Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Um texto ao acaso

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Um texto ao acaso

 num tempo que sobra na vida.

 

Já eram para aí uma meia-noite quando alguém que tinha estado a ler textos meus que vou debitando aqui e ali na internet perguntando-me se não estaria interessado em escrever para eles (uma editora de livros) inclusive um guião para um filme pois tinha acabado de ver na RTP um filme de Almodôvar “ A Lei do desejo” e a forma como eu escrevia e os temas que abordava (a vida tal como ela é) se coadunava para ser um segundo Almodôvar.

Como é natural fiquei satisfeito e disse que era um caso para ver.

Que estava sempre pronto para segurar qualquer oportunidade. Fiquei de telefonar a combinar o encontro.

 

Não tenho a veleidade de me considerar um escritor mas sim um contador de histórias da vida misturadas com algumas críticas, embora só o faça quando me dá na real gana.

 

“Todos os textos que se dignem ser lidos são escritos por vontade própria e nunca por imposição.

Nelson Camacho”

 

 

Este pensamento que de repente me saltou da tampa, poderia servir de discussão académica para os meus leitores mais astutos e atentos.

Ora vejamos;

      Quem escreve por impulso, escreve o que lhe vai na alma no momento em que se lança com a pena ao papel, ou agora mais simples, ao teclado de um computador qualquer.

     Quem escreve por obrigação, inventa não sobre a sabedoria que ganhou ao longo da vida mas sobre temas que viu no cinema ou em qualquer novela. Altera-lhe o conceito, as personagens e normalmente é a desgraça que nos entra pela casa dentro em forma de Telenovela ou um livro que foi bem publicitado mas que ao fim e ao cabo a trama da história é igual à de tantas outras com enormes falhas pelo caminho.

     Quem não viveu uma vida de escadas e ruas íngremes que se nos deparou ao longo dos anos não pode de forma algumas escrever por imposição.

 

     O acto de escrita tem de ser a transcrição correcta dos passos da vida, nossa, ou dos mais perto estão de nós ou ainda oriunda da leitura de factos históricos reais ou que foram manuseados ao longo dos anos.

     A escrita, para o leitor, tem forçosamente de logo nas primeiras linhas despertar o interesse da pessoa a quem ela é dirigida. É como o cantor ou o fadista, se não disser as palavras com correcção e bem silabadas o ouvinte por mais atento que esteja, fica-se pela música e o poema fica-se pela vontade de quem o interpretou. É o que acontece na maioria das pessoas que vão a São Carlos assistir a uma ópera, (a maioria vai porque é fino) e de lá só trazem no ouvido parte de uma ou outra Área porque quanto à história, que normalmente é cantada em Italiano ou Alemão, ninguém percebe. Alguns nem se dão ao trabalho de ler o libreto que lhes é facultado á entrada. Já tenho visto muito boa gente durante a sessão a utilizar o impresso como abanico.

     Todos nós em determinado momento temos recordações de um passado ou outro e vontade de o divulgar? Se tiver engenho e arte para o fazer em termos de ficção, dando-lhe por vezes uma roupagem um pouco diferente e acontece um conto, uma história, um poema até às vezes um romance. Muitas vezes como nós gostaríamos que tivesse acontecido e não o que aconteceu na realidade, então alteramos as personagens e a nossa alma fica mais liberta até de fantasmas que nos atormentam.

 

     Contar a verdade? A verdade verdadinha? Mas quem quer saber? A verdade nem sempre é a mesma para cada um! Dizem-se coisas e fazem-se coisas na vida porque nos dá prazer ou porque seria-mos postos no trabalho e na sociedade hipócrita que nos rodeia.

     O Cantor, o pintor, o músico, o ensaísta, o político ou um simples trabalhador, não pode dar a sua opinião por mais que ache ser ela a sua razão.

 

pobreza no mundo

A quem interessa o que tem fome? A quem interessa quem fica desempregado ou abandonado a um canto de uma qualquer esquina da vida?

     Não vale a pena contarmos a nossa vida nem a um amigo porque se precisarmos, ninguém nos dá nada. Nem um afecto, nem dinheiro para uma despesa mais carenciada. A desculpa é sempre a mesma “Quem precisa, precisa sempre e quem dá não pode dar sempre”

     Vivemos num tempo de consumismo tão voraz que Portugal já é um paraíso para as grandes marcas. Veja-se a nossa Avenida da Liberdade – que de liberdade só tem o nome – se estão a instalar os grandes senhores da inquisição consumista. – Voltem Capitães de Abril, estão perdoados –

     Quem tem uma casa de luxo, logo aparece outro a querer uma maior, Quem tem um novo carro, vai logo comprar outro maior.

Já perdemos o amor às coisas, às pessoas e ao nosso país que já está na banca rota por causa dos senhores sentados no puder.

     Cada vez há mais Boys, carros de luxo, altas remodelações nos seus escritórios, apartamentos de luxo onde só ficam uma ou duas noites por semana com as suas amantes pois as suas residências oficiais ficam além de cinquenta quilómetros do seu local de trabalho. Os subsídios que ganham para estes casos, davam muito bem para dormirem num hotel. Mas como somos nós que pagamos está tudo bem.

 

Lembro-me de um texto de Albino Forjaz de Sampaio onde escrevia:

 

“ (Um conhecido disse-me um dia:

Tu vais por uma rua com teu pai, teu irmão, qualquer pessoa que te seja mais que a luz dos teus olhos. Ao meio da rua há um prédio em construção. Tu separas-te por qualquer motivo de teu pai seja e ele vai andando. Quando passa pelo prédio, um andaime vem lá de cima despenhado e esborracha o velhote. Junta-se gente, tu chegas, e quando o vês num lençol de sangue, o teu primeiro pensamento será juro-o. E se eu venho com ele?!...

Eu  concordei!)”

 

     A verdade verdadinha o que me apetecia escrever nesta altura não era bem isto, mas como aquele amigo que me telefonou a convidar para voos mais altos, talvez a partir deste texto ao acaso no tempo venha a servir de preambulo para um discussão mais ampla.

 

     A pobreza neste país que adoro, cada vez é maior infelizmente, já não só a do alimento da barriga também é a intelectual.

 

     Veja-se o Programa da RTP1 “A voz de Portugal” que devia chamar-se “a voz de Inglaterra”.

     Então os senhores, Rui Reininho, Mia Rose, Os Anjos e Paulo Gonzo não teem vergonha de colaborar num programa da RTP – a nossa televisão, paga pelo pagante cidadão – em que se defende um idioma que não é nosso?

 

     Como é possível estes aprendizes a cantores interpretarem poemas que não entendem?

Uns decoraram as letras para as debitarem mal e porcamente, outros até se dão ao desplante de as escreverem num idioma que não é seu. Para se escrever em inglês em francês em italiano ou russo é preciso não só aprender a gramática mas a alma das suas gentes e o verdadeiro significado das coisas. Por vezes nem o estrangeiro que vive noutro país o entende.

     Os portugueses teem um dos idiomas mais velhos e mais ricos do mundo.

     Eu sei que o dizer “amo-te” em português num texto, num poema, numa letra de canção ou num fado ao ouvido, é um pouco estranho. Mas porra, é a nossa língua e há outras formas de dizer a mesma frase no mesmo contexto.

     Estes senhores andam a enganar-se a si próprios e depois é o que se vê, tão depressa se levantam como dão um trambolhão dos diabos sendo o pior, não os sonhos que se perdem como por vezes vidas e as dignidades porque se obrigam a fazer coisas que a gente sabe para atingirem as ilusões. é o palco da vida que não é para todos, é só para alguns.

 

Acho que o nosso governo deve vender o mais depressa possível o canal da RTP1. Já agora vendam-na aos chineses.

 

  Nelson Camacho D’Magoito

Estou com uma pica dos diabos: Bem felizmente
música que estou a ouvir: Eles comem tudo eles comem tudo
publicado por nelson camacho às 22:02
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