Sábado, 7 de Setembro de 2013

Vidas Cruzadas - II Parte

ecritorio moderno

IV Capítulo

O Primeiro emprego do Pedro

Como ele conheceu a Fernanda

(Ver I Parte)

 

     Quando o Pedro propôs aos Pais naquele jantar de família que pretendia ir trabalhar de dia e estudar à noite foi só para saber as suas opiniões porque na realidade já tinha arranjado um emprego numa empresa de consultoria. Como estava a estudar informática até não foi difícil. Não era uma grande empresa mas para iniciar a vida de trabalho até não era má. Só tinha quatro empregados sendo um deles, uma rapariga e o patrão.

     Foi fácil travarem-se de amizades. Eram todos casados menos a moça que tal como ele embora fosse filha de gente com algum dinheiro - o Pai era médico e a mãe não fazia nada como a sua - também ela queria encontrar a sua independência económica. Como o Pai era amigo do dono daquela empresa numa conversa em um jantar e colocado o desejo da filha ao seu amigo e como a Fernanda já tinha acabado o curso de informática e tinha vinte anos, bastou ela também mostrar o desejo de encontrar um emprego, este ficou logo disponível.

      Já o Pedro também encontrou aquele lugar por indicação de um seu professor.

     Ao que parecia, era a força do destino ambos se encontraram naquele emprego melhor foi porque ambos tinham sido recomendados e o patrão era um tipo porreiro, de tal forma que às vezes até ia almoçar com os empregados e pagava dando-lhes assim um certo incentivo para o trabalho.

      Os dois solteiros e descomprometidos e a trabalharem no mesmo sitio foi fácil criarem uma certa empatia.

      Algumas vezes foram almoçar juntos aproveitando compartilhar os seus conflitos caseiros

      Pelo caminho do tempo até aconteceram uns cineminhas.

      Já andavam naquilo há três meses.

      A D. Ermelinda cuscas como sempre, andava admirada por o filho depois de começar a trabalhar andava a chegar mais tarde a casa, coisa que não era habitual. Então começou por descarregar perguntas a torto e a direito tais como: Por onde andas? Com quem andas? Quais são os teus novo amigos? Cuidado que a vida nem sempre é o que parece! – Coisas de mãe!

 

     Pedro, com tantas perguntas lhe foram feitas pela mãe um dia acabou por lhe contar que tinha uma colega no emprego e se tinha enamorado por ela e até era filha de gente com posses. O pai era médico.

     D. Ermelinda cheirou-lhe logo a dinheiro e insistiu com o filho para convidar a rapariga para um jantar lá em casa.

     Pedro depois de tanta insistência e tal como um namorado à antiga dias depois perguntou há Fernanda se ela estava disposta a ir jantar lá a casa.

 

         - Isso seria bom! Mas para descansar meus Pais que andam desconfiados das minhas saídas à noite e ainda não lhes contei do meu namoro contigo, seria uma boa oportunidade para lhes contar e convida-los também.

         - Mas é claro que sim! Minha mãe que adora festas e ter gente em caso, iria adorar.

 

     Assim ficou combinado. A Fernanda iria contar aos pais do seu namoro ao mesmo tempo dizer-lhes que os pais do Pedro os tinha convidado para um jantar lá em casa para se conhecerem.

 

O jantar de apresentação da namorada

 

     A D. Ermelinda sabendo que os Pais da rapariga eram pessoa de posses, quando preparou o jantar de apresentação, começou logo a engendrar forma de agradar o mais possível ao casal de médicos.

     Fez uns canapés de entrada regados com champanhe e o marido foi à adega buscar uma garrafa de conhaque velho e uma garrafa de vinho do Porto para receber os futuros sogros. – Os Piteiras já estavam a ver o seu menino casado com uma filha do Jet Set.

     Diz-se que o destino por vezes nos prega paridas e foi o que aconteceu. Não se sabe bem porquê a D. Ermelinda engripou-se um pouco. - Ela andava danada mas não podia alterar aquele jantar e a custo lá preparou a refeição com todos os requintes. Até foi buscar à arca uma toalha de Bilros do seu enxoval e tomou meia dúzia de comprimidos anti-gripal –

     Chegou a hora aprazada e melhor não podia receber o que para ela no seu subconsciente, já chamava de nora e compadres.

     A campainha tocou e lá chegaram os convivas.

    Como mandam as normas de etiqueta a primeira a entrar foi a Fernanda, depois a mãe Pereira e o Pai Pereira que foram de imediato apresentados e conduzidos ao salão.

    D. Ermelinda quando se encontrou frente a frente com o Dr. Pereira sentiu um clic que na altura não entendeu bem mas aproveitou a sua pequena gripe para depois do jantar enquanto todos no salão perguntar ao Dr. o que devia fazer quanto à pequena gripe. Já tinha tomado uns antigripais ao que ele a convidou a passar pelo seu consultório no dia seguinte.

    O Jantar decorreu o melhor possível. – Via-se que era gente de bem pensava a anfitriã –

    Quanto ao arquitecto Piteira como seria normal entendeu-se de conversa com o Pereira, enquanto as senhoras como é hábito falaram uma das festas por onde andava e a outras das complicações que tinha no hospital derivado à falta de verbas para a saúde.

    Depois do jantar os pombinhos foram até ao quarto do Pedro onde permaneceram o resto da noite, sabe-se lá fazendo ou dizendo o quê. Certamente promessas de amor.

    De vez em quando a D. Ermelinda e o Dr. Pereira trocavam olhares discretos de forma que só eles entendiam.

    A noite passou-se rápida. Trocaram cartões-de-visita e outras confidências ao ponto de D. Ermelinda convidar o casal a passarem um fim-de-semana em sua casa de verão na Ericeira assim que o tempo melhorasse. Esta informação foi dada ao casal de pombos na altura das despedidas os quais ficaram satisfeitos pois teriam oportunidade de curtirem uma de praia e alguma privacidade.

 

A ida ao médico de D. Ermelinda

 

     A D. Ermelinda não lhe saia de cabeça o médico e ainda ficou pior quando o marido naquela noite deu-lhe um nega e a informou que no dia seguinte não iria almoçar a casa pois tinha um almoço com clientes. Coitada da senhora naquela noite pouco dormiu. Eram nove horas já estava levantada e foi até ao quarto do filhos tentar saber mais sobre o que ela julgava serem os seus futuros compadres. Nas conversas da noite anterior não tinha sabido tudo para o seu gosto.

     Depois de o marido sair, ai vai ela telefonar ao Dr. para saber quais eram as melhores horas para a atender conforme oferta da noite anterior.

        - Está! Por favor ligue-me ao Dr. Pereira! - Pediu ela a quem a atendeu.

        - E quem fala?

        - Diga que é a D. Ermelinda Piteira.

     Passado pouco tempo apareceu ao telefone o Dr.

        - Hora então bom dia!

        - Olhe Dr. desculpe estar a importuna-lo logo de manhã mas passei uma noite para esquecer e venho aproveitar a sua tão gentil oferta de me consultar.

        - Mas é com todo o prazer que a receberei mas hoje tenho o dia todo ocupado com consultas e vai ser complicado.

        - Mas o Dr. não almoça?

        - Claro que sim!

        - Como o meu marido hoje não vem a casa almoçar podíamos ir almoçar os dois.

        - Por mim tudo bem! Até seria uma forma de nos conhecermos melhor – retorquiu de imediato o Pereira, homem sabido e que não perde uma e aquela até era simpática e ficaria tudo em família.

        - Então está combinado! A que horas lhe convém?

        - Vou desmarcar a consulta das duas para termos mais tempo e encontramo-nos há uma no Bel Canto. Sabe onde fica?

        - Não sei mas certamente um taxista saberá.

        - Se o taxista for de idade sabe certamente se for um rapaz novo diga-lhe que fica ao pé do São Carlos.

    Afinal o Dr. até era mais simpático do que julgava, pensou a Ermelinda e logo se foi aperaltar para aquele encontro com aquele charmoso Doutor. 

     Quanto do Pereira com aquele telefonema ficou logo a saber que a Ermelinda era uma atiradiça e como ele não era nenhum santo, há que aproveitar o que se lhe apresenta na frente. Pensou ele.

 

     O Dr. Pereira como é um nostálgico e tem o seu consultório ali na zona do Chiado perto de casa, ainda frequenta em alturas especiais e este seria um delas o Restaurante Bel Canto embora já não seja o que era no seu tempo de mais jovem em que este espaço nada mais era que ao estilo de clube inglês um “Clube de cavalheiros” frequentado por políticos e empresários para tratarem de negócios, médicos a advogados. Situando-se a dois passos do Teatro São Carlos, também era frequentado por frequentadores de ópera, de cantores, de artistas e escritores. Da parte da tarde chegavam as meninas para conforto de alguns utentes da casa.

     Após o 25 de Abril a situação alterou-se e muitos dos clientes habituais deixaram de aparecer. Depois houve altos e baixos - agora, de obras feitas, o Bel Canto mantém o seu charme mas o seu actual proprietário o chef José Avillez reinventou o lugar com a ajuda de novas decorações de Ana Anahory, Felipa Almeida, Teresa Pavão e quadros de Marco Pires. Já não existe o palco por onde passaram vários artistas. Os reposteiros negros e pesados assim como as meninas que davam ao ambiente o verdadeiro Club de cavalheiros.

     Porque recordar é viver, ainda por lá passam individualidades de tempos áureos. É o caso do Dr. Pereira que ainda lá vai almoçar ou jantar com uma amiga. Nunca com a mulher.

     Foi essa a razão porque convidou a Ermelinda para o almoço naquele espaço renovado mas cheio de charme e recordações.

 

     D. Ermelinda ao sair do táxi ajeitou um pouco a saia, curta como qualquer jovem não lá muito própria para a sua idade, mas com a mania de frequentar o Jet Set vestia-se sempre para estas ocasiões um pouco kokete.

     Entrou na ante câmara do salão de jantar já se encontrava num pequeno sofá com um flut se champanhe. Mal notou a entrada da dita, de imediato se levantou pousando o flut numa mesinha contígua, cumprimentado com bois beijos nas faces de D. Ermelinda. – Esta tremeu com os kisses e com o charme daquele cavalheiro a que já não estava habituada à muito pelo menos em casa.

        - Olá! A o que parece o taxista sabia o caminho!

        - É verdade! Ele só fez a observação de não saber que este restaurante ainda existia e há muito que não transportava passageiros até cá.

        - É verdade! Este restaurante já foi muito famoso, esteve uns tempos fechado ma agora tem uma cara nova e é muito simpático. Sente-se por favor. Toma uma taça de champanhe enquanto o empregado nos disponibiliza uma mesa?

 

      D. Ermelinda nunca tinha sido recebida assim.

     Nas festas que frequentava do croquete e em outras mais, era mais uma entre tantas outras que se deambulava entre as gentes mais ou menos conhecida a fazerem-se aos fotógrafos para apareceram nas revistas do Jet Set à portuguesa.

     Nem o marido já com alguns anos de casados a tinha convidado para um almoço ou jantar em um lugar tão requintado.

     Foi preciso o filho começar a trabalhar e arranjar uma namorada e a quando a apresentação dos Pais em sua casa, encontrar finalmente o homem dos seus sonhos.

     Ermelinda estava a viver um sonho há muito por realizar. Aquele homem charmoso que a curto prazo – segundo ele julgava – iria pertencer à família como compadre estava ali na sua frente, independentemente de ser casado, pois para ela, - tudo se iria resolver -.

    De repente acordou daqueles pensamentos quando o Pereira insistiu em lhe oferecer uma taça de champanhe enquanto não eram acompanhados para a sala de jantar.

 

        - Oh não obrigado. Não é hábito beber mas já que tanto insiste! – e pegou na taça sem deixar de mirar aquele homem de baixo a cima.

        - Mas é só um golo para preparar o palato para o Faizão que vem a seguir.

    Entretanto chegou o empregado informando.

        - Sr. Doutor!... Minha Senhora! … Já está disponível a mesa para o vosso repasto.

    Ermelinda quando ouviu a palavra repasto pele boca do empregado a primeira coisa que lhe foi ao pensamento foi o repasto que iria ter na cama um dia destes com o D. Pereira o qual cortando-lhe os pensamentos, muito solicito colocando uma mão na sua cintura a encaminhou para e mesa. Ela mais uma vez acordou e sentiu mais uma vez todo o seu corpo estremecer. Já tinha acontecido o mesmo quando ele atravessou a porta de sua casa naquele célebre jantar de apresentação da filha como namorada de seu filho Pedro.

 

      O almoço com os pratos escolhidos, uns por eles, outros por sugestão do Chef que os veio complementar segui normal como seria de espera num primeiro encontro desta natureza.

     O Dr. – esperto e já cota sabido – não deixou de fazer a sua cantata deixando no subentende que o seu casamento já não era o de antigamente.

     Ela por sua vez. Também se lamentou dizendo que o marido actualmente passava muito tempo fora e assim que casa-se o filho, certamente a coisa não iria continuar por muito mais tempo.

     Passaram o almoço a atirar farpas de amor e carinho ou falta deste em sua casas por esta ou outra razão.

    Estavam ambos predispostos a uma facadinhas nos seus matrimónios que poderia ser sem quaisquer obstáculos pois ambos os filhos se namoravam e iriam ser visitas permanentes em casa de cada um.

    Já passava das duas horas da tarde quando o Pereira recebeu uma chamada da sua secretária avisando-o que já tinha no seu consultório a cliente das três.

    Foi a forma de terminar com aquela cantata mútua não sem combinares um outro encontro numa noite em que o Piteira fosse fazer uma viagem de negócios.

    Iriam jantar ao Restaurante Terraço do Hotel Tivoli onde no seu último andar poderiam degustar apetitosos pratos da cozinha tradicional e apreciar uma vista deslumbrante sobre Lisboa à noite e em total privacidade.

    Depois do jantar e com um bocadinho de sorte ainda podem ir até ao Sky Bar que é um bar descontraído e confortável e continuando a deslumbrarem-se com a Paisagem sobre Lisboa e dar um pezinho de dança preparando-se para ocupar uma das confortáveis suites.

 

    Pensando naquela oferta, os neurónios da Ermelinda já fervilhavam de prazer. – Ela queria lá saber da degustação das iguarias e na vista sobre Lisboa que lhe iria proporcionar o jantar no Tivoli. Ela só pensava era ir degustar aquele homem, macho e garboso. Relembrando-se dos negas que o marido lhe andava a fazer ultimamente, era mesmo ali que lhe apetecia atirar-se a ele –

    Naquele dia a Ermelinda até parecia que não era só a sua mente que voltava uma dúzia de anos para traz, mas também o seu corpo.

 

    Depois das promessas feitas despediram-se! O Dr. foi para o trabalho e Ermelinda apanhou um táxi para casa.

 

»»»»»» (Siga para III Parte)

 

        Nelson Camacho D’Magoito

      “Contos ao sabor da imaginação”

               © Nelson Camacho
2013 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 02:55
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