Quinta-feira, 12 de Setembro de 2013

Vidas Cruzadas - VI Parte

Pensamentos

Quem disse que as coisas só acontecem aos outros?

(ver V Parte)

 

     Algo estava a acontecer com o Pedro. Não se sentia bem em parte alguma. Tudo tinha acontecido no seu seio familiar. Situações que jamais lhe tinha passado pela cabeça. O pai com uma amante, a mãe certamente também e aquele rapaz que não lhe saia da cabeça.

     No emprego já não se sentia bem nem com a namorada. Os conselhos do Nelson caiam-lhe fortes no seu ego. Aquela semana estava a ser um desastre.

     Já tinham passado oito dias depois daquela cena em casa do Rui a quando da passagem do filme “O Segredo de Brokeback Mountain”

     Ao terceiro dia depois de recomposto do que tinha acontecido e porque achou que devia-lhe uma explicação da sua saída abruta, começou a telefonar-lhe mas sem resultado, o telefone estava sempre desligado até que ao oitavo dia resolveu ligar para o Nelson que também tinha o telefone desligado. Achando estranho pensou “Teria o Rui contado ao Nelson o que se tinha passado? Onde andariam? Seria que estava envergonhado? E não queria atender o telefone? Seria que se tinham pirado para fora?”

     Como era sexta-feira resolveu ligar para a Helena a perguntar pelo filho.

     Afinal de contas não tinha acontecido nada de grave para acabarem com aquela amizade. Se ele era gay o problema era dele! Resolveu telefonar.

 

        - Olá!

        - Olá Pedro!

        - Isso é que é! Reconheceu-me logo pela voz!

        - É verdade! Tens uma voz muito idêntica à do teu pai!

        - Desculpe este meu telefonema, mas ando preocupado com o Rui. Já lá vai uma semana que não o vejo e não atende os meus telefonemas. Por onde anda ele?

        - Tem andado muito atarefado com uns trabalhos com o Nelson. Não sei bem quais mas até tem ficado lá em casa. Hoje está deitado um pouco engripado. Diz que esta noite apanhou um pouco de frio. Chegou a casa de madrugada e meteu-se na cama. Quando sai de casa para o trabalho ficou ainda deitado.

        - Então não é nada de cuidado!

        - Não! Aquilo com uns comprimidos e leite quente com mel passa-lhe. Vocês estão zangados?

        - Não! Só não tem calhado encontrarmo-nos ultimamente.

        - Espero que seja só isso! Gosto muito de você e gostava que se tornassem amigos como irmãos.

        - Esteja descansada que não é nada de grave e obrigado.

 

     Depois daquela elucidação da mãe do Rui. Afinal até achou graça, ela ter dito que tinha uma voz parecida com a do pai, ficou mais descansado.

     Afinal ele não estava zangado. Só andava a curtir com o Nelson. Resolveu ir ao escritório pelo menos para dar uma satisfação de nessa semana ainda não ter aparecido. Quando chegou, a primeira pessoa a fazer uma observação foi a namorada pela sua falta ao emprego naquela semana ao qual desculpou-se ter estado um pouco engripado e aproveitou para fazer alguns trabalhos através da internet.

     O dia passou como qualquer outro não sem lhe sair da cabeça a preocupação com o amigo Rui. Estaria ele mesmo zangado? Até para almoçar não saiu com a namorada como era habitual. Mandou vir do refeitório uma sanduíche e uma salada e fez ali mesmo a refeição.

     Isabel notou ao longo do dia que ele não andava bem e já ao fim da tarde quando todos se foram embora foi até ao gabinete do Pedro perguntar-lhe o que se passava.

 

uma queca hetro

     Na altura em que ela entrou estava tentando mais uma vez telefonar ao Rui. Já não era preocupações mas mais qualquer coisa que ainda não sabia o que era. Um sentimento que nunca tinha tido. Tal estava imbuído nos seus pensamentos que quando a Isabel entrou a memória atraiçoou e em vês de ver a figura da Isabel viu a figura do Rui de chorts como há oito dias. Com o cérebro enevoado agarrou-se a Isabel beijando-a sofregamente e pegando-a pela cintura elevou-a colocando-a na secretária, levantou-lhe a saia e num hapci arrancou-lhe as cuecas ao mesmo tempo que ela, incrédula mas satisfeita com o que estava a acontecer tirou-lhe o sinto abriu-lhe a braguilha e aquele pau gostoso e hirto penetrou na sua vagina. Foi uma rapidinha e em posição menos ortodoxa mas gostosa para ambos mas sem nunca sair da mente do Pedro a figura do Rui.

     Depois de estarem calmos, Isabel beijo-o mas Pedro afastou-a e pediu desculpa.

     Quando saíram do escritório o Pedro ainda levou Isabel a casa e pelo caminho ainda foram ao Colombo para comerem qualquer coisa. Quando no primeiro andar passaram pela zona dos cinemas quem viram de costas? O Dr Mário Pereira com a Ermelinda. Estava mais que provado que andavam os dois.

     Isabel não viu, ou não ligou por já saber! Continuaram. Tomaram uma refeição rápida e cada um ficou em sua casa. Tinham combinado irem ao cinema mas já não foram.

A reconciliação

 

     Diz-se que dois amigos quando verdadeiros não podem estar afastados muito tempo independentemente de algumas quezílias que tenha havido entre ambos. Não era o caso. Afinal de contas o Rui até era um tipo porreiro e certamente iria viver um dia com ele, pois era filho da amante de meu pai que pelo andar da carruagem iria deixar a casa e viver com ela. E porque a mãe também tinha posto os cornos ao pai, como homem ficaria mais confortável com o pai, já que o amante da mãe era o futuro sogro.

     Todo este imbróglio não iria ficar bem até porque sentia sem explicação plausível a falta do Rui que há duas semanas não o via.

     Quando teve sexo com a namorada no escritório não se senti totalmente realizado pois mais uma vez inexplicavelmente quando o fez, estava a pensar no Rui.

     Não andava bem. Em casa as coisas também não corriam da melhor forma.

     A mãe encontrava-se às escondidas com o Pereira, o pai já raramente ficava em casa (com a desculpa esfarrapada que tinha de se ausentar para fora em serviço) Eu com a minha namorada também já poucas vezes saia. A nossa relação uma ou duas vezes ia-mos ao cinema de contrario resumia-se à nossa relação entre colegas lá no escritório.

     Um dia em casa ao jantar meu pai a quando na sala tomando o café e sem minha mãe ao pé convidou-me para um jantar em casa da Helena a fim de conversarmos sobre as suas relações.

     Fiquei satisfeito pois certamente todo aquele imbróglio de relações iria ser esclarecido. Ainda mais! Iria ver o Rui.

 

     No dia aprazado meu pai foi-me buscar ao escritório e lá partimos para casa da Helena.

 

     Quando chegamos, meu pai nem tocou à campainha, pois já tinha as chaves.

     Entramos e vi o que não via em casa há muito tempo. Meu pai beijar a Helena com muito carinho.

     Na sala estava o Rui que me cumprimentou com um abraço sussurrando-me ao ouvido:

 

        - Há quanto tempo!..

        - Mas és tu que não tens atendido o telefone? Tens andado com o Nelson?

        - Não! O Nelson já partiu para outro. Diz que não pode competir contigo.

        - Comigo?

        - Sim!.. Eu contei-lhe das minhas tentativas e que estava apaixonado por ti.

        - Por mim!

        - Não me digas que também não tens sentido a minha falta.

 

     Naquele momento Pedro estremeceu pois o que ele estava a perguntar, era a mais crua das realidades.

 

     Entretanto Helena cortando aqueles pensamentos que entretanto entrava na sala perguntou:

        - Então!.. Já fizeram as pazes?

        - Mas eu não estava zangado!..  Só se for o seu filho!

        - Quem? O Rui? Coitado! Ultimamente nem tem saído à noite. Tem passado o tempo todo no quarto a ver filmes.

 

        - Bem! Como está tudo bem o melhor é irmos jantar! – Disse o Piteira com se já fosse dono da casa ao mesmo tempo que preparava uns copos com Vinho do Porto como aperitivo.

 

     Cada um com seu copo dirigiram-se para a sala de jantar e começaram, dando o “graças a Deus”. Coisa que Pedro nunca tinha visto em casa entre. Logo ali confirmei que algo tinha mudado e iria mudar ainda mais.

 

     O jantar correu normalmente não fora a declaração do Piteira da sua intenção de abandonar a casa e passar a viver com a Helena e como seria óbvio com o Rui. Mais ainda, iria dar uma cota de 10% da empresa a Helena e iria empregar o Rui, na mesma. Quanto a Pedro? Seria de sua escolha onde e com quem queria ficar. Inclusive se queria deixar o emprego actual e também ir trabalhar com ele.

     Como ainda naquela noite iria passar o fim-de-semana ao Algarve com a Helena, dava até segunda-feira para dar uma resposta.

 

     Parte naquelas notícias não eram novidades excepto a história do Piteira dar sociedade a Helena e empregar o Rui na sua empresa.

    O estratagema estava montado. A sua empresa passava depois de entregar a parte respectiva a Ermelinda por força do divórcio, criaria uma nova familiar com a Helena o Rui e Pedro e até já tinha um nome Piteira & Companhia Lda.

 

      “Quanto ao convidar-me também para trabalhar com ele! Queria dizer que me queria afastar da Isabel e de toda a sua família a fim de criarmos uma nova família. Efectivamente ele estava dando-me a oportunidade de continuar a viver com ele em novos moldes familiares. E só tinha o fim-de-semana para decidir.”

 

     Estava ainda da sala tomando o café e remoendo toda aquela informação enquanto o Rui que estava calado que nem rato também tomava o seu, quando apareceu a Helena:

 

        - Então meninos estão bem?

        - Nós já estamos de abalada e queremos chegar ao Algarve esta noite. Já avisamos o Hotel que vamos chegar tarde.

 

     Piteira veio lá de dentro com as malas e dando um beijo a Pedro:

        -Tens o fim-de-semana para resolveres o que queres fazer da tua vida.

     Depois dirigiu-se ao Rui e deu também um beijo dizendo-lhe de forma a todos ouvirem

        - Toma conta dele!

Helena deu um beijo ao filho, olhou para o Pedro e também beijando-o

        - Portem-se bem, que nós vamos fazer o mesmo.

 

     Saíram porta fora.

(A seguir VII Parte)

 

             Nelson Camacho D’Magoito

          “Contos ao sabor da imaginação”

                  © Nelson Camacho
  2013 (ao abrigo do código do direito de autor)

 

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 21:31
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