Terça-feira, 20 de Agosto de 2013

Mas não sou Gay – I Parte

eu não sou gay

O dia de casamento

 

     Dizem que quem casa somente pelo registo notarial, casa perante a lei dos homens contrariamente a quem casa pela Igreja, casa perante Deus! Tremenda mentira! Eu casei na Igreja tendo Deus como testemunha e um padre que na sua prelecção disse “ Se os mares se juntam permanentemente, porque razão os corpos não se aonde também juntar para a eternidade? É aqui na casa do Senhor, com a Sua ajuda, vocês, meus amigos ficarão ligados até que a morte vos separe.

 

     A prelecção do padre acompanhada pelo coro que acompanhou a missa e a igreja cheia de familiares e amigos como espectadores, reconheci mais tarde que o que se estava a passar nada mais era que um espectáculo como se fosse uma ópera de Verdi.

 

Como conheci a Paula

 

     Tudo tinha começado quando minha irmã que gosta de dar umas festinhas em casa entrou cozinha dentro uma rapariga linda de morrer com meia dúzia de pratos na mão já sem nada e dando comigo perguntou:

         -Onde posso por isto? E Você quem é? Ainda não o vi na festa nem o conheço de ser colega da Cátia. Não me diga que é um penetra e entrou pelas traseiras.

 

     Aquela gaja não se calava. Parecia metralhadora automática debitando milhares de balas.

 

         - Não!.. Tenha calma! Eu sou o irmão.

         - Irmão da Cátia? Onde tem andado escondido? Porque não adere à festa? Ela nunca me tinha contado que tinha um irmão tão giro! Quando falava do irmão pensávamos que era um puto novo e sem importância.

         - Então acha que tenho importância!

         - Aparentemente não tem importância para quem não gosta de homens mas para nós você é uma tentação.

 

     Lá estava ela novamente debitando opiniões rápidas e concisas.

 

         - Tenha calma! Não é preciso estar nervosa.

         - Eu não estou nervosa. Você é que é um atentado de beleza e bom gosto.

 

     Porra!... Já estava ficar incomodado com tantos piropos. Eu sabia que era um gajo perfeito e de bom aspecto e era assediado por mulheres e infelizmente por alguns homens, mas tantos piropos de uma só assentada era novidade.

         - Então porque não entre na festa? Não me diga que é envergonhado ou tem namorada e é daqueles homens de uma só mulher?

         - Não tenho namorada mas sou tipo de uma só mulher quando a tenho.

         - Oh filho! Mas isso já não se usa. Não me diga que é uma jóia rara e não quer ser assediado.

         - Não é isso Normalmente não compareço nas festas de minha irmã.

         - Pois hoje vai juntar-se. Não só para me ajudar a levar umas cervejas como para o apresentar às minhas amigas que se vão torcer todas de inveja de ter sido eu a descobrir a jóia rara desta casa.

 

     Entramos no salão de braço dado. Eu com um  pack de cervejas e ela pendurada no meu pescoço.

 

        - Meninas atenção!.... Olhem o que descobri na cozinha da nossa a miga! A jóia rara da casa. – Ao mesmo tempo que se atirava a mim beijando-me.

     Todos bateram palmas e lá do fundo, aos saltinhos apareceu o Carlitos imitando o José Castelo Branco como era seu hábito e que já tinha conhecido por obra do acaso num dia de aniversário de minha irmã virando-se para ela.

 

          - Meninas…. Vejam porque é que esta bichaaaa nunca vos apresentou o maninho!... Suas bichas…. Vejam este borracho que tem andado escondido.

 

      Sendo eu um pouco introvertido fiquei mais atrapalhado do que com o encontro com a Paula na cozinha

 

      Era por estas e outras que nunca estava presente nas festas de minha irmã, sempre recheada de gente um pouco diferentes para o meu gosto.

 

      Minha irmã aproveitou o acontecimento para me introduzir na festa apresentando-me as colegas uma a uma. Quando chegou a altura do Carlos não foi necessário pois sabia que era o cabeleireiro oficial de todas, inclusive de minha Mãe.

 

      Mas afinal de contas como é que aquela avantesma do Carlos aparecia nas festas da Cátia e eu o conhecia?

 

A Força do destino

 

     Quando de manhã ao pequeno-almoço meus pais me avisaram para não chegar tarde para o jantar despassarado como sou, nem me lembrei que minha irmã fazia anos.

     Fui para o trabalho como era normal (ainda estava-mos na época em que havia trabalho para todos). Normalmente fazia aquela viagem de ida e volta de metro. Não só era mais económico como mais barato. Ao mesmo tempo sempre ia dando uma olhada ou outra pelas garinas que por ali viajavam tal como eu. Porque normalmente apanhávamos o mesmo comboio já nos ia-mos conhecendo ocasionando por vezes uns olhares mais atrevidos mas a confusão era tanta e agora empurro à entrada ora agora empurras tu nas coxias, porque lugares sentados era mentira nunca cheguei a vias de facto com alguma.

     À Tarde era pior. Os comboios quando chegavam à minha estação vinham a abarrotar de gente apressada, com sacos de compras e principalmente elas quando levantavam os braços para se segurarem ao balaústre vinha um cheiro nauseabundo de alguns sovacos. Pior ainda era quando um homossexual descaradamente encostava o seu traseiro ao meu pirilau. Era o cheirete dos sovacos das gajas e por vezes mãos pecaminosas vinham apalpar meu instrumento. Os apertos eram tantos que não tinha por onde fugir e se desse bronca, na volta era eu que ficava mal visto. Já tinha assistido a uma cena de um gajo que estava a ser apalpado e como não gostou fez uma cena dos diabos mas quem ficou mal visto foi ele pois o gajo que o estava a apalpar era uma bicha tipo José Castelo Branco e deu-se uma paxeirada que o coitado teve se sair na próxima paragem.

      Viajar no metro às horas de ponte, tem destas coisas, não contando com os carteiristas que proliferam nas carruagens sempre à espera de uma oportunidade para o gamanço.

     Naquele dia felizmente não me aconteceu nada de estranho tanto no trabalho como no metro, portanto cheguei a casa feliz e contente.

     Quando ia a entrar no prédio ia ao mesmo tempo um primo e uma tia com embrulhos. Foi quando me veio à mona que minha irmã fazia anos. Depois de os cumprimentar pedi desculpa e disse que já vinha.

     Lá corri novamente para o metro a fim de ir até à baixa para comprar uma prenda.

     Procura a loja indicada, escolher aprenda e esperar pelo metro levei uma hora. Os comboios naquela hora já vinham mais desafogados de gente e com lugares vazios e sentei-me.

     Embora o metro ande depressa, entre a estação do Rossio e a minha sempre leva algum tempo, tempo suficiente para reparar que no banco em frente a mim estava um moço também com um embrulho na mão mas que não tirava os olhos de mim.

     Fiquei um pouco incomodado e pensei para os meus botões: “Só me faltava este para me estragar o dia”.

     Chegámos à minha estação. O dito levantou-se um pouco antes e dirigiu-se à porta segurando-se no balaústre vertical ficando a olhar para mim com ar de sacana. Saí em vez de ir logo para casa ainda fui ao Sr. Manel que é o merceeiro lá de o sítio comprar uma garrafa de champanhe, e lá fui todo lampeiro de embrulho e garrafa na mão.

 

     Quando entrei em casa a minha primeira atitude foi dar uma desculpa o mais esfarrapada possível dirigindo-me a minha irmã.

 

         - Desculpem!.. Desculpem! O atraso mas tive um pequeno problema no caminho.

         - Não faz mal! Maninho. Obrigado e também ainda não chegaram todos.

 

     Meu pai com sempre desculpando-me atalhou logo:

 

         - Nós já sabemos que és o eterno despassarado!

 

     Minha Mãe que tem sempre algo a criticar-me aproximou-se de mim e ao mesmo tempo que me beijava sussurrava-me ao ouvido:

 

         - Estava a ver que te esquecias dos anos da tua irmã.

 

     Entreguei a prenda, cumprimentei o pessoal e entreguei o champanhe a meu pai.

 

     Tocaram à campainha e meu pai ficando com a garrafa na mão: - Olha! Aproveita e faz de porteiro e vai abrir a porta.

 

     Se em vez do tapete estivesse ali um buraco, tinha caído nele.

 

     Quem estava ali para entrar? Não o rapaz da camisola amarela de qualquer corrida de bicicletas, mas o que se tinha vindo a fazer a mim no metro.

     Os primeiros momentos foram de um impasse estranho olhando-nos olhos nos olhos.

     Carlos, era o nome dele mirando-me de alto a baixo:

 

        - Ai filho não me diga que és o irmão da Cátia?

        - Sou!.... E tu! Quem és?

        - Eu sou o cabeleireiro dela!

        - Pois…. Então entra...

 

      E entrou. Com a maior desfaçatez do mundo beijando minha irmã ao mesmo tempo que dizia com uma voz gutural mas ao mesmo tempo maviosa como brasileiro que era:

        - Você está linda!... Boba.

 

     Depois virou-se para minha mãe:

 

         - Meu amor!.. Gostou do penteado que fiz hoje a sua filha? Mas vejam só! Você está chiquérrima!

 

     Depois distribuiu beijos por toadas as mulheres presentes bajulando-as.

 

     Eu não sabia se havia de fugir ou de cair para o lado então dirigi-me a meu pai e perguntei.

 

        - Mas que é esta ave rara?

        - É o cabeleireiro de todas as senhoras aqui presentes.

        - E é caso para o convidarem para os anos da mana?

        - Sabes como são as mulheres. Adoram o Carlos e tratam-no como de família e como o gajo tem aquele jeito, não faz mal a ma mosca.

        - Um jeito um pouco amaricado. Diga-se de passagem.

        - Vais ver que é um tipo muito prestável e respeitador. Vais ver que ainda vais ser amigo dele.

        - Amigo dele? Porra!... Por quem me tomas? Sabes que o tipo vinha no mesmo metro que eu e não tirava os olhos de mim?

     Meu pai deu uma grande gargalhada:

 

          - Eu não disse que vocês ainda vão ser amigos?

          - Oh pai! Já estiveste a falar melhor. Vamos mas é rodar e ver como vai a festa. Eu não sou gay!...

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Seguir para a (II Parte)

 

As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

 

        Nelson Camacho D’Magoito

      “Contos ao sabor da imaginação”

               de Nelson Camacho

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 05:03
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