Sábado, 7 de Setembro de 2013

Vidas Cruzadas - I Parte

Vidas Cruzadas que sabemos existirem mas não queremos reconhecer

(Conto longo quase um romance)

 

Nelson Camacho-o-escritor

 

Preambulo

 

     O Pedro era um rapaz de 19 anos estudante trabalhador “o chamado filho da mamã” mas tinha um conflito social, pessoal e mental até conhecer….

 

     O verão parecia que tinha chegado embora estivéssemos no inicio da primavera a temperatura máxima rondava os 26 graus e a mínima os 15. O sol estava radioso apetecendo mesmo uma banhoca na praia e começar a curtir o sol. À noite a coisa esfriava um pouco e só apetecia estar em casa numa jogatana em família quando isso acontecia, o que era raro, ou a ver televisão.

     O casal Piteira embora morassem uma vivenda no Restelo (zona nobre de Lisboa), tinham um apartamento na Ericeira, mesmo ali junto ao mar onde passavam a época balnear e nos restantes dias do ano quando apetecia comer umas lagostas e outros sabores culinários num restaurante que havia mesmo frente ao mar.

     Como o apartamento até era grande, só quartos de dormir eram quatro, sendo um para o casal, outro para o filho Pedro e ainda sobravam dois para as visitas que eram na época balnear bastantes, pois a D. Ermelinda Piteira gostava muito de gastar o mais possível o dinheiro que o marido na qualidade de arquitecto ganhava. Senhora do Jet Set nada fazia a não ser frequentar festas e faze-las em suas casas ficando algumas pessoas principalmente na Ericeira na época balnear no apartamento de verão.

     O filho Pedro sempre foi criado naquele ambiente do não faz nada. Era o filho da mamã. Nada lhe faltava. Faltava-lhe o carinho do Pai que saia de manhã que voltam sempre à noite sem a pachorra a que um Pai é obrigado a ter para dar um abraço ao filho. Entre os estudos e casa, este jovem nada mais sabia fazer. Quando atingiu os dezanove anos entrou num curso de informática que lhe fez olhar mais para a vida e procurou trabalho com vistas à sua independência em uma empresa de consultoria informática.

 

I Capitulo

Fim-de-semana na Ericeira

 

Ericeira_praia dos pescadores

 

     Naquele fim-de-semana houve festa em casa dos Piteiras na Ericeira com o fito de fazerem umas jogatanas de Poker e no dia seguinte irem até à praia. 

     O apartamento ficou cheio de gente menos o Sr. Piteira que segundo disse, tinha que se deslocar com um cliente até ao Algarve por causa de uma obras.

     Para a festa compareceram dois casais. Um que também tinham uma casa na Ericeira e outro que eram os Pais da Fernanda, namorada do Pedro que naquele fim-de-semana iriam ser apresentados ao casal piteira.  

     Depois do jantar, o Pedro com a Fernanda saíram e foram até aos rochedos ver o mar e até uma esplanada no Campo da Bola tomar um café.

     Os casais e a dona da casa ficaram em casa curtindo uma de jogo de cartas e a arrumar a loiça do jantar.

     O casal de pombinhos e porque namoravam há pouco tempo, lá foram desabafando as suas mágoas. Ele queixando-se do Pai que ultimamente chegava cada vês mais tarde a casa e também que se ausentava para fora, dizia em trabalho por alguns dias. Que a Mãe nada dizia pois o que queria era festas e estar sempre rodeada de pessoas que a bajulassem. Por estes factos ele tinha resolvido trabalhar.

     A Fernanda também se queixava do mesmo. A Mãe nada fazia de útil na vida e até tinha uma criada e o Pai médico passava mais tempo no Hospital ou no consultório, facto que levou também a procurar emprego que por acaso até era no mesmo do Pedro onde se conheceram.

     Já estava a ficar um pouco para o frio e resolveram ir para casa.

     Quando chegaram, o casal que também tinham casa na Ericeira já se tinham ido embora e os Pais da Fernanda já se preparavam assim como a dona da casa para se irem deitar embora esta ainda estivesse na sala vendo um filme na televisão.

 

        - Então! Como está a noite na vila – Perguntou

        - O mar está um espectáculo mas a noite já começa a estar um pouco fria. - Disse o filho.

        - Pois eu estava à vossa espera para indicar o quarto da Fernanda e as toalhas para sua higiene.

 

     Era óbvio que aquele namorico era recente e não passava disso mesmo, portanto, namorico era uma coisa e outras ideias eram outra coisa.

     E lá foram cada um para o seu quarto. Mesmo que houvesse a ideia de se enrolarem em namoro colorido. O respeitinho era muito bonito e ainda era cedo para terem relações.

 

     Aquele fim-de-semana prometia ser agradável. A D. Ermelinda estava como peixe na água. Com os seus amigos com que podia ratar da vida dos outros. Um dos casais que ficaram lá em casa até eram Pais da namorada do filho, que durante o dia fugiam para a praia e não tinha o marido Piteira em casa para a chatear.

     O Sr. Piteira tinha ido segundo disse, com um cliente até ao Algarve.

     Não se sabia se era verdade ou não pois ele à noite telefonava para saber se estava tudo bem, mas como telefonava pelo telemóvel é uma situação que nunca ninguém sabe de onde se telefona mas a D. Ermelinda também não estava muito preocupada. – Diz-se que “dia santo fora alegria na loja” – As atenções da Ermelinda estavam todas viradas para os Pais da rapariga pois eram pessoas abastadas e até viviam em um palacete antigo no Chiado e o Pedro certamente na praia entre areias e rochas iria fazendo a sua obrigação. Namorar!

     Estava tudo a correr à mil maravilhas.

     Efectivamente o Pedro e a namorada, só apareceram em casa à hora do jantar.

     Como não são pessoas muito de realty shows, depois do jantar juntaram-se na sala frente ao televisor mas para verem uma obra-prima do cinema “Ensaio sobre a cegueira” um filme com base numa obra de José Saramago com o mesmo nome.

     Entretanto, alguma conversa de circunstância até que o casal visitante se foi embora e o convidado e todos os outros se foram-se deitar.

     A D. Ermelinda estava toda satisfeita pois já via o seu pimpolho casado com aquela menina filha de gente rica.

     A Fernanda, certamente também com os mesmos pensamentos não só por ter agarrado aquele morenaço rico e bem-apessoado que até beijava bem.

     Quanto ao Pedro foi para a cama a pensar como tinha conhecido a sua primeira namorada e o que aconteceria dali para a frente.

     A Ermelinda, depois de dar as suas ordena à empregada também se foi deitar mais descansada. Já tinha o seu menino em casa e com uma namorada e durante o dia já tinha dado asas à sua língua vespertina e sabido de toda a vida dos Pereiras, pois no jantar de apresentação dos ditos lá em casa, tinha ficado algumas coisas por saber

     Antes de adormecer também lhe veio à mente o Dr. Pereira. Homem quarentão e de muito bom aspecto. – Um borracho! Para ela –

 

II Capítulo

Um Jantar de família

 

     Numa das raras noites em que o Sr. Piteira jantou em casa houve como uma reunião de família e já na sobremesa o Pedro que já andava com pulga atrás da orelha quanto à vida escondida do Pai e perguntou:

 

        - O que é que vocês acham se eu arranja-se um emprego?

        - Um emprego? Mas para quê? Falta-lhe alguma coisa? – Perguntou a mãe.

        - Não! Não é isso! O Pai já poucas vezes está em casa. A Mãe anda sempre nas suas festas do croquete e eu sinto que está na altura de procurar a minha independência.

        - É uma atitude de homem! Eu também comecei a trabalhar com a tua idade e só acabei o curso depois da tropa. A Minha vida tem sido de trabalho constante e actualmente cada vez mais e de facto actualmente não tenho tido muito tempo para vos dar assistência. A tua Mãe não se tem queixado! Desde que o dinheiro entre em casa é quanto basta. Quanto a ti! Desculpa se não tenho tido mais tempo para ti.

A Dona Ermelinda com a resposta do marido deu mostras de se sentir um pouco ofendida.

 

        - Com que então eu só quero dinheiro?

        - Desculpa querida mas não é teu defeito é feitio. Sempre assim foste e agora nada há a fazer.

 

      “ De facto a D. Ermelinda quando casou com o Piteira era uma menina rica e de boas famílias da época.

      O Piteira na altura era um rapaz de fracos recursos mas trabalhador e lindo como o filho viria a ser e foi fácil aquela senhora enquanto menina se apaixonar pelo rapazito na altura. Ele estudou, formou-se em arquitectura e arranjou fortuna de tal forma que a Ermelinda já habituada a não fazer qualquer coisa, assim seguiu a sua vida. Tiveram o Pedro que para ela foi uma trabalheira e não quis ter mais filhos contrariamente ao Piteira que gostava de ter outro filho ou uma filha, mas não teve sorte alguma.

     Aquelas lembranças trespassaram rapidamente em suas mentes quando o filho notando que qualquer coisa se passava com os pais, resolveu interromper os seus pensamentos “

 

        - Mas no final de contas, qual a vossa opinião sobre ir trabalhar?

        - Cá por mim tudo bem! - Disse o Pai – Como já disse, foi com a tua idade que comecei a trabalhar e conheci a tua mãe.

        - Mas eu não me quero casar já, nem com uma menina rica. Quando o fizer quero fazê-lo com os pés assentes na terra e será para toda a vida.

        - Quer dizer que os teus Pais não vão acabar até morrer como foi prometido no casamento? – Respondeu a mãe que já não esta a gostar da conversa.

        - Acho que deves fazer a tua vida conforme te der na real gana, mas essa ideia de “para toda a vida” o melhor é não o prometeres pois essa coisa só acontece nos livros.

 

     D. Ermelinda se não estava bem ainda fiou pior com a conversa do marido e respondeu:

 

        - Quanto a mim, acho que o casamento deve ser para toda a vida. Quanto ao arranjares uma noiva rica, não traz mal ao mundo, Foi com o meu dinheiro que o teu Pai montou o negócio quando veio da tropa.

 

        - Pois!.. Essa, eu não sabia! – Atirou o Pedro.

        - Há muitas coisas que tu não sabes e os resultados de casar com uma mulher rica.

 

     Pedro acusou o toque do Pai e como já andava desconfiado do Pai ter uma amante a pulga atrás da orelha ainda lhe mordeu mais.

     A mãe pediu licença para se levantar e foi-se meter no quarto.

 

        - Tás a ver como é a tua mãe? Quando a conversa não lhe interessa mete-se no quarto e na cama vira-se para o lado e diz que tem dores de cabeça.

        - Mas isso anda assim tão mal?

        - Meu filho! Tu já és homem suficiente para entenderes que quando um casal tem problemas tudo se reflecte no seu convívio sexual.

        - Desculpa Pai, mas a mãe anda a dar-te com o nega?

        - Não são coisas do teu rosário, mas que isto não vai acabar bem, lá isso não vai.

        - Pai! Desculpa lá e com todo o respeito. Tu tens uma amante?

        - Então menino! Isso são perguntas que se façam a um Pai?

        - Ah! Agora já sou menino?

        - Bem o melhor é acabarmos com a conversa.

     Efectivamente a conversa ficou por ali. Acabaram de tomar o café, despediram-se e cada um foi para o seu quarto.

     Foi com esta recordação que Pedro acabou por adormecer.

 

III Capítulo


Passeio de domingo na Tapada de Mafra

Ainda naquele fim-de-semana na Ericeira

Convento de Mafra

 

     De manhã todos acordaram cedo e conforme tinham combinado com o casal Pereira depois das higienes matinais, saíram para se encontrarem no café do Campo da Bola para tomarem todos juntos o pequeno-almoço. Café esplanada mesmo na ponta do largo bastante confortável e de onde se vislumbrava todo o vai e vem de gente a caminho da praia que não seria para eles pois ao Domingo na praia do Pescador porque se situa numa enseada, é bastante pequena para tanta gente e então resolveram ir até à Tapada de Mafra onde passariam um dia mais agradável junto à natureza e ar puro, contrariamente ao que aconteceria na praia.

     A Tapada de Mafra é um local bastante aprazível para passar um Domingo descontraído e em família.

     A Tapada é a sequencia da construção do Palácio Convento na Vila de Mafra que o nosso Rei D. João V, o “Rei magnifico” (1706-1750) mandou construir em cumprimento da promessa que fez, caso a Rainha lhe desse descendência.

     Este grandioso monumento, constitui uma obra-prima do Barroco Português.

     A Tapada foi construída mais tarde em 1747 com o objectivo de proporcionar um adequado envolvimento ao Monumento, de constituir um espaço de recreio venatório do Rei e da sua corte e ainda de fornecer lenhas e outros produtos ao Convento.

     Com uma área de 1187 hectares, a Real Tapada de Mafra é rodeada por um muro de alvenaria de pedra e cal, com uma extensão de 16 Km.

     Pelo facto de ser uma área florestal de fortes potencialidades cinegéticas uma boa parte dos portugueses e estrangeiros procuram este espaço para se deliciares pelo ambiente onde podem fazer desde percursos pedestres, passeios a cavalo de bicicleta ou em charrete ou ainda de comboio por onde podem ver a fauna em liberdade e encontrar veados, gamos, javalis e aves de rapina.

     Pode ainda visitar um museu de carros de tracção animal e da Tojeira.

     Se tiver coragem ou souber pode ainda dar belos passeios a cavalo.

     Mal entraram dividiram-se em dois grupos.

     Os “cótas” foram de comboio e os namorados resolveram dar a volta pelo parque de charret, sempre era mais romântico e aproveitaram para fazer promessas de amor e umas beijocas como é normal.

     O fim do fim-de-semana tinha chegado ao fim. Fizeram as malas para caminharem direitos a suas casas em Lisboa. A D. Ermelinda como não tinha o marido em casa não queria ir mas como o Pedro já tinha o emprego e entrava às nove horas tinha mesmo de ir.

 

»»»»»» (Siga para a II Parte)

 

 

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

 

 

       Nelson Camacho D’Magoito

   “Contos ao sabor da imaginação”

            © Nelson Camacho
2013 (ao abrigo do código do direito de autor)

 

 

 

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 02:15
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