Quarta-feira, 21 de Agosto de 2013

Mas não sou Gay – II Parte

Uma keka na cuzinha

Voltemos ao dia em que conheci a Paula

(Ver I Parte)

     Dizem que as raparigas não bebem! Mentira emborcam mais cerveja que nós de maneira que quando chegou o fim da festa já estavam todas com o grão na asa e com algumas “tiras há mistura” que bem as vi irem varias vezes ao banheiro. A única que não vi senifar foi a Paula que durante todo o tempo não me largou contando-me que não tinha namorado, estava no último ano de comunicação social e o seu desejo era entrar para uma rede de televisão.

     Paula continuava a metralhar conversa ao mesmo tempo que de vez em quando lá tentava beijar-me.

 

     A festa acabou quando nossos pais chegaram e cada uma se despediu e lá se foram embora. Menos a Paula que logo meteu conversa com minha mãe.

     Como já estava farto de tudo aquilo pirei-me para o meu quarto.

     Passados por volta de uma hora, bate à porta meu pai pedindo para levar a Paula a casa pois estava um pouco mal disposta e certamente com um pouco de álcool a mais.

     Paula de entre as outras, era a melhor amiga de minha irmã e com uma grande lata conseguiu uma conversa longa com minha mãe mesmo depois de todos se terem ido embora.

 

     Contrafeito mas ao mesmo tempo agradado pois a Paula era efectivamente um borracho e logo pensei que com a afer poderia levar dali alguma coisa. – Já estava pensar com as duas cabeças –

 

     No caminho. Pouca oportunidade tive em falar pois ela estava mais para lá do que para cá. Encostou-se ao meu ombro e quase que ia adormecendo. Foi preciso afasta-la encostando-a à janela pois estava tornar-se numa posição perigosa para a minha condução.

 

     Quando cheguei ao destino, nas Olaias, pela aparência do prédio verifiquei ser gente de posses. Não é que andasse há procura de uma namorada rica, mas juntando o útil ao agradável ou seja, boa, instruída e filha de gente de posses a coisa talvez não combinasse mal.

Assim que parámos ela que vinha semi-a-dormir com um copito a mais, não aceitei no entanto ficou combinado telefonar-lhe no dia seguinte.

A minha mãe cuscas ao pequeno-almoço logo perguntou:

 

        - Então portaram-se bem?

        - Mas portei-me bem! Como?

        - Então ontem não levaste a Paula a casa?

     Atalhou minha irmã:

        - Olha que a tipa não tem namorado, está no fim do curso e de boas famílias.

     Foi a vez de o meu pai atalhar:

         - Não me digam que já querem arranjar casamento para o rapaz????

 

     A conversa de susquisse, ficou por ali no entanto ao jantar a minha maninha queixou-se que a Paula lhe tinha telefonado a perguntar por mim pedindo desculpas assim como o meu número de telefone, pois eu tinha ficado de telefonar-lhe até há hora de jantar ainda não o tinha feito.

         - Epá! Tive tanto que fazer que nem me lembrei.

         - Mas tu tens namorada? – perguntou minha mãe.

         - Vou tendo! Mas qual é o problema?

     Meu pai que nestas coisas de namoros com os filhos não gosta de se meter:

         - Chiça! Que vocês são uma sapas. Lá porque a rapariga é de boas famílias já querem que o rapaz se enforque.

         - Deixa lá pai! A tua filha que arranjar uma cunhada jeitosa e a Mãe quer ver-me fora de casa o mais cedo possível.

         - Não é nada disso! Já tens idade de encontrar uma rapariga como deve ser e não andares para aí a namoriscar pelos cantos. – Retorquiu minha mãe meia exaltada.

     Meu pai como macho latino foi logo.

         - E vocês acham que o rapaz anda namorando pelos cantos? Quanto muito deve andar e pelas camas da cidade.

 

     Foi gargalhada geral.

 

     Aquele jantar acabou em grande galhofa prognosticando já o meu futuro.

 

     No dia seguinte telefonei à Paula. Ela ficou toda contente e disse que lhe tinham dado dois bilhetes para o cinema e se queria aproveitar. Afinal de contas parecia que em vez de ser eu, era ela que me estava a engatar. Disse que sim. Combinámos a hora de a ir buscar e lá fomos ao cinema.

 

     A seguir àquele cineminha, seguiu-se um jantar. Mais tarde um abanar a cabeça em um qualquer discoteca até que chegou o dia de ela e os pais irem jantar lá em casa.

 

     Minha Mãe quando soube que os tinha convidado armando-se em gente rica e não era o caso, fez logo uma refeição que até meteu lagosta. Meu pai comprou um vinho de marca e minha irmã vestiu o seu melhor vestido para receber os convivas.

     Os convivas naquela noite ficaram a saber da vide uns dos outros e até minha Mãe aliciou a mãe da moça a frequentar o mesmo spa e o mesmo cabeleireiro.

     Durante aquela cusquice toda aproveitei para levar a Paula para o meu quarto onde falámos de coisas banais, tais como se gostaríamos ou não de vir a ter filhos logo que nos casássemos não estando em causa se isso se viesse a acontecer entre nós. Entretanto entrou a minha maninha no quarto e se eu tivesse mais uma vez alguma ideia mais atrevida, ficaria para uma nova oportunidade.

 

uma foda hetro

     A noite acabou. Já era uma da noite. Depois de todos saírem a Paula não me saia da cabeça e da de baixo começou a dar sinais que tinha perdido uma oportunidade.

      Resolvi mesmo àquela hora telefonar para uma amiga que trabalha num bar de alterne e costuma dar-me umas baldas.

     Combinei encontrar-me em casa dela e a noite ficou logo ali na cozinha o assunto resolvido.     

Ela ainda queria que ficasse lá em casa mas como de cama para dormir só gosto da minha. Deixei umas notas e fui para casa.

 

Seis meses depois

 

     Tinha chegado o verão e as mães combinaram com outras amigas irem passar um fim-de-semana a Armação de Pêra no Algarve aproveitando o convite com tudo pago incluindo pais e filhos para um workshop de uns cabeleireiros internacionais que vinham a Portugal mostrar as novas tendências verão inverno dos novos penteados para senhoras e homens.

      Como era tudo de borla, só tínhamos de gastar no transporte ou seja na gasolina, lá fomos todos.

      Até  este momento a minha relação com a Paula tinha-se confirmado até por pressão principalmente por minha mãe e a da Paula.

     Fazíamos uns jantares de convívio, íamos ao cinema, ao teatro, enfim. Namorávamos simplesmente nunca passando disso.

      As minhas necessidades sexuais passavam por outras bandas, garotas de varão e acompanhamento, já que com a Paula esta fazia questão de se guardar para com quem casa-se.

     Ainda pensei ter a possibilidades de levar a água ao moinho naquele fim-de-semana. Mas nada.

     Se não me pose-se a pau, quem me satisfaria era o brasileiro Carlos que organizava o evento e que não era nem mais nem menos que o tal cabeleireiro que desde aquele primeiro encontro no metro e já lá ia mais de um ano, nunca deixou de se atirar a mim mas nuca teve sorte. Não sou gay e sempre gostei muito de mulheres.

 

     Escusado será contar que aquele fim-de-semana foi uma seca.

     Afinal de contas aquele evento foi para promoção do SPA-CABELEIREIRO do qual seu proprietário era o Carlos. Todos tivemos corte de cabelos de borla. – Como não podia deixar de ser quando chegou a altura dos homens que também tiveram direito, a mim calhou-me o celebérrimo Carlos.  - Não sei porquê mas na altura que me atendeu, foi muito menos bichanado das alturas em que já o tinha visto nas festas da minha irmã e de minha mãe. Personagem sempre presente.

 

     O fim se semana acabou. Até ouve para despedida um show de cantigas e passagem de modelos.

 

Passaram mais quatro meses

 

     Já estava no nono mês daquela pasmaceira de namorico e se queria ver o padeiro muitos dias quando deixava a Paula em casa, lá ia eu para os centros de perdição. Com ela não tinha direito a nada e sendo como era, bastava uns beijinhos e logo o meu maninho se punha em pé solicitando brincadeira lá ia eu ter com as minhas amigas para satisfazer o gajo. Resultado: Muitas noites, ficava em casa de uma delas. O pior era no dia seguinte minha mãe atasanava-me o juízo e dizia:

        - Se não ficas em casa da Paula o que andas a fazer na rua até de manhã?

     Meu pai homem vivido e também já farto de tanta atazanação respondia:

        - Oh Mulher deixa lá o rapaz que não aparece pranho em casa. Como rapaz novo tem as suas necessidades.

        - Pois!.. Se é de mulher que precisa porque não se casa? Já lá vai quase um ano de namoro e nem o “Pai morre nem a gente almoça”

      Durante aqueles todo aquele tempo era sempre a mesma coisa de vez em quando até minha irmã se metia na atazanação até que um dia ao jantar ela criticou-me de andar a namorar a Paula e a dormir com outras mulheres.

      Naquela noite, foi o fim da macacada e disse-lhe:

        - E tu!... Maninha que fazes na tua vida? Não te vejo namorado algum? A não ser que andes às escondidas namorando o Carlos já que sais tanto com ele!

        - Ohpás!.. Nem pensem! O Carlos é só o meu melhor amigo que me acompanha nas discotecas e ao mesmo tempo serve de guarda costas.

        - E é só isso? – Retorquiu nosso pai.

        - Nem pensem! Então não sabem que o gajo é gay?

        - Então em vez de arranjares um homem a sério andas com um maricas? – Atalhou nossa mãe.

        - Pois fiquem sabendo que sendo assim é mais homem que muitos homens, é meu confidente e o melhor amigo que tenho.

 

     Pronto! Ficou ali a confirmação dos gostos do brasileiro e que podia ser amigo de todas as famílias que as raparigas se eram puras e virgens iriam continuar na mesma.

 

     O tempo mais uma vez foi passando com aquela pasmaceira de sempre e a pressão da minha parte pela minha mãe e por parte da moça por parte dos seus pais que também nunca mais viam a situação da filha resolvida e até dizia, que só andávamos a empatar.

 

     Um dia numa churrascada onde estava todo mundo presente dei com meus pais e meus futuros sogros falarem do nosso possível casamento. Meti-me na conversa e deu-me um “vaipe” talvez por já estar com os copos, fui buscar o Paula que estava na converse ta com o Carlos peguei-lhe num braços e dirigi-me aos cótas:

 

         - Pois bem! Vamos lá ver se era isto que vocês queriam ouvir!

 

     Dei um beijo ternamente na Paula e perguntei:

 

         - Queres casar comigo?

 

     Aquela minha tirada parecia ter saído de um romance de cordel. Todos se levantaram e bateram palmas como se fosse o fim de um acto da tal história de cordel.

 

      E assim perante aquela declaração todo o mundo se reuniu à nossa volta r no meio das gentes como já não o via há muito tempo saltou aos pulos o nosso Carlos também com uma voz gutural e que não era habitual a gritar.

 

         - Eu vou ser o padrinho da noiva e ofereço os penteados a todas as convidadas, não quero que vão fazer má figura no casamento do nosso homem.

 

     Bem penteados há borla já toda a gente tinha. Faltava o resto.

     O resto foi tratados entre nossos pais e no dia aprazado demos entrada na igreja com sermão e missa cantado.

      Assim. Voltamos ao princípio da história da minha vida.

Mas não ficou por aqui. Depois do copo-de-água caminhámos para as Canárias para a nossa lua-de-mel.

-------------------------------------------------------------

(Ir para III Parte)

 

As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

 

         Nelson Camacho D’Magoito

       “Contos ao sabor da imaginação”

             de Nelson Camacho

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 19:17
link do post | comentar | favorito
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2 comentários:
De Fernando a 22 de Agosto de 2013 às 09:00
Olá Nelson
Pegando na tua ultima deixa...
"...Mas não ficou por aqui..."
...eu vou comentar apenas no final...lol...sou tão mauzinho não sou...?...
Como sempre, estou a adorar, e aguardo com expectativa a continuação, que como sempre nos teus contos mais longos, promete ser exactamente o contrario daquilo que a imaginação de quem lê supoe..
Abraço Grande
Nando
De nelson camacho a 23 de Agosto de 2013 às 04:59
Meu caro Fernando é sempre um gosto (não digo prazer porque o Manuel Luís Goucha diz que prazer é outra coisa ) Ele lá sabe porquê! recebe-lo aqui. Quanto ao final. Esperemos para ver Vai ter uma lição de literatura. Um abraço NC

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