", abriu o Teatro Variedades

    Em 1931 segundo um projecto do arquitecto Luís Cristiano da Silva, foi inaugurado o Teatro Capitólio, de uma concepção arrojada para a época No seu telhado tinha uma sala de cinema de céu aberto com mesas, dando um ar diferente do habitual onde tomávamos umas cervejas e víamos os filmes. (naquele tempo não haviam pipocas que hoje a sua degustação parecem ratos a roer e os telemóveis que nos chateiam com os seus zumbidos e luzinha a parecerem pirilampos) Foi também a primeiro teatro do mundo a ter uma escada rolante no seu interior e cinema ao ar livre.

    Por último, já em 1956 (13 de Janeiro) o empresário José Miguel criava o novo Teatro ABC, no espaço que fora do "Alhambra"um salão de dança e parte do "Pavilhão Português", estreando com a revista "Haja Saúde". Parece que foi agoiro para o Parque porque nos pós 25 de Abril de 74 o Parque nunca mais teve saúde sendo actualmente um local triste, abandonado e decadente estando destinado a parque de estacionamento.

    Mas passemos adiante, como a cervejaria estava também fechada o Pedro foi buscar o carro, descemos a avenida e fomos parar nas Portas de Santo Antão e lá fomos comer um bitoque ao Sol Mar. Cervejaria ao lado do Coliseu e que ainda se encontra aberta até mais tarde.

De volta a casa

    Quando arrumamos o carro na garagem já eram mais das três horas da manhã de Sábado

    Subimos e o Pedro perguntou se queria que me fizesse um chá ou outra coisa.

       - Não! Obrigado o que quero agora é tomar um duche e ir para a cama e ouvir uma musiquinha. Tive um dia nada calmo. Devíamos ter ido ao teatro hoje e não ontem, mas já está, já está.

       - E se lhe fizesse uma massagem?

       - Mas também sabe fazer massagens?

       - Não cheguei a fazer o curso na totalidade mas ainda fiz uns meses o que é suficiente para não fazer asneira.

       - Se assim o dizes, vou tomar o duche e depois logo se vê.

    Lá fui para o duche enquanto ele desapareceu sem antes colocar um toalhão em cima da cama e dizer para não vestir o pijama.

    Como o duche condiz directamente com o quarto, quando saí, pensando que estava só, vinha todo nu. Estava à minha espera o Pedro em calções curtos e uma t-shirt de cava e o tualhão nas mãos para me envolver olhando-me de alto a baixo com um olhar que achei esquisito.

 

mordomo e massagista - nelson d'magoito

    Se há coisas boas que acontecem a um homem é uma boa massagem e naquela altura aquelas mãos delicadas envoltas em creme percorrendo as minhas cotas estavam a fazer os meus neurónios saltitarem de prazer. Pena era não serem de uma gaja de mãos tailandesas, mas estavam a superar quaisquer uma que normalmente acabam em sexo. De repente vim há realidades quando o Pedro perguntou se não seria melhor colocar uma musiquinha para relaxar melhor.

    Acordei daqueles pensamentos repentinamente e confirmei.

    Para não arrefecer meu corpo tapou-me as com o tualhão  e lá foi até onde tinha os CDs. Depois de rebuscar um pouco:

       - Está aqui um DVD dos GNR! Posso colocar este?

       - Podes! Só que esse não é um CD mas um DVD bastante antigo. Podes por esse que é giro e certamente não conheces.

       - Tem na capa o Rui Reininho e o título é “Dunas”, Conheço a música.

    Quando o tema começou a ser projectado no LCD que é bastante grande e está numa das

paredes do quarto, voltei a cabeça na direcção do mesmo enquanto o Pedro voltava  a destapar-me reiniciando a massagem. Veio-me à lembrança os meus velhos tempos de juventude nas dunas da Costa de Caparica e o que por lá se fazia.

       - Não conhecia este vídeo. - Disse ele

       - É uma relíquia dos GNR que exemplifica a época dos anos 80.

       - Deve ter sido uma boa época! - Disse o Pedro ao mesmo tempo que percorria com mais força todas as minhas costas indo acabar nas nádegas ao mesmo tempo que manuseava o meu rego até ao inicio do buraco.

    Não sei porquê, mas comecei a sentir o meu pau começar a inchar contra os lençóis começando a flectir meu corpo contra o mesmo.

    Quando estava a sentir aquela massagem gotosa em minhas nádegas, senti uma mão vir até debaixo do corpo, direita ao pau que já se encontrava hirto e manuseá-lo um pouco.

    Não aguentei mais e virei-me. O tualhão caiu para os lados e ali ficou todo lampeiro o pau para o que desse e viesse.

    Sem mais aquelas, o Pedro sem sequer pedir licença começou beijando meus seios que também já estavam hirtos, mordiscou ambos um pouco e iniciou o percurso com umas lambidelas até meu pau que começou fodende-o gostosamente com a boca.

    A partir desse momento até me esqueci que era meu empregado e um gajo e nos envolvemos em carícias e beijos ardentes

    Se andava já há uns dias sedento por sexo, embora não fosse bem aquilo que tinha pensado estava a sentir um gozo imenso. Aquele rapaz estava a dar-me uma sensação de liberdade como já em tempos tinha estado nas dunas da Costa de Caparica.

    Envoltos num turbilhão de prazer, ora nos beijando em nossas bocas ora em nossos paus de cabeças arregaladas e olhos brilhantes. Com a ponta dos meus pés comecei brincando em suas pernas. Ele parecia tremer.

       - Gostas? Já lhe dizia ao ouvido.

       - Não, não é isso.

       - Então é o quê?

       - Na verdade… nunca imaginei que estaria com você assim.

       - Então não imagina nada… Deixa acontecer

       - Não sei o que fazer mais, estou louco por você. Nunca me tinha acontecido isto!

       - Não precisas… Deixa que eu faço tudo o resto. – Dizia eu já louco de prazer.

    A caixa do creme que me tinha dado as massagens estava mesmo ali à mão, meti os dedos nela, retirei um pouco e comecei introduzindo naquele buraco um dedo e depois outro, que se adivinhava gostoso e apertadinho. Depois a pouco e pouco e depois de bem lubrificado meu pénis lá se foi introduzindo, primeiro a cabeça depois todo o seu corpo naquele cuzinho que me deu a sensação de ser virgem. Ele gemeu um pouco e retirei-o. Andou por ali pelas bordas um pouco até que penetrou novamente até sentir minhas bolas quase se esmigalhando em suas nádegas num vai e vem constante até um turbilhão de esperma num esguicho voraz entrou pelo seu recto dentro, ao mesmo tempo que todo o meu corpo estremeceu r o coração bateu fortemente de prazer. Fiquei naquela posição até tentar que meu pau murcha-se, mas nada! O gajo parecia que queria mais.

    Pedro ajudou a colocarmo-nos na posição de concha e levou uma das minhas mãos ao seu pau e ajudou-me a masturba-lo ao mesmo tempo que se movimentava de forma a continuar a foder aquele cu que apertava mais e mais a minha verga, pronta para mais uma deliciosa foda.

    Quando senti seu leite viscoso em minha mão, vime novamente dentro dele.

    Passámos bem uns quinze minutos naquele estrelaio, até que ele virando a cabeça:

       - E agora? Estou despedido? Nunca tinha feito isto!

       - Mas ao menos gostas-te?

       - Já mais tinha pensado nisto mas a forma como me tem tratado nestes dias e tudo o que me tem proporcionado. Desculpe, mas se há paixão entre homens, eu estou apaixonado por você.

       - Para mim! Também foi uma experiencia expectante e se não queres ser despedido, passas a ficar comigo todas as noites.

       - Mas eu quero! Disse ele olhando-me nos olhos brilhantes que descobri serem castanhos-claros encimados por uma boca bem delineada e que na altura dava rasgos de sorriso.

       - Só temos de ter um certo cuidado com os teus colegas e passar a ser um segredo entre nós. Toda a gente pode saber que sabe que vivo com um homem, mas no dia em que dissermos que somos gays e eu ou tu, “aquele é o meu namorado” acho que metade dos meus clientes, desapareciam. O português odeia confrontar-se com coisas e tomar partido. Portanto, demasiada explicitação leva a reacções negativas.

       - Se acha que assim é, sei separar as águas. Trabalho é trabalho e conhaque é conhaque.

    Ao mesmo tempo que ia dando a sua opinião e já com nossos corpos frente e frente, ia tocando levemente seus lábios nos meus. Então respondi:   

      - Tomando um texto de revista da Ivone Silva (Olívia patroa e Olívia empregada) se te portares bem não serás despedido e passarás a ser “Mordomo Secretário e amante”

    As horas foram passando. Acabámos adormecendo enroscados e quando acordámos nos beijamos nos acariciamos e voltamos a comemorar a noite repetindo a dose.

 

o mordomo e  patrão

    De dia somos patrão e empregado e na calada da noite somos amantes.

    O mordomo secretário e amantes, tem pernas para andar por longos anos de felicidade conjunta até que os Deuses nos separem.

 

 

        Apesar de inspirado em factos reais esta história é fictícia e não retrata a forma de estar de qualquer pessoa aqui mencionada.

 

    Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência. O geral ultrapassa a ficção.

    As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

 

 

     Nelson Camacho D’Magoito

   “Contos ao sabor da imaginação”

            de Nelson Camacho

        Para maiores de 18 anos

Estou com uma pica dos diabos:
música que estou a ouvir: Dunas
publicado por nelson camacho às 16:19
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Quarta-feira, 13 de Março de 2013

De Homofóbico a gay foi um passo

beijos em o canto do nelson

Naquela noite estava numa de me apetecer “passarinho novo”

Tinha acabado de ler um estudo publicado na internet revelando que os homofóbicos sentem atracão por pessoas do mesmo sexo.

Que novidade!

Quantas e quantas vezes ao longo da vida me apareceram, não homofóbicos, mas homens principalmente entre os vinte e os trinta anos de idade, por esta ou por outra razão que não vem aqui para o caso, se deitaram comigo na cama em principio com a ideia declarada que seriam activos e com o jeito apropriado da minha parte para a ocasião, na altura do ato, passaram a passivos.

E você! O que é? Perguntará o meu leitor. Eu sou Flex! Comer um cú de um gajo ou uma mamada, dá-me muito mais prazer que de uma mulher, Aliás, está mais que provado que um bico feito por um gajo é muito melhor que por uma galinha.

Mas vamos ao estudo publicado sendo o seu título original:

 “Homofobia e Homossexualidade”, e que diz o seguinte:

“ Realizado pelas universidades de Rochester. Essex Califórnia nos Estados Unidos revelou que pessoas homofóbicas sentem atracão por pessoas do mesmo sexo. O repúdio e comportamento agressivo aos homossexuais seriam uma forma de reprimir o desejo sentido.

A pesquisa, publicada no “Journal of Personality and Social Psychoologay” foi composta por quatro experimentos distintos, cada um envolvendo em média 160 estudantes universitários entre alemães e norte americanos,”

 

Meus caros, não era necessário estes senhores andarem a gastar dinheiro do povo para chegarem a esta conclusão, bastava perguntarem-me o que se passava com a maioria dos homofóbicos que lhes explicava tudo com pormenores credíveis.

Não falando em religiões que não aceitam a homossexualidade pois isso é outra coisa, há partida é sempre por uma questão de inveja da forma livre, não libertina, como os gays vivem, ao ponto de serem mais queridos pelas mulheres que esses próprios machões. Depois é a forma como se tratam, tanto do corpo como da forma de vestirem, tanto assim é que alguns já tratam do corpo e se besuntam com produtos de mulheres e depois dizem que são metrossexuais.

Quando, principalmente um jovem numa roda de amigos critica homofóbicamente um colega mais amaneirado é simplesmente porque notou nele qualquer atracção e ainda não descobriu as suas reais tendências. Outras vezes, já experimentaram e como não queres que os colegas e amigos saibam, fazem essas críticas querendo tornar-se o machão lá do sítio.

Eu conheço alguns que até são passivos, mas à frente dos colegas são homofóbicos.

Posso recordar-vos que em tempos passado, não muitos, havia rapazes da Casa Pia de Lisboa, que se juntavam nos jardins de Belém e enquanto jogavam à bola também arrasavam gays que se passeavam nos seus carros, mas depois, com um sinal que só eles entendiam, às escondidas dos colegas, iam-se prostituir e não era como agora que o fazem por dinheiro, mas sim porque gostavam de estar com a pessoa visada. E aqui também por várias razões. Uma delas era porque as pessoas em causa sabiam ouvi-los e dar-lhes afectos que não tinham dos colegas nem da instituição onde estavam e de noite saltavam os muros. Nalguns casos era também um fim-de-semana ou um cinema.

Garanto-lhes que estas situações se passavam nos jardins de Belém, no cais de embarque para a Trafaria, no Cais do Sodré, estação do Rossio, Parque Eduardo VII, Parque Mayer e outras zonas e cafés, chamadas de engate de Lisboa, Porto e Setúbal. No Cais de embarque para a Trafaria, também se engatava tropas que estavam aquartelados nos regimentos de cavalaria na calçada de Belém e se sentia sós em Lisboa.

Hoje, as zonas são outras. A única que ainda existe é o Parque Eduardo VII, mas a coisa passa-se de outra forma é tudo à descarada e a troco de dinheiro, e é bastante perigoso, derivado à droga e ao HIV.

Actualmente, embora haja bares de cariz gay. A coisa trata-se de outra forma.

Uma noite destas, vi num desses bares um puto com a namorada que já veio para o facebook dizer que vai lá com os amigos e respectivas namoradas porque gostam do ambiente e dos espectáculos que ali se realizam e até são amigos de alguns gays.

Se a minha boca não fosse um poço contava que esse tal que vi no bar, já esteve comigo na cama várias vezes flexando.

II Capitulo

São quatro ma manhã e estou escrevendo isto porque estou só, satisfeitíssimo da silva e não só satisfeito. Parece que foi de propósito, há coisas que acontecem não se sabe porquê.

Quando disse no princípio que estava a apetecer-me “passarinho novo” eram nove horas da noite. Já tinha jantado, a noite estava agradável e vi que não tinha pó de café em casa e depois das refeições, não passam sem um cafezinho e resolvi ir toma-lo lá fora.

Pelo sim pelo não, vesti um casacão daqueles curtos mesmo por cima da camisa e como é moderno um cachecol preto sarapintado de branco porque não gosto de muita roupa, perfumei-me com um pouco de pachuli, desci as escadas que dão directamente para a garagem, liguei o automático da porta e lá fui sem destino até Lisboa.

Meti o carro no parque do Corte inglês e fui tomar café, aproveitei para comprar o último CD do Camané e como não havia nada mais interessante fui embora.

Uma das saídas do parque dá directamente para o Parque Eduardo VII e fui em frente, devagar devagarinho para ver as vistas. Lá estavam eles no seu trabalhinho, de repente tocou o celular e parei o caro para atender. Era um amigo perguntando onde estava e se podia ir lá a casa ver um filme e beber um copo. Eu sabia o que ele queria, mas não podia ser e disse-lhe que estava em Lisboa, enquanto falava acendi um cigarro e desliguei o celular.

 

Engate no Parque Eduardo VII

Aida estava a dar as primeiras passas no cigarro um gajo, por acaso até jeitoso e com ar bichanado junto à minha janela perguntando se lhe dava um cigarro. Dei!

- Já agora tens lume? Disse o chavalo

- Acendi o isqueiro e dei-lhe lume no cigarro que já tinha na boca.

Segurou-me na mão e perguntou:

- Não queres ir dar uma volta?

Pois! Nem era aquilo que queria naquela noite nem é meu hábito pagar o sexo e era certamente o que ele me ira pedir mas entabulei um pouco de conversa:

- Mas queres ir passear?

- Eu queria! Se tu estiveres disposto!

- E onde te apetecia ir?

- Eu conheço uma pensão séria e que não é cara.

- Tas com azar que eu não vou para pensões.

- Então só damos uma voltinha. Podemos parar ali por traz do pavilhão. A esta hora não está lá ninguém.

- E o que fazes, dentro do carro?

- Como tens um aspecto sério e és engraçado por dez euros faço-te um bico bem feito.

Para tal desfaçatez respondi:

- Não chavalo! Esta noite não é isso que quero.

Resposta rápida e directa do puto.

- Mas se quiseres fazes tu a mim!

- Bem! Já estivemos a falar melhor! Toma lá cinco euros e vai comprar tabaco e engatar outro e boa sorte.

Meti-lhe na mão os cinco euros e pirei-me rua abaixo.

III Capitulo

 

Desci a avenida da liberdade direito ao Rossio, dei uma volta, lá estavam nas arcadas do teatro D. Maria os sem-abrigo enrolados em mantas preparando-se para passar a noite. É a amostragem para os estrangeiros da miséria deste governo. Como nada posso fazer, segui viagem até ao Camões, mesmo à entrada do Bairro Alto. Arrumei o carro no parque subterrâneo e fui tomar outro café na Brasileira.

A esplanada estava cheia até estava um grupo de estrangeiros tirando fotografias aproveitando como fundo a estátua do Fernando Pessoa ali sentado.

Também havias grupos de bichas pavoneando-se ao mesmo tempo que davam guinchos como cavalos à solta. Por aqueles lados, é normal encontra-los. Já faz parte da tradição da zona e nem todos se sabem portar bem. Estas são as bichas que nada têm a ver com os gays.

Na mesa mesmo ao meu lado, estava um grupo de rapazes ai para os vinte e cinco anos ao que me apercebi todos com namoradas menos um, que se riam do espectáculo e comentavam dizendo “Estes gajos são mesmo paneleiros. Não têm vergonha alguma”

Coloquei o ouvido mais atento para a conversa e reparei que o que estava sem namorada era o mais crítico. Até de uma vez olhou para mim e disse bem alto “ Eu é que havia de mandar, dava cabo desta paneleiragem toda”.

Uma dar raparigas dizia para ele. É pá! Deixa-os lá, estão-se a divertir à sua maneira, desde que não se metam com a gente.

- Eu sei! Mas não posso ver estes gajos pá, não são homens não são nada. – Retorquia o tal sujeito que pelo canto do olho eu reparei que olhava para mim.

 

Já estava farto daquela conversa homofóbica e com vontade de me saltar a tampa e fazer uma peixeirada, mas como sou ali muito conhecido respirei fundo e pedi um whisky ao empregado que estava mesmo ali.

- Quer com água simples ou gaseificada? Sr, Nelson

- Mário! Boa noite! Só simples que é para afogar as mágoas.

O empregado notando que eu estava danado com a conversa daqueles energúmenos, piscou-mo olho e disse: - Deixe lá que são desabafos desta juventude. E lá foi buscar a bebida.

O tal moço reparando que eu era ali conhecido, baixou o tom da voz e não fez mais comentários.

Entretanto o tal grupo de bichas já se tinham levantado e lá foram aos saltos a caminho da entrada do Bairro Alto.

O Mário trouxe o whisky e comentou: Já se foram embora não chateiam mais ninguém. Para nós são tudo clientes. Desde que não se metam com as pessoas não é nada connosco. Não acha Sr. Nelson?

Oh pá cá para mim está tudo bem, desde que não me apalpem!

Rimo-nos. Ele foi a sua vida e eu ainda fiquei por ali mais um bocado saboreando o ar da noite que estava agradável assim como a bebida.

O que iria fazer ou acontecer-me dali para a frente só Deus saberia pois pela minha parte, estava pronto para tudo. De vez em quando lá vinha a ideia com que tinha saído de casa. Com a fisgada do passarinho novo.

Entretanto a rapaziada do lado já tinha começado a debandar. Uns de braço dado outros de mãos dadas com as namoradas. Ficou o tal sujeito que ouvi dizer, vão vocês andando. Ainda vou comprar tabaco e uma revista para ler logo à noite.

Não o vi mais.

IV Capitulo

 

Entretanto, deu-me vontade de fazer um xixi e fui ao balcão pedir as chaves do WC, desci as escadas, deixei a porta entre aberta e lá fui fazer o meu xixizinho.

Este wc só tem dois mictórios

Estava a ter aquele prazer que é quando um homem alivia bexiga, quando notei que alguém entrava e dizia: - Desculpe mas é que estava mesmo à rasca.

Olhem quem era! O tal puto das bocas foleiras. Que continuou:

- Você desculpe aquelas bocas ao pé dos meus amigos, mas não gostos daqueles gajos.

De repente até o mijo recolheu e vi ele olhar para o meu pirilau.

- Não me diga que se assustou!

- Não! Não me assusto assim sem mais nem menos. A propósito. Esses tipos como você diz fizeram-lhe algum mal?

- Não me fizeram nem fazem porque não deixo.

Notando que o gajo não tirava os olhos do meu pau que sacudia para ver se mijava mais um bocadinho e como sou muito puta atirei:

- Você não deixa, mas também não deixa de olhar para o meu pénis.

O gajo ficou atrapalhado, desviou o olhar e quase gago:

- Sabe? É que tenho a mania que o meu é mais pequeno que os outros, já lá no ginásio ponho-me a olhar para os outros.

Vendo a atrapalhação do rapaz comecei a sacudir ainda mais o meu que se começou a levantar e disse-lhe.

- Se quiseres comparar o meu com o teu, encostamos um ao outro e logo vês a diferença.

O moço, ainda ficou mais atrapalhado e retorquiu:

- Mas você pensa que sou algum paneleiro encoberto?

- Nem encoberto nem descoberto. Não tenho nada com isso, Mas que tens aqui uma oportunidade e eu sou um gajo porreiro e sei guardar segredos, isso é verdade.

- Já vi que é bastante conhecido aqui no café.

- Sim é verdade, já trabalhei no Teatro de São Carlos que é aqui ao lado e venho cá tomar café muitas vezes.

- E que faz no São Carlos.

- Entro em alguma Óperas.

- Tem piada que eu adoro ópera, até tenho alguns cds.

- Bem! Como não queres encostar o teu ao meu, vamos embora.

E meti sem antes virando-me um pouco para ele sacudir um pouco o meu pau pegando junto aos tintis, de forma a mostrar-lhe toda a sua pujança. Ele olhou bem e meteu o dele que estava murcho nas calças.

Saímos e nas escadas perguntou-me se não queria tomar um café com ele.

Bem! A coisa para o meu lado estava andar bem e aceitei.

- E se em vez de tomarmos café aqui fossemos tomar uma cerveja ali ao bairro.

- É boa ideia, respondi prontamente.

Entramos pela rua da Atalaia, passamos pela Capela, Arroz Doce, Frágil e pelo Bar de Fátima Lopes, mas acabámos por beber um copo no Portas Largas.

Mesmo àquela hora, o Bairro Alto estava cheio. Todos os bares, dentro ou cá fora por causa do cigarrito, tinham gente, grupos de malta nova e alguns “cotas” como eu.

Os únicos sítios que se notava ter pouca gente eram as casas de Fado, talvez derivado à crise, pois são restaurantes caros para a situação actual. Até parecia os restaurantes das Portas de Santo Antão com os empregados à porta solicitando a entrada dos transeuntes.

 

Lá entramos e porque não fumámos, ficamos lá dentro tomando um copo e conversando um pouco.

Até ali nunca falámos sobre gays mas sim sobre música clássica.

Tinha despertado a atenção no Jorge, já nos tínhamos apresentado pelos nomes, o facto de ter dito que já tinha intervindo nos coros de óperas no São Carlos.

- Então você é cantor?

- Não é bem assim! Já passei por essa fase. Hoje o canto lírico em Portugal não tem quaisquer apoios, assim como a dança, o teatro. No geral, apoios para a cultura não há.

- De qualquer das formas ainda há jovens como eu que gosta de música clássica. Talvez por ter sido habituado com a minha avó a ouvir ópera. Ela mesmo com pouco dinheiro ia assistir a todas as récitas. Ia para o galinheiro. Sabes o que é?

- Claro! Galinheiro era o nome que se dava aos lugares mais altos no fundo da sala do São Carlos, hoje diz-se o terceiro balcão! É mais fino.

- Quer dizer que já não cantas, mas ainda sabes as histórias das óperas.

- Meu caro. Sobre as histórias das óperas não se chamam histórias mas sim Libretos.

- Já estou a começar a aprender algumas coisas.

- Então quais as peças que mais gostas e que viste?

- Gosto muito e até tenho DVs de “ O Barbeiro de Sevilha” de Rossiní, “Aída” e “Otello” de Verdi e de “Carmen” de Bizet.

- Tens tudo isso?

- Sim! Tenho muita música clássica. Não em minha casa mas em casa de minha avó.

- E porque não na tua casa?

- Os meus pais não alinham muito com esse tipo de música e então desforro-me quando estou na minha avó que é onde passo a maioria do tempo para estudar.

- E ela lá te vai aturando!

- Não, infelizmente já não me atura, já não está entre nós e fiquei com a sua casa, que é aqui no bairro. Como era uma casa comprada os meus pais ofereceram-ma. Só tenho que pagar os impostos ao fim do ano. Está totalmente como ela a deixou. Só alterei o quarto. É o meu canto espiritual, onde vão os meus amigos e onde me sinto bem.

- Certamente amigos especiais que também ouvem clássicos.

- Tenho alguns amigos que tocam guitarra clássica e de vez em quando fazemos serões temáticos.

- No final de contas, que idade tens?

- Vinte e cinco e estudo piano no conservatório. Todos os meus amigos são da lá.

 

Com esta conversa toda fiquei a saber toda a sua história de vida, seus gostos e experiências.

Já estávamos a entrar no dia seguinte, pois já passava da meia-noite.

Já tínhamos bebido uns copos e como o Portas Largas já se encontrava super cheio e com um ambiente bastante pesado, resolvemos pagar. – Cada um pagou a sua conta e fomos para a rua.

 A primeira coisa que fizemos, foi fumar um maldito cigarro. Comparando o ar da noite com o ambiente de onde tínhamos saído, foi um alívio. A Noite estava fresca e notei que o Jorge se encolhia, talvez de frio e tentei despedir-me, dando-lhe um cartão pessoal, convidando-o a telefonar-me para outra converseta, em outra noite.

- E se fossemos a minha casa ouvir um pouco de música! - Atirou ele.

Como já estava, não toldado pelo álcool, mas já com uns copos no buxo e sem vontade de aquela hora meter-me no IC 19 para casa embora colocando algumas reticências, aceitei o convite.

V Capitulo

 

A casa do dito era mesmo ali numa transversal da rua da Atalaia num terceiro andar último do prédio que da varanda se vislumbrava o casario do bairro e a movimentação das ruas, cobertas por algum nevoeiro e o contra-luz dos candeeiros do antigamente.

A sala era uma salinha mobilada mesmo a antiga, com um aparador, uma mesa de refeições redonda, uma estante com livros antigos, dois sofás de pele e uma mesinha tipo Camila onde sobre ela descansavam algumas fotografias.

João indicou-me a casa de banho se precisa-se e depois de termos estado um pouco na varanda, rodeada de flores com uma conversa de circunstancia,

- Agora vou mostrar-te o meu quarto que está diferente do resto da casa.

Efectivamente, este nada tinha a ver com o resto da decoração.

Uma cama larga muito rente ao chão, duas colunas de som substituindo as mesinhas de cabeceira. Uma pequena secretária, e a um canto, o computador e um pequeno piano electrónico. Na parede encimada uma prateleira a toda a largura onde constavam CDs e livros.

- É aqui que estudo, tento fazer alguma música e quando me apetece ouvir música a sério, atiro-me para cima da cama e delicio-me a ouver concertos a meu gosto. Queres ver como é?

Despiu a camisa e ficando em tronco nu, atirou-se para a cama. Depois com um comando, na parede em frente desceu um ecrã e começou a passar em concerto de André Rien

- Queres ver daqui? È melhor que ir ao cinema.

Não estive com meias medidas, tirei a camisa e deitei-me ao lado dele.

De facto, aquilo era outra coisa. O ecrã teria ai dois por um e meio. O som saia de frente e das colunas (mesas de cabeceira) dos lados da cama. Estava a começar o tema My Way pela orquestra de Andre Rieu com um solo de violino pelo mesmo.

Fabuloso! De facto era melhor que estar no cinema.

- Gostas? – Perguntou ele.

- Se gosto? My Way é a minha vida e esta interpretação do André é qualquer coisa que me faz vibrar. Este tema é retirado do concerto que ele deu no Radio City Hall em New York em 2007. Por acaso até tenho o DVD, mas nunca o vim assim num ecrã tão grande.

- Gostavas de ver aqui?

- Adorava, se não te der muito trabalho.

- Qual quê! É para já.

João levantou-se e foi até ao leitor de CDs. Trocou de DVD, depois, foi buscar dois copos e uma garrafa de vinho branco fresquinho ao mesmo tempo que dizia: - Com este tipo de música merece um copinho fresquinho.

Deu-me um copo que encheu, depois o seu e deitou-se novamente a meu lado. As luzes do quarto apagaram-se e começou a passar o concerto.

http://www.youtube.com/watch?v=qk3-cJCDQ0c

O quarto estava quente e de vez em quando ia bebericando um pouco daquele vinho que até nem era mau. Continuava-mos em tronco nu e pelo canto do olho olhava o corpo do João. Musculado e bem delineado. Estava com uma vontade tremenda de me atirar a ele mas quando vinha essa vontade lembrava-me dos ditos homofóbicos que tinha ouvido no café e o nunca mais termos falado sobre o assunto, mas também me vinha à memória o que se tinha passado na casa de banho do café, então ficava numa de ataco ou não ataco. Aquela situação estava a ficar estranha e voltava a pensar: - Como é possível encontrar-me naquela situação com um tipo homofóbico? – Das duas uma, ou era maluco ou era Bixa e ainda não tinha descoberto.

Já me começava a sentir mal e a remexer-me. Ele sentiu e perguntou:

- Então estás a gostar?

- Estou! Isto visto assim é outra coisa. É assim que vês os concertos e as óperas com os teu amigos?

- Não! Nem penses! Até eram capazes de pensar outras coisas. Contigo é diferente!

- Comigo é diferente porquê?

- Não sei! Talvez por seres mais velho, com mais experiência de vida e entenderes-me de outra forma.

Sem dar por isso, meu corpo estremeceu um pouco. Não tinha nada a ver com o assunto, talvez porque continuava de tronco nu e descalço.

Ele notou e perguntou se estava com frio.

- Um pouco. - Respondi.

Nas calmas baixou-se e puxou a manta que estava aos pés da cama e tapou-nos.

A coisa aqui começou a ficar preta. Maluco ou Bixa ainda por se descobrir, eu tinha de comer aquele gajo.

Passado um pouco já o concerto ia no meio, comecei como se faz com a nossa mulher quando ele se vira para o lado e começamos a dar-lhe sinais com os pés, que queremos foder.

Ele nada disse, mas acusou o toque, olhou para mim com ar insistente.

Não estive com meias medidas mesmo por baixo do edredão, passei uma perna para cima das dele, virando-me um pouco e com a ponta dos dedos fui percorrendo seu corpo calmamente desde os seios até ao inicio das calças. Ele nada disse a não ser: - Tens as mãos quentes!

Estava dado o sinal que dali para frente a batalha ia começar.

Meti a mão por dentro das calças dele e fui encontrar o papagaio ainda murcho. Agarrei-o e começou a ter vida.

Com a outra mão segurei os seus queixos colocando sua boca contra a minha. E nos beijamos.

Ele aceitou de forma esfusiante e eu doidamente, meti língua e tudo.

 

Romantismo entre homens

Estava dado o sinal. Dali para a frente seria mais um pouco de paciência.

Ele não queria deixar meus lábios e retribuía o beijo freneticamente, em contrapartida sentia o seu pirilau aumentar de volume. Afinal não era assim tão pequeno como ele tinha a mania que era.

Como o pirilau dele estava a aumentar tirei-lhe o sinto e coloquei-o cá para fora. O meu, esperto e já habituado a estas coisas bastou tirar o botão da carcela das minhas calças e descer o fecho éclair e saltou logo cá para fora todo lampeiro.

Encostaram-se os dois e começaram a gladiar-se como dois combatentes em guerras antigas que eram feitas de homem a homem.

Foi fácil descermos nossas calças até ficarmos completamente nus. Olhei bem para aquele pirilau de cabecita rosada e brilhante. Peguei numa das suas mãos e levei-a até ao meu pau que começou a segura-lo sem muita segurança. Segurei-lhe nos dedos de forma a apertar mais o meu pau ajudando-o a manuseá-lo em forma de masturbação, não desistiu e continuou, enquanto o fui beijando desde a boca até ao dele que o meti na boca. Primeira lambendo aquele prepúcio que estava há minha espera até começar a foder aquele palito gostoso.

O rapaz estava louco contorcendo-se de prazer e eu estava ganhando passo a passo a minha batalha. De repente senti em minha boca um esguicho viscoso e com sabor leitoso e virgem. Pela minha parte aguentei-me bravamente pois não queria desperdiçar os meus filhotes assim sem mais nem menos no seu corpo mas dentro dele.

Virei-o e começando a lamber as suas costas depositando nelas os restos do seu sémen apontei bravamente o meu pénis naquele buraquinho que a pouco e pouco e puxando sua cintura contra mim lá fui pacientemente penetrando-o e de vagar devagarinho até que entrou todo até minhas bolas bateres nas suas nádegas. Ambos nos movimentamos numa foda gostosa. Ele gemeu um pouco mas quando o comecei a masturbar, tudo parou até de repente os meus cavaleiros esguicharam dentro dele como uma tropa sedenta de ganhar a batalha à procura de um óvulo que nunca iria encontrar.

Estávamos derreados e deitamo-nos de lado peito a peito ao mesmo tempo que nos beijamos novamente.

O concerto do Andre Rieu tinha acabado, foram quase duas horas de prazer musical e de sexo.

Com ar de sacaninha o João abriu os olhos, fixou-os nos meus e perguntou:

- Queres ouvir outro concerto?

- Não me digas que queres outra cena já a seguir? Pelos menos vamos aguardar mais uma horita.

- Sabes uma coisa?

- O que é?

- Nunca mais na vida vou gozar com os homossexuais.

- Então porquê? Disse com um sorriso nos lábios e voltando a beija-lo.

- É melhor não falar disso. Esta noite fui castigado.

- Mas não gostas-te?

- Gostei! Mas já agora gostava de experimentar ao contrário.

- Por agora esquece. São quatro da manhã e o melhor é dormirmos um pouco. Amanhã logo se vê.

Para o deixar adormecer com aquela ideia, colocámo-nos de conchinha, ficando ele traz de mim de forma em que o pirilau dele ficasse junto do meu rego e adormecemos.

dormindo de conchinha

De manhã cumpri com a promessa que durou mais uma hora, mas não vou contar como foi.

Já lá vai uma semana e todos os dias me telefona para ir lá a casa. Eu vou lá voltar, não só porque arranjei ali um novo namorado lindo, como fiz de um homofóbico um flex adorável e quero que fique por enquanto, só para mim.

 

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência. O geral ultrapassa a ficção.

As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

 

 

           Nelson Camacho

   “Contos ao sabor da imaginação”

            de Nelson Camacho

        Para maiores de 18 anos

Estou com uma pica dos diabos: e livre
música que estou a ouvir: my way
publicado por nelson camacho às 03:22
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Sábado, 9 de Março de 2013

No barbeiro conheci o Zé Carlos

    Não sei porque ou porquê. Talvez porque ontem tinha estado às voltas no facebook e a ler o mural do António S. que já me tem convidado para festas no Trumps estava com ganas de ir até lá, coisa que não faço há muito tempo.

    Por incrível que pareça também nunca o vi por lá. Das duas uma ou a foto que aparece no face não é a dele, ou ao vivo é uma pessoa diferente e também não notei.

Mas hoje, não sei porquê estava-me a apetecer “passarinho novo”. São coisas que me acontece algumas vezes, mas como o inesperado acontece! Hoje aconteceu mesmo.

 

    Depois do almoço recebi uma mensagem de alerta que estava no último dia de pagamento da electricidade. Tinha-me esquecido completamente. Normalmente tenho estes alertas no meu computador mas como ele pifou, durante uns dias fiquei à nora com as minhas obrigações pois é ele que gere a minha agenda substituindo o secretário que já não tenho a algum tempo.

Em face a este alerta, tive de me deslocar ao banco para fazer o pagamento respectivo. Tinha uma barba de três dias e não me apeteceu desfaze-la em casa e já que tinha de ir ao banco, iria ao barbeiro desfaze-la.

Já estava um pouco crescida e o barbeiro antes de meter a navalha cortou-a com a máquina. Conclusão, começaram a entrar-me alguns pelos para a boca, na mesma altura em que através do espelho vi um moço brutalmente giro com aspecto campónio e instantaneamente atirei uma graça ao mesmo tempo que limpava os tais pelos da barba:

- Com esta idade só quando venho ao barbeiro é que me entram pêlos boca dentro.

O Barbeiro tipo simpático mas sabido derivado à sua proveta idade, pois já passou dos cinquenta Riu-se e comentou ah lai, também de graça:

- Oh filho! Eu agora já nem pelos tenho. Só os dos clientes.

Como a minha primeira graça tinha em direcção o campónio retorqui.

- Pois! Quando se chega a uma certa idade já caíram, mas actualmente quando são novos depilam. Pergunte ali àquele amigo! (apontando para o jovem que tinha entrado), Se não é verdade.

O jovem com ar sabichão respondeu.

- Eu não sei, mas das gajas gosto com pêlos.

Todos nos rimos e o barbeiro lá continuou com o seu trabalho.

Quando foi para pagar, para demorar mais um pouco, paguei com uma nota de dez euros, para ficar a olhar mais um pouco para o campónio de cabelo curto, camisa aberta mostrando um pouco do peito atlético, calças de ganga apertadinhas de forma a delinear um traseiro gostoso, quando se levantou para ocupar o meu lagar que ficava vazio, e botas de campo um pouco sujas de lama mostrando ser do trabalho.

Paguei e fiquei com o campónio na mona mas não podia fazer mais nada e vi-me embora. Sou um tipo o mais discreto possível e não ando por aí a dar bandeira, portanto não era ocasião para me atirar ao campónio.

Fui até ao banco fazer o tal pagamento e vim para casa, fui até ao quarto despi-me, vesti o roupão da praxe e fui até ao chuveiro. Com a água quente percorrendo todo o meu corpo e batendo com força no meu pénis começaram os meus neurónios malucos fazendo-me recordar o tal saloio que tinha visto no barbeiro o pau começou a levantar-se e quando dei por mim, estava a bater uma punheta gostosa. Vi-me que nem uma vaca doida. Lavei-me todo, limpei-me, volteei a vestir o roupão e fui até ao bar do escritório, tirei um café e bebi um JB liso.

Fiquei um pouco mais reconfortável depois daquela masturbação debaixo da água quentinha e fui até à cozinha fazer um bife com batatas fritas e um ovo a cavalo.

Estava a dar o noticiário na TV e em vez de ir comer para a casa de jantar, coloquei o jantar num tabuleiro e fui comer para o escritório.

Jantei ao mesmo tempo que via as noticia que são sempre as mesmas. São os impostos a subir, são os assaltos constantes dos ladrões aos menos desprevenidos e dos ladrões mais finos que se abotoam com o nosso dinheiro nos bancos. Depois veio a notícia da morte de Hugo Chavéz, presidente da Venezuela por quem até tinha uma certa admiração assim como mais de metade dos cidadãos da Venezuela.

Depois veio a história da substituição do Papa Bento XVI que nunca mais tem fim.

Estava triste por um lado e satisfeito por outro, pois quando um homem tem a coragem de abdicar do seu cargo quando não se sente em condições para tal, só demonstra ser um homem de verdade embora esteja temporariamente substituindo o seu Deus.

Entretanto acabei de jantar, tomei mais um café e um conhaque e aguardei pela novela da TVI “Louco amor” única que me da prazer ver. Prazer não será propriamente o termo mas sim gosto, pois prazer como diz o Manuel Luís Goucha é outra coisa! E ele tem razão.

Prazer sentiria se tivesse tido a oportunidade de engatar o tal campónio que me ficou na mona.

Lá veio a trama da novela que se aproxima do fim e refastelei-me no meu cadeirão e lá fiquei até ao fim.

Por traz de mim, comecei a sentir a chuva bater fortemente nos vidros da janela, levantei-me e fui até à porta do quintal ver como estava o tempo. Chovia copiosamente e estava um vento do caraças. Adivinhava-se para aquela noite um temporal sem vontade de sair.

Voltei para o meu canto e quando dou por mim, estava sem tabaco. E Agora? Sair? Ir até ao Trumps? Não! Com aquele temporal era disparate, mas tinha acabado o tabaquinho e tinha mesmo de sair, pelo menos até ao café cá do sítio. Foi o que fiz.

Calcei uns ténis, umas calças velhas uma t-shirt de gola alta e lá fui.

 

Quem havia de estar à minha frente na máquina de tabaco baixando-se para apanhar o maço, mostrando aquele cuzinho redondo e descaído da cintura, próprio de homem jovem. Não tinha nada a ver com um cú de mulher que é totalmente diferente. É mais saliente e empertigado. Meus Deus! Não era só um cú gostoso! Era o do saloio que tinha visto no barbeiro.

Quando se voltou, deu de caras comigo e com ar de espanto:

- Então por aqui?

Fiquei mais atrapalho que ele e atirei:

- Pois! Parece que é sina nossa, andarmo-nos a encontrar.

- Sim! Primeiro foi no barbeiro, agora aqui no café e a esta hora.

- Pois! Acabou-se-me o tabaco. E parece que a você também.

- É verdade, como não vou já para casa, vai-me fazer falta o tabaquito.

- Não me diga que com este temporal vai curtir ainda a noite.

- Não! Só se for com os cavalos.

- Com os cavalos? Como assim?

- Sou tratador de cavalos e como está o tempo a piorar, tenho que ir aos estábulos para ver se está tudo bem.

- Ah! Com que então tratador de cavalos ou dono deles?

- Dono, dono, não se pode dizer! Mas como chumbei na universidade o meu pai que é dono da cutelaria colocou-me lá de castigo para aprender o que custa a vida.

- Isso é que é um homem às direitas.

- Pois! É tão às direitas que até arranjou um anexo ao pé dos cavalos para viver.

- Mais um bocadinho ainda dorme com uma égua1. – disse eu rindo.

- Olhe que não é para rir. Não posso ir para a borga de noite e de dia não posso sair.

- Vamos tomar um café ou também não pode conviver com amigos?

- É claro que posso, mas estou preocupado com o temporal e vim aqui de fugida para comprar o tabaco. Mas se quiser, pode vir até ao meu se, se pode dizer, apartamento, tomar o café.

- Mas é que nem olho para trás!

 

O tal campónio que já nem parecia ser saloio tinha levado um Jipe, e seguiu com o meu Honda até à tal herdade.

Afinal não era só uma herdade, era uma escola de equitação metida no meio do pinhal, longe da estrada principal e vim a saber mais tarde ser uma escola para vips e era frequentada pela nossa melhor sociedade, sendo o tal saloio nada mais que o herdeiro daquilo tudo e o futuro Sr. Arquitecto de interiores.

Depois de as portas de herdade se abrirem automaticamente percorremos um longo caminho rodeado de frondosas árvores até chegarmos ao anexo que por fora mais parecia um barracão, junto aos estábulos.

O José Carlos, era esse o seu nome, mas “Zé Carlos” para os amigos, abriu a porta do anexo e convidou-me a entrar.

Era um espaço amplo aí para uns cem metros quadrados e decorado pelo Zé Carlos, que estava subdividido por maples, sofás e mesinhas de apoio. Numa parede havia uma lareira rodeada por duas portas de vidro opaco onde estava impresso numa, um desenho de um tipo de costas como a entrar (adivinhava-se ser o banheiro) na outra, um simples letreiro “Serviços”. Ao lado desta porta existia um Bar incrustado na parede onde se vislumbrava para além de garrafas e copos uma máquina de café.

Na parede do lado direito uma cozinha tipo americano com balcão para refeições.

A três quartos deste espaço estavam vários biombos que dividiam o salão pelo que seria o quarto, pois vislumbrava-se uma enorme cama redonda.

Assim de repente foi o que se me ofereceu analisar todo aquele espaço bastante acolhedor mais parecendo um platon de cinema para qualquer filme de Cowboys.

 

Já dentro daquele ambiente o Zé Carlos atirou.

- Este é o meu espaço decorado por mim num barracão que não servia para coisa alguma. Está à vontade. Tens café e qualquer bebida para te entreteres enquanto vou ver como estão os cavalos.

- Não posso ir contigo? Nunca estive numa estrebaria nem junto a cavalos.

- Se quiseres! Vem!

E lá fomos.

As Baias estavam todas fechadas. Só uma tinha a parte de cima aberta e quando o Zé Carlos abriu a luz, foi por essa janela que apareceu a cabeça de um cavalo branco que relinchou um pouco.

- Este é o meu “Zé Nabo” que não se vai dormir enquanto não lhe faço uma festa e lhe dou uma guloseima.

Ele retirou de um recipiente que estava ao lado qualquer coisa que não vi o que era, deu ao cavalo e fez-lhe uma festa. Relinchou, abanou a cabeça deu dois coices como agradecimento e lá foi para o fundo.

- Que se dava guloseimas a cães e gatos, sabia mas a meio da noite a um cavalo é que nunca tinha visto.

- Criei-o desde pequeno e é um amigo que aqui tenho. Quando estou cá, parece gente, não vai dormir sem lhe dar um afago.

- É também o que montas com mais frequência, não?

- Sim! É o único cavalo que trato, lavando-o, limpando-o e o monto para dar as minhas voltas.

- Nunca montei um cavalo!

- Não me digas! Temos que combinar isso!

- Já montei mas foram pirócas.

- Pirócas? Que é isso?

- Tu tens uma!

 

Kiss junto aoa cavalos

    Ele olhou para mim com ar de interrogação ao mesmo tempo que se encostou ao estábulo.

    A luz naquele corredor estava muito ténue e não estive com meias medidas, sem primeiro e rapidamente pensar: Olha! Seja o que Deus quiser, e atraquei-me a ele dando-lhe um tremendo beijo na boca.

    Qual não foi o meu espanto quando o recebeu prontamente num linguado saboroso.

    Descemos nossas mãos até dentro de nossas calças e começámos a masturbar furiosamente nossas pirócas até expelirem mesmo dentro das cuecas o esperma que saia abundantemente.

    Extenuados e com as pernas a tremer, largamos nossas bocas.

       - E Agora? (Disse eu.)

       - Não te querias sentar na piróca?

       - Tens forças para isso?

       - Vamos entrar, tomar o tal café. Lavarmo-nos e depois logo se vê.

    Era aquilo mesmo que queria ouvir. Demos um abraço e lá fomos. Se mais não houvesse naquela noite, pelo menos não estava perdida.

    Para quem já não tinha um namorado há muito tempo, estava no “tempo de viver” o resto que vá para o diabo.

 

    Até à entrada do anexo nada dissemos. Quando entrámos ele perguntou se gostava de música dos velhos tempos ao que respondi que sim.

       - Se quiseres podes ir ao banheiro. Na segunda gaveta do móvel tens vários boxes. Entretanto, vou preparar um copo e vou colocar um vídeo.

    Foi o que fiz. No banheiro havia de tudo. Chuveiro de massagens e o tal armário. Abri a primeira gaveta e espreitei. Estava recheada de vários cremes hidratantes, e de água assim como uma série de camisinhas e toalhetes. Na segunda, lá estavam vários boxers, curtos compridos de várias cores e bonecos e algumas t-shirts de alças.

    Se a minha casa tem condições para receber os meus amigos, aquela mesma implantada num barracão superava tudo e todos.

    Das duas, uma. Aquele gajo jovem rico e bonito era um grande putanheiro, sendo aquele espaço o seu coito de amor para as meninas ricas e malucas que frequentavam o picadeiro ou era uma grande bicha rica. Eu preferia que fosse flex como eu, pois estaria muito mais á vontade. Logo se iria ver. Dei uma duchada, vesti umas boxers com bonecos que tem um bolso no interior onde meti duas camisinhas e sai, preparado para o que desse e viesse.

    Quando sai do banheiro e entrei naquele espaço, deu-me a sensação de entrar num decor de cinema. Lá estava a lareira acesa, de dentro do bar saia um lusco-fusco que somente iluminavam as garrafas e os copos pendurados do tecto parecendo de cristal. Alguns projectores sobre os biombos que separavam o espaço, mostrando figuras atléticas do tempo romano. Do outro lado vislumbrava-se a tal cama enorme e redonda que notei movimentar-se ligeiramente em seu eixo.

    Estava embevecido com tudo aquilo como transportado para uma tela de cinema quando ele disse:

       - Tens ali (apontando para a zona da cama) uma mesinha de apoio com uma garrafa de vinho branco fresquinho e uns scones de guloseimas. Fica à vontade que eu já venho.

E meteu-se no banheiro.

    Ao mesmo tempo, num ecrã que ficava na suposta cabeceira da cama começou a passar um videoclip de Natalie Cole e Nat King Cole – Unforgettable, talvez para me dizer que estava a ser uma noite Inesquecível

    O espaço estava bastante quente derivado à lareira acesa. Enchi um copo de vinho e deitei-me todo nu apreciando aquele videoclip que até gostava, recordar a voz de Nat King Cole, era sempre bom. Naquela noite, estava a atravessar um momento inesquecível como diz a canção.

    Zé Carlos apareceu por trás de mim e beijou-me na testa.

    E deitou-se a meu lado também todo nu e já de pau semi-hirto.

Como tinha vinho ainda no copo, dei-lhe um pouco a beber e despejei o resto por todo o seu corpo indo de seguida beber aquele néctar espalhado pelos seus bíceps, até ao umbigo.

    Não esperando outra coisa, ele segurou minha cabeça e levo-a até ao seu pau que meteu em minha boca que chupando deliciosamente se foi acomodando e inchando em minha boca, um pouco húmido do vinho que tinha escorrido até ele.

    Quando senti haver algo já misturado com o sabor do vinho, elevei-me até à sua boca. Nos beijamos saborosamente durante algum tempo até que ele perguntou se não me queria montar na sua piróca.

    Não estive com meias medidas e lá fui para a posição de cavaleiro sendo ele o dorso do cavalo só que com piróca e pouco a pouco fui introduzindo aquele pau rijo e hirto dentro de mim.

    Estávamos loucos. Eu cavalgando e ele movimentando-se fudendo desabridamente.

       - É melhor não nos virmos já pois também quero cavalgar como tu.

    Mudámos de posição e passou ele a cavalgar na minha piróca ao mesmo tempo que se punhetava.

    Talvez por ele ser mais novo, não aguentou tanto tempo e do seu pénis saiu um jacto de esperma que se veio alojar em todo o meu corpo. Acabei também por não aguentar mais e depositei dentro daquele cú gostoso e apertadinho todo o meu néctar.

    Cuidadosamente, retirou meu pau dentro dele veio estatelar-se no meu corpo que começou lambendo o que tinha deitado sobre mim, até vir colar seus lábios nos meus onde assim estivemos ofegantes durante algum tempo até ficarmos de conchinha e adormecermos sem dizer palavra.

 

Cowboy depois de uma noitada

 

    De manhã quando acordei, estava só e senti que aquela não era a minha cama, nem aquela era a minha casa, portanto, não tinha sonhado. Levantei-me, vesti um roupão que estava aos pés da cama, percorri todo aquele espaço que parecia um cenário de um filme de cowboys e fui até à porta, abri-a e lá fora estava o Zé Carlos iniciando o seu trabalho movimentando um fardo de palha que devia ser o pequeno-almoço dos cavalos.

 

     Sonho? Realidade? Que importa! O principal é que você sonhou durante um bocado ao ler-me.

 

    Este conto levou quatro noites a escrever. Em principio este conto era para ser editado em “Historias & Historietas Eroticas” o meu outro blogue mas estou com problemas com a sapo portanto ficou aqui. Espero que tenham gostado.

 

   Nelson Camacho D’Magoito

              (O Caçador)

 “Contos ao sabor da imaginação”

          de Nelson Camacho

Contos para maiores de 18 anos

Estou com uma pica dos diabos: e feliz
música que estou a ouvir: unforgetteble
publicado por nelson camacho às 20:40
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