Domingo, 28 de Dezembro de 2014

Não Beijo – 1 Capitulo

Não Beijo

 

1º. Capitulo

Há sempre um tempo em que a juventude na febre de viver depara-se com algumas armadilhas que a vida se lhes apresenta principalmente quando se propõem a abandonar a província e rumam à grande cidade.

Todos conhecemos um ou outro belo rapaz que emigrou do interior para a grande cidade onde procuram a sua sorte. Nesse aspecto, a grande aventura de Pedro, longe da sua terra longínqua e do conforto dos familiares, na grande cidade, depois de experimentar vários empregos na hotelaria e em pretensos cursos de teatro e concursos de TV com o intuito de se tornar famoso derivado ao julgar ser fácil a sua promoção como muitos outros que entraram em princípio como figurantes em novelas em que os protagonistas são belos rapazes que beijam belas raparigas e andam em brutos carros e levam uma vida de luxo, não sabia que na realidade não era assim tão fácil. As tentações são grandes e as escadas para o sucesso são bastantes ingremes e por vezes acabam no consumo da droga ou na prostituição.- Umas vezes para conseguirem determinado papel na profissão tão desejada, porque um favor paga-se com outro favor ou porque os workshops têm de se pagar assim como a renda do quarto e os fatos de marca.- Acabam por cair em armadilhas mais fáceis e estas são a prostituição.

Particularmente o Pedro tornou-se em mais um igual a tantos outros que às escondidas vai fazendo a sua vida dupla, com a particularidade de não beijar, não chupar e nem se deixar beijar, acalentando sempre ser assim, conseguir o sonho de se tornar naquela vedeta de novela que via na sua terra através da TV. Esqueceu-se que esse mundo é um mundo sombrio receptáculo de todas as decepções mas onde brilha a ténue clarão do sonho.

 

O que atraia em primeiro lugar a Pedro era sem dúvida a inocência da idade e do Antes da queda que o fazia baixar os olhos quando se falava daquelas “coisas” e se desviava de venais avanços de colegas, protectores ou promotores de facilidades.

 

Com um perfil voluntarioso e um olhar obstinado para as coisas é agarrado pelos predadores sempre à espreita de uma boa ocasião para fazerem dos Pedros seus pupilos.

 

“Não beijo nem chupo sem quero que me beije” é sempre a resposta pronta na língua quando é abordado para pagar um favor de uma audição”.

 

As “coisas” que sempre foi ouvindo aqui e ali entre colegas, rapaz provinciano em que julgava ser “chegar e vencer”, afinal não era verdade. Os favores pagam-se!...

Por várias vezes Pedro foi assediado a prostituir-se mas a resposta era sempre a mesma “Não faço essas coisas”.

 

- Não me digas que queres continuar a ser virgem! – Diziam alguns.

 

Um dia entrou num workshop. Pagou a primeira mensalidade com o ordenado que tinha ganho no café onde estava empregado, mas quando chegou ao segundo mês e porque tinha de pagar o quarto não teve dinheiro para continuar o segundo mês e contou o caso ao Fernando, um promotor artístico. Este perguntou-lhe se era mesmo a sua paixão seguir a arte de representação. Pedro confessou que tinha vinda da província para ser actor ou cantor e o seu grande sonho era vir a ser uma grande vedeta e mostrar aos seus conterrâneos que contrariamente ao que eles diziam, não era só bonito mas também tinha valor e era alguém.

Fernando ouvi-o com toda a atenção e disse-lhe que tudo se arranjaria. Era uma questão de conversarem melhor e para tal convidou-o para jantar a fim de combinarem como o poderia ajudar.

Foram jantar a um dos melhores restaurantes da capital ode Fernando lhe contou ser um dos melhores empresários da capital e já tinha dado a mão a outros nas mesmas circunstâncias. Este ficou deslumbrado com as histórias que o outro lhe contou até porque os nomes mencionados eram de facto já vedetas do estrelado nacional, tanto como actores como cantores.

A meio do jantar entrou uma das vedetas que o Fernando tinha mencionado acompanhado por uma linda mulher, que passando por eles o vieram cumprimentar e foram apresentados ao Pedro.

Depois se se terem afastado para a sua mesa, em tom de surdina Fernando comentou:

- Como vês!.. Depois de se tornarem vedetas já tem dinheiro para vir a estes restaurantes acompanhados de boas mulheres.

 

Pedro olhou em volta e só nessa altura é que verificou o requinte do restaurante e perguntou:

 

- Achas que posso vir a fazer aquela figura?

- Está tudo nas tuas mãos. Se seguires as minhas recomendações e fizeres um contrato como teu manager, tudo é possível. É óbvio que tens de estudar bastante.

- Estou pronto a estudar e fazer alguns sacrifícios. Não sei é se o meu ordenado lá no café dá para tudo. Lá tenho as refeições pagas e dá-me para pagar o quarto. Não dá e para pagar os estudos.

- Mas isso não é problema. Se já tens as refeições, não passas fome, quanto ao quarto podes ficar em minha casa. Vivo sozinho, e enquanto não te arranjo trabalho numa novela ou para gravares um disco, lá em casa podes estudar e já poupas na despesa do quarto.

 

Aquela proposta para o Pedro era aliciante e este já se estava a imaginar uma vedeta nacional com a ajuda daquele amigo.

 

- Então que achas da minha proposta? – Perguntou o Fernando.- Se quiseres, podemos ainda hoje ir a minha casa para veres que não é nenhum casebre e amanhã pago a tua mensalidade lá na escola.

- E ficava já lá?

- Isso é contigo!

- Mas primeiro tenho que me despedir do quarto a arranjar a roupa.

- Mas isso também é contigo.

 

Pedro estava ainda mais hilariante com toda aquela oferta. Nem sonhava era em que é que se ia meter.

 

Depois de jantarem, meteram-se no carro e lá foram. A meio do caminho Pedro notando que o Fernando não lhe tinha perguntado onde morava e verificando que o caminho não era para sua casa, perguntou com toda a sua inocência:

 

- Mas vamos já para tua casa?

- Vou só mostrar-te onde moro – A mesmo tempo que lhe punha a mão na perna.

 

Pedro estremeceu um pouco:

Fernando notando, comentou:

 

- Estás com medo?

- Não!...

- Parece que estremeceste um pouco. Sou um tipo sério. O que está combinado está combinado.

- Não!.. Não é isso!... É que nunca me tinham posto a mão na perna.

 

Fernando, tipo sabido não se adiantou mais e depois de uns segundos de pausa e pensar que estava frente a um provinciano mas não parvo e que seria difícil levar a água ao seu moinho comentou:

 

- Mas já te disse que que só aceitas o meu convite se quiser. Só te vou mostrar onde moro e bebermos um café.

- Desculpa!.. Não fique chateado com a minha reacção. O que está combinado, está combinado.

 

Era o que o Fernando queria ouvir. Dali para a frente já sabia como iria tratar da questão.

Entretanto chegaram a casa. Subiram e entraram mudos como se nada tivesse acontecido e já fossem grandes amigos.

 A casa do Fernando era uma casa toda moderna. Um grande holl de entrada com cinco portas que o Fernando não abrindo nenhuma delas só as indicava. Uma era a casa de banho das visitas, a outra da cozinha, uma outra ao lado, da casa de jantar. A quarta, de estrada para a suite e a quinta bastante grande com vidrinhos em quadrados translúcidos por onde entraram e que era o salão.

O salão era bastante grande com vários maples, sofás, mesinhas de apoio, lareira, um piano de cauda e um bar encastrado numa mas paredes.

 

Pedro olhando para a grandeza daquilo como nunca tinha isto comentou;

 

- Epá esta área é maior que a minha casa toda lá na província. Só falta a televisão.

- Não seja por isso. – Fernando carregou num comando que estava em cima do balção do Bar e numa das paredes desceu automaticamente um maravilhoso quadro de Malhoa “A Severa” e apareceu o Plasma que mais parecia uma tela de cinema. - pelo seu tamanho -.

- Pedro ficou deslumbrado com tudo aquilo. – Na sua mente já se via a morar naquela casa que para ele era um palácio.

 

Fernando que já estava traz do balcão do Bar recheado de garrafas e copos dos mais variados feitios perguntou:

 

- Queres um café com uma aguardente velha ou com um Whiskey?

- O que tu beberes – Pedro já o estava a tratar por tu -.

- Primeiro vou beber um whiskey. Tu queres com gelo, água castelo ou simples? Eu vou beber simples para não estragar a água. - e riu-se -

 

Ambos se riram com a dica, do “não estragar a água”

 

- Então! Gostas da casa? Como vês até tens piano para estudares as cantigas.

- Ma não sei tocar nada, Só campainhas de porta.

- E tocas bem?

- Quando era miúdo lá na terra a malta entretinha-se a tocar hás campainhas e depois fugíamos.

- E era essa aa malandrices que faziam? E uns com os outros não faziam nada?

- Diziam que havia um que fazia umas coisas, mas eu nunca fiz nada.

- E porque não?

- Uma vez vi dois a beijarem-se e a baterem umas punhetas.

- E tu nunca o fizeste?

- Só uma vez é que fizemos umas punhetas para ver quem se esporava mais longe.

- E tu ganhaste alguma vez?

- Epá… Eram brincadeiras de crianças. Isso agora não interessa nada.

- Quer dize que agora que já és crescido não o fazias…

- Não sejas parvo. Agora só fodo e uma ou outra vez quando estou aflito.

- E sozinho ou a dois?

- Epá!... Já estivemos a falar melhor.

- Mas tens namorada?

- Cá em lisboa ainda não arranjei nenhuma.

- Quer dizer que bastas-te sozinho!...

- Epá!.. Isso agora não interessa nada.

- Desculpa mas era só para saber. Mas também digo. “Agora não interessa nada. Como diz a outra” De qualquer das formas deves andar cheio de rebarba. Qualquer dia estás virgem.

 

Ambos se riram e voltaram a botar mais uns whiskies nos copos.

Quem já estava cheio de rebarba era o Fernando, mas não se queria adiantar mais, Já sabia tudo sobre o puto do que queria saber. E com a experiência que tinha daquelas coisas para não o perder, achou por bem não adiantar mais a conversa sobre a vida sexual do amigo, pois iria estragar tudo.

 

- Esta conversa está muito animada mas amanhã é Sexta-feira entro ao serviço às oito horas da manhã e não quero chegar tarde se não o patrão manda-me embora. No sábado estou de folga e no Domingo o café está fechado portanto o melhor é não abusar.

- Quer dizer que Sábado e Domingo não trabalham? És um sortudo com dois dias de folga.

- É verdade. Um dia é a minha folga e o outro é porque á assim mesmo

- Então podes mudar-te para cá na sexta à noite? Sempre queres? Ou queres pensar melhor?

- Se me ensinares a tocar piano, venho! – Respondeu o Pedro ao mesmo tempo que se ria

- Se te predispuseres a aprenderes outras coisas, tens uma casa aberta. E amanhã pago lá na escola a tua mensalidade. Queres ou não?

- Sou bom aluno e já disse que estou pronto para tudo. Já vi que és um tipo porreiro e de confiança.

 

Fernando adivinhando que ia ter ali um amigo durante algum tempo, não só porque seria fácil molda-lo a seu jeito e com muito boa apresentação para o acompanhar e ainda por cima virgem, com um grande sorriso e quase a beijá-los comentou em ar de graça.

 

- Ainda vamos bater umas punhetas. Bem agora vou levar-te a casa e encontramo-nos na escola amanhã à noite.

- Essa de me ires levar a casa agradeço agora essa de batermos umas punhetas é que não sei!... Eu nem sequer beijo ou beijei um gajo…

 

Ambos se riram. Acabaram com a bebida e Fernando foi levar o Pedro a Casa.

 

Fim do 1 Capitulo

Para ler o que se passou a seguir clique (2 Capitulo)

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Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

 

           Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação” (257)

             Para maiores de 18 anos

                 © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 08:25
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Não Beijo – 2 Capitulo

Não Beijo

(Veja o 1º.Capitulo)

Aquela sexta-feira foi um martírio para o Pedro. Às setas da manhã ainda um pouco estremunhado com o pouco sono que tinha feito lá se levantou e consegui-o chegar a horas ao café onde trabalhava. Não foi só o patrão mas também os colegas notaram que ele andava um pouco acabrunhado. O patrão que sabia que ele andava nas aulas para se candidatar a actor ainda lhe perguntou:

 

- Ontem depois das aulas tiveste festa. Estás com uma cara que mete medo.

 

Um colega que passava e ouvia o dito do patrão, também comentou:

 

- Então ele não quer ser actor!.. Aquilo não é nada fácil. Tenho um amigo que também andava nessas loucuras e agora anda metido na droga.

 

O patrão não gostou da brincadeira pois gostava muito do Pedro e acabou com a conversa mandando-o trabalhar ao mesmo tempo que advertia que lá em casa não se discutia a vida privada de cada um.

Pedro foi lavar a cara para se recompor e lá foi trabalhar. O dia foi um martírio pois andava sempre lembrando-se do que se tinha passado em casa do Fernando com as suas promessas. Aquela casa não lhe saia do pensamento. Não a tinha visto toda, mas pelo que viu, só o salão tinha tudo o necessário para se viver e a sua casinha lá na terra até cabia dentro daquela sala. Estava deserto do fim do dia para ir à escola de actores colher mais uma lição e encontrar-se com o Fenando para saber se ele tinha ou não pago-lhe a mensalidade conforme o prometido. 

Quando chegaram as dezoito horas, nem esperou pelo jantar. As Aulas começavam às vinte e uma e não tinha muito tempo pois ainda tinha de passar por casa para buscar um saco com uma muda de roupa pois ia ficar em casa do Fernando Sábado e Domingo.

Quando chegou à Escola D’Árte, ainda lá estava o Fernando até porque também dava aulas no período do tempo do Pedro.

Cumprimentaram-se como era normal sem dar nas vistas perante os outros que já se conheciam fora da escola o que agradou bastante ao Pedro.

Fernando antes da aula e porque se aproximava um fim-de-semana fez uma pequena prelecção e entregou umas fotocópias da peça “Duas horas para se amarem” de Konsalink” para estudarem nos dois dias seguintes.

Nas fotocópias que entregou ao Pedro, no meio das folhas sobressaia uma amarela onde no meio estava escrito. “A mensalidade já está paga- Espero-te no café ao fim da rua”  

 

Maior discrição que esta não podia haver.

 

As aulas terminaram um pouco mais além do habitual pois tinham tido a visita de um actor principal que de vez em quando visita a Escola D’Art para dar incentivo e alguns conselhos ao futuros actores, fazendo-lhes ver que não basta querer. Têm que estudar bastante, serem humildes, e talento acompanhado de um pouquinho de sorte.

Pedro naquela aula bebeu sofregamente todos os conselhos e ensinamentos. Ele não sabia ainda se tinha ou não talento, mas tinha uma grande força de vontade e quanto a sorte, parecia que também a tinha quando conheceu o Fernando.

As sirenes tocaram, as luzes foram-se apagando e cada um foi saindo levando consigo os sonhos de alguns que um dia se tornaria realidade e outros nem tanto.

O Pedro foi logo dos primeiros a sair, pois queria chegar ao café antes do Fernando só para ver a forma engraçada como ele andava.

Fernando demorou uns vinte minutos a chegar e o Pedro impaciente, já tinha fumado três cigarros e bebidos dois cafés.

 

- É esse o saco de toda a tua roupa? Perguntou o Fernando mal entrou e olhando para o pequeno saco que estava em cima da cadeira.

- Epá isto é só uma muda para o fim-de-semana.

- Mas sempre queres ficar em minha casa ou é só o fim-de-semana?

- Não estás a brincar comigo?... Ontem disse que aceitava viver em tua casa e não vu voltar a traz.

- Era só para saber se estás ou não disposto a seres meu pupilo.

- Acho que não vale a pena dizer mais nada. Olha!.. Sabes uma coisa? Ainda não jantei e vou pedir um prego. Tu o que vais comer? Já jantas-te?

- E se comecemos em minha casa? Tenho sempre uns congelados para aflições de momento.

- Também está certo… São menos uns trocos que gastamos.

 

Assim que chagaram a casa a primeira coisa que fizeram foi guardar o saco do Pedro no chamado “quarto de vestir”. Seria o segundo quarto da casa que Fernando tinha transformado em quarto de vestir e ginásio. Fernando abriu uma das portas que rodeava as paredes e onde constava a palavra “Para os Amigos” e pegando no saco do Pedro disse-lhe ser este o seu espaço.

Pedro ainda julgou ser a entrada para um quarto que seria o seu, mas não. Era um amplo armário com várias gavetas, uma sapateira e guarda-fatos onde a um canto estavam dois robes.

Pedro depois de depositar o saco no chão, fechou a porta do seu espaço e começou a olhar para tudo aquilo, enquanto Fernando se despia e vestia uns Boxers de dormir e uma t-shirt de alças ao mesmo tempo que se desculpava:

 

- Desculpa o meu à-vontade mas em casa gosto de andar assim.

- Mas a casa é tua e estás como quiseres.

- Mas também te podes por à-vontade, desde que não andes nu pela casa fora. Cá para mim, nus!... Só no quarto ou na cama.

 

Pedro ainda sem pensar onde se estava a meter, só despiu o Blazer e ficou em mangas de camisa, não deixando de olhar para aquele espaço todo rodeado de armários e roupeiros. Havia também máquina de musculação, passadeira e bicicleta. Um verdadeiro ginásio.

Havia ainda um pequeno balcão onde constava uma máquina de café de cápsulas um pequeno depósito de água fria e normal assim como várias bebidas energéticas. Um verdadeiro miniginásio.

Este espaço era em anexo à suite ou seja, o quarto principal dividido por uma porta de vidro fosco não se vislumbrando a zona de dormir.

Pedro por mais que espreita-se por todo o lado não havia meio de ver onde seria o seu quarto e sendo a primeira vez que entrava naquele espaço da casa e não vendo mais portas ainda lhe deu vontade de comentar que só havia um quarto, mas achou melhor estar caladinho e acompanhou o Fernando até à cozinha.

 

- Gostas de bacalhau com natas? É o mais rápido de se fazer. É só meter no micro ondas e já está.

- Epá … Sou um tipo simples e gosto de tudo.

- Ok!.. Comemos mesmo aqui na cozinha. Olha ali em cimas, apontando para um grande espaço utilizado como garrafeira, tens vinho tinto, o branco está no frigorífico, os pratos e os copos estão nesse armário.

- Não te preocupes que cozinha é comigo. Lá no café alem de servir às mesas também dou um jeitinho na cozinha.

 

Fernando que estava na sua tarefa de abri duas cuvettes com o tal bacalhau para meter no micro ondas, não deixou passar o dito do amigo quando disse ”cozinha é comigo” para atirar uma graça:

 

- Quer dizer que também “cozinho é contigo”?

- Não perdes uma para as tuas chalaças….

- Ainda tu não viste nada.

 

Com este pequeno diálogo sem graça mas com intenções nas suas subjectividades, acabaram por montar a mesa indo bebericando um vinho fresquinho que estava a cair como ginjas até que o bacalhau com natas esteve pronto e começaram a saciar a fome que já não era muita pois o vinho entretanto bebido já a tinha acalmado.

 

Com esta conversa toda e porque efectivamente já tinham chegado a casa bastante tarde, o cuco do relógio na parede da cozinha saltou cá para fora e cucou três vezes.

 

- Epá… o melhor é irmo-nos deitar.

- Também acho… Mas não me vou deitar sem te arrumar a cozinha e depois tomar um duche. É coisa que estou habituado. Se não te importas.

 

(Fernando quando conheceu o Pedro a sua primeira ideia era conhece-lo intimamente e de pois deita-lo fora como há muito que fazia com outros rapazes que vindo da província acalentados pelo sonho de conseguirem nem que fosse quinze minutos de fama nas TVs, O Pedro estava-lhe a dar a volta sem dar por isso e começava a ter umas borboletas no estomago como a alerta-lo que aquele era diferente dos outros).

 

- Mas queres mesmo arranjar a cozinha?

- É um instantinho. Assim amanhã está tudo arrumado. Lá na terra a minha mãe costuma dizer “Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje”.

- E tu consegues cumprir essa regra em tudo?

- Até agora tenho conseguido.

- Então sendo assim, também vou fazer o mesmo… Vou-te ajudar-te.

 

Depois da cozinha arrumada Fernando encaminhou-o para o quarto de vestir. Abriu o armário que já lhe tinha destinado e indicou-lhe a gaveta onde estavam uns boxers e entregou-lhe para os vestir. Pedro assim fez e foi a altura em que Fernando olhando-o de baixo a cima verificou aquilo que adivinhava. Era um jovem bem possuído e bronzeado, talvez pelos seus afazeres na terra. Depois de ambos estarem seminus, entraram pela tal porta de vidro fosco que dava acesso ao quarto de dormir.

 Mal entraram, as luzes de uns projectores que incidiam os seus raios sobre uma cama redonda e um outro sobre um quadro de Roberto Ferri “São Sebastião” existente em uma parede onde estrategicamente se encontravam umas colunas de som e de onde saiam “Petit Fluer” pela Orquestra de Gino Marinello.

 

Na parede oposta e que seria a cabeceira-de-cama um outro, também devidamente iluminado com luz difusa, podia observar-se em quadro triplo sobre a opção sexual da religião ortodoxa.

 

-  Epá!... Isto parece um platô de um filme pornográfico.

- Ainda não viste nada!.. Para já só tenho uma cama. Temos que nos ajeitar. Agora olha para aquelas portas.

- Que mais surpresas há?

- Uma é da casa de banho com chuveiro e a outra é de uma mini sauna. É para essa que vou sempre antes de me deitar para relaxar. Se quiseres também podes vir ou vais ao banheiro primeiro. Tu é que sabes…

   

Pedro estava como entrando no tal filme que lhe veio à memória quando mencionou sobre o que tinha visto ao entrar naquele quarto. E comentou:

 

- Então vamos lá até à sauna para relaxar, sempre deve ser melhor que o duche.

 

 Fernando abriu a porta da dita sauna e entrou. Atrás dele foi o Pedro que mais uma vez ficou espantado e mais ficou quando o Fernando tirou a T-shirt e os boxers e se sentou num dos dois bancos. Ele fez o mesmo pois não ficar mal visto sentando-se a seu lado. Deu uma olhadela e de facto aquele espaço era efectivamente uma sauna, mas em ponto pequeno. Toda forrada em madeira com uma lâmpada muito ténue e de cor vermelha. O espaço era bastante pequeno e quente. Só lá cabiam pelo menos quatro pessoas e muito juntas, de tal forma que quando se sentou ao lado dele, ficaram mesmo juntos.

 

- Então que achas da minha casita?

- Casita uma porra!.... Nunca imaginei que alguém tivesse uma casa assim. Aqui tem tudo. Pode-se viver aqui sem sair de casa. Tens ginásio, um salão como nunca vi e um quarto mais que completo. Como consegues limpar tudo isto?

- Mas não sou eu que limpo. Tenho uma senhora que vem cá todos os dias menos aos fins-de-semana. Durante a semana faz a limpeza e o jantar que me deixa pronto. Ela só não entra nesta zona quando por cima da porta do quarto de vestir tiver uma lâmpada vermelha acesa. Quer dizer que não quero ser incomodado ou porque tenho cá alguém. Ninguém interfere com a minha privacidade.

- Já vi que não sou eu o primeiro a usufruir destes luxos.

- É óbvio que não! Mas nem todos têm tido a sorte de receberem um convite como te fiz.

- Quer dizer que tens tido amigos ou amigas descartáveis!...

- É a vida…. É assim que quero viver enquanto posso, pois o amanhã é hoje e cada dia que passa é um dia que temos a menos para gozar em toda a plenitude.

- Epá isto está mesmo quente….

 

Fernando olhando para o pirilau do rapaz verificou que estava levantado e pensou que seria do calor ou de algo que estaria a pensar sobre o que se adivinhada e então comentou:

 

- Estás com o mastro levantado!... É do calor? Ou é por nossos corpos estarem juntos?

- Essa de nossos corpos estarem juntos o que queres dizer?

- Nunca estiveste com o teu corpo junto a outro homem?

- Epá…. Eu não sou gay….

- Também não disse isso. Mas pelo menos na tua juventude lá na terra nunca com outros colegas bateram umas punhetas nem se beijaram?

- Nunca fiz essas experiencias.

 

Fernando ao ouvir tal resposta, calmamente segurou no mastro do amigo ao mesmo tempo que perguntava:

 

- Não queres experimentar agora? Posso bater-te uma?

 

Pedro estremeceu um pouco mas deixou o outro continuar até porque lhe estava a saber bem.

Fernando notando que aquele era o caminho certo para continuar com a outra mão segurou numa das do Pedro e encaminhou-a para o seu mastro que também já estava rijo.

Olharam-se nos olhos e continuaram na punheta.

Ambos estavam a gozar de prazer e com os corpos cada vez mais juntos até que Fernando tentou o beijo.

    

- Isso não faço! Não beijo…

- Nunca beijas-te uma gaja?

- Nem outras coisas.

- E eu? Poso beijar o teu mastro?

 

Pedro mesmo nunca ter estado naquela situação mas sentindo uma erecção cada vez maior ajeitou-se para o que viria a seguir. Fernando ajoelhou-se a abrindo-lhe as pernas gulosamente começou a chupar aquele pau gostoso, começando com a língua lamber-lhe o prepúcio até meter na boca todo aquele pau ao mesmo tempo que lhes manuseava os tintins flácidos.

Pedro estava louco com tudo aquilo a como automaticamente segurou-lhe na cabeça com ambas as mãos e obrigou-o a fazer um vai e vem constante.

O calor da sauna e a sensação de ter o seu pénis metido naquela boca húmida e com os lábios cada vez mais apertados, fez-lhe lembrar os lábios genitais de uma vagina que uma vez tinha experimentado, mas muito melhor. De repente, em êxtase total e com grandes espasmos guinchou um pouco e teve o orgasmo total, indo debitar os seu sémen em grande abundância naquela boca gostosa que Fernando sorveu toda aquela porra até sair alguma por fora, tal era a abundância,

 

Fernando levantou-se. Olhou-o olhos nos olhos e perguntou:

 

- Gostaste?.. E agora!.. Ainda não beijas? Não queres saborear o que é teu e ainda tenho um pouco na boca?

- Não sei se consigo, mas adorei o que fizeste.

- Eu também gostei bastante, tens um pirilau muito gostoso e o teu sémen sabe a virgem. Fiz um esforço dos diabos para não me vir também.

- E não queres? Queres que te bata uma punheta?

- Fica para mais logo quando estiveres recomposto. Ou não és capas de te vir novamente?

- Não sei… Nunca me fizeram isto.

- Não queres ir tomar o tal duche? Por mim vou já para a cama.

 

 

Fernando ainda tentou dar-lhe um beijo nos lábios mas ele afastou a cara e ficou-se por lhe beijas as faces e saiu porta fora direito à cama não sem antes passar pelo banheiro.

Pedro quando nutou o novo amigo já na cama foi a vez de ele sair direito ao banheiro onde esteva vários minutos.

Enquanto no banheiro e tomando o seu duche enquanto a água bastante quente ia percorrendo o seu corpo Pedro foi-se recordando a forma que tinha conhecido o Fernando e das promessas que lhe tinha feito. Fazer dele uma vedeta no meio artístico pondo por condição ir viver com ele. Nunca pensou, foi o que tinha acontecido naquela sauna e que naquela casa só existia uma cama e teria que ir dormir com ele. Depois daquele broxe que até gostou bastante, o que mais lhe iria acontecer. Mas determinado a ser alguém no mundo das artes, tudo valia a pena até a prostituir-se. Mais do que o Fernando lhe tinha feito não iria acontecer e se lhe fizesse mais um broxe não fazia mal pois até tinha gostado bastante.

Ele só se esqueceu que o Fernando era um gajo muito batido naquelas coisas e não ficaria por ali.

Com estas lembranças todas lá acabou o duche, vestiu os boxers e saiu direito à cama que se redopiava lentamente em si mesma e os projectores estrategicamente incindindo seus focos no corpo do Fernando que deitado todo nu de rabo para cima como a pedir para o utilizarem. Quando este sentiu que o amigo se aproximava virou a cabeça e olhou-o fixamente e comentou:

 

- Não vens para a cama de boxers vestidos pois não?

- Pedro olhando para aquele cenário lembrando o tal firme pornográfico que tinha visto um dia, acabou por se despir e deitar-se de barriga para cima, ao lado do novo amigo.

 

Fernando continuando na mesma posição com a cabeça de lado perguntou:

 

- Soube-te bem o duche? Está confortável? Queres comer alguma coisa ou beber?

- Talvez mais logo. Agora não tenho sede nem fome.

- E se te convidar a comeres-me a mim?

- Mas eu não sou homossexual! O que queres dizer com isso?

- Não gostaste do que te fis na sauna?

- Já disse que adorei. Queres fazer novamente?

- Não... Como tu disseste, fica para mais logo. Agora queria é que retribuísses o gozo.

- Mas também já disse que eu não beijo.

- Não é disso que estou a falar. O meu cuzinho está sedento de comeu o teu pau gostoso.

- Queres que te vá ao cu?

 - Não sejas ordinário. Isso não se diz.

- Então como é?

- Vamos fazer amor? É assim que se diz. Depois fazemos uns preliminares e quando estivermos em ponto de rebuçado logo se vê o que acontece.

 

Enquanto Fernando que sabia a toda dava esta explicação sobre a forma mais ética de se dizerem as coisas, continuava na mesma posição mas aproximando-se cada vez mais do Pedro, até o seu pirilau já bastante hirto se encostava ao corpo do amigo roçando-se um pouco. Pedro deixou. Simplesmente fixou-lhe os olhos já não em atitude de admiração, pois bem lá no fundo do seu ser estava a gostar de sentir mais perto de si aquele corpo.

Fernando sentindo finalmente que estava a levar a sua água ao moinho e ao mesmo tempo que com os dedos foi tacteando os seus lábios que já estavam mais próximos dos seus, perguntou suavemente:

 

- Agora já beijas?

 

Pedro fechou os olhos a abriu um pouco os lábios. Para o Fernando, era o consentimento, e não esteve com meias medidas. Encostou os seus ao dele e meteu-lhe a língua naquela boca gostosa ao mesmo tempo que com uma das mãos lhe ias fazendo “festinhas de gato” numa das face e com a outra desceu até ao pénis dele e verificou que também estava bastante hirto como o seu. – Estavam feitos os primeiros preliminares para tudo o que iria acontecer-.

 

Aquele beijo ardente e de linguajar recíproco, durou bastante tempo até que já ambos se masturbavam.

Fernando saiu da posição de lado e colocou-se em cima dele. Agarrou-o pelos ombros e puxou-o contra si.

O corpo do Pedro deslizou debaixo do seu e ficaram ali colados durante alguns segundos com os olhos fixos na profundidade de cada um e corpos ofegantes… Pedro pela admiração do que se estava a passar e Fernando com a loucura de continuar a beijar aqueles lábios carnudos ao mesmo tempo que metia as mãos nos cabelos desgrenhados do Pedro que ao sentir uma sensação estranha na sua cabeça foi redopiando-a de prazer.

Estava tudo pronto para acontecer o êxtase de ambos. Com mais um pouco de habilidade aquele jovem passaria a ser o amante ideal que o Fernando há tanto tempo andava procurando.

A cama continuava a redopiar-se em si mesma. O tema “Petit Fluer” continuava a ouvir-se e os Santos do amor iam continuando a mandar as suas setas para queles corpos.

Fernando estrategicamente foi descendo pelo corpo do seu futuro amante começando por mordiscar-lhe os bicos dos seios, também já hirtos. Depois desceu mais um pouco até novamente naquela noite iria mordiscar aquela cabecita seguindo a lambuzadela da glande até sentir desta vez por pressão do Pedro, todo aquele instrumento de prazer em sua boca que chupou freneticamente. Quando sentiu que estava próxima nova extracção daquele líquido pastoso e agridoce, saiu daquela posição e solicitou:

 

- Não te venhas já. És capaz de aguentar?

- Mas estou quase a vir-me.

- Quer dizer que estás a gostar!..

- Tenho a impressão que até sou capaz de me vir a terceira vez.

- Não me queres foder?

- Como? Perguntou Pedro já aflito e sem experiencia daquelas coisas.

 

Fenando subiu novamente pelo seu corpo e acabou por se sentar no seu pénis e apontou-o para o seu ânus fez um pouco de pressão e entrou a cabecita do rapazote. Pedro ao sentir sua cabecita já entre as pregas do ânus do amigo levantou o rabo e o rapazote como se fosse um ferro em brasa entrou todo de repente naquele sítio quente e gostoso. Fernando embora já não fosse grande novidade gemeu um pouco não só pela velocidade em que tinha entrado como pelo tamanho. Pedro pediu desculpa por o estar a aleijar, mas ele nada ouviu e começou a cavalgar como num corcel. Ambos se movimentaram freneticamente. Pedro como nunca tinha tido na vida expulsou o seu abundante sémen misturado com alguns guinchos de prazer. Fernando ao sentir aquela porra toda dentro de si, veio-se também, com um grande guincho, de espermatozóides indo depositar se ao longo do corpo do Pedro. Alguns malucos depositarem-se na boca do Pedro que ainda louco por tudo o que estava a acontecer, com a língua, lambeu os seus lábios verificando que até aqueles bicharocos que só ao microscópio se conseguia ver, até eram gostosos.

 

Fernando saindo daquela posição subiu pelo corpo do amigo e foi também antes que morressem sorver os restantes.

 

Estava tudo nos conformes. Ambos os pirilaus murchos ficaram deitados lado a lado e as duas bocas continuaram beijando-se fazendo um kokteil de salivas e restos do espremem do Fernando.

Exaustos, antes de adormecerem Fernando rindo-se ainda disse:

 

- Afinal sempre beijas…

- Afinal és um grande sacaninha…

- Não gostas-te?

- Já é a terceira vez que me perguntas isso.

- També disseste que esta noite eras capaz de te vires a terceira vez. E ainda só te vieste duas.

- Eu disse isso porque estava aflito e nunca julguei que um homem me desse tanto prazer.

- Ainda não viste nada, mas agora vamos descansar um pouco e de manhã vamos ver o que consegues fazer.

- Também acho!.. Estou derreado, agora quero dormir. Quais são as novidades que tens para de manhã.

- Ainda vou pensar! Ahahahhahaah

 

Fernando não iria pensar muito pois o que estava guardado para aquele novo amigo, sabia-o bem.

 

Fim do 2 Capitulo

Para ler o que se passou a seguir clique (3 Capitulo)

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

          Nelson Camacho D’Magoito

   “Contos ao sabor da imaginação” (nc-256)

             Para maiores de 18 anos

               © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
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Não Beijo – 3 Capitulo

 

Não Beijo

(veja o 2º. Capitulo)

Quando Pedro acordou já o Fernando se tinha levantado de mansinho para não o acordar e feito a sua higiene e o pequeno-almoço.

Como é hábito andar em casa entrou no quarto com t-shirt e boxeurs. Foi até ao leitor de CD e colocou, muito baixinho, um com o tema “Fantasia-improviso em Dó Sustenido menor” de Chopin.

Depois de voltar à cozinha, entrou no quarto com um carrinho onde constava o pequeno-almoço.

(Ovos mexidos, torradas e coveres de fiambre, queijo, mortadela, alguns salgadinhos, bolachas, manteiga, café, chá e sumo de laranja natural.)

Pedro já meio acordado olhou para o repasto e comentou:

 

- Isto é melhor que o serviço de hotel.

- Eu sou assim, gosto de tratar bem os meus amigos.com comida gourmet. – e rindo-se – Só não trago flores porque acho uma mariquice.

- Também não acho graça dar flores a um homem. – e acompanhou o riso do amigo.

- Eu por mim já fiz a minha higiene matinal, não queres fazer a tua? Antes ou depois do repasto?

- Não!.. Vou agora.

- No poliban tens uns boxeurs e uma t-shirt lavados.

- Ok...

 

Enquanto Pedro se deslocava para o balneário, Fernando deitou-se mais um pouco deixando o carrinho ao lado da cama que sendo redonda tem uma dificuldade mas ele esperto que é, tem tudo resolvido. No carrinho de apoio tem dois tabuleiros com pernas próprios para se comer na cama.

 

O quarto já não estava com aquelas luzes próprias da noite e embora já tenha tido relações com aquele seu novo amigo, ainda não o tinha visto bem despido e há luz do dia que entrava pelos janelões do quarto e ao vê-lo sair do banheiro somente com uns curtos boxeurs e uma t-shirt de alças mirou-o bem e disse para consigo:  - Foda-se!... o gajo é mesmo bom como o milho-.

 A t-shirt estava-lhe apertada e denotava-se os bíceps delineados e embora o pau estivesse murcho também se notava não ser nada de se deitar fora. Embora já o tenha provado de duas maneiras sabendo bem o que tinha ali, estava deserto que voltasse para junto dele a fim de o ver bem à luz do dia.

 

- Quando chegares aqui estou-me borrifando para o pequeno-almoço, descasco-o todo e vou mas é fode-lo.- Pensou… Mas não passou do pensamento pois quando o Pedro chegou junto à cama e olhando para os tabuleiros, lambendo os beiços, cortou-lhe os seus pensamentos perversos e comentou:

 

- O duche fez-me ficar com fome.

- E foi só o duche? Ou foi o trabalho desta noite?

- Se chamas aquilo trabalho! Quero mais…

- Não te esqueças que deves-me uma. Mas para já vamos comer. Vá… Senta-te ao pé de mim para te por o tabuleiro entre as pernas.

- Enquanto for o tabuleiro não é nada mau…

- Vá… Por agora come para ganhares forças. Ainda temos o Sábado e o Domingo.

- Não me vais mamar os dois dias? Ainda dás comigo em tisico.

 

Ambos se riram e Fernando colocou o tabuleiro estre pernas do amigo e maldosamente ainda lhe apalpou o pirilau e comentou:

 

- Deixa-te de graças e alimenta-te que esta coisa precisa de vitaminas.

- Não me digas que o vais novamente chupar como sobremesa do pequeno-almoço.

- Tem calma. Não te esqueças que me deves uma e eu gosto de receber os pagamentos dos favores.

- Pois… Tá bem… Mas logo a seguir é capaz de fazer mal.

- Deixa-te de coisas!.. Quando é que uma foda boa alguma vez fez mal.

 

Ambos começaram a comer misturado com alguns risos.

 

Quando acabaram o pequeno – almoço, também acabou a música que estava a ser transmitida pela aparelhagem e Pedro sugeriu colocar outro CD a seu gosto, recebendo como resposta se não gostava de música clássica e que procurasse um CD a seu gosto e se não o encontrasse o buscasse no salão.

Pedro depois de procurar exaustivamente e não encontrando o que queria, foi até ao Salão onde havia outra aparelhagem, mais sofisticada e outra estante com outras músicas e lá encontrou o que queria. Nada mais era que o último CD do FF “ Saffra” com o tema “Safra deste ano”.

Do quarto ouvia-se perfeitamente o tema e chamou-lhe a atenção quando a meio da letra ouviu FF dizendo “Eu sei ou muito me engano que tens o plano de casar comigo” Fernando ficou mais atento ao poema e pensou “Será que ele me está a enviar uma prova de amor?” Levantou-se e foi até ao salão.

Pedro estava deitado num dos sofás com os olhos fechados como a saborear aquele belo poema e não menos a bela voz do FF.

- Com que então gostas do FF!...

- Lá na terra descobri-o num programa de TV e fiquei apaixonado pela sua voz.

- Eu também gosto bastante dele. Quando apareceu pela primeira vez não dei nada por ele, mas mais tarde, vi-o num espectáculo do Lá Féria no Politeama e a partir desse momento fiquei seu fã incondicional e assim que trabalho perto de lisboa vou vê-lo.

- E só gostas da voz dele? – rindo-se

- Não! Não me importava de o ter cá em casa a jantar. Mas não tenho sorte pois o gajo já tem dono.

- Não me canso de ouvir este tema. Vou por na repetição.

 

O disco repetiu o tema vária vezes e ambos começaram a beijar-se.

 

“Para quem dizia que não beijava. Este gajo aprendeu de pressa ou eu sou mesmo muito bom – dizia para si próprio o Fernando – Aquele beijo não era um beijo mecânico mas sim de paixão - Estás fodido que também vou comer-te”

 

Fernando, primeiro tirou a sua t-shirt e depois a dele atirando-as para o chão ao mesmo tempo que o sentava no sofá com as pernas para o chão. Pedro julgando que ele lhe ia fazer outro broche, tirou os boxeurs ficando todo nu começando a punhetar-se. Fernando abriu-lhe as pernas e ficando de joelhos frente a ele tirou-lhe a mão do pénis e comentou

 

- Não faças isso!.. Quem o vai por em pé sou eu. Gosto de o sentir inchar na minha boca. – e começou a lamber-lhe a cabecita - depois foi até aos testículos e começou a mordisca-los. Pedro movimentava-se de mais prazer que da noite passada na sauna. Estava a ser diferente e todo o seu corpo começava a estremecer de gozo.

 

Fernando abriu-lhe mais as pernas e com a língua foi descendo dos testículos até à abertura do ânus começando primeiro a beija-lo e depois com a ponta da língua foi-lhe lambendo toda aquele zona erógena particularmente sensível a qualquer estímulo com a particularidade de relaxar o esfricter e proporcionar uma melhor abertura do ânus para uma boa penetração. A língua ia entrando e saindo numa massagem intensa de tal forma que aquele unilingue estava a dar resultado estimulando o fluxo sanguíneo do pénis do Pedro que voltou a masturbar-se.

Ferrando adivinhando que o moço estaria quase a vir-se, antes que isso acontecesse, abriu-lhe mais as pernas lubrificou mais aquele ânus que dentro em breve passaria a não estar mais virgem puxou-o para si e calmamente foi-lhe introduzindo primeiro a cabeça e depois com o maior cuidado possível foi-lhe penetrando todo o resto do seu pénis. Pedro continuava a masturbar-se enquanto Fernando começava num vai e vem constante. De repente… Sentiu o apertar daquele cuzinho ao mesmo tempo que o Pedro se masturbava mais ritmadamente ao sentir a movimentação daquela penetração e ambos ejacularam em grande abundancia.

 

Ficaram assim durante alguns minutos até se voltarem a deitar frente a frente e olhos nos olhos no sofá.

 

- E agora como vai ser? O que é que passo a ser? Conseguiste o que querias!... – Perguntou o Pedro.

- O que vais ser? O mesmo homem que sempre foste. O que vai ser daqui para afrente? Vais ser o meu melhor amigo e amante conforme já te prometi.

- Tens a certeza? Ficaste satisfeito?

- Se não tivesse a certeza quando te conheci não estarias em minha casa.

- Mas era isto que fizemos agora a tua intensão?

- Se o teu problema é o ter-te tirado os três. Fica sabendo que nunca me deixei comer sem ter de comer o parceiro que venha comigo para a cama. Já somos crescidinhos para sabermos o que queremos e nunca obriguei ninguém. No final de contas. Não gostaste?

- Gostei mas nunca tinha pensado que um dia iria ter relações destas com um homem.

- O nosso relacionamento vai continuar como se nada tivesse acontecido entre nós.

- Mas continuas com a promessa de me ajudares no meu sonho?.

- Puto!... Não tenho por hábito não cumprir com as minhas promessas e tu? Fazes o mesmo? Continuas a aceitar a minha promessa de ficares a morar cá em casa?

- Mas é claro! E a dormir na mesma cama pois só tens uma – e riu-se.

 

Voltaram a beijar-se como a firmar o contrato.

 

- Já viste as horas? Estivemos nisto quase o dia todo. Nem almoçamos e o sol já lá vai. Como a partir de agora já cá moro, posso ir fazer o jantar?

- Não! Primeiro vamos tomar um duche e vamos jantar fora para festejar a nossa união de facto.

- E não vais à procura de outro puto?

- És parvo?  Julgas que ando por aí no engate feito maluca? Estou bem servido contigo e gosto muito de ti. E desde que tenhas juízo até podes vir a ser meu sócio.

 

Aquele fim-de-semana foi o início de uma amizade sincera entre dois homens que se juntaram com a bênção dos Deuses.

 

   Hoje Fernando continua a ser um cantor/empresário e Pedro já é uma figura proeminente em novelas e alguns filmes. Mantém o seu segredo e dizem o que muitos deviam também dizer. “Ninguém tem nada a ver com as vidas privadas de cada um. Trabalho é trabalho e conhaque é conhaque.

Meus amigos nunca digam que Não beijam.

--------------------------------------FIM --------------------------------------

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

          Nelson Camacho D’Magoito

   “Contos ao sabor da imaginação” (nc-254)

             Para maiores de 18 anos

               © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

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Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014

NATAL de saudades

Uma prenda inesperada

Cheguei a casa cansado, nem uma refeição rápida fiz… Já não ligo muito ao Natal. Já não faço a árvore nem o presépio. Nesta época a única coisa que faço é dar uma volta por Lisboa para ver as iluminações e comprar duas coisas. Uma qualquer prenda para mim e um ramo de flores que em casa junto a uma fotografia de quem tenho muitas saudades. Despi-me, vesti um pijama e recoste-me no sofá da sala e liguei a televisão. Estava a dar um concerto de Natal que estava a dar via RAI (televisão italiana)

 

“Já tinham acabado as compras de Natal de última hora. Algumas coisas para mim mesmo, outras para a casa e outras prendas para alguns familiares, amigos e amigas. Como eram as últimas e não cabiam todas no porta-bagagem algumas estavam no banco traz. Como nem mesmo nesta época do ano os amigos do alheio não têm respeito pelos outros, não era conveniente abandonar o carro para ir jantar, no caminho de casa resolvi passar por um Mac Donals onde não é necessário sair do carro para pedir uma refeição rápida. Foi o que fiz.

Também não me apetecia ficar ali no parque de estacionamento a comer, coloquei as covets da comida e as bebidas no banco do pendura junto com os pacotes de tabaco que tinha comprado para os dias festivos e resolvi, já que a anoite começava a dar o ar da sua graça e as luzes das ruas já estavam acesas resolvi ir para casa pela marginal. Antes de entrar na marginal propriamente dita olhei para o Tejo e pensei – é mesmo aqui que vou jantar – Parei junto à estação fluvial de Belém. Há ali mesmo ao lado da estação um cantinho como se fosse uma reentrância do passadiço que entra rio dentro e onde alguns pescadores se encontram tentando a sua sorte na pesca. Não estava lá qualquer pessoa e foi ali mesmo que parei. Desliguei o carro e coloquei a tocar uma playlist duma pen. Normalmente, trago sempre no carro três pens com listas de músicas escolhidas de acordo com a situação dos momentos. Cada uma tem a sua finalidade. Uma para grandes viagens, outra com música clássica e outra para momentos de acalmia do stress. Foi esta que escolhi. Normalmente, faço as minhas playlist porque o que dá na rádio raramente me seduz não só pela parte musical como pela interrupção constante que os locutores fazem a meio das canções para a publicidade ou dizerem meia dúzia de baboseiras achando que têm muita graça. Este meu defeito é causado por já ter feito rádio como radialista.

Tinha tido um dia bastante agitado, não só derivados ao entra e sai nas lojas de bairro pois detesto fazer compras nos grandes centros comerciais, para as compras de natal de última hora, como o despacho das última tarefas no emprego pois naquela semana não iria trabalhar. O Natal coincidia com um Domingo e tinha tirado aquela semana de férias.

O carro estava quentinho, a comida e a bebida estava mesmo ali ao lado a chamar por mim tal como uma cerveja ainda fresquinha deserta de ser bebida. Derivado ao frio que estava lá fora e o calor do carro os vidros começaram a embaciar. Para ver a Lua reflectir-se naquele manto de água tive de por o limpa vidros a funcionar e assim que o fiz vi algo de maravilhoso. Por entre as nuvens, saiam raios de luz que se debruçavam sobre o Tejo criando uma paisagem nocturna raramente vista levando-me para outras paragens de momentos de sonho. Comecei bebendo a cerveja ao som de uma música dos Il Divo “Caruso”.   

Tão imbuído estava que nem dei por me baterem no vidro.

Baixei um pouco o vidro e saiu de fora uma pergunta:

 

- Não haverá por ai também uma cervejinha para mim? É que está um frio de rachar.

 

Do lado de fora quem fazia a pergunta era um moço que aparentemente tiritava de frio mas de bom aspecto. Há primeira vista não me pareceu ser mais um dos que andam por ali no engate e respondi:

 

- Se é só uma cerveja que queres!.. Até tenho.

- E que mais poderia eu querer? – respondeu prontamente o moço.

- Neste zona nunca se sabe. Normalmente começam por pedir um cigarro e depois querem dar uma volta.

- Meu caro senhor. Sei ao que se refere, mas não é o meu caso. Só que perdi o barco para a Trafaria e agora só de aqui a uma hora e como sou meio descarado e o vi beber uma cerveja pensei ser um pescador e estivesse no descanso petiscando.

- Por acaso tens razão, estou no petisco, mas não sou pescador nem de peixe nem de almas perdidas.

- Mas já vi que é um pouco filósofo com essa coisa do “pescar almas perdidas”.

- Eu sei que há alguns que o fazem por aqui, mas não é o meu caso e também não me parece que seja o teu. Bem toma lá a cerveja. Ainda deve estar fresquinha pois foi comprada à pouco tempo.

 

A pequena troca de conversa foi o suficiente para verificar que nada de mal iria acontecer se o convidasse a entrar já que lá fora estava mesmo um frio de rachar e antes de o convidar perguntei o que fazia na vida.

 

- Estudo e estou no oitavo ano. Hoje depois das aulas, fui namorar um pouco e atrasei-me nas horas por isso perdi o barco.

 

Verificando que havia sinceridade na resposta convidei-o a entrar:

 

- Como ainda tens uma hora para o barco se quiseres podes entrar, aqui sempre está mais quente. Como te chamas?

- Chamo-me Pedro, Sou bom rapaz e não ando como muitos aqui no engate.

 

Já dentro do corro também me apresentei e convidei-o a petiscar da minha refeição.

 

- Por esta é que não esperava. Você deve ser um tipo porreiro e muito sabido a analisar as pessoas

- Sabes, Já vão como diz o outro muitos anos “a virar frangos” e normalmente não me engado na análise que faço das pessoas mesmo à primeira vista.

- Eu normalmente também sou assim, mas já me enganei algumas vezes.

- E de que forma é que já foste enganado?

- Uma vez fui enganado por uma namorada e pelo irmão.

- Então oque aconteceu?

- Ao fim de a namorar há dois meses, fui lá a casa. Só lá estava o irmão que me foi apresentado mas depois foi para o quarto e ficámos sozinhos. Estivemos na marmelada um pouco e quando lhe quis saltar para cima, ela desculpou-se que tinha de ir ao banheiro e retirou-se. Estava tão entusiasmado com aquela beijoqueira que fiquei com um tesão dos diabos e comecei a bater uma por dentro das calças. Entretanto entrou o irmão e olhando para mim, perguntou-me se queria que me acabasse o resto e que a irmã não viria tão cedo. Fiquei espantado com a cena e calculei que a irmã arranjava namorados para o irmão.

 

- E tu aceitas-te a proposta?

- Livra canhoto…. Eu não sou maricas… Desalvorei foi pela porta fora e nunca mais a quis ver.

- Epá!.. Mas se o gajo estava disposto a bater-te uma punheta não vejo onde estava o mal? Entre malta da tua idade essas coisas acontecem e não são necessariamente maricas.

 - Você quando era mais novo também o fez?

- Certamente que sim! Mais ou menos quando é da descoberta da nossa sexualidade isso acontece. É óbvio que não são todos os rapazes e raparigas que têm essas experiências, mas não és assim tão parvo que não tenhas conhecimento de quem o faz.

- Sim !.. Até sei de colegas que se entendem uns com os outros e até com homens. Mas isso é lá com eles.

- Quer dizer que não estás disposto a experimentar?

- Não sou assim tão estupido e não digo que “dessa água nunca beberei”

 

Inadvertidamente a conversa tinha ido por um caminho que não era minha intenção, mas nunca me escuso a uma oportunidade

Entretanto já tínhamos comido, bebido e fumado uns cigarritos. O tempo passou rapidamente e quando olhamos para fora, o tal barco que sairia passado uma hora já estava a abandonar o cais.

 

- Porra!.. Agora é que estou feito, quase gritou o Pedro.

- Tens que esperar mais uma hora…

- Pois… O pior, é que era o último e agora tenho de apanhar o do Cais do Sodré para Cacilhas e depois a camioneta para a Trafaria. Vou chegar a casa às tantas e os meus pais já devem estar ralados.

- E não tens onde ficar cá em Lisboa?

- Tenho uns primos mas como estamos na época do Natal não sei se estão cá ou foram para a terra.

 

Com o caminho que a conversa estava a tomar (Pensando cá para mim se não seria uma prenda de Natal que os Deuses me estavam a dar), então alvitrei:

 

- Há mentirinhas que se fazem na vida sem se saber bem porquê e não trazem mal ao mundo. Porque não telefonas aos teus pais e dizes que perdeste o barco e ficas cá em casa dos teus primos? Eles são pessoas que acreditam e não vão telefonar a eles para saberem se é verdade.

- Eles têm inteira confiança em mim e não vão telefonar a confirmar já tem acontecido e nunca telefonaram. Mas onde iria ficar?

 

(Depois de ter ouvido toda a conversa com os pais, (ele tinha posto o telefone em voz alta) confirmei que o moço era mesmo aquilo que demonstrava e sugeri):    

 

- Onde ficarás? Como ainda não bebemos café, vamos a um bar conhecido e depois ficas em minha casa. Mas também te posso levar à Trafaria. Tu é que decides.

- Sabes,.. Gostei muito de te conhecer e como acho que não me vais fazer mal, Vamos então tomar o café.

 

Tentando fazer graça misturada com um pequeno sorriso comentei:

 

- O que vale é que não tenho nenhuma irmã para namorares.

- Nem me vais querer bater uma punheta? – rindo-se também.

 

   Deitamos as cuvetes da comida e as garrafas já vazias fora e arrancámos para o Finalmente Clube.

Quando chegámos haviam vários clientes identificando-se ao porteiro e a receber uma pulseira de cores a troco de determinada importância, que daria direito a uma ou duas bebidas conforme a importância paga.

Quando chegou a nossa vez de entrar, fui eu a receber um abraço do porteiro e um cumprimento ao Pedro depois de o ter informado que ele ia comigo.

Desde a entrada até ao bar propriamente dito o Pedro perguntou:

 

- Não me digas que és dono disto….

- Porquê?

- Todos pagaram à entrada e tu em vez de pagares recebeste um abraço.

- Não… Não sou dono mas tenho livre-trânsito não só neste bar como em outros, assim como os amigos que me acompanham pois as despesas que faço já foram antecipadamente pagas umas a troco de serviços, outras em dinheiro. É chamado contas correntes entre clientes e fornecedores. Há sempre pelo menos uma garrafa de whisky em meu nome.

- Quer dizer que podemos beber à vontade.

- Até as garrafas que estão me nome acabarem, podes beber à vontade. Mas se essa se acabar há mais lá dentro.

- Nunca tinha vindo a um bar destes. Praticamente só há homens.

- Mas é um bar igual a outros. Não me digas que com a idade que tens nunca tinha vindo a um bar destes?

- Sim já fui a algumas discotecas com amigos e namoradas, mas este é diferente.

- Diferente em quê?

- Há mais homens que mulheres e dançam uns com os outros. Afinal o que fazes para beberes e entrares de borla?

- Nada de estranho. Tenho uma empresa de publicidade e fazemos as contas com uma conta-corrente.

- Fico mais descansado.

- Porquê? por ser um bar de temática Gay, pensavas que era um tipo de programa?

 

Entretanto as luzes apagaram-se e lá no canto as cortinas abriram-se mostrando um pequeno palco de onde surgiram bailarinas e bailarinos saindo do meio um travesti cantando uma canção de Tina Turner “ Goldeneye”.

Entretanto à volta do palco que a sua boca de cena era redondo, o pessoal foi transportando para ali uma série de pafes onde se sentaram para assistir ao espectáculo. Como os lugares não chegavam para toda a assistência alguns ficaram de pé. As canções foram algumas interpretadas em playback, outras ao vivo seguidas por bailarinos até ao final com grandes aplausos.

Pedro, embevecido com o espectáculo e com tudo o que o rodeava mas sem qualquer observação já tinha bebido uns whiskeys acabou por perguntar se iriamos ficar mais tempo por ali.

 

- Está-se mesmo a ver que já estás farto ou não estás a gostar. – perguntei.

- Não!.. Por acaso até estou a gostar mas já é tarde e não é meu hábito deitar-me tão tarde.

- Então vamos embora. Sempre ficas em minha casa? Ou vou levar-te à Trafaria?

- Que remédio. Já avisei os meus pais, que ficava em Lisboa.

- Então vamos…….

Chegada a casa

 

Durante todo o caminho, para além de uma conversa de circunstância Pedro contou que não era filho único, tinha uma irmã mais velha já casada e os pais eram promotores imobiliários. Tinham uma vida simples mas sem problemas económicos, mas gostava de arranjar a sua independência assim que fizesse o oitavo ano e vir viver para lisboa.

Quando chegamos a casa, a primeira coisa que fiz foi tirar uma bica, e oferecer-lhe outra.

 

- Tens uma casa gira…

- Pois!... O problema é que só tenho um quarto. Tens de dormir no sofá.

- Não faz mal. Só te pedia um favor.

- Qual é? Queres comer alguma coisa?

- Não é isso!.. Não consigo deitar-me sem tomar um duche.

- Tens no meu quarto o poliban onde podes tomar o duche enquanto faço umas sanduíches e abrir o sofá da sala.

 

 Assim fiz enquanto ele tomava o tal duche, fui preparar duas sanduíches, abri uma garrafa de vinho branco. Coloquei tudo num carrinho de apoio e coloquei tudo junto à minha cama. Despi-me e fui também fazer a minha higiene rapidamente na casa de banho das visitas e deitei-me esperando por ele. Coloquei um Cd e coloquei as luzes em tonalidade o mais baixa possível.

Fiz tudo muito rápido de forma que quando ele saísse do banheiro já estivesse deitado e pronto para o receber.

Parece que estava tudo cronometrado e ele lá saiu. Vinha praticamente nu pois só trazia o toalhão de banho enrolado à cintura. Era a minha prenda de natal.

 

- Já estás deitado?

- Sim!.. Também já tomei o meu duche e fiz o petisco. Vem para aqui. Gostas de vinho branco para acompanhar a sanduiche ou queres outra bebida?

- Serve muito bem!.. Posso sentar-me aqui na tua cama?

- Fica à vontade

 

Pedro ao sentar-se na beira da cama parte do toalhão descaiu e ficou com quase a totalidade das pernas á mostra.

Começamos a comer e a beber. Até que ele começou:

 

- Ainda estou a pensar no que vi lá no Bar.

- E o que viste que achasses estranho?

 - Enquanto estava a dar o espectáculo vi vários gajos a beijarem-se.

- E qual é a estranheza? Segundo me contaste o irmão da tua namorada quis-te bater uma punhete. Ele não te beijou ou tentou?

- Epá aquilo foi uma situação inesperada e chata.

- Se não fosse inesperada consentias?

- Não sei, nunca experimentei. E tu já experimentaste?

 

Das duas, uma… O gago estava a enganar-me e era mais um puto de engate ou era mesmo parvo e então experimentei colocando uma mão na perna que estava descoberta apertando um pouco.

A recepção foi só o aceitar e um olhar interrogatório então, avancei mais um pouco até ao seu mastro que embora murcho senti algumas palpitações. Apertei mais um pouco e comecei a masturba-lo. Com a outra mão puxei-lhe a cabeça junto da minha e procurei os seus lábios carnudos. Ele nada fez. Só senti aquele pau inchar na minha mão ao mesmo tempo que juntou os seus lábios aos meus.

Como não queria ficar por ali, segurei numa das suas mãos e levei-a ao meu pau que já se encontrava como pau de bandeira hasteando como bandeira da glória. Tudo aquilo podia ter sido os preliminares para outras coisas mais de concreto, mas não tivemos tempo e o orgasmo foi reciproco.

A hora da noite já ia avançada e como já tinha bebido uns copos resolvi ficar por ali.

Entretanto ele comentou:

 

- E agora como vai ser?

- Foi bom?

- Nunca tinha beijado um gajo mas foi melhor de quando beijava a minha namorada.

- E alguma vez te vieste com tanto prazer?

- Porra esporrei-me todo e de repente. Também nunca me tinha acontecido.

- Já somos dois. Vamos tentar dormir um pouco?

- Mas agora não vou para o sofá.

- Nem eu te deixava.

 

Então abraçamo-nos, puxamos o édredon e para lhe dar um pouco de conforto fazendo-o idealizar que seria possível outra coisa, deitei-me de lado ficando ele atras de mim, puxei-lhe as mãos, uma para o meu peito e outra para o meu pirilau que naquela noite já estava satisfeito. (Amanhã logo se vê o que vai acontecer), pensei ficando assim de conchinha até adormecer.

     Na manhã seguinte

 

Com a fúria e o cansaço da noite anterior, os cortinados e as precianas do janelão do quarto não foram fechados e quando o Sol intensamente entrou janela dentro indo lamber as minhas faces fui acordando lentamente. Ainda estava de conchinha e na mesma posição com que tinha adormecido com o Pedro atras de mim. Com o calor da cama e como era hábito o instrumento de trabalho estava inchado mas desta vez com mais sabor pois uma das mãos dele ainda o segurava assim como a outra repousava em um dos meus seios.

Mexi-me um pouco para ver se era verdade e era!...  Estávamos desnudos e fazendo um flashback, recordei todos os momentos desde o momento que que me tinha despedido dos colegas do emprego para as mini féria do Natal. Depois foi tudo a correr até me sentir bastante confortável e começar a mexer-me para ver se era verdade ou sonho.

 Mas não era um sonho pois o Pedro também ia acordando lentamente e apertando-se cada vez mais a mim. Depois comecei a sentir o seu pau a levantar-se e seus lábios mordiscando o meu pescoço – adivinhando  que ele queria qualquer coisa de novo – perguntei se não seria um pouco prematuro.

Ele continuou a beijar-me o pescoço, virei a cabeça e ele procurou os meus lábios tentando procurar a entrada para o seu pénis que estava como pau-ferro. Ainda senti a tentação da penetração e pensei – Afinal de contas o puto tinha aprendido de pressa e para quem tinha dito que não era maricas estava aportar-se muito bem até aquele momento mas não era a ocasião para tal aventura – e perguntei:

 

- Que estás tentando fazer?

- Estou com um tesão dos diabos e estava a tentar encontrar uma zona confortável para depositar os meus filhotes.

- Para quem nunca experimentou estas coisas, segundo disseste, estás a portar-te muito bem.

- Achas?.. Posso continuar?

- E o que é que recebo em troca? Também posso experimentar?

- Isso é que já não sei.

 

Para o entusiasmar cada vez mais, fui-me ajeitando para que sua cabecita começasse a entrar na boca do inferno mas sem a intenção da sua concretização e então virei-me e ficamos frente a frente beijando-nos.

 

- Não deixas? – perguntou ele.

- Mas achas que sou maricas e dou o cu ao primeiro que me aparece?

- Desculpa mas foi tão bom o que fizemos até aqui que julguei poder continuar e essa do maricas é melhor esquecer a minha primeira reacção lá com o irmão da minha namorada. Tu és especial e gosto de estar contigo.

- Quer dizer que te sentes confortável comigo.

- Se o estar confortável contigo é sentir-me como nunca me tinha sentido com alguma namorada é verdade.

- Quantas é que lhes comeste o pito?  E o cu? Alguma vez as comeste?

- Nunca passamos de uns beijinhos e nunca. Elas são muito esquisitas. Só uma vez uma me bateu uma punheta.

- Não me digas que nunca fodeste?

- É a primeira vez que tenho essa oportunidade e gostava de ser contigo. – ao mesmo tempo que ia declarando o seu desejo, ia beijando-me –

 

Estava a correr tudo bem aquele diálogo só que não estava para ali virado e se alguém tinha de ser comido não seria eu certamente e desculpei-me com o ter ir que ir à casa de banho e levantei-me.

Depois das minhas necessidades fisiológicas quando voltei:

 

- Já viste as horas? Vou preparar o pequeno-almoço. Não queres telefonar aos teus pais dizendo que estás bem?

- É interessante como te preocupas comigo. Passa-me ai o telefone.

 

Finalmente era o que queria. Que ele telefonasse pelo meu telefone fixo que tendo outro na sala ligado em paralelo, podia ouvir a conversa para ver se era verdade tudo o que ele tinha contado anteriormente. Dei-lhe o telefone da mesa-de-cabeceira e fui até à sala ouvir a conversa. Fiquei descansado pois era tudo verdade. Até ouvi ele contar que tinha conhecido um tipo amigo dos primos e que o iria levar a casa mais tarde.  

Estava tudo feito. Não só tinha encontrado um tipo honesto, jovem, bem-apessoado, inteligente e socialmente bem concretizado e pensei - O que pretenderia mais? Estava a sentir-me bem com ele e ele comigo. Sexualmente as coisas iriam acontecer a meu gosto -.

Quando os telefones se desligaram passei pelo quarto beijei-o e fui tratar do pequeno-almoço.

 

Aquele pequeno-almoço foi a oportunidade para mais uma conversa onde delineia-mos o possível entendimento futuro de ambos. Sexo? Naquela altura nada mais fizemos e ficamos pelo que tínhamos feito na noite anterior.

 

- Então sempre queres que te leva à Trafaria, ou vais de barco?

- Estás deserto de te veres livre de mim?

- Nada disso... Prometi que te levava a casa e gosto de cumprir o que prometo.

- E prometes continuar a ser meu amigo?

- Creio que já falámos disso.

- Então levas-me a casa?

- Levo! Queres ir antes ou depois do almoço?

- Antes do almoço. Vou voltar a telefonar a minha mãe a dizer-lhe que vou almoçar com o meu amigo. Quero que a minha família veja que os meus amigos não são um borra-botas quaisquer.

- Epá… Isso não será um pouco cedo demais?

- Não!.. Nunca pensei gostar de estar com um homem e tu fizeste quase o impossível. Nesta altura só te peço que nunca me troques com um gajo com mais experiência. Seroa o meu fim.

 - Não me digas que estás apaixonado por mim.

- As pequenas horas que tenho estado contigo já me deste mais carinhos e disseste coisas que o meu pai embora não tenha grande razão de queixa.

- Certamente não estás a pensar em substitui-lo.

- Não é isso!.. Simplesmente acho que me vais dar mais amor que alguma vez tive.

 

A Primeira vez do Pedro

O nosso primeiro pequeno-almoço na cama.

Ao entrar no quarto com o pequeno-almoço, ele tirou a cabeça debaixo do edredom olhou e comentou:

 

- Sabes que nem minha mãe alguma vez me levou o pequeno-almoço à cama?

- E não gostas?

- Pelo menos ficamos mais um pouco na cama. O que fizeste?

 

Na bandeja lá ia sumos de laranja, ovos mexidos com presunto, duas sanduiches mistas de queijo alface e tomate, e umas fatias de bolo se chantilly. 

 

- Epá.. Isto é quase um almoço!..

- É para teres forças para o resto da manhã.

 

Com toda a minha sabedoria aquele pequeno-almoço iria ser o entreacto para a nossa futura relação sexual.

 

Depois de bebermos os sumos em conjunto com os ovos mexidos passamos às sanduiches. Depois ardilosamente, meti um dedo no chantilly do bolo e fui besuntando-lhe os lábios indo depois sorver o mesmo. Ele deitou a língua de fora indo ao encontro dos meus lambuzando-nos reciprocamente.

Como estávamos deitados frente a frente sentimos nossos paus hirtos a gladiarem-se.

 

- Não queres comer o resto do bolo? – Perguntei ao mesmo tempo que que me punha de barriga para cima e besuntava todo o meu corpo até ao pirilau com o resto do chantilly do outro bolo segurando-lhe na cabeça levei-o a sorver aquela delicia.

 

Sem quaisquer resistências lá foi lambendo todo o meu corpo parando no sítio que eu mais queria e perguntei porque parava.

 

- Se tu fizeres o mesmo sou capas de avançar

- E porque não? – respondi ao mesmo tempo que descendo fui depositar os restos do chantilly que tinha nos meus lábios naquele pau inchado e bem levantado. Ele levantou aquela parte do corpo, abri a boca e nela entrou aquela mistura já com algum sémen que ia saindo aos pouco.

- Quero vir-me!.. Posso?

- Aguenta um pouco. Também quero gozar assim.

 

Então dei a volta e ficamos na posição dos sessenta e nove. Ele estava tão excitado que procurou o meu pénis e também começou a chupa-lo.

Foi a vez de achar oportuno avançar para o possível coito. E com o indicador, enquanto ia-mos sorvendo o que ia saindo de nosso gostosos paus, fui passajando a entrada daquele cu virgem preparando-o para o acto final. Sentindo que os nossos orgasmos estavam quase a acontecer, virei-o de forma a ficar na posição de “papai e papai” que tem a vantagem do prazer não só ao penetrante como ao penetrado ficando o peito do parceiro em contacto com as costas do outro, fazendo uma posição perfeita tanto para o activo como para o passivo sendo o ideal para um inexperiente.

Com a maior das calmas e ao mesmo tempo que lhe massajava os tintis lá fui penetrando-o.

Ele nunca reagiu à recusa daquele acto. Só se masturbou a si próprio e quando o seu orgasmo aconteceu, aconteceu o meu em uníssono.

Agora sim!.. Tinha recebido a minha prenda de Natal

Ficámos naquela posição durante vários tempos até voltarmos a ficar olhos nos olhos.

 

- Tinhas prometido que não me fazias mal…

- Mas achas que não foi bom?

- Estou estafado. Se gostaste eu também gostei. Agora só quero descansar um pouco. – E abraçou-me como a aceitar tudo o que tinha acontecido.

A apresentação à família.

Depois de estar concretizado o nosso relacionamento só demos por isso quando já era meio-dia e lembramo-nos que tínhamos prometido ir almoçar a casa dos pais dele. Depois de alguns carinhos e sem mais conversas lá fomos direitos à Trafaria.

Chegámos perto das duas e com as desculpas do atraso, o Pedro apresentou-me à família.

Estavam lá todos. Os pais, a irmã e marido que depois de me cumprimentar efusivamente como se eu fosse uma ave rara comentou:

 

- Você é que é o novo amigo do meu cunhado?

- Sim!.. Qual a sua admiração? Já me tinha visto em algum lado?

- Efectivamente a sua cara não me é estranha.

- É natural. Que bares são frequentas por você? Eu canto em alguns.

 

Como adivinhava onde ele queria chegar derivado à nossa diferença de idade, atirei: 

 

- Se não for o ter-me visto em algum bar nas minhas cantorias, onde terá sido? Ou já nos cruzámos algures e eu não me lembro? – A cara dele também não me era totalmente estranha e seria uma grande casualidade já nos termos encontrado em privado.

- Deve ter sido em um qualquer bar, mas foi há muito tempo pois deixei-me disso quando casei.

- Sabes!... Há coisas que mesmo depois de casados não se esquecem.

 

A conversa ficou por ali pois entretanto chegou perto de nós a mulher intrigada pela nossa conversa tão longa logo no primeiro dia.

A Acompanhar a dita vinha a mãe que comentou:

 

- Então você é amigo dos nossos primos em Lisboa?

- É verdade, foi em casa deles que conheci o Pedro.

- Então hoje não se almoça nesta casa? – Comentou o Pai que se aproximava com dois copos de Vermute entregando um ao genro e outro a mim.   

 

 Aquele almoço foi bastante agradável. Eles contaram todas as suas vidas e eu a minha (dentro do possível contável)

Entre todas as conversas nas entrelinhas descobri de onde conhecia o cunhado do Pedro. Já tínhamos tido um caso e se a mulher não sabia, pelo menos andava desconfiada que o marido tivera ou tinha uma vida dupla, e de vez em quando no meio das conversas tentava tirar-me nabos da púcara. Mas não teve sorte alguma.

Ficámos todos amigos desde aquele dia independentemente de darem a entender muito superficialmente que havia uma grande diferença de idades entre mim e o Pedro.

 

Acabou o dia com a promessa de lá voltar e com a recomendação do cunhado do Pedro de o tratar bem – logo ali descoseu-se confirmando de onde nos conhecíamos.

 

Oito meses depois

 

Já tínhamos todos, um bom relacionamento social. Eu ia a casa do Pedro e ele ficava por vezes em minha casa. Chagamos a ir passar (Pais, irmã e cunhado) alguns fins-de-semana fora.

  O primeiro fim-de-semana foi no Algarve. Na primeira noite no hotel estava a ficar um pouco complicado para a divisão dos quartos até que foi a irmã que acabou com a questão alvitrando porque não ficávamos eu e o Pedro, no mesmo quarto? Com a concordância dos pais a partir daquele momento, quando saiamos todos nunca mais tivemos problemas em ficar no mesmo quarto. Certamente que a família já adivinhara o relacionamento amoroso entre mim e o Pedro.

Estávamos no fim do ano lectivo e o Pedro completou com boas notas o oitavo ano. Depois de uma festa pela ocasião e fazendo eu já parte da família, também fui convidado para a mesma.

Depois do repasto o Pedro em conversa com todos, voltou com a ideia de se tornar independente da família.

Fiquei assustado pois as coisas entre nós estavam a correr o melhor possível inclusive na parte sexual, mas o susto foi de pouca dura, pois na sua prelecção ele informou que tinha um projecto de formar uma empresa de consultoria e me convidava para ser seu sócio e o que seria natural passaria a viver comigo.

Nada daquilo tinha sido surpresa para mim, pois já várias vezes tínhamos conversado sobre o assunto e combinado os pormenores e a melhor solução entre a união de facto e o casamento que estava fora de questão, para salvaguardar os nossos interesses, seria a sociedade. Só faltava a informação a toda a família.

Como era tudo gente que encarava a vida tal como ela se presenta na realidade e embora não comentassem já tinham adivinhado que nós não eramos só amigos até porque nem um nem outro naqueles meses antecedentes tínhamos apresentado namoradas e eram já as maiores vezes que Pedro ficava em minha casa do que na sua.

Quem fez questão de aliciar a família na concordância foi o cunhado pois seria com essa situação, na sua mente, ter uma amizade extra conjugal comigo.  

A festa acabou não sem antes haveram algumas prendas para o Pedro e mais um brinde até o pai chegando junto a mim perguntou:

 

- Então qual e a prenda que você lhe vai dar?

- Já está guardada em casa e vai ser surpresa!...

- Então se é surpresa, não queremos saber.

- É algo que ele anda desde que nos conhecemos à espera.

- Então já tem barbas….. - Comentou com ar maldoso o cunhado que notava-se ter um pouco de inveja pelo sosso relacionamento.

- Quer dizer que não ficam cá? – Comentou a mãe.

 

Efectivamente, não ficámos lá e viemos para já, nossa casa.

A meio do caminho perguntei-lhe se queria ir tomar um copo ao mesmo bar que fomos quando nos conhecemos e ele concordou.

A cena foi a mesma como da primeira vez só com a diferença, enquanto estava dar o espectáculo estando ao lado um casal se beijava, nos também nos beijávamos.

 

- Se isto tivesse acontecido da primeira vez não estávamos aqui hoje. – Comentei-lhe ao ouvido.

- Então porquê?

- Porque teria sido mais um engate de ocasião e tu eras um garoto de programa, como dizem os brasileiros.

- Vamos para casa? Estes gajos estão a dar-me tesão e estou deserto de ver aprenda.

 

Noite de estreia

 

Quando chegamos a casa a primeira coisa que fiz foi tomar um duche. Depois foi a vez dele enquanto fui colocar uma garrafa de champanhe num balde de gelo e com duas taças, levei tudo para o quarto.

Quando o Pedro entrou todo nu como era normal e viu o champanhe comentou:

 

- Não é isso a minha prenda?

- Pode ser parte, Vai da forma como o vamos beber. – ao mesmo tempo que enchia as duas taças.

 Quando ele chegou perto da cama segurei-lhe no pénis ainda flácido e meti-o numa das taças.

- Porra.. Está frio.

- Não o queres aquecer?

- Faz parte da minha prenda?

 

 Sem resposta, cheguei-o a mim e bebi o champanhe daquela taça ao mesmo tempo de lambia-lhe a glande do pénis. Ele encostou-se mais a mim e aquele saboroso mastro entrou em minha boca e começou a inchar. Ele tentou deitar-se como era hábito a meu lado com a finalidade dos sessenta e nove, mas não deixei. Continuei mamando até sentir quase o seu orgasmo. Parei e perguntei:

 

- Não queres a tua prenda?

- Não me digas que foi preciso oito meses para te comer. Estava farto de ser só eu a ser comido.

- E não tens gostado?

- Já me habituaste a isso e já tinha perdido as esperanças de ser ao contrário.

- Então cala-te e fode-me. Embora já esteja lubrificado, desde que te conheci nunca lá entrou nada.

 

Para lhe facilitar a questão coloquei-me de bruços na beira da cama e o seu pénis adivinhando o caminho que há muito procurava começou penetrando-me primeiro devagar mas quando sentiu que estava todo dentro e já com os tintis juntos às minhas nádegas começou a bombar freneticamente   

Já quase me tinha esquecido como era ter aquele prazer e comecei a apertar as nádegas ciclicamente ao mesmo tempo que ele tal como lhe fazia, veio até ao meu pénis masturbando-me. Estávamos num gozo total tentando o mais possível não nos virmos até que disse para não tirar fora e subi para acama. Há muito que não sentia tanto prazer com o seu peito junto de minhas costas enquanto ele continuava sodomizando-me e masturbando-me.

Virei a cabeça o mais possível para ele e perguntei:

 

- Está a gostar da minha prenda?

- Não digas mais nada e deixa-me vingar do que me tens andado a fazer quase há um ano.

- Daqui a nove meses vamos ver o resultado do que vais depositar dentro de mim

- Só tu me fazias rir agora.

- Então não te rias e fode-me com força que estou quase a virme.

- Pedro ritmadamente continuou com mais força até milhares de espermatozóides foram morrer num local que não é o seu fim natural. Quanto aos meus foram encher a mão do meu amante e os restantes foram morrer no lençol.

 

 Senti aquele corpo de quarenta e cinco quilos como corpo morto nas minhas costas enquanto dentro de mim aquela coisa começar a murchar. Estávamos exaustos de tal forma que nem nos apeteceu puxar o édredon para nos tapar. E pusemo-nos de conchinha.

- Queres ser tu agora? - Perguntou ele

- Tem calma… Não dou nenhuma máquina. Vamos aguardar para mais logo.

Bateram à porta… Abri-a… No meio da penumbra própria do Natal era o Pedro que dizia:

- Então. Adormeceste? Voltei…..

 

Acordei meio sarapantado!... Tinha estado a dormir

Voltei a carregar no Play do CD e o tema “Regressa A Mi” dos Il Divo começaram a tocar.

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Se há casais heterossexuais que duram felizes durante anos também há casais homossexuais felizes durante anos. Alguns com a nova legislação até casam e outros juntam-se em união-de-facto mas o “para sempre” não existe e por vezes existem circunstâncias que se metem pelo aminho e o “para sempre” deixa de existir.

Fi o que aconteceu depois de sete anos de felicidade. Alguém se meteu no nosso caminho e cada um foi para seu lado. Tentei matar-me, chorei durante meses e anos. Tive um AVC a suas fotografias enchem os meus espaços. Nunca mais soube o que é amar. Mais um Natal esperando por uma prenda inesperada.”

=========== FIM de um Sonho de recordações ================

 Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

                Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação” (cn-254)

                 Para maiores de 18 anos

                     © Nelson Camacho

    2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014

Mensagem no silêncio

       Mensagem no silêncio

 

Tenho nas mãos um cheiro de ausência,

Uma poeira perfumada, pela noite…

Em oração no meu corpo, ferido pela escrita,

Uma intensa fogueira para te ofertar!

No eixo do tempo… adormecido pelas palavras.

Escuto a tua voz dourada, de sabor a poeira,

Derramada nos meus ouvidos

No Oceanos dos meus sentidos…

No meu sangue, feita sementeira.

Escrevo-te dentro dos meus nervos sibilantes,

Mensagens de sonhos tisnados pelos anjos…

Mas, o meu choro é um cinema silencioso!

Num barco anonimo e interminável.

Tenho nas mãos a brisa do teu sorriso,

O interior de mim próprio, numa inércia,

Este desejo onde fico sempre indeciso

O princípio da minha febre, num laço azul

Junto das raízes e dos poros das palavras

Não. Não largo a minha navegação….

As minhas crónicas, o meu inquieto coração,

Vou nas vagas e na incerteza dos dias…

Tocando as cordas, o crepúsculo da frescura

Com um sabor a desaguar na Lua…

Nesta página vertiginosa doutra mistura

Este vácuo vem do esquecimento…

Da seiva no encontro da minha sede,

Vem na procura de um novo prometer

Saber que se sabe não sabendo ser

Qual lugar, morno de não ser…

Grito veloz, de arte, de horas a fingir

Que nas mãos tenho o não perecer…

Esta imensa vontade do teu interior traduzir.

                            Fim

 

           Nelson Camacho D’Magoito

        “Poemas DR-Bill Stal Beijel” (253)

                 © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

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As Minha Fantasias

Hoje sinto-me só, com as minhas fantasias!

Falo comigo próprio, pergunto-me e respondo-me a mim próprio já que ninguém me ouve. É sem dúvida um dia igual a tantos outros que já passei, até porque para mim, os dias são todos iguais. Fico a olhar o telefone à espera que toque, nem que seja por engano – mas nem isso acontece.

Tento ligar para alguém, mas que está em casa, num dia como o de hoje? Uns não atentem, outros têm gravador automático, e não é isso que procuro agora.

Saio para a rua e dou uma volta ao pela avenida do mar, aqui tão perto, apanho o fresco da briza do mar.

Lá fora grupos de pessoas passeiam na avenida conversando animadamente. Sinto pena porque não tenho com quem falar, e não sei para onde hei-de ir. Nem na esplanada. Um café acompanhado dos espraiar das ondas onde vou buscar ideias para os meus contos.

Na verdade o melhor é regressar a casa, pois só por só, em casa estou à vontade e pelo menos posso falar comigo.

São sou louco, nem me sinto doido por falar sozinho, sei que estou no meio de número de gente que sente o mesmo que eu, gente que também não tem ninguém com quem falar ou a quem possa pedir uma opinião ou desabafar um problema.

Se encontrasse alguém com quem pudesse ter uma aventura, o que faria…? Não sei: Há já tanto tempo que tenho aventuras sem sequer as chegar ater. As minhas aventuras estão nos contos que vou debitando ao sabor da minha imaginação quando venho de ver o mar ou quando vejo umas fotografias das revistas ou qualquer coisa que saltou da minha caixa de recordações.

Com esse alguém, imagino tudo o que gostava de fazer com alguém, até talvez coisas que faria com poucos, pois as fantasias que temos nem sempre as podemos fazer com qualquer um.

E quantos sentem o mesmo que eu, o desejo de ter alguém nem que fosse só para falar de coisas tão vulgares como é a vida do dia-a-dia!...

Por acaso ainda sou um sortudo pois tenho “ O Canto do Nelson” um espaço na Internet desabafar.

Façam o Favor de serem felizes a Bom Fim-de-Ano de 2014

            Nelson Camacho D’Magoito

                     “Desabafos” (252)

               © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2014

Os Motas – I Capitulo

Os Motas eram uma das famílias mais felizes lá do complexo habitacional. O Mota era engenheiro. D. Isabel, sua mulher, era médica. Deste casal Há vinte anos tinha nascido um filho, o Luís que tinha enveredado também pela área de engenharia, trabalhando na empresa do Pai. Os Motas eram uma família bem conceituada na sociedade. Frequentadores do Teatro Nacional de São Carlos e do D. Maria e de festas de glamour. Luís não saía destes parâmetros e não era muito frequentador de bares nocturnos ou discotecas. Nas noites de ócio entretinha-se em casa de amigos da mesma condição social.

Um dia nos escritórios do Mota entrou a pedido de um amigo, um moço que tinha acabado o curso de desenhista técnico como estagiário.

O Jorge, - o tal desenhista – passado algum tempo e depois de demostrar ser um bom profissional, começou a ir almoçar com os colegas de trabalho até que um dia para festejarem um contrato bem chorudo, o Mota convidou todos os colaboradores inclusive o Jorge, para um jantar em sua casa.

Naquela noite em casa dos Motas, estavam todos presentes, inclusive um amigo de infância do Luís.

Tratando-se de um casal da elite e porque D. Isabel não era muito atreita a taxos e panelas, encomendou o serviço a uma empresa de catering.

Como não podia deixar de ser e como era muita gente para uma sala de jantar, o serviço foi feito como um jantar volante. Primeiro as bebidas de recepção, depois os aperitivos e mais tarde a refeição.

Entre os empregados que deambulavam nas suas tarefas, havia um que servia mais vezes o Jorge. Coisa que ninguém notava a não ser o amigo do Luís que a certa altura lhe disse em termos de confidência:

 

- Conheces bem o teu colega lá do escritório?

- Quem? – Perguntou Luís admirado.

- Parece-me que o gajo conhece bem aquele empregado do catering

- Porquê? – Ainda mais admirado o Luís.

- O gajo não deixa de o servir mais vezes que a outras pessoas quaisquer e quando estão juntos, noto qualquer coisa comprometedora entre eles.

- Não ainda não notei!.. Se calhar conhecem-se.

- Pois!... Também acreditas no Pai Natal. Repara bem nos sorrisos que eles fazem um ao outro.

- Epá|.. Já estás para ai a inventar coisas, mas vou estar mais atento.

 

Luís ficou como se costuma dizer “com a pulga atrás da orelha” e começou a ficar mais atento,

Quando tudo acabou Luís foi com o Pai para pagar o serviço ao chefe da equipa que estava de conversa com o tal empregado e ouviu o dito dizer ao chefe que tinha boleia e não precisava do seu transporte.

Depois de tudo arrumado e as contas feitas. Já todos os colegas da empresa do Mota se tinham ido embora, menos o Jorge, que ainda se encontrava a um canto bebericando a última bebida.

Quando foi a vez do pessoal do catering sair, Luís notou que o Jorge também saía e como não quer a coisa, segui-o até ao jardim e viu o tal empregado entrar no carro do Jorge, cumprimentando-se com um gesto bastante afectuoso, e abalarem…

No dia seguinte

 

Como viviam numa casa tipo apalaçada, tinham duas salas de refeições. Uma para a refeições principais e para as festas, com uma antecâmara a que chamavam o comedouro onde era servido os aperitivos em dia de convidados e em dias normais servia para o pequeno-almoço.  

De manhã como era hábito todos se levantaram à mesma hora e se juntaram no comedouro para a primeira refeição.

Mal se sentaram entrou o chauffeur informando que o carro já estava pronto.

 

- Bom Dia senhor Carlos! Hoje só vai levar minha mãe para o consultório. O meu Pai vai comigo – Informou o Luís -.

- Vais-me dar boleia? – Perguntou o Pai muito admirado -

- Vou!.. Quero conversar consigo pelo caminho numa conversa de “pé de orelha”

- Não me digas que tens segredinhos que não podem ser ditos no escritório? É algo relacionado com a festa de ontem? – Perguntou D. Isabel. Mas não obteve resposta.

 

No caminho para o escritório o Mota, expectante perguntou:

 

- Ontem houve alguma coisa que não gostasses?

- Não… Pai!.. Correu tudo hás mil maravilhas. Só gostava de saber quem te indicou o Jorge para nosso empregado.

- Foi um amigo de há muitos anos e que já não via há tempos. Sabendo que era proprietário de uma empresa de consultoria de engenharia, veio até mim com o pedido de dar emprego a este amigo que ao que parece é amigo de um outro amigo dele e trata-o por afilhado.

- Que grande confusão!... E esse teu amigo que já não vias há muitos anos quem é?

- É um tipo que é empresário e que foi meu colega no liceu. Depois seguimos caminhos diferentes, Eu casei e ao que parece ele continua solteiro. Como tal pouco nos damos.

- Mas por ele ser solteiro? Tens algo contra os solteiros?

- Não é isso!... Desde a festa de fim de curso do liceu que nos separamos e cada um segui-o a sua vida. De-tempos-a-tempos encontramo-nos nos tribunais. Mas a que propósito vem estas perguntas todas?

- Ontem vi um empregado do catering quanto tudo acabou, sair no carro do Jorge. Achei estranho e pensei que houvesse algum conflito de interesses na contratação daquela empresa.

- Mas foi a tua mãe que fez o contrato e nem conhecia o Jorge. Mas afinal porque tanta preocupação?

- Pai!... Não há preocupação alguma. A propósito!... Tens alguma coisa contra os homossexuais?

- Porra!... Desta vez deixaste-me baralhado! Mas que raio de pergunta!...

 

Já tinham entrado na garagem do escritório e Luís só espondeu enquanto arrumava o carro:

 

- Não é nada de especial. São coisas da minha cabeça. Vamos mas é trabalhar.

 

No Escritório

 

O Mota não deixava de pensar nas perguntas que o filho lhe tinha feito e começou a observar melhor o Jorge. Não só no seu trabalho como nas suas atitudes. Da parte da tarde chamou o filho ao seu gabinete e quando ele entrou, mandou-o fechar a porta.

 

- Depois das perguntas que me fizeste hoje de manhã tenho andado com olho no Jorge.

- E então?...

- Acho que o rapaz tem qualquer coisa de esquisito.

- Como assim?...

- Tenho verificado que tem uns modos um pouco esquisitos.

- Mas esquisitos como?

- Um pouco amaneirados e apanhei-o ao telefone a dizer “ontem disse-te onde trabalhava, não te esqueças que saio às sei horas”.

- Quer dizer que estava a informar alguém a que hora saía! E depois?

- Não seria com o tal gajo do catering? Não me digas que o tipo é Gay!...

- E depois tens alguma coisa com isso?

- Tu é que me alertas-te para o caso.

- Mas eu só queria saber quem to tinha recomendado. Nada mais! Tens alguma coisa contra os Gays?

- Não sou contra nem a favor, mas não quero conviver com eles e na nossa empresa não quero cá disso.

- Pái!.. Isso é seres homofóbico e racista e se o rapaz for gay não o podes despedir.

- Isso é cá comigo. Não há lei que me obrigue a conviver com tipos desses.

- Não estás a por a carroça à frente dos bois? E se tivesses um filho Gay? Como era?

- Livre-nos Deus dessas coisas. Felizmente que só te tenho a ti.

- Bem!... Já estive a falar melhor…. Se era só isso que queria, vou trabalhar… - I saiu porta fora -.

 

Ao Jantar

 

Com a família reunida e depois de uma conversa de circunstância, o Mota puxou a conversa para o tema que tinha sido abordado com o filho, no carro e no escritório. Dª Isabel ouvi-o atentamente e comentou:

 

- E depois? O que que tens a ver com isso?

- Tu como médica não achas que esses gajos são doentes? Não será uma aberração? O homem foi feito para procriar e não para andarem uns com os outros.

- Ó homem… Não digas disparates. Eles não deixam de sere homens. Têm uma pila como a tua, choram, são amigos e amam. Só têm uma forma de amar sexualmente diferente. Pois fica sabendo que tenho muitos como clientes e alguns até são casados como nós.

- Pois!... Pois mas lá no escritório não quero disso.

- Sabes Mãe… Que o pai chegou a comentar que se descobrisse que o rapaz era homossexual que o despedia.

- O teu Pai é mas é parvo… Ia-se meter numa alhada que nem sonha.

- Sabes que o Pai chegou a dizer que se tivesse um filho Gay que corria com ele de casa.

- Mas que conversa tão sem propósito para um jantar… Vocês deviam ver o que se passa nos hospitais com situações dessas. Começa logo por os homossexuais quando admitem que o são e não poderem ser dadores de sangue, é um trauma bastante grave para eles. Já tenho passado por cima da lei e quando são pessoas saudáveis não menciono as suas tendências sexuais nos relatórios. É uma questão de princípios pois eles são homens como outros quaisquer. É uma lei sem qualquer cabimento científico. Quando de trata de lésbicas, ninguém lhes pergunta a sua tendência sexual ou se for um homem casado que possa ser heterossexual, basta dizer que é casado para mais ninguém lhes fazer perguntas sobre a forma como vivem sexualmente. Nos hospitais já tenho observado situações muito confrangedoras, por exemplo: - Quando há acidentes graves de homossexuais e têm namorados, há Pais que não deixam os seus namorados os visitarem nas enfermarias. Há situações psicológicas e morais e bastante graves quando isso acontece. Felizmente que poucas vezes isso acontece. Mas o melhor é acabarmos com esta conversa.

 

Quando acabou o jantar, foram para a sala onde foram servidos pela empregada o café do costume.

Dª. Isabel depois de ter bebido o seu café ausentou-se para os seus aposentos pedindo desculpa mas o dia e a conversa tida não tinha corrido muito bem e no dia seguinte tinha que se levantar cedo.

Ficou Pai e filho sentados nos seus sofás. Um a ler o jornal diário e o outro foi colocar um DVD com um concerto de Andre Rieu ao mesmo tempo que se acompanhavam por uns conhaques.

Às tantas o Pai Mota levantou-se para ir encher novamente o seu copo. Pelo caminho perguntou:

 

- Não queres mais? Então hoje não sais? Esta semana não saíste à noite!

- Não! O Mário tem estado no Algarve e não me apetece sair.

- Mas tens mais amigos e amigas, sem ser esse Mário!...   

- Certamente que sim, mas este é um amigo de infância e é o meu melhor amigo.

- E namoradas?

- Cada um vai-se ajeitando. Por acaso até namoro uma prima dele.

- Olha!.. Isso é que é giro. Na minha juventude também tinha um amigo assim. Parecíamos “O Roque e a Amiga”. Para onde ia um, ia o outro. Chegámos a passar férias, juntos e a namorar duas irmãs.

- Mas namoravam as duas ao mesmo tempo?

- Não!... Cada um com a sua. O meu amigo que era um galifão, se pudesse comer as duas não olhava para traz.

- Foi por isso que acabaram com a amizade?

- Não!.. Acabamos os cursos. Ele foi para fora e eu fiquei por cá até me casar. Mas isso é uma história que vai comigo para o outro mundo.

- Quer dizer que tens segredos na tua vida.

- Quais segredos qual carapuça. Vou mas é deitar-me e tu se não vais sair, vai fazer o mesmo que amanhã é dia de trabalho.

 

Luís ainda ficou na sala a assistir ao resto do concerto e o Mota seguiu para os seus aposentos.

O Mota quando chegou à cama deu-lhe a vontade de brincar com a mulher mas esta disse que tinha dores de cabeça e não teve sorte alguma. Fechou os olhos e veio-lhe à memória o que se tinha passado durante o dia. Serrou ainda mais os olhos para tentar dormir. Deu duas voltas na cama e a caixinha de recordações foi aberta e voltou aos seus tempos de juventude. Tinha na altura dezassete anos.

 

Veja as suas recordações clicando (II Capitulo)

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Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

           Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação” (cn-249

             Para maiores de 18 anos

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 12:18
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