Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013

CARNAVAIS DE OUTROS TEMPO

Nelson Camacho mascarado em 1938

Desde menino sempre gostei do Carnaval.

 
      Mas os Carnavais desse tempo eram passados em família, nas Sociedades de Recreio e cinemas.

 

    Nas Sociedades de Recreio, todos se conheciam e a palhaçada era grande.

    Haviam concursos de máscaras tanto para os rapazes como para as raparigas e para as meninas mais crescidas e senhoras, haviam concurso de vestidos de chita.

    Enquanto miúdo, lembro-me das minhas máscaras e dos vestidos de chita de minha Mãe na Casa de Entre Douro e Minha, onde ela normalmente ganhava.

    Mais tarde, ai por volta dos meus 18, 19, 20 anos, no Lisboa Ginásio, onde era atleta, havia bailes de cerimónia (onde nos apresentava-mos de Smoking e as raparigas com vestidos de noite). De madrugada caminhava-mos assim vestidos para o café da Ribeira para tomar o pequeno-almoço. – Nesta época ninguém era assaltado como hoje - Havia também as noites dos trapalhões, onde todos se mascaravam. Havia a Noite da Pinhata (no meio do salão principal, colocava-se uma grande pinha dividida por gomo e cada gomo era preso por uma fita e qual segurava-mos a sua ponta ao mesmo tempo que rodopiávamos dançando à sua volta. À meia-noite em ponto puxávamos as fitas, os gomos abriam-se e saiam centenas de prendas e “confétis”. Era uma balbúrdia enorme pois todos queriam levar uma prenda, os mais rápidos safavam-se, os outros, ficavam a ver navios.

    No Lisboa Ginásio, havia ainda noites temáticas. Eram noites em que se faziam espectáculos glosando um ou outro filme de êxito que tinha passado no ano anterior. Cheguei a fazer de cantora de ópera e bailarina (como era um grande estafermo vestido de mulher, nunca mais voltei a experimentar)

 

Nelson Camacho em 1954 no Carnaval no Lisboa Ginasio Clube

 

     Foram tantas minhas fantasias: colombina, odalisca, mulher aranha, punk selvagem, cigana, rumbeira, cabaret etc e tantas recordações de Carnavais que não voltam mais.

Literalmente, brincávamos com os confetis e serpentinas; com os martelinhos de plástico e os apitos. Minha mãe na altura tinha um ateliê de costura e a força de andar sempre de volta das costureiras, aprendi a costurar à máquina na época do carnaval com os restos de vários tecidos fazia saquinhos de carnaval que os levava para as festas. Era tão saudável, que nunca precisei de uma gota, sequer, de álcool para me animar. Brincávamos a noite toda, dançava até me esbaldar de tanta satisfação com gente bonita e marchas brasileiras embalando a minha mocidade.

     Naquele tempo não havia musica pimba, Eram as marcha que vinham do além atlântico.

     Tempos de Carnavais inesquecíveis que guardo fotografados no meu baú de recordações.

     As festas nos saudosos, Eden Teatro, no teatro Monumental no Café Chave D’ouro e tantos outros que desapareceram com o tempo.

Hoje gozo o Carnaval no conforto da minha casa frente à frente da televisão com uma roda de amigos.

     Agora já não há carnavais saudáveis.

Em uma ou outra terra ainda vão festejando o carnaval com corso, gigantones, carros temáticos criticando tudo e todos, meninas descascadas rebolando-se avenida abaixo imitando os brasileiros e homens travestindo-se sendo esta a oportunidade que têm de tirarem de dentro da sua alma o que gostariam se ser todo o ano (São as matrafonas).

 

Nelson Camacho do carnaval de 1954 no Lisboa Ginásio Clube

     Os Carnavais cada vez mais estão vivenciando a “Festa da Carne”, em função dos vícios e vicissitudes humanas.

     De vens em quando, abro o meu baú de recordações e revejo-me nas fotos e nos cheiros dos carnavais mais saudáveis de antigamente. Dos teatros, cinemas e sociedades de recreio que foram por incúria de vários governos, já não existem.

 

Fiquem-se com Daniela Mercury em “É Carnaval”

 

Sejam felizes nestes e noutros carnavais vindoros com um abraço até para o ano

Nelson Camacho

Estou com uma pica dos diabos: e com saudades
música que estou a ouvir: É carnaval
publicado por nelson camacho às 18:19
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2 comentários:
De João Pedro a 20 de Fevereiro de 2013 às 17:21
Adorei os seus textos e a sua visão da vida. Parabéns e obrigado por nos alimentar a memória.
De nelson camacho a 23 de Fevereiro de 2013 às 13:31
Obrigado João por me ler. Quando fala sobre “a minha visão da vida” certamente está atento ao que escrevo por aqui neste e noutro blogue de histórias. Por vezes são mesmo retratos de uma vida passada, outras vezes são ao sabor das memórias transformadas em contos ao sabor da imaginação. Obrigado e comente sempre que lhe aprovar, pois são os vossos comentários que me fazem estar frente a este computador durante a noite,

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