Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Homofóbico arrependido

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     Sentaram-se todos à mesa depois de os convivas terem sido recebidos no Salão pela dona da casa, Dr. Zulmira Castro, como manda a etiqueta e seu marido Dr. Manuel Castro, onde foram servidos aperitivos de boas vindas.

     A família e alguns amigos estavam todos reunidos para o Dr. Castro comemorar o prémio que tinha recebido referente a um trabalho que tinha desenvolvido sobre fertilidade.

     Entre todos aos amigos estava o Jorge, amigo do Luís Castro.

Jorge era a primeira vez que entrava naquela casa, embora todos soubessem da amizade desde a primária com o Luís 

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Antes de entrar na nossa história, queria perguntar se para si a homofobia é crime?

Apesar de na nossa constituição da república no Art.13º, n.º da Constituição dizer que: ” Ninguém pode ser privilegiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual"

Assim sendo, a homofobia pode ser contemplada como uma outra forma de discriminação, podendo ser classificada com um crime de ódio, podendo e devendo ser punida.

A homofobia tem causas culturais, religiosas, principalmente entre os católicos e protestantes, judeus, muçulmanos, e fundamentalistas. Mas mesmo entre estes grupos existem aqueles que defendem e apoiam os direitos dos homossexuais  lésbicas e simpatizantes.

 Mesmo em pleno seculo XXI, alguns países  aplicam até mesmo pena de morte contra os homossexuais.

No entanto, algumas vezes a homofobia parte do próprio homossexual, porque ele está num processo de negação de sua sexualidade e chega muitas vezes até a casar e constituir uma família, e pode até jamais assumir sua preferência.

A homofobia é como o racismo, anti-semitismo e outras  formas de intolerância já que procura negar a humanidade e dignidade a estas pessoas. Desde 1991, a Amnistia Internacional, passou a considerar a discriminação contra os homossexuais uma violação aos direitos humanos.

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 Depois deste preambulo, voltemos ao momento em que toda esta família entrava na casa de jantar.

 

Como se tratava de gente chada de Bem independentemente de no salão principal todos se movimentarem em amenas conversações até com o padre da paróquia que tinha sido convidado para o evento todos entraram acasalados. Somente o padre se fez acompanhar por D. Zulmira. Na cabeceira da mesa sentou-se o anfitrião ladeado por seus filhos, Luís e Isabel que por sua vez se acompanhavam por Carlos o namorado desta e Jorge o amigo de Luís. Lá ao fundo na outra cabeceira, D. Zulmira ladeada de amigas e do padre. No momento em que a refeição começou a ser servida, o padre levantou-se, pediu licença e abençoou o repasto e o convite fazendo uma pequena prelecção ao prémio que o anfitrião tinha recebido.

Posto tudo isto, via-se que esta família e amigos eram todos tementes a Deus embora lá mesmo no fundo de alguns não ser mesmo assim como é normal em famílias deste género.

O repasto começou depois de uma salva de palmas dirigidas ao padre pela sua prelecção e ao anfitrião pelo prémio recebido.

As conversas intercalares durante a refeição foram sendo de circunstância até que a certa altura D. Zulmira fez questão de anunciar oficialmente o namoro da filha Izabel com Carlos que era estudante de medicina e se preparavam para assim que finalizassem os cursos darem o nó.

Todos bateram palmas e o pai Manuel dirigiu-se ao filho que o ladeava à esquerda perguntou:

 

- E tu quando nos apresentas a tua namorada?

- Ó pai…. Deixe-me antes curtir a vida e na altura que achar oportuno ela logo aparecerá.

- Quer dizer que já anda por ai alguma de baixo de olho. Não me digas que é a irmã do Jorge. Mas ela não veio!..

- Talvez! Mas isso por enquanto é segredo e se não veio é porque está em Inglaterra a tirar um curso de formação.

- Quer dizer! Namoram por carta ou pela Internet como os jovens fazem agora.

- É mais ou menos

 

Para o Manuel e restantes conviva, ficou ali a explicação pela falta da namorada do Luís e pela presença do Jorge, suposto irmão daquela.

 

A refeição terminou e avançaram todos novamente para o salão onde serviriam o café e os respectivos aperitivos seguidos de um mini concerto em piano pelo Jorge que demonstrou ser um virtuoso musical. Todos ficaram deleitados por um Luís ter um amigo que até ali não conheciam, tão instruído. Luís aproveitou a deixa para também mostrar os seus dotes vocais e acompanhado pelo amigo cantou um tema de Pedro Abrunhosa “Para os braços de minha mãe”

Se todos os convivam ficaram estupefactos, mais ainda ficaram os pais, que nem adivinhavam os dotes do filho.

Ficou ali divulgado o segredo: Luís frequentava o conservatório Nacional de Música e o Jorge era seu colega e pianista.

Os pais esfusiantes dirigiam-se-lhe e observaram:

 

- Mas tu nunca contaste esta tua faceta?

- Vocês também não têm tempo para me ouvirem na maioria das vezes! Preocupam-se mais com a Isabel que estuda medicina e tem um namorado.

- Não sejas tão cruel. Ela continua a nossa área intelectual enquanto tu degeneraste para outra.

- Pois!... Cá em casa todos têm de ser médicos

  

 O Pai Manuel um pouco envergonhado pediu desculpa por não acompanhar os seus estudos e pediu desculpa por não ter tempo para tal. A filha já era diferente pois frequentava o curso de medicina no hospital onde trabalhava.

Até o padre se dirigiu a Jorge, aproveitando a circunstância e lhe pediu para dar um concerto na Igreja.

Todos entusiasmados abraçaram os rapazes, pediram bis e o namorado de Isabel comentou:

 

- Mas isto é digno de se servir um champanhe!

 

Logo o Manuel mandou abrir duas garrafas e Luís voltou depois de entregar uma taça ao Jorge, com este, voltaram a interpretar outra canção do Pedro “ Se eu fosse um dia o teu olhar”

Naquela noite todos se esqueceram que esta era dedicada ao Dr. Manuel Castro pelo prémio recebido pois estavam a assistir a um concerto intimista como nunca tinham assistido. As garrafas de champanhe foram-se abrindo misturadas com outras bebidas espirituosas enquanto os rapazes lá iam interpretando outras canções tipo chanson. Era o seu primeiro concerto e aprova de fogo para outro possível com outro público e quiçá um CD.

A noite foi-se prolongando até o começo da debandada dos convivas até no salão ficarem somente os donos da casa e o Jorge que sentado num sofá a um canto conversava com o Luís, cada um com o seu copo de Whisky.

Depois de D. Zulmira dispensar os criados abraçando seu marido foram junto do filho dar-lhe os parabéns pela surpresa e pedir-lhe desculpas por não saberem dos dotes deste. Deram também os parabéns a Jorge aproveitando a pedir-lhe voltar a ter a sua presença lá em casa e como seria óbvio com sua irmã já que era namorada do filho, assim que voltasse de Inglaterra. O rapaz, cortesmente disse que sim.

 

- Pai!.. Não te importas que o Jorge fique cá em casa? Ele já está com um copito para guiar e eu também já estou bem aviado e não me vou meter à estrada.

- Mas podemos chamar um táxi!...

- Pai. Ele mora em Sintra e a esta hora ia gastar uma pipa de massa.

 

Logo D. Zulmira que assistia à conversa atalhou…

 

- Mas pode ficar cá. São dois rapazes e certamente que não se importam.

- Pois! É por isso mesmo mulher. Então vão dormir os dois? Onde é que já se viu?

- Mas agente não se importa! - Atalhou Luís… Amanhã não aparecemos prenhos!....

 

Gargalhada geral

 

- Pois!.. Se fosse eu com o meu namorado já não deixavam… - Comentou Isabel que assistia.

- Menina… Tenha termos. – Respondeu Manuel – Se fosse o seu caso, seria o mais natural, agora dois homens?

- Não me diga que nem na tropa dormiu com um colega?

- Com a graça de Deus que isso nunca aconteceu.

- Bem já estamos com conversa a mais e a entrar num tema que nada me agrada. – Respondeu D. Zulmira – Os rapazes precisam de descanso e o melhor é deixa-los irem dormir e acabares com essa coisa de homofobia.

 

Foi com esta conversa de fim de noite que todos se dirigiram para seus quartos não sem os rapazes levarem um balde de gelo que ainda tinha algum com uma garrafa de champanhe.

Almoço do dia seguinte

No dia seguinte os Castros não foram trabalhar uns e outros nem foram para a escola, com excepção do Luís e do Jorge que se levantaram cedo e foram curtir a piscina pois estava uma manhã de sol os outros toaram o pequeno-almoço na cama onde permaneceram até à hora do almoço.

Por volta da uma da tarde a empregada doméstica avisou todo o mundo que o almoço estava pronto para ser servido.

Foi naquela segunda refeição do dia que todos se juntaram à mesa. Vinham todos vestidos como mandam a regras com excepção dos rapazes que se apresentaram ainda de calções t-Shirt de alças e toalha às costas.

 

Aos velos naqueles preparos o Dr. Castro comentou:

 

 - Meninos… mas isso são preparos para o almoço?

- Eles estiveram a curtir a piscina. Só tenho pena que o meu namorado também não tivesse ficado cá. – Comentou Isabel em tom irónico.

- Lá está a menina com ideias esquisitas… - comentou D. Zulmira – A menina tem tempo de dormir com o seu namorado quando chegar o tempo.

- Pois!... Vejam a sorte do meu irmão!.. Porque é homem já pode dormir com o dele.

 

O Dr. Castro cm tom irritado comentou:

 

- Menina tenha juízo… O que anda a aprender na faculdade? Dois homens não podem dormir juntos e já são namorados? Cá em casa não há disso!... Era o que faltava, termos homossexuais cá em casa.

 

  1. Zulmira talhou prontamente:

 

- Mas que ideias mais descabidas… Graças a Deus que o nosso filho não é desses….

 

- Desculpem mas certamente não se estão a referir a nós!.... - Atalhou prontamente o Jorge – Embora essa situação se passe em muitas famílias.

- Pode passar-se em muitas famílias mas a nossa é uma família digna e temente a Deus e essa coisa de dois homens se juntarem maritalmente não só não cabe na nossa cabeça como é impróprio. O homem fez-se para procriar e não para esses ajuntamentos.

 

Luís um pouco irritado com os desmantos do Pai respondeu:

- Mas não acha que uma coisa não tem a ver com a outra? O ser-se gay não quer dizer que não possa procriar. Até há muitos que são casados… Bem instalados na vida socialmente e têm amantes homens. Não têm nada a ver com os gays mas sim bissexuais. O Pai como médico devia saber isso muito bem.

- Pois… Meu filho. Na minha profissão já me deparei com casos desses não quer dizer que aceite.

- Quer dizer se eu fosse gay… o pai não me aceitava?

- Bem já estamos a estragar o almoço com esta conversa.

- Cá para mim o melhor é escolhermos outro tema para o almoço caso contrário fica-mos com o dia estragado e gostaria de continuar a festejar em família o evento de ontem – Atalhou D. Zulmira.

 

Efectivamente a conversa mudou de tema até ao final do almoço e nunca mais se abordou o tema da homossexualidade.

Da parte da tarde o Dr. Castro meteu-se no escritório, a mulher foi para junto das empregadas para as suas lides domésticas. Isabel meteu-se no quarto como habitualmente junto ao computador e os rapazes continuaram a curtir o Sol e a piscina.

Na hora do jantar o pai Castro quando saiu do escritório e se juntou no salão com sua mulher e viu o filho todo aparaltado com o amigo e prontos para saírem, comentou:

 

- Mas este rapaz ainda anda por cá? Porque não vai para sua casa?

 

O filho que ouviu o reparo, comentou:

 

- Sim o Jorge ainda anda por cá e certamente também vai cá ficar hoje, pois não tem ninguém em casa. Nós jantamos convosco depois vamos ao cinema e tomar um copo mas voltamos cedo. A Isabel para não ficar com inveja também podia convidar o namorado para um cineminha.

- Mas não era com vocês que íamos, pois não servimos de pau-de-cabeleira comentou Isabel que entrava no memento e ouviu o “toque “ do irmão e em tom sarcástico.

- Já falamos nessa coisa de namorados ao almoço e espero não voltarmos ao tema. Vamos mas é jantar. – Atalhou D. Zulmira.

 

O Jantar foi como é hábito em qualquer família com conversa de circunstância. Estavam entrando no salão para o café quando tocaram à porta: Era o namorado da Isabel que vinha para o café e para o namoro.

Juntaram-se a um canto e começaram a bichanar sobre a amizade do Luís com o Jorge.

 

- Então o Jorge ficou cá em casa? – Perguntou o Carlos

- Sim!... Os meus pais não gostaram muito mas o meu irmão já tem vinte e cinco anos, é o menino bonito cá de casa e eles têm que aguentar.

- E essa amizade com o Jorge? Não achas estranho?

- Eu não… Eles dizem que o meu irmão namora com a irmã dele e os meus pais acreditam.

- Mas ela não está em Inglaterra a estudar?

- Sim!... Ao que parece namoram pela internet.

- Pois!... Cá para mi, há gato….

- Nem toques no assunto aos meus pais que eles são uns homofóbicos de primeira apanha e se desconfiassem de alguma coisa era o fim da macacada. Olha, eles hoje dizem que vão ao cinema e tomar um copo e depois o Jorge volta a dormir cá. Hoje passaram o dia na piscina a trabalharem para o bronze.

 

Estavam tão entretidos a ratar nos rapazes que nem deram pela aproximação da D. Zulmira que perguntava:

 

- Então vocês ficam por cá? O Luís e o Jorge foram ao cinema.

- Se não se importar vamos lá para cima ver umas coisas no computador.- Perguntou o Carlos.

- Podem ir à vontade mas tenham juízo.

 

Carlos, com o ar mais malicioso deste mundo e abraçando-se a Isabel subiram as escadas e meteram-se no quarto daquela.

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Já todos dormiam e o Carlos depois de ter feito o que tinha a fazer já se tinha ido embora. O Luís e o Jorge entraram pé ante pé pois já eram quatro da manhã e dirigiram-se para o quarto.

Por acaso não foram apanhados pois se isso acontecesse haveria uma grande bronca pois entraram um pouco cambaleantes e de mãos dadas.

Ambos tomaram um duche para refazer as ideias e se deitaram não sem antes se beijarem sofregamente. Na cama envolveram-se em tamanhas volúpias de amor procurando que suas almas se juntassem numa só até adormecerem e se esquecerem de fechar a porta á chaves do quarto.

Foi tal a intensidade nocturna que de manhã nem acordaram e isso só aconteceu quando o pai Castro abriu a porta ao mesmo tempo que dizia:

 

- Meninos… Já são horas de se levantarem.

 

Tudo teria sido normal se o espectáculo que se lhe deparava não fosse o filho e o Jorge todos nus. Bem envolvidos num abraço tão amistoso, como ele há muito não dormia com a mulher.

 

O Castro não acreditava do que estava a ver e fechou a porta com grande estrondo.

Foi quando os rapazes acordaram meios estremunhados e aflitos.

Olharam um para o outro e encolheram os ombros como a perguntar. E Agora?

Tomaram um duche vestiram-se casualmente e desceram as escadas.

O Dr. Castro com cara de caso e sentado num sofá, ladeado pela mulher e filha, assim que viu os rapazes descerem as escadas disse:

 

- Temos de conversar!...

 

  1. Zulmira vertia lágrimas e soluçava. Isabel curtia a cena com ar malicioso, pois lembrava-se do alerta que o namorado lhe tinha feito na noite anterior. E também com um pouquinho de maldade.

 

Com o maior dos desplantes Luís deu a mão a Jorge e começou uma prelecção que ninguém esperava:

 

“- Somos felizes!... E agora? O que vão fazer? Correr comigo cá de casa como já tem dito se isto acontecesse? Já não sou vosso filho? Preferem um filho triste, acabrunhado para o resto da vida, só porque vocês não aceitam a minha sexualidade? Os pais do Jorge já sabem de nós porque tiveram tempo para o ouvirem contrariamente a vocês que têm passado a vida na igreja com benzeduras e olhando para o vosso umbigo. Já tenho vinte e cinco anos e sou dono de mim mesmo. Se não me querem cá, é já, pois a porta é serventia dos mais fortes e fiquem-se com os vossos complexos, preconceitos e longe das realidades dos novos tempos.

 O Gay é um homem como outro qualquer: Ama, chora, ri, trabalha, constrói, respeita-se, respeita os outros é temente a Deus e até pode procriar. Somente e sua forma de estar na sexualidade é outra…. Entendem?”

   

Manuel Castro, com as lágrimas nos olhos, e atento a tudo o que acabava de ouvir, levantou-se foi até ao escritório de onde trousse um velho livro de poemas e disse;

Desculpa meu filho… Com a minha forma de estar na vida ia acabando com esta família porque nunca tive tempo de ter tempo para ti.

Não filho… Não vais sair de casa nem o teu amigo que terá sempre uma porta aberta e gostaria de conhecer os seus pais e como não tenho palavras para te pedir desculpas, vou-vos ler um poema de Neimar de Barros, fazendo dele, as minhas palavras.

                          Não tenho tempo

                  

Sabe, meu filho, até hoje não tive tempo para brincar com você.
Arranjei tempo para tudo, menos para ver você crescer.
Nunca joguei dominó, dama, xadrez ou batalha naval com você.
Percebo que você me rodeia, mas sabe, sou muito importante e não tenho tempo.

Sou importante para números, conversas sociais, uma série de compromissos inadiáveis...
E largar tudo isso para sentar no chão com você...
Não, não tenho tempo!
Um dia você veio com um caderno da escola para o meu lado.
Não liguei, continuei lendo o jornal.
Afinal, os problemas internacionais são mais sérios que os da minha casa.

Nunca vi seu boletim nem sei quem é a sua professora.
Não sei nem qual foi sua primeira palavra; também, você entende...
Não tenho tempo...
De que adianta saber as mínimas coisas de você
se eu tenho outras grandes coisas a saber?
Puxa, como você cresceu!
Você já passou da minha cintura, está alto!
Eu não havia reparado nisso.

Aliás, não reparo em quase nada, minha vida é correr.
E quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora.
E se o uso aqui, perco-me diante da TV
A TV é importante e me informa muito...
Sei que você se queixa, que você sente falta de uma palavra,
de uma pergunta minha, de um corre-corre, de um chute na bola.
Mas eu não tenho tempo...

Sei que você sente falta do abraço e do riso,
de andar a pé até a padaria, para comprar guaraná.
De andar a pé até o jornaleiro para comprar "Pato Donald".
Mas, sabe, há quanto tempo não ando a pé na rua?
Não tenho tempo...

Mas você entende, sou um homem importante.
Tenho que dar atenção a muita gente.
Dependo delas... Filho, você não entende de comércio!
Na realidade, sou um homem sem tempo!
Sei que você fica chateado, porque as poucas vezes que falamos
é monólogo, só eu falo.
E noventa por cento é bronca: quero silêncio, quero sossego!
E você tem a péssima mania de vir correndo sobre a gente.
Você tem mania de querer pular nos braços dos outros...
Filho, não tenho tempo para abraçá-lo.

Não tenho tempo para ficar com papo-furado com criança.
Filho, o que você entende de computador,
comunicação, cibernética, racionalismo?
Você sabe quem é Marcuse, Mc Luhan?
Como é que vou parar para conversar com você?
Sabe, filho, não tenho tempo, mas o pior de tudo,
o pior de tudo é que...

Se você morresse agora, já, neste momento,
eu ficaria com um peso na consciência, porque,
até hoje, não arrumei tempo para brincar com você.
E, na outra vida, por certo, Deus não TERÁ TEMPO de me deixar, pelo menos, vê-lo!

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As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

 

          Nelson Camacho D’Magoito

      “Contos ao sabor da imaginação”

             Para maiores de 18 anos

                © Nelson Camacho

2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

 

 

 

 

 

 

Estou com uma pica dos diabos:
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

Macelo Caetano tinha razão

 

     Marcelo Caetano, último primeiro-ministro do anterior regime, deposto pelas armas no golpe militar de 1974 em Portugal, no brasil para onde foi deportado, disse a maior das verdades que um político disse até hoje e já lá vão 40 anos.

 

“ Em poucas décadas estaremos à indigência, ou seja, à caridades das outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar em de independência nacional.

Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suíça, o golpe de estado foi o princípio do fim.

    Só nos resta, o Sol, o turismo e o servilismo servido de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa.

Veremos alçados ao poder analfabetos, menino mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data.

A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes de Republica.”

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E agora, digo eu:

Livramo-nos de uma ditadura, corremos com um primeiro-ministro que nos levaria a um estado invejável. Hoje temos um amargo de boca por aquilo que fizeram e votamos em liberdade nos ladrões e vigaristas oriundos de todas as classes sociais. Temos fome, não temos empregos nem escolas ou saúde, mas porra! Temos liberdade de expressão.

 As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

 

       Nelson Camacho D’Magoito

                       “Ao sabor das ideias”

                   Para maiores de 18 anos

                     © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

 

Estou com uma pica dos diabos:
música que estou a ouvir: Eles comem tudo
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Um livro perdido um amor encontrado

     Não tenho a culpa, mas sou assim mesmo. Meio despassarado. Ainda não aderi totalmente às novas tecnologias ou seja, essa coisa dos Tabletes, telefones e computadores portáteis ainda não entraram no meu modo de viver. Quanto aos telefones portáteis, tenho dois dos antigos, sem complicações pois servem única e simplesmente para o fim para que foram inventados. Com isto tudo já que escrevo umas coisas como faço quando me saltam ideias à mona? É fácil… Ainda uso um pequeno gravador onde debito as ideias quando vou a conduzir ou um livrinho de apontamentos onde vou escrevendo essas ideias. Como é óbvio, quando chego ao meu canto de escrita oiço o que gravei e leio o que escrevi e então passo para o meu “monstro do computador” que também é antigo e de torre.

      Tinha passado um fim-de-semana bastante agradável em conjunto com uma série de amigas e amigos em casa de uma delas onde fizemos uns churrascos acompanhado de bom vinho, afagos e beijinhos. Tudo foi bom, menos os beijinhos pois eu era o único que não tinha namorada ou namorado. Todos os outros estavam acasalados. Ao fim da tarde de Domingo foi a debandada e cada um lá segui-o o seu caminho.

     Quando cheguei a casa, veio a solidão! Não a solidão que muita gente apregoa do estar só entre “quatro paredes” pois há muita gente que está só mesmo rodeado de familiares e amigos. Naquela noite senti uma solidão das mais estranhas. Depois de um duche bastante reconfortável fui até ao quarto e quando olhei para a cama onde me iria deitar, esta estava só. A cama estava feita com lençóis de seda que tinha feito na sexta-feira e um peluche que um dia alguém tinha deixado quando partiu mas estava vazia como diz o fado do Tony de Matos “Lugar vazio”.

     Coloquei na aparelhagem o novo CD do FF “Saffra” Uma obra-prima de poemas e voz. Acabei por adormecer!..

   

     Ai pelas sete da manhã, acordei ao som de uma bátega de água que batia fortemente na janela do quarto. Levantei-me e fui até ao quintal. Tinha ao que parecia, acabado definitivamente o verão. Ainda estava lusco-fusco e os relâmpagos vindos do céu sem estrelas viam-se ao longe. Era uma cena fantasmagórica que metia medo. Fechei a porta para não entrar água e fui preparar o pequeno-almoço (Uns ovos mexidos e uma fatias de presunto e o sumo natural de duas laranjas com duas pedras de gelo) Dizem que não se deve tomar banho a seguir às refeições mas como sou do contra, fui tomar o duche matinal depois de fazer a cama – sabemos sempre como saímos de casa mas nunca sabemos como ou com quem voltamos e pelo menos o quarto deve estar sempre pronto a uma aventura -.

     Nos entre tantos já tinha passado duas horas e o São Pedro que é nosso amigo parou com a sua má disposição e alterou o tempo. Já não chovia. O céu estava resplandecente de brilho, as nuvens que já tinham vertido toda a sua água deixava entrar o sol forte e limpo.

      E agora o que faço com este dia espectacular? Pensei.

     Vesti uns calções uma t-shirt de alças e agarrei no saco de praia e fui de abalada com a ideia de ir tomar uma banhoca e dar umas corridas no areal da Praia Grande.

     Quando lá cheguei, na praia propriamente dito, não estava ninguém. Todos se tinham assustado com o temporal da noite. Eu também fiz o mesmo e fiquei-me pela esplanada do hotel. Entretanto já eram treze horas da tarde e alguns veraneantes que certamente tinham saído de casa cedo já estavam almoçando.

     Normalmente o meu almoço é sempre depois das catorze e como sou um pouco diferente de muita gente, também como aperitivo em vez do Vermute habitual bebo sempre um Porto. Foi o que aconteceu. Mandei vir um Porto e estiracei-me num cadeirão bebericando enquanto ia germinando mais uma história procurando em minha mente as personagens certas para a trama. As luzes na minha mente com a ajuda dos raios solares lá iam surgindo. Como não sou muito de fixar na memória as história que vou engendrando peguei no gravador e lá fui debitando as ideias que iam surgindo ao mesmo tempo que ia bebericando o meu Porto.

     Quem me visse um pouco ao longe diria – Lá está mais um maluquinho falando sozinho – pois falar para um gravador não é o mesmo que estar ao telemóvel.

      O tempo foi passando, bebi mais outro Porto e acabei por pedir uma salada com peito de vitela (é uma salada de legumes e dois nacos de lombos de vitela grelhadas) para a dieta que ando a fazer. Era a ideal acompanhada de um Vinho Branco de Reserva de Reguengos, bem fresquinho.

     Ao que parece, não é muito hábito este tipo de comida por um português e digo isto porque despertou a atenção de alguns veraneantes que estavam saboreando uns, “cozido à portuguesa” e outras “Feijoada”. O único de degenerava dos outros, era um moçoilo de porte atlético de cabelos desgrenhados e loiros comendo um “prego” acompanhado de muitas batatas fritas. Ou seja, estava a trabalhar para o colesterol. Creio não ser o seu desejo final pois em cima da cadeira ao lado tinha um fato de surfista e uma prancha de surf. Devia estar à espera das tais ondas que eles tanto gostam ou de algum amigo. Sem saber bem o porquê, de vez em quando trocávamos olhares.

     O tempo passou até chegar a tarde que se adivinhava húmida e sem graça. Surfistas, nem vê-los.

     Alguns transeuntes no passadiço lá iam, uns correndo outros calmamente iam-se passeando.

    Resolvi ir embora pois o São Pedro começava a espirrar algumas gotas de água que iam salpicando o areal e se ia enchendo de buraquinhos como quem diz – Acabou a praia por hoje -.

      Peguei na chave do carro, no gravador, no maço de cigarros e fui-me embora. Em cima da mesa ficou a revista Volante que era do café.

      Já estava em casa e depois de ter preparado o jantar e ter tomado um belo duche e pronto para a janta frente à televisão para ver a Novela “O Beijo do Escorpião”. Estava como é meu hábito em calções e de tronco nu quando tocaram à campainha. Fui até à janela ver se conseguia ver quem seria aquela hora mas nada vi a não ser um carro ainda com as luzes acesas frente à minha porta, Desci as escadas e abri a porta. Deparei-me com o tal loirinho que tinha visto na praia e que tínhamos trocado olhares. Fiquei banzado! Como era possível?

        - É o Sr. Nelson?

        - Sou!.. E você?

        - Sou o Jorge!.. o moço que esteve na esplanada da Praia Grande hoje à tarde.

        - E então? Como me descobriu e a que vem?

        - Você deixou por baixo da revista Turbo o seu livro de apontamentos e como tinha lá a sua morada e também mora aqui perto antes de ir para casa jantar, vim traze-lo, pois certamente lhe vai fazer falta.

      Efectivamente na contracapa de todos os meus livros de apontamentos tem escrito em memória de meu pai que fazia o mesmo “Se este livro for achado e porque só a mim me interessa entregue-o em; ( e lá estava a minha morada)”

         - Foi muito simpático da sua parte e muito obrigado, pois são os apontamentos com algumas dicas que me vou lembrando para mais tarde utilizar nas minhas escritas.

        - Você vai-me desculpar mas foram essas dicas que estive a ler e fez-me vir traze-lo. Ao que li, você é escritor e tem lá coisas bastante interessantes. Algumas sobre temas que me interessa bastante.

       - Efectivamente, tenho vários blogues onde escrevo umas coisas, sendo o principal “O canto do Nelson”. Mas estamos aqui a conversar à porta e você ainda não jantou. Não quer entrar? O jantar é simples mas ainda dá para mais um.

        - Não vou dizer que não! Vou só fechar o carro e telefonar para casa a dizer que vou mais tarde.

     Posto isto, o Jorge entrou. Encaminhei-o até à sala, servi-lhe um Porto como aperitivo e fui colocar mais um talher na mesa.

         - Sabe? Na esplanada verifiquei que em vez do Vermute habitual de toda a gente, você também utilizou o Porto. É algum fetiche?

       - Não… Não tenho fetiches, simplesmente gostos diferentes da maioria das pessoas. Por exemplo você gosta de Surf e não é um fetiche. É uma forma de estar na vida bastante saudável. Para mim o vinho também é bastante saudável quando vem directamente da natureza e ainda por cima é nosso.

       - Tem toda a razão!.. É por isso que vai até à praia em busca de ideias para as suas escritas?

      - Sabe… Não fiz nem nunca irei fazer Surf mas gosto do desporto e como uma amiga diz “também serve para limpar a vista”. Por vezes de uma maneira ou de outra, conheço rapaziada livre de preconceitos com quem faço amizades. Veja o nosso caso.

       - Você ainda vai fazer Surf comigo e vai ver que gosta. Por mim vou passar a gostar mais do tipo de escrita que faz, pois são realidades e você vai passar a gostar de praticar Surfe.

      - Vamos ver… Vamos ver…

      - E quanto à novela “O beijo do Escorpião” o que me diz?

     - Gosto principalmente porque tem vária tramas que são realidades e bons desempenhos dos actores e até versa o tema de homossexualidade de uma maneira bastante condigna mostrando realidades que sabemos existirem mas que muita gente não que acreditar ou não aceita. Já a novela “Sol de Inverno” também foca outro caso de homossexualidade tratando a adopção  e os resultados que um dia podem dar quando feito por casais de gays.

     - Por acaso também gosto do Beijo do Escorpião por essa mesma razão. Posso confessar que já tive um caso idêntico, mas não chegou ao casamento, mas as situações com a família foram idêntica.

       - Já vi que nesse caso estamos de acordo. Hoje o seu amigo não chegou e esteve só na praia e nem chegou a ir ao mar.

       - Sim! Tenho um amigo e ontem chateamo-nos e hoje não apareceu.

       - E já dura há bastante tempo?

       - Há coisa de um ano mas a família dele nada sabe e é um problema.

       - E a sua?

       - Vivo só com minha mãe e ela é uma mulher bastante aberta para as realidades, sabe das minhas tendências e só me diz para ter cuidado e não andar com putos. Que procure uma pessoa mais velha e com experiência de vida e situação estabilizada.

        - Estou a ver!..

        - Está a ver porque trocamos olhares esta tarde na praia?

        - Não me diga que sentiu borboletas na barriga?

       - Não!.. Achei que você tinha algo de especial e depois de ler os seus apontamentos em vez de deitar o livro fora tentei encontrar a minha sorte.

         - E acha que encontrou?

      Na altura deste diálogo já tínhamos acabado a refeição. Já tinha começado a novela e já tínhamos com os braços esticados em cima da mesa, colocado as mãos em cima umas das outras.

         - Queres café? – Perguntei.

         - Sim… já agora…..

      Segurei-lhe numa das mãos e encaminhei-o até ao escritório. Que é o meu “Canto de escrita” onde tenho a máquina de café. Liguei a outra televisão para continuar a ver a telenovela, tirei duas bicas, enchi dois copos de Whisky e sentamo-nos no sofá já sem dizer mais nada.

      A novela acabou, veio a maldita da publicidade. Com o comando desliguei a televisão, olhamo-nos olhos nos olhos durante uns segundos e fui eu que senti as tais borboletas na barriga e nos beijamos sofregamente.

      Aquele beijo foi algo de especial. Tão especial que se tornou numa química tão contundente que nos levantámos e começámos por tirar as t-shirts. O resto foi ficando pelo caminho até ao quarto e deitamo-nos no ninho do amor onde tudo aconteceu até adormecermos cansados mas felizes. Tinha acontecido poesia sexual.

     

 

Adormecemos ao som do belo poema “Saffra deste ano” na voz inconfundível de FF – Fernando Fernandes.

 - Clique aqui para ver o video - 

http://www.youtube.com/watch?v=T62T9RNHoWE

As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

       Nelson Camacho D’Magoito

          “Contos ao sabor da imaginação”

               Para maiores de 18 anos

                  © Nelson Camacho
  2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

 

aaaaaaaaaa 

 

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 17:09
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