Sábado, 20 de Julho de 2013

Confissão de um Gay cota - I Parte

                                     Preambulo

 

Recordando o passado

Recordações de um passado

 

     Falar de música não é coisa fácil para quem conviveu com ela de braço dado durante décadas. Há a música, no nosso cérebro por onde ele começa, depois na escrita no instrumento na voz que também é um instrumento vocal e no ouvido.

Para quem compõe musica, ela faz o circuito cérebro - cérebro

     Para quem não tem a felicidade ou dom de compor sequer uma frase musical tem pelo menos o dom de ouvir e sentir o vibrato dos um instrumentos e vibrar com o que está a ouvir no momento.

     Há canções que marcam as nossas vidas porque em determinado momento aquele poema ao ouvi-lo aconteceu algo de especial. Mas também há só algumas músicas mais elaboradas e não revestidas de palavras que nos levam a momentos mais tristes e alegres conforme o seu andamento. Era o que estava a acontecer comigo naquele momento depois de sair do duche confortante e me preparar para me deitar sem ainda antes ter colocado a tocar um CD de Andrea Bocelli no tema “Besame mucho”

 

     Naquele momento. No sofá com cheiros que se misturavam com o novo e com suores tomava um whisky simples e duplo.

     Os meus sonhos, as minhas lembranças começavam e debitar momentos de emoções que tinha vivido até aquele momento.

     Antes de tomar o duche ainda estive periclitante entre fiar no sofá do sótão ficando a recordar aquela tarde onde perdi os três sexualmente, saborear os cheiros e sabores da tarde que mudou a minha vida ou ir deitar-me.

     Apaguei as luzes, desci as escadas entrei no quarto, guardei os boxers ainda com resíduos de uma tarde de amor como troféu e meti-me no duche.

 

Antes de dormir veem as lembranças

I Capitulo

 Véspera de aniversário

 

     Naquele dia estava com o astral bastante baixo sem uma causa aparente ou talvez não. Amanhã faço 48 anos. Faltam dois para a chamada meia-idade mas sinto uma nostalgia imensa dentro de mim. Aparentemente estou com um aspecto muito bom, tenho uma certa regulamentação na alimentação e faço ginásio. Até meto inveja a muitos putos que andam por ai.

 

     Estava pronto para me deitar. Sentei-me na beira daquela cama vazia de lençóis amarrotados não que por ali estivesse estado alguém, mas porque já tinha acordado um pouco mal disposto e não fiz a cama.

     Aquela cama onde tinha tido momentos tão felizes mas também nem tanto olhava a noite estrelada num céu azul e límpido de nuvens. Cada estrela que brilhava lá no alto representava cada momento de amor vivido de felicidade.

 

     Naquele momento estava passando por minha mente quando a família se mudou para aquela casa, - tinha na altura vinte anos – era uma vivenda de dois andares, garagem, um pequeno jardim e até tinha piscina. Meus pais tiveram de remodelar toda a casa, pois vínhamos de um apartamento T4. Foi tudo de novo. O meu quarto também foi remodelado. Deixei de ter o quarto do rapaz para passar a ter o quarto do homem que viria a ser. O computador desapareceu a aparelhagem Wifi com gira discos, os posters nas paredes, os brinquedos da minha juventude, a secretária de estudo e tudo o que é próprio de um jovem estudante. Até a minha pequena cama onde me descobri, passou para uma cama de casal. Em contra partida, deram-me o sótão. Zona ampla que cobria toda a área da casa, para poder quando quisesse, mobilar a meu gosto.

     Estava naqueles meus pensamentos não sabendo bem porquê quando a música que estava a tocar parou e as minhas memórias fizeram um Flash para o mesmo sitio onde estava naquele momento mas aos meus 20 anos.

 

(Não sabia bem, porquê mas era sempre na cama, ao deitar-me ou ao levantar-me que os meus neurónios fervilhavam de recordações.)

 

     Já me tinha levantado mas ainda sentado na beira da cama, estava um pouco absorto olhando o sol através da janela que já entrava quarto dentro quando minha mãe aos gritos me fez sair daquela letargia

 

        - Então hoje não há Universidade?

 

     Perguntava minha mãe aos gritos! – já eram nove e trinta e embora já levantado, acama estava a servir-me de sofá para os meus pensamentos.

     Dizer que tinha acordado com aqueles gritos estaria a mentir. Já tinha acordado há muito, ou seja, pouco tinha dormido.

 

Boys saindo da escola olhando colegas

     Aquele jovem que nunca tinha visto na minha universidade tinha-me despertado a atenção. Era um tipo sarado e descomplexado pela forma de vestir.

     T-shirt esverdeada de mangas e bermudas brancas ténis azuis e peúgas brancas levando uns skates, via-se ser um tipo desportista mas ao mesmo tempo filho da mamã. A forma como me mirava denotava interesse em conhecer-me. Pela minha parte, que desde muito novo e sem saber bem porquê sempre me interessei por rapazes, embora fosse sempre assediado por raparigas. Também não sabia por todos saberem que era filho de gente rica ou pela minha beleza.

     Naquela noite tinha passado em claro, pois não me saia da mente aquele rapaz e pela primeira vez não consegui dormir fazendo castelos nas nuvens do que aconteceria se me encontrasse na cama com ele. Até bati uma punheta à conta.

 

        - Então? O que se passa hoje contigo? Sentes-te mal? Tens febre? Sentes-te doente?

 

     Porra! Já estava a ficar mesmo doente com aquela gritaria de minha mãe quinze minutos depois da primeira investida.

 

        - Não é nada de cuidado! Simplesmente hoje vêm entregar umas coisas que encomendei para começar a mobilar o sótão e como é óbvio tenho de estar em casa.

     Lá me levantei, tomei um duche, coloquei no cesto da roupa suja o lenço onde tinha depositado os meus espermas e desci para o pequeno-almoço.

 

     Na mesa, já lá estava minha mãe sussurrando a meu pai as suas queixinhas sobre o eu me levantar tarde.

 

        - Bom dia Pai!

        - Bom dia filho! Então hoje quem fez gazeta? Foste tu ou os professores?

        - Nem uma coisa nem outra! Hoje é o dia de começar a mobilar o meu sótão pois começam hoje as entregas.

        - Está bem! Tu é que sabes. Se vez que não te faz falta um dia de estudo.

        - Como é que queria que fizesse se as entregas não são feitas aos fins-de-semana.

        - Sim…Sim.. Se te demos o sótão para fazeres dele o que quiseres é claro que também não era eu ou a tua mãe a receber as encomendas. Se precisares de algumas ferramentas que te façam falta, estão na garagem.

 

       - A propósito do que te faz falta! Hoje temos um jantar especial, portanto não venham tarde. - Introduziu na conversa minha mãe.

       - E a que se deve esse jantar especial?

       - Vêm cá os Mendonça para formalizarmos o negócio do escritório.

       - Então sempre vai montar um escritório com eles?

       - Sim! A filha deles já se formou em consultoria e é ela que vai ficar na direcção.

       - Então qual é o vosso papel nesse negócio?

       - O teu pai como advogado, eu com a direcção de eventos.

       - E os pais dela? Que vão fazer?

       - Como são eles que têm o dinheiro são os investidores. A propósito, a Isabel era um bom partido para ti!

       - Já cá faltava essa! Agora tornou-se em casamenteira?

 

     Meu pai para aliviar a conversa, colocou a água na fervura.

 

        - Ó mulher! Deixa lá o rapaz! Ele certamente já tem namorada.

        - Pois, mas ainda nada disse nem nos apresentou!

        - Essa agora é que está boa! Então tinha de trazer cá a casa todas as minhas namoradas? Ora tenham dó!

 

(Ir para a  II Parte)

 

Andrea Bocelli no tema “Besame mucho”

 

Segue»»»

 

        Nelson Camacho D’Magoito

       “Contos ao sabor da imaginação”

                de Nelson Camacho

publicado por nelson camacho às 04:10
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