Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

5 de Outubro

O 5 de Outubro que nós temos

 

 

 

Tal como a maioria dos portugueses, no dia 5 de Outubro, resolveram, porque o verão ainda não se foi embora, ir até à praia ou fazer as suas petisqueiras no campo. Eu por mim, porque já estou bastante queimado da praia e até porque me apetecia ficar na minha cadeira de baloiço do quintal acompanhado por um bom refresco a ouver os programas de televisão, quanto mais não fosse para verificar quais eram as comemorações que se faziam no nosso país sobre o 5 de Outubro. No fim, cheguei à conclusão que se os mortos falassem ou voltassem a este mundo o José Relvas voltava a morrer, mas desta vez de vergonha.

Segundo participaram na comunicação social, o 5 de Outubro somente foi festejado em Lisboa (teria por causa da crise?).

Não! O povo já começa a não ir nas cantigas dos políticos nem tão pouco nas festas que eles organizam em nome do povo.

 

Festejar o 5 de Outubro de à 101 anos seria uma coisa boa se tal como o 25 de Abril de 1974 se tivesse cumprido.

 

Qualquer das grandes revoluções feitas em Portugal, nenhuma cumpriu com as promessas que levaram o povo a aderir. Coisa que ainda hoje se passa quando há eleições para o actual parlamento.

 

Naquela data meia dúzia de militares (marinha e exercito) conjuntamente com a Carbonária e o Partido Republicano Português, iniciaram uma revolta nas guarnições de Lisboa, para derrubar a Monarquia. Tomaram de assalto a Câmara Municipal de Lisboa e na sua varanda principal José Relvas proclamou o fim da Monarquia e o inicio da Republica (O remédio de todas as maleitas para o povo Português)

A revolução tinha sido comandada por Machado dos Santos que prontamente fez com que o nosso Rei D. Manuel II e sua família partissem para o exílio, numa fragata que tinha aproado na praia dos pescadores na Ericeira.

 

A história repetiu-se em 25 de Abril de 1974 com outros protagonistas (também militares) e Marcelo Caetano lá partiu também para o exílio, só que desta vez de avião.

 

Desde o nascimento do Condado Portucalense feito pelo tratado de Zamora em 1143 em que D. Afonso VII de Leão e Castela reconhece o novo estado com o nome de Portugal e é induzido como primeiro Rei de Portugal D. Afonso Henriques que Portugal tem andado num fado triste (mas só para o povo), vejamos:

 

- Desde 1143 até à actual data 2011, distam 868 anos dos quais tivemos estabilidade política com a monarquia (831 anos).

- Com a instabilidade, 101 anos dos quais, 40 anos de ditadura politica em que esteve à sua frente Salazar e Marcelo Caetano).

- De 1910 a 1974 tivemos 14 presidentes, uns eleitos, outros re-eleitos, até tivemos um que foi assassinado, o Sidónio Pais.

- De 1974 até à data 2011 tivemos 6, uns eleitos, outros re-eleitos e um, António de Spínola que foi mandado para o exílio.

 

Não vou aqui fazer um tratado da história de Portugal (quem quiser fazê-lo que se dê ao trabalho de consultar os locais próprios na internet).

 

A minha intenção aqui é somente criticar a forma como o nosso governo/presidente da república festejou o 5 de Outubro. Festejou, digo bem, pois o povo foi alheado em todo o território.

 

Nos passos do Concelho ouve festa com abraços, cumprimentos, beijinhos e até discursos.

Só que na rua, o povo (pouco) foi arredado para um canto da praça e bem guardado pela guarda e polícia. Os senhores do governo e convidados, políticos e outros (também poucos) lá tiveram direito a bancada mas ao sol que quando nasce é para todos.

Antes dos discursos propostos ouve uma senhora da câmara que foi ao povo buscar algumas pessoas para preencher os lugares vazios na bancada dos Vips. Fez-me lembrar e eu que já sou cota, o tempo do Salazar, quando havia um evento naquele lugar para butar palestra, as Câmaras municipais disponibilizavam auto-carros para os seus funcionários e familiares para se deslocarem a Lisboa a fim de encherem aquele espaço. A minha memória não é curta, contrariamente a muito boa gente que mete o rabo entre as pernas e a cabeça na areia.

 

Na sua intervenção, o Sr. Presidente da Republica, fez-nos lembrar entre outras coisas:

 

           “Portugal tem de se afirmar, no contexto de uma União Europeia digna desse nome, como um Estado credível e como uma República que honra os seus compromissos”

 

- Portugal, que é como quem diz, portugueses teem de se afirmar no contexto da União Europeia. Mas não foi o povo que pediu ao Sr. Mário Soares para entrarmos nesse clube. Assim como, não o autorizou a fazer célebre descolonização apressada.

 

           “Temos de ser um país determinado a resolver os seus problemas, de forma livre, soberana e independente.”

 

- Independente como? Se estamos sujeitos ao grande capital da Comunidade Europeia?

 

           “Vivemos tempos muito difíceis. Essa é uma realidade que ninguém de bom senso poderá negar. Durante alguns anos, foi possível iludir o que era óbvio, pese os avisos que foram feitos dos mais diversos quadrantes. Agora, estamos confrontados com uma situação que irá exigir grandes sacrifícios aos Portugueses, provavelmente os maiores sacrifícios que esta geração conheceu”.


- Quer dizer que o Sr. Presidente quando Primeiro-Ministro não nos iludiu também com o que era óbvio?

 

           “Perdemos muitos anos na letargia do consumo fácil e na ilusão do despesismo público e privado. Acomodámo-nos em excesso. Agora, temos de aprender a viver de acordo com as nossas possibilidades e a tirar partido das nossas potencialidades.”

 

- Lá volto ao mesmo: Enquanto primeiro-ministro também não fez um despesismo público?

 

           “A crise que atravessamos é uma oportunidade para que os Portugueses abandonem hábitos instalados de despesa supérflua, para que redescubram o valor republicano da austeridade digna, para que cultivem estilos de vida baseados na poupança e na contenção de gastos desmesurados, para que regressem ao consumo de produtos nacionais, para que revisitem o seu país e aí encontrem paisagens esquecidas e um património histórico que só sendo conhecido pode ser acarinhado e preservado”.

 

- Mas Sr. Presidente, com reformas de 500 Euros, rendas de casa de 350 Euros, para não falar nas de 300 números redondos. Com milhares de desempregados, acha que alguém pode fazer poupanças. Por favor, saia do seu casulo a vá ver a realidade do povo que o Sr. já dirige há tantos anos. Primeiro como primeiro-ministro e agora como Presidente.

 

           “As iniciativas de voluntariado e de apoio aos mais carenciados, frequentemente protagonizadas por jovens, são um sinal encorajador de que é possível ter esperança. A par de uma justa repartição dos sacrifícios, tem de existir uma especial preocupação de exclusividade e de protecção daqueles que verdadeiramente precisam do nosso auxílio. Combatendo o desperdício de recursos, o Estado deve dar às famílias um exemplo de parcimónia e contenção.

 

- As iniciativas do voluntariado são de louvar, mas lembre-se (Quem precisa, precisa sempre, mas quem dá não pode dar sempre). Quanto ao desperdício de recursos, nunca vi um país tão pequeno com tantas auto-estradas, obras faraónicas e no compadrio de uns e de outros, conforme o partido a estar no governo.

 

Mas passemos às festas (comemorações)

 

Depois da tradicional cerimónia na câmara de Lisboa, voltou a assinalar a data de forma especial no Palácio de Belém, que abriu ao público (muito pouco) com duas exposições e concertos com a banda Sinfónica da PSP, a “Big Band” do Município da Nazaré, um no Jardim da Cascata e outro no do Pátio dos Bichos. Onde à noite ouve uma sessão de fados.

Em situações destas, a minha avó que era dos anos trinta dizia:

“Eles sabem dar uma no cravo e outra na ferradura”.

Que saudades eu tenho da minha avó.

Tenho Dito! (por agora)

Nelson Camacho

 

Ainda a tempo!

Antes de fechar este texto descobri uma crónica no Expresso escrito por Ana Campos com o título 5 de Outubro e depois?

Por estar totalmente de acordo com este texto recomendo que vá até ele e se quiser CLIK AQUI.

 

Agora sim!.. Inté

Nelson Camacho

Estou com uma pica dos diabos: Bem felizmente
música que estou a ouvir: Povo que lavas no riu
publicado por nelson camacho às 14:56
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