Domingo, 27 de Novembro de 2011

Fado triste Triste Fado

 

Nelson Camacho e o fado

Fado triste, triste Fado o nosso.

 

Diz-se que o Fado é triste mas não, simplesmente serviu o seu povo até o célebre 25 de Abril para contar as suas mágoas e as suas histórias. Já lá vai o tempo em que os seus versos normalmente cortados pela cesura salazarista, eram cantados nas tascas de Alfama e Madragoa às tantas da madrugada à porta fechada. Seus versos eram editados em grandes folhas de papel A5 e depois vendidos pelos “ceguinhos” ali nas portas de Santo Antão a troco de de 5 tostões.

Veio a revolução e a comunicação social escrita, televisiva e radiofónica, por culpa dos seus mandantes de então, deixou-se de falar do fado.

O povo português é sereno e sabe esperar. Também não tem grandes atitudes, é mole. Desde que tenha em sua casa o que pretende e outras coisas mesmo supérfluas para fazer inveja ao vizinho do lado, da rua ou do emprego, é quanto basta. Não tem amor pelas suas raízes, o que vem lá de fora é que é bom. Importar, importar, importar muito tudo e de todo o lado. É o vestuário, é a música (até há quem cante em inglês porque é fino, até há concursos na nossa televisão a que chamam “vozes de Portugal” que não se canta em português. Eu sei porquê. É que se cantassem em português não o conseguiam. A nossa língua é difícil de ser cantada, mas porra… é nossa). Temos os melhores poetas e os melhores músicos da canção ligeira mas quanto a cantores actuais, são todos iguais e não sabem dizer as palavras, não se percebem e não interpretam nem o que o poeta escreveu nem gramaticalmente.

Nesta coisa de cantar, safam-se e muito bem os fadistas, até os amadores interpretam ao seu estilo a história que o poeta escreveu. Ser fadista é um estado de alma que se adquire com o tempo e com algumas agruras da vida. É como os juízes, só são bons quando passaram por situações um pouco incómodas da vida e com o tempo. Um Juiz com trinta anos de idade não ajuíza os outros da mesma forma que um outro com vários anos de cátedra. È como os fadistas é preciso ter alguma tarimba do fado, ser humilde e conviver com os mais velhos para lhes beber a sabedoria.

Felizmente que a juventude está a aderir ao fado reconhecendo que há nele uma forma de ser português e extravasar as sua paixões e conhecimentos da vida.

É pena que só agora que estamos numa corrida para o galardão do fado como Património Imaterial da UNESCO, a comunicação social, rádios e televisões com excepção da “Rádio Amália” tenha despertado para o fado. Mas é o fado que nós temos. Despertar a consciência para o que é genuinamente um produto do nosso povo é coisa que os nossos políticos também não estão interessados, só lhes interessa os que os estrangeiros mandam através de uma troika qualquer. Vejam-se os cortes na cultura, inclusive no orçamento para o Teatro Nacional D. Maria, (assim que o Diogo Infante disse que com aqueles cortes não seria possível programar para 2013, o Sr. Ministro da cultura mandou-o para o olho da rua) veja-se o aumento dos bilhetes de ingresso para os teatros, cinemas e museus. Só um ministro que esteve afastado do nosso país poderia voltar as costas ao que é nosso por direito e devoção.

O fado faz parte da nossa cultura das nossas gentes, nas suas alegria e tristezas que nesta altura são muitas.

O Fado é património de um País com história. Quando comecei a cantar há alguns anos, até a família não olhava com bons olhos essa profissão, minha tia e minha mãe iam aos espectáculos, agora chamados de concertos às escondidas da família, só quando gravei para a Marfer é que me começaram a aceitar. Felizmente que actualmente muita gente, principalmente jovem que não tem vergonha de dizer que gosta de fado e ouvi-lo acompanhado pelo dedilhar de uma guitarra.

Cada vez há mais jovens que na penumbra de uma qualquer casa de Fados de olhos serrados como vivendo o poema que vão cantando e no seu estilo próprio vão contando história que só podemos encontrar em livros, de poetas que ouvimos dizer mas que nem conhecemos.

 

É pena que só agora os senhores mandantes da comunicação social no geral só agora tenham despertado para o Fado.

É o fado que nós temos.

 

Se quiserem saber a história do fado e para não terem muito trabalho, recomendo vivamente os blogues Fado com podem também visitar Clube do Fado” um clube de eleição

 

Já tinha escrito este texto há uns dias e não tive a oportunidade de o editar a tempo pois nesta altura já se sabe que o FADO FOI OFICIALMENTE DISTINGUIDO PELA UNESCO COMO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL DA HUMANIDADE.

 

A quem trabalhou desde 2010 nesta candidatura, aqui ficam os meus parabéns. Quanto ao que está escrito neste texto, não tiro nem uma vírgula e Deus queira que a comunicação social não tenha vergonha de continuar a divulgar o nosso Fado.

Parece-me que não vai ser assim e a prova está hoje mesmo na TVI depois dos comentários do Dr. Marcelo quiseram brindar-nos com dois fados do Camané. O primeiro correu muito bem, quanto ao segundo, o dinheiro falou mais alto o fado foi cortado ao meio para a publicidade. Senhores da TVI, foi uma falta de respeito para o fadista e para o telespectador.

  

Mais uma vez lamento e tenho de continuar a dizer “ É o Fado que nós temos” posto isto:

 

Silêncio!... que se vai cantar o Fado

 
Nelson Camacho D’Magoito

 

Estou com uma pica dos diabos: sinto-me feliz
música que estou a ouvir: A Casa da Mariquinhas
publicado por nelson camacho às 22:02
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1 comentário:
De Um Fadista das Tabernas a 5 de Dezembro de 2011 às 22:37
Quem fala assim, não é gago. Para dizer estas coisas só podia ser de um antigo fadista. Ouvi-te muitas vezes e gostava embora cantasses mais canções Bem haja. Continuarei a ler os teus blogues .
Um fadista do Fado vadio .

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