Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015

Amor de mãe

Quem dera que todas as mães fossem assim

 

 Carlos era o príncipe lá de casa. A Irmã mais velha já tinha casado e abandonado o lar dos pais para constituir a sua própria família. Para que aqueles velhotes já reformados, refizessem as suas vidas tentando goza-la com as reformas que tinham até ao final do seu tempo aqui na terra andavam desertos que ao seu príncipe também resolvesse a sua situação e encontrasse uma mulher e lhes desse netos, já que a filha nunca mais resolvia esse situação.

Quando se falava no assunto o Carlos dizia sempre que tinha tempo para se enforcar mas nem namorada o rapas apresentava aos pais.

Quando a filha com o marido ia lá a casa almoçar ou jantar a conversa era sempre a mesma. Acabava sempre com os pais pressionarem-nos com o desejo de serem avós. Diziam eles que ainda morriam sem terem netos e a desculpa da parte do casal era sempre a mesma: - A situação económica do país não estava em condições para mandar vir filhos no momento. Quanto ao Carlos nem queria falar nisso. Ia curtindo com uma ou outra namorada e estava tudo bem. Quando chegasse aos trinta logo pensava nisso.

A pressão era grande e um dia, o Carlos depois de um jantar de família resolveu contar que tinha encontrado uma situação para deixar os pais à vontade e poderem auferir das sua reformas e viajarem sem preocupações.

E qual é a situação? Perguntaram todos muito confiantes no rapaz.

 

Tenho um colega lá no emprego que se divorciou e já arranjou casa na Amadora, mas para cobrir todas as despesas é um pouco complicado e sabendo das pressões cá em casa e também não estando interessado para já em casar-me convidou-me a partilhar o apartamento e assim ficavam todos os problemas resolvidos.

 

- Então vais viver com um homem? Ode é que já se viu isso? – Comentou o pai.

 

A mãe sempre atenta, respondeu:

 

- Ó homem!.. Até parece que não és deste mundo. No estrangeiro, é natural duas raparigas ou dois rapazes racharem como eles dizem as despesas de um apartamento.

- Também é natural quando estudantes vão para o estrangeiro por razões económicas fazerem o mesmo. – Comentou prontamente a irmã.

- Eu enquanto estudante em Coimbra de uma vez estive numa “republica” e de outra vez só com um colega. – Atalhou o genro.

 

Naquela noite e estando todos de acordo ficou resolvido que o Pedro no fim do mês iria de malas e bagagens para uma nova situação.

 

Naquele período de tempo todos ajudaram o Pedro a mudar-se para o apartamento da Amadora e conheceram o Mário. A casa praticamente estava mobilada menos um quarto que seria o do Pedro e para onde levaram a mobília de solteiro daquele.

 A mãe Isaltina até se prontificou durante algum tempo a ir-lhes fazer o jantar pois segundo ela dizia, “dois homens na cozinha devia ser uma desgraça”. Os rapazes foram-se habituando até chegar a altura que D. Isaltina deixou de lá ir e aproveitou para fazer uma viagem a Espanha, França e Inglaterra com o marido. Estas merecidas féria duraram mais de dois meses. Quando voltaram para entregar as prendas que tinham trazido, fizeram um almoço de Domingo e convidaram a família incluindo o Mário.

Mesmo à portuguesa, fizeram a festa e deitaram os foguetes e o Mário, pelo convite sentiu-se na obrigação de convidar os pais do Carlos depois de combinar com ele, a irem um dia lá a casa jantar.

 

No dia aprazado, o Sr. João que ainda não estava muito habituado com aquela coisa de dois homens viverem na mesma casa, independentemente de ter sido ele na altura da mudança a ajudar no transporte dos móveis do filho e todos ficarem cientes que cada um tinha o seu quarto, não foi ao jantar.

 

Quando D. Isaltina chegou. Um pouco bisbilhoteira, a primeira coisa que fez foi dar uma volta pela casa para ver se tinha havido coisas novas e algumas alterações. Surpresa das surpresas. O quarto do Mário estava muito arranjadinho com a cama de pessoa só e feita e uma escrivaninha com o computador. Enquanto o quarto do filho estava todo desarrumado com uma cama de casal e toda desfeita.

 

Isaltina, nada comentou directamente mas foi perguntando se agora trabalhavam em casa.

Os rapazes adivinhando o porque da pergunta, esquivaram-se sempre e tentaram que aquela noite fosse o mais agradável possível 

Isaltina ia reparando numa certa intimidade e cumplicidade entre os dois e não deixou a certa altura de comentar.

 

- Nota-se que vocês são mesmo muito amigos.

 

Carlos apercebendo-se da curiosidade de sua mãe logo disse:

 

- Mãe!.. Eu sei o que está pensando e pode esquecer, somos só amigos e nada mais.

 

Aquela noite tinha sido perfeita e sem mais observações da velha senhora e sem quaisquer explicações da parte dos rapazes.

Se a velha senhora levava ou não algo por traz da orelha era lá com ela.

 

Um mês depois

 

Quando foi a altura das limpezas gerais o Mário reparou que no sítio onde devia estar uma travessa de prata estava outra de loiça onde Isaltina tinha levado um Bolo naquele jantar e comentou para o Pedro.

 

- Epá, já tinha achado algo de estranho aqui no aparador mas agora confirmei. No local da travessa de prata está uma de loiça. Será que tua mãe inadvertidamente as tocou?

- Desculpa lá mas nem na cabeça do menino Jesus caberia tal desaire. Ma vou já tratar do assunto.

Sentou-se ao computador e escreveu um e-mail  

 

"Olá Mãe… Não estou dizendo que você trocou a travessas de prata de minha casa pela de loiça onde trouxe o bolo, mas o facto é que ninguém cá esteve desde aquele jantar, sabe de alguma coisa? Beijinhos. Seu filho” 

 

Alguns dias depois recebeu a resposta também por e-mail onde dizia:

 

"Querido filho, Não estou dizendo que você dorme com o seu amigo, e nem dizendo que não dorme com ele, e você sabe que eu te amo de qualquer maneira. Mas o facto é que se ele estivesse dormindo na cama do quarto dele, ele teria encontrado a travessa debaixo do travesseiro. Quando vocês dois vêm aqui jantar? Beijos, Tua Mãe."

------------------- Fim ----------------------

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

                    Nelson Camacho D’Magoito

           “Contos ao sabor da imaginação” (mc-260)

                       Para maiores de 18 anos

                           © Nelson Camacho
        2015 (ao abrigo do código do direito de autor)

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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015

Até quando homofóbico – I Parte

Homofóbico? Até quando?

 

Naquele dia de chuva e temporal embora tanto na rádio como na televisão houvesse aviso permanente para se possível não se sair de casa derivado ao frio e temporal que tinha assolado todo o pais, deu-me na mona – normalmente não faço nada o que me aconselham – Resolvi vestir-me o mais agasalhado possível meter-me no carro e depois de ligar o aquecimento fui até às arribas cá da praia.

 

Depois de lá chegar fui com o carro até ao local mais alto para ver a ondulação que bastante perigosa e a chuva que não parava de cair. O espectáculo era algo soberbo. Fechei todas as janelas e por ali fiquei também ouvindo um pouco de música, Não fora o vento forte que fazia abanar o carro, estaria por ali mais tempo mas não. Resolvi acoitar-me na esplanada que sendo fechada e com aquecimento central sempre estaria melhor.

Assim que cheguei fui cumprimentado por todos os empregados e principalmente pelo meu amigo “intimo“ Carlos. Como já tenho contado por aqui, o Carlos, para além de ser empregado daquele espaço e porque um dia aconteceu criarmos uma amizade mais intima, somos mesmo amigos, não damos nas vistas do nosso afér e muitas vezes faz da minha a sua casa. Não temos nenhum contracto de fidelidade e somos felizes assim. Cada um dá si sexualmente o que quer ou o que pode.

 

- És mesmo maluco, com este temporal saíste de casa – comentou o Carlos -.

- Tinha saudades tuas e vim ver se estavas de serviço. - menti.

- Infelizmente, tive de vir trabalhar. És um tretas do caraças. E os telemóveis servem para quê? Se tivesses tantas saudades tinhas telefonado. Andas mas é há procura de passarinho novo. Quem não te conheça não te leva preso. Hoje não te safas, ficou tudo em casa. Mas perdoou-te pela mentirinha. Vou buscar-te o café.

 

Depois daquele comentário, Pedro afastou-se e lá foi buscar o café não sem antes quando se afastou com o rabo dar uma sacudidela na cadeira onde estava sentado, e saiu a rir.

 

Eu estava sentado mesmo encostado aos janelões por onde entrava alguns raios de sol e se via o ondular do mar e suas altas ondas. Nem me apercebi que ao meu lado se tinham sentado duas raparigas e um rapaz. Abriram o computador portátil e lá estavam entretidos com algo que os faziam rir.

Entretanto chegou o Pedro com o café e um pastel de nata… como era hábito e comentou baixinho:

 

- Com este não te safas. O gajo tem a mania que come as miúdas todas e é um homofóbico dos caraças… até mete raiva.

- É teu amigo? Já o tentaste?

- És parvo?.. Eu só vou contigo mas conheço o gajo de um bar em Sintra.

 

Com aquela dica, não só fiquei em alerta mas com mais atenção sobre o moço.

 

Segundo vim a saber mais tarde o tal moço, era estudante, tinha dezanove anos, vivia em Sintra, era filho de gente rica preconceituosa e chamava-se Luís. A sua aparência era de facto de mais um menino bem, de olhos azuis, cabelo alourado, bem tratado e um pouco comprido indo o seu términos cair sobre a gola de um casacão preto. Mirei-o mais quanto podia e notei que as calças eram de fazenda e os sapatos, contrariamente ao que a malta usa, não eram ténis mas sim sapatos de pelica.

 

A certa altura continuando os três em galhofa pegada frente ao computador e encontrando-se ele virado para mim e olhando-me nos olhos peguei o pastel de nata e ao contrário de toda a gente, que o mastiga, meti a língua no seu recheio fixando-o ainda mais. Ele pestanejou. Fixou-me mais atentamente e de repente desviou o olhar como comprometido e eu continuei com a língua dentro do pastel de nata.

 

Estava dado o primeiro passo para o que viria a seguir.

Lá de longe, o Carlos ao mesmo tempo que ia servindo os poucos clientes que havia, não tirava os olhos de mim adivinhando o que iria acontecer e de vez em quando abanava a cabeça como quem me queria dizer que não iria ter sorte alguma mas ele enganava-se pois eu adora um homofóbico jovem. É que normalmente eles não o são, têm é uma situação de sexualidade mal resolvida.

Depois do meu linguajar no pastel de nata e do desvio apressado do olhar do Luís, fiquei mais atento à conversa que aquelas almas iam tendo que lhes faziam tanto riso, até que constatei que eles estavam a ver um sitio porno. É que uma delas comentava:

 

- Epá… Já viste que o gajo aguenta-se com duas?

- Gostava de experimentar um gajo assim com tanta tesão… – dizia a outra…

- Olha agora chegou outro gajo para ajudar à festa.

- Epá… O gajo não veio ajudar o outro, veio chupar o pirilau do amigo.

- Porra…. Desliguem lá essa marda. Afinal de contas isso é um vídeo de lésbicas e paneleiros – Comentou o Luís ao mesmo tempo que fechava o computador.

- É mesmo homofóbico! – Comentou uma delas.

- Nada disso!... Cada um leva naquilo que é seu. Desde que não sobre para mim.

- Tu tens é inveja. Já estivemos os três na cama e não deste conta do recado.

- Mas vocês as duas gozaram…

- Sim… Mas não tiveste tesão para as duas.

 

Aquela conversa que embora em tom audível me chegasse aos ouvidos bastante fraco, não deixei de constatar que elas se tinham governado as duas como lésbicas e o gajo como homofóbico não tinha chegado para as duas. Levantei-me e fui à casa de banho. Já tinha feito o meu xixi da ordem e estava a lavar as mãos quando o Luís entrou, então armei-me em descarado e estando ele a meu lado também a lavar as mãos comentei:

 

- Epá!.. Estás muito bem acompanhado, mas sem querer ouvi as vossas conversas e vi que és um sortudo dos caraças e já foste com as duas para a cama. Elas são lésbicas?

- Parece que sim!... Uma delas não me deixou come-la.

- Não foi isso que ouvi!... Uma delas disse que não aguentas-te com as duas.

- Se calhar você também não se aguentada se estivesse na cama com elas a verem um filme pornográfico entre homens.

- E qual é o mal? A predilecção das lésbicas é foderem entre elas ao mesmo tempo que estão a ver dois homens também a foderem-se.

- E não acha que isso é anti natura?

- Anti natura? Porquê? Não estão a gozar?

- Desculpe!.. Você é mais velho, mas não me dá lições de mural.

- Epá desculpa… Estar a meter-me contigo. Não quero ofender ninguém, dar lições de mural ou ter ouvido a vossa conversa, mas talvez por ser mais velho te possa explicar melhor o que são relações sexuais entre pares. Desculpa mais uma vez.

 

Luís nem respondeu, limpou as mãos a uns toalhetes e pirou-se apressadamente.

Quando sai dos lavabos, passava o Carlos que comentou baixinho:

 

- Tá visto que já engatas-te este!....

 

Voltei para a minha mesa e como o sol estava cada vez mais baixo começava a incidir sobre os meus olhos de forma que deixei de ver o triunvirato mas comecei a ouvir uma certa discussão. Não era bem uma discussão alterada mas talvez uma troca de impressões mais assanhada até que uma das raparigas se levantou e disse para o Luís.

 

- Pois se queres ficar fica que nós vamo-nos embora. – e saíram apressadamente ficando o Luís ali especado e sozinho.

 

Foi a minha oportunidade de voltar a meter conversa.

 

- Elas iam mesmo danadas e deixaram-no apeado!...

- Não!.. Não fiquei apeado porque elas vieram num carro e eu vim no meu.

 

Na altura em que estávamos naquele pequeno diálogo chegou o Carlos e dirigindo-se-me.

 

- Já acabei o meu turno. Posso tomar um café com vocês? Ao que parece já se conhecem?

- Não!... Estava simplesmente a comentar que este amigo ficou apeado – disse eu.

- Para o Luís já é normal ficar apeado com estas gajas. Ele em vez de arranjar umas gajas normais, anda sempre com lésbicas e quando se zangam, piram-se.

- Quer dizer que já conheces este nosso amigo.

- Sim!... é o Luís e já no encontrámos por ai nos karaokes. Então o melhor é apresentarem-se. Este é o Luís e este é o Nelson.

 

Foi assim que fiquei a saber o nome do tal tipo e que gostava das cantorias. Aproveitei a oportunidade para meter uma conversa mais a sério, pegando na chávena e indo-me sentar na mesa do tal Luís onde o Carlos também se sentou.

 

Foi uma conversa interessante começando por lhe perguntar se efectivamente cantava e qual o tipo de canções nunca divulgando que também eu andava ou tinha andado nas cantigas mas quando o tipo disse que gostava das canções do Tony de Matos, mas como era um cantor antigo só tinha um CD dele, o Carlos atalhou logo que estava com sorte pois eu tinha todos os seus CDs e discos de vinil.

 

- Quer dizer que já és um amigo antigo aqui do Nelson – Comentou o Luís.

- Não só sou somos amigos antigos como conheço muito bem a casa dele e sei que tem uma discoteca que mete inveja a muita gente.

- Epá… Também não é bem assim… Embora tenha entre CDs e vinis antigos para ai um milhar.

- E porque tem tanta musica?..   –perguntou o Luís.

- Aqui o meu amigo Nelson fez rádio, teatro e é cantor.

- Deve ter muitas histórias para contar. Sempre me seduzi pelas vidas dos cantores e actores.

- É uma profissão muito ingrata, trabalhosa e onde se tem muitas invejas, mas também não é bem o que se diz na comunicação social. – atalhei eu.

- Gostava de ouvir algumas histórias.

- Mas isso é simples!.. - comentou o Carlos – Arranjamos um petisco e vamos para casa dele… - e virando-se para mim – Até podemos ir hoje. Só volto ao serviço amanhã às dez horas… Podemos?

 

Afinal de contas quem estava deserto de fazer aquele encontro a três, era o Carlos. Afinal, já tínhamos prometido um ao outro quando se proporcionasse fazermos um Menage-à-trois, e talvez fosse aquela a ocasião e logo concordei com a ideia.

 

Como todos tínhamos carro e não valia a pena ir cada um no seu, alvitrei irmos no meu e os outros ficariam por ali.

Pelo caminho o Luís alvitrou passarmos pela churrascaria para comprar um frango e o Carlos compraria o vinho e assim foi. Eu daria o café os conhaques e o resto logo se via.

 

A primeira coisa a fazermos quando chegámos, foi o Carlos que já estava habituado à casa, dizer que iria tomar um duche pois estava todo suado do trabalho. O Luís foi mirando muito atentamente as minhas fotografias expostas nas paredes das escadas e outras espalhadas pelo salão e em cima do piano. Parou em frente a uma porta onde tem um cartaz que diz “Non trespass” e comentou:

 

- Aqui há segredos?

 

Na mesma altura que fazia a pergunta, saiu de lá o Carlos que tinha desaparecido entre tanto, de robe branco vestido.

 

Aquela não era a resposta para o Luís mas ficou com uma cara estranha e de admiração e foi a minha vez de satisfazer o seu desejo.

 

- Não ligues… O Carlos é como se estivesse em sua casa. Normalmente quando aqui vem é assim. Gosta de ir tomar uma duchada e por traz daquela porta é a nossa sala de desenho.

- Sala de desenho?

- Sim!.. É o meu quarto.

 

O coitado do Luís, nem sabia o que mais lhe dava vontade de perguntar e encaminhei-o para a cozinha onde comecei a prepara a mesa para o nosso frango.

 

Naquela noite iria haver dois frangos, um propriamente dito e o outro seria o Luís. Mas ele nem adivinhava onde se tinha metido.

A mesa já estava posta e uns copos bebidos quando o Carlos entrou:

 

- Então já temos frango?

 

Entretanto já eu me tinha despido e vestido uma t-shirt de alças e uns curtos calções dizendo ao Luís que também se podia por à vontade. É claro que a única coisa que ele fez foi tirar a t-shirt ficando com o tronco nu. Mas que tronco, porra. Agora via-se mesmo toda a sua beleza. Aqueles olhos azuis e brilhantes e os cabelos alourados descaídos sobre as costas queimadas ainda pelo sol do verão passado e os bíceps bem delineados e mamilos salientes, dava a entender ser menino de ginásio. O Carlos olhou-o bem e comentou para mim:

 

- Afinal o frango está comestível.

- Cá para mim também deve saber bem. - comentei

 

Luís não se apercebeu do nosso diálogo entre linhas ou estava a fazer-se de parvo.

O frango propriamente dito ainda estava quente, as batatas pala-pala não estavam muito salgadas e o vinho estava fresquinho. Duas garrafas foram bebidas rapidamente. A conversa como seria normal numa ocasião destas foi o mais normal possível. Luís não deixava de querer saber como era a vida artística, inclusive, chegou a querer saber se entre alguns pares, para conseguirem determinados favores não havia homossexualidade. É óbvio que tentei não me debruçar sobre o assunto comentando somente que esse facto não existia somente nessa profissão. Existem gays em todas as profissões tal como existem lésbicas e não deixam de erem homens ou mulheres pelo facto de se entenderem sexualmente uns com os outros.

Estava eu nessas explicações quando o Carlos perguntou-lhe:

 

- Mas qual é o teu problema? Tens alguma coisa contra a homossexualidade?

- Não é que seja contra, mas não entendo.

- Mas ao que sei, vais para a cama com lésbicas.

- O que elas fazem entre elas é com elas mas sempre são mulheres.

- Epá… retorqui eu – quer dizer que sexo entre mulheres é uma coisa, mas entre homens já é outra?

- Desculpa lá mas os homens fizeram-se para procriar.

- E quem te disse que os gays também não procriam? Sabes que há homens que se movimentam sexualmente entre os dois géneros?

- Podes ter razão mas não entendo

- Isso não será um pouco de homofobia?

 

Carlos que já há muito se entendia sexualmente comigo, saltou-lhe a tampa:

 

- Luís… Houve lá uma coisa!... Tu gostas de chuchu?

- Dizem que é um fruto que substitui as batatas mas nunca provei. Creio que não gosto, batatas são batata.

- Se nunca provaste como é que dizes não gostar?

 

 Carlos mais descarado que eu, enquanto fazia a pergunta e porque estava a seu lado colocou uma das mãos na sua perna e aguardou o resultado ao mesmo tempo que me piscava os olhos.

Luís não teve qualquer reacção e como tal, foi a vez de me meter na conversa e alvitrar irmos tomar café. Levantámo-nos depois da concordância e fomos até ao salão pedindo ao Carlos que tirasse os cafés enquanto eu me dirigi ao piano começando a tocar “De homem para Homem” um fado de Tony de Matos, alterando um pouco a letra.

Luís depois de receber um copo com um conhaque servido pelo Carlos veio até mim e debruçando-se sobre o piano ficou olhando-me

 

Carlos também de copo na mão foi direito a mim ficando por traz, beijou-me na nuca e deu-me a beber um sorvo do conhaque que tinha na mão.

 

Luís olhou-nos fixamente com ar de admiração mês nem tugi-o nem mugi-o e Carlos atalhou:

 

- Este é um fado de dor de corno entre dois homens por causa de uma mulher, mas também podia ser entre dois homens por causa de outro homem. Vez a diferença?

 

Aquela cena, se não fosse real, podia ter sido de uma de qualquer telenovela.

Pelos meus dedos, pressionando algumas teclas, umas brancas, outras pretas, os martelos foram batendo nas cordas do piano de cauda de onde iam saindo melodias que o Tony de Matos tão bem interpretava, fazendo assim o gosto ao Luís que talvez sonhasse ser aquele cantor que tanto admirava.

O Carlos não deixava de me abraçar mordiscando os meus lóbulos enquanto o Luís com aquele ar de menino confuso e já com uns copos bem bebidos a certa altura pediu:

 

- Parece que já estou com os copos, Vou encostar-me no sofá. Posso?

 

Carlos atento… respondeu:

 

- Porque não te vais deitar um pouco ali dentro? – Apontando para a porta onde dizia “Non trespass”. – ao mesmo tempo que me apertava mais os ombros e me segredava – è a tua vez. Eu vou para o sofá e já lá vou ter.

 Luís pela primeira vez sentiu-se mais à vontade e trespassou a tal porta. De imediato porque assim é sempre, começou a tocar uma melodia em piano “Elvira Madigan” de Mozart ao mesmo tempo que alguns projectores de luz fraca se acenderam dirigidos à cama. Foi quando ele viu que afinal a “sala de desenho” nada mais era que um quarto de paredes negras e no tecto sobre a cama, em vez de candeeiro ou projectores havia um espelho. Tal como estava, deitou-se, curtindo a pequena bebedeira e o seu corpo reflectido no tal espelho. Aquele ambiente e de novidade para o primeiro a entrar ali, fê-lo sonhar não se sabe o quê.

Quando a porta se fechou perguntei ao Carlos porque não tinha ido com ele.

 

- Epá… O tipo tem demostrado não saber o que quer e tu é que és o exespert para estas coisas, ou já te esqueceste como me convenceste da primeira vez?

- Não tens gostado?

- Prometeste um dia que havíamos de ir para a cama a três. Hoje vais pagar a promessa.

- Vamos ver o que consigo fazer.

- Cá para mim não vai ter grandes dificuldades, o gajo é giro e tu sabes a toda e também estás deserto de comer o puto. Eu fico por aqui mais um tempo.

- Sim… Mas não te enfrasques.

- Não… Vou ligar o vídeo e ver um filme porno.

- Podes ver o filme mas não te masturbes. Depois de entrar dá-me pelo menos meia hora.

 

Entretanto fui arrumar a loiça, beber mais um copo para fazer tempo.

 

Despi a t-shirt, mudei de calções para umas boxers e entrei no quarto uma hora depois.

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Se tem mais de 18 anos. Para ver o que aconteceu a seguir clique (Aqui)

 

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

                  Nelson Camacho D’Magoito

             “Contos ao sabor da imaginação” (cn-259)

                        Para maiores de 18 anos

                           © Nelson Camacho
          2015 (ao abrigo do código do direito de autor)

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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

Um metrossexual pode ser um gOy ?

Haverá algumas diferenças entre metrossexuais, g0ys, bissexuais, heterossexuais e gays?

Em princípio todos os homens inseridos nestas classes de “preferências sexuais” são homens como quaisquer outros, Nascem, morrem, e vivem inseridos na sociedade que os rodeia sem grandes problemas, com excepção em raros países. Eles amam, sofrem, choram e procriam. Uns são casados com pessoas de sexo diferente pela Igreja ou pelo registo, outros são casados com pessoas do mesmo sexo (Para estes, está interdito o casamento pela Igreja), em união de facto, divorciados, viúvos ou solteiros. Ricos, pobres ou remediados e de todas as condições socias.

Segundo a nossa constituição da republica portuguesa segundo consta no

Art. 13, n.º 2 da Constituição

“Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”.

Vamos começar pelos heterossexuais:

  1. Simplificando a situação, são homens que em princípio só mantêm relações sexuais com mulheres.
  2. Quando digo “em princípio” é porque a razões que a razão desconhece às vezes passam a gostar de praticar sexo com outros homens, Umas vezes em definitivo outras, saltando de cama em cama e passam a ser bissexuais.

Agora vamos aos bissexuais:

  1. Por razões que o destino desconhece, há uma altura em que têm uma experiencia sexual com outro homem e a satisfação é de tal forma que passam a ser ambivalentes nessa área. Normalmente começam como activos e mais tarde como passivos também, Vai tudo dos parceiros que encontrarem.
  2. Para esta classe é uma chatice por causa da família e quando há filhos a coisa torna-se pior.
  3. Independente de terem filhos ou não, por vezes as suas relações com as mulheres acaba em divórcio.
  4. A coisa não é tão simples assim. Há mulheres que descobrem a nova faceta do marido e porque há interesses económicos ou da sociedade, fecham-se em copas a continuam a vidinha como se nada fosse. Também há as que descobrem e correm com os maridos de casa.

E os metrossexuais?

  1. O metrossexual não é o macho latino que nossos avós nos ensinaram a ser. Desmazelado no vestir e na aparência, barba crescida e cuspindo para o chão.
  2. Um metrossexual é um homem que gasta uma boa quantidade de tempo e dinheiro com seu estilo de vida, especificamente na sua aparência
  3. Alguns metrossexuais pela forma como se apresentam ao mundo são assediados por gays (Quem pode culpa-los por tentar?). Aqui entra o velho ditado “Desta água nunca beberei” e quando se confronta com um Gay mais sabido por vezes até conseguem uma relação afectiva. No final são todos homens. E como diz outro ditado “A ocasião faz o ladrão”.
  4. Para saber mais sobre o assunto leia “Serei Gay?... Não! Sou metrossexual” clicando (aqui)

 

Passando para as novas “preferências sexuais assumidas” vamos aos g0ys

Não confundir g0y com gay!.. Vou tentar explicar.

 Se não sabe prenunciar o termo “g0y”, eu também não na medida em que no lugar do “a” no termo “gay” foi alterado para um “zero”.

 

Mas o que é um “g0y”?

É um grupo de homens, que surgiu nos Estados Unidos,  não afeminados, que curtem estar com outros homens, mas sem sexo com penetração.

 

“G0ys não namoram nem casam com outros g0ys, têm no máximo uma amizade íntima. Casam-se com mulheres. “G0ys são a salvação do “homem de verdade” e, por isso, não permitem qualquer associação com imagens e clichês do mundo gay”.”G0ys criam clubes de relacionamento onde só é permitida a entrada de outros g0ys”.”G0ys não devem se envolver com o universo gay”.”Goys são machistas” e intitulam-se de conservadores.

Segundo as regras do seu movimento dividem-se em dois grupos:

 

- Os hétero g0ys e os gays g0ys. Existem relatos de que o sexo oral é tolerável, bem como a fricção do pénis e o contacto dos corpos. Ambos fazem masturbação com outros, mas não praticam sexo anal com penetração, por considerarem o acto degradante.

Esse movimento já é uma realidade e não para de crescer entre héteros e gays que querem “prezar” a liberdade e preservação da masculinidade.

Nos EU já existe um movimento com estatutos próprios onde constam regras para se tonarem membros. Se quiserem tornar-se membro visite o “site”

 

Sobre este tema "g0ys" há quem opine o seguinte:

Há quem considere esta “moda” ser de um grupo de Gays que não se aceita, tem medo de sair do armário e o pior é serem machistas e homofóbicos.

  1. Há também quem considere os g0ys”, não são gays porque dizem não praticarem a penetração no sexo.
  2. É claro que estão todos enganados. Como diz o velho ditado “Tanto é ladrão o que rouba como o que fica à porta para avisar a aproximação da polícia”.
  3. Também há quem diga que o hetro, não sente atracção por outro homem. Também é uma tremenda mentira. Não afirmo que sejam todos mas no universo dos homens-homens há sempre um dia que experimentam ou experimentaram uma relação “g0y” ou “gay”.

 

Veja o que aconteceu com o meu primo de (Lisboa) o-meu-primo-de-lisboa

 

E você!.... O que tem a dizer?

 

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

 

               Nelson Camacho D’Magoito

                  “Informação” (nc-258)

                 Para maiores de 18 anos

                   © Nelson Camacho
2015 (ao abrigo do código do direito de autor)

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