Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

História de um Pedro

Procura da felicidade - homofobia -

A história de um Pedro é a história de um Pedro de um João de um Manuel de um Silva ou para ser mais pomposo, um Ezequiel ou a sua.

 

     O Pedro é um rapaz estudante trabalhador e filho de gente rica e sem problemas económicos. É o chamado “O Filho da Mamã”.

     Quando fez 19 anos o pai ofereceu-lhe a carta de condução e um carro para colmatar as suas falhas de funções enquanto pai, pois passava vários dias fora em trabalho.

     Mesmo já com carro nunca foi muito de sair ou arranjar amigos. Os seus passeios resumiam-se a idas aos fins-de-semana para a Ericeira onde os pais tinham um apartamento chamado de verão, ate que resolveu procurar trabalho para criar a sua independência.

     Mais tarde descobriu que a mãe, mulher do Jet Set, era promíscua e homofóbica. Não aceitava os casamentos entre homossexuais mas já tinha tido vário amantes.

     Quando descobriu que a mãe punha os cornos a seu pai. As ao pai as coisas lá em casa começaram a descambar, e os conflitos sociais e pessoais nunca mais paravam até que um dia através de um acidente de automóvel conheceu um rapaz da sua idade que ia com um amigo mais velho.

     Tudo se resolveu na altura, pois ambos tinham seguro e o acidente não tinha sido muito grave. O que para ele era grave ou pelo menos pareciam é que aqueles amigos de ocasião não eram só amigos, era um casal de gays.

     Lembrando-se das conversas da mãe quando saiu a Lei dos casamentos entre homossexuais, reparou que na verdade a coisa não era bem assim como ela pintava. Gostou da forma como aquele casal resolveu o assunto e fez questão de depois de tudo tratado, trocarem cartões-de-visita com a promessa de se telefonarem para beberem um copo.

     Mais tarde encontraram-se em um bar onde ele nunca tinha ido e nem sabia que este género de bares existia. Só havia homens. Homens de todas as idades que dançavam uns com os outros e até alguns se beijavam. Tudo aquilo era novidade para ele. Naquela noite foi convidado a ir a casa deles e foi.

     Quando aceitou veio-lhe à mente novamente as palavras da mãe contra aquele tipo de situação esquecendo-se que tinha um amante o que também não seria assim tão natural, mas aceitou o convite na mesma,

Quando já estavam à porta do Bar para sair, apareceu um outro mas um pouco mais velho que perguntou:

         - Então onde e a ida?

         - Vamos até minha casa beber um copo! – disse um dos tais amigos.

         - Quer dizer! Vai haver uma ménage a troi!

         - Também só pensas nisso! – disse o mais novo. Já agora apresento-te o Pedro

     O Mário, que era o tal tipo que tinha aparecido apertou a mão ao Pedro com bastante força e atirou um piropo.

         - Você é lindo!.. Por onde tem andado?

     O Pedro ficou todo atrapalhado. Nunca vinha ouvido um piropo de um gajo.

     O Mário notando o embaraço.

         - Não fiques para aí a tremer que ninguém te vai comer!

     Todos se riram e o mais velho perguntou ao Pedro se não se importava que o Mário também fosse.

         - Cá para mim é igual! A casa é vossa.

     Foram todos para casa do casal.

     O resto da noite correu às mil maravilhas. Afinal aqueles tipos eram iguais a quaisquer outros.

     O Pedro nunca viu mesmo já depois de terem bebido bem, qualquer coisa menos própria segundo sua mãe dizia que acontecia quando os gays se encontravam.

     Pedro até lhes contou o que a mãe dizia sobre o assunto ao que eles se riram e pedindo desculpas disseram que a mãe dele era uma pessoa mal formada. Era pior o por os cornos ao marido que criticar situações que não conhecia.

     Já a manhã despontava pelas janelas quando terminaram a noite.

     Combinaram fazerem novamente uma noitada e despediram-se.

     O casal ficou em casa e o Pedro saiu com o Mário.

     Já no patim da escada o Mário deu um cartão com o seu número de telefone e um beijo a fugir nos lábios do Pedro, que agora sim... Ficou mesmo atrapalhado.

 

     Quando chegou a casa estava a mãe na cozinha a preparar o pequeno-almoço e contou-lhe o que tinha acontecido naquela noite.

 

     A mulher foi aos arames, dizendo gatos e lagartos e quase lhe batia por ter passado a noite com gente daquela.

     O rapaz não quis ouvir mais e foi para o quarto.

     Na sua solidão dos lençóis, fez uma retrospectiva de tudo o que tinha acontecido e levando os dedos aos lábios reconfortou-se com o sabor que tinha sentido dos lábios do Mário.

      Ao almoço com todos à mesa a Mãe contou tudo ao marido e fez em sermão e missa cantada ao filho.

         - Oh mulher! Cala-te lá com isso! Até parece que o rapaz pelo facto de ter passado uma noite com esses amigos também é Gay!

         - É!.. Tu tens a mania se seres liberal em tudo. Pois fica sabendo que se ele aparecer aqui um dia a dizer que anda com um homem, bem pode sair porta fora pois deixa de ser meu filho.

     O rapaz por respeito ao pai não lhe saiu a tampa dizendo que ele tinha cornos, mas pouco faltou.

 

     Os dias e as semanas foram-se passando e a mãe quando ele chegava mais tarde a casa havia sempre umas indirectas. E só queria saber onde ele tina andado e com quem.

 

     Em uma noite de Sexta-Feira o Pedro telefonou para casa e disse que ia com uns amigos até ao Algarve passar o fim-de-semana. A Mãe atirou-se ao ar e ele desligou o telefone.

     Na segunda-feira seguinte antes de ir para casa foi ao escritório do pai, pedir-lhe desculpa e contar-lhe que não tinha ido ao Algarve mas sim ficado em casa do Mário com que se tinha envolvido sexualmente.

     O Pai pessoa de mente aberta deu-lhe todo o conforto possível predispondo-se a ajuda-lo em tudo o que precisa-se e confidenciou-lhe que também ele em novo tinha tido uma experiência homossexual, mas advertiu para nada contar à mãe, pois seria o fim do mundo. Como bom pai e compreensivo também lhe pediu se não se importasse se esse relacionamento com o tal Mário fosse uma coisa séria, gostaria de o conhecer.

     O Pedro saiu daquele escritório com a alma lavada e com a certeza que tinha no seu pai o maior amigo do mundo.

     Quando chegou a casa lá teve novamente o sermão e missa cantada da mãe. Ela Há viva força queria saber onde ele tinha passado o fim-de-semana e com quem mas ele fechou-se em copas e nada disse e foi até ao quarto fechando a porta.

         - A coisa não fica assim! Quero saber com quem andaste e o que andas-te a fazer. – gritava a mãe encostada à porta – Quando vier o teu pai tens que te haver com ele.

     Tanto gritou que acabou por ir para a sala.

     Passado duas horas o Pedro entrou na sala com duas malas de viagem. Parou à entrada e fez um pouco de barulho com as ditas até que a mãe olhou para ele.

         - E menino! Não te livras de contar ao teu pai o que andas a fazer.

         - Pode contar à vontade pois já fui ao seu escritório e contei-lhe tudo!

         - Mas tudo! O quê? Eu não sou ninguém nesta casa? Onde vais com as malas?

         - Contei-lhe que vou viver para casa de um amigo com quem me relacionei sexualmente o que ele aprovou e que me vou embora desta casa pois você já disse vária vezes se tivesse um filho gay o punha na rua, mas como contrariamente a você ainda lhe tenho respeito e não lhe contei que você é contra as opções do seu filho mas põe os cornos ao meu pai com um amante. Pois se não sabia que eu sabia, sempre soube que era e é amante de dois homens que um até é visita cá de casa. Como vê a mãe é mais promíscua que eu e sempre me calei. Agora é a vês de contar tudo ao meu pai para ver o que acontece. – Virou as costas, pegou nas malas e saiu porta fora direito à sua felicidade.

     A mãe que esteve calada todo o tempo caiu para o lado desmaiada, Mas já ninguém viu.

 

     Pedro e Mário despiram-se de preconceitos e foram procurar a felicidade 

Vejam como tudo começa através de um beijo

 

"Obrigada por me ler! Você estará sempre no meu coração"

 

       Nelson Camacho D’Magoito

   “Contos ao sabor da imaginação”

            de Nelson Camacho

Estou com uma pica dos diabos: e vontade de ser feliz
música que estou a ouvir: Café da Manhã
publicado por nelson camacho às 04:32
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