Quarta-feira, 6 de Novembro de 2013

Não há necessidade

O canto do nelson - nelson camacho

     Hoje abri a gaveta onde guardo criticas que nunca publiquei mas não sei bem porquê deu-me na mona publica-lo. É uma crítica de opinião datada de Janeiro de 2013 mas actual e se o faço é porque o Senhor em questão continua a fazer gala da sua homossexualidade até já explicou que aos 19 anos informou sua mãe do facto.

 

     Declaradamente Manuel Luís Goucha assumiu-se como homossexual.

 

     O que é que eu, você ou o mundo tem a ver com isso?

 

     O que é que o telespectador, ouvinte da rádio ou cliente do seu restaurante “Em Banho Manel” tem a ver com isso?

 

     Alguém por acaso anda interessado em saber o que é que cada um faz na cama?

 

     Cá para mim sós os mal formados, invejosos ou com complexos sexuais.

 

     Ser-se homossexual não é doença mas sim uma opção à forma de utilizar a sua sexualidade. Há os que entram, os que ficam à porta e os que fazem as duas coisas. Há ainda os que o sendo, se escondem na penumbra de uma qualquer sauna gay ou num quarto escuro de uma pensão rasca por onde se movimentam semanalmente nos fins de tarde enquanto suas mulheres fazem mais umas horas no trabalho ou se deslocam a casa de seus pais para ir buscar os filhos.

 

     Se todos estes que se escondem de uma ou de outra forma viessem para a praça pública assumir-se como bissexuais ou homossexuais traria alguma coisa de bom ao mundo?

 

    Teríamos mais emprego? As nossas reformas seriam mais aceitáveis? Não haveria gente a morar em barracas? Haveria menos miséria no mundo? Os nossos governantes seriam menos mentirosos? Haveria mais cura para as doenças que matam? Haveria menos pedófilos? Haveria menos guerras? Haveria menos sem abrigo? A formação intelectual do ser humano que devia começar na escola seria mais bem preparada pelos vários ministérios da cultura e educação? Estariam os nossos governantes mais predestinados à defesa de quem os põe no governo na altura das eleições em vez de se aproveitarem dos cargos para seu bem próprio passando todo o tempo a olhar para o seu próprio umbigo?

 

     Já disse e volto a publicitar as palavras de Ernest Gaines “Porque é que, culturalmente, nós nos sentimos mais confortáveis vendo dois homens segurando armas do que dando as mãos?”

 

     Também Charles Pierce disse: “Eu preferiria ser negro a ser gay, porque quando você é negro, não precisa contar a sua mãe”

 

     Tudo isto vem a propósito

 

Manuel Luís Goucha assumiu-se – e agora?

 

     Goucha apareceu na revista Lux ao lado do companheiro, mas Bruno Horta descobriu que isso não tem o peso que parece.

 

     E sem que ninguém esperasse, aconteceu: Manuel Luís Goucha assumiu-se como homossexual. Foi à uns meses, numa entrevista publicada na revista Lux, com direito a primeira página. As palavras “namorado” ou “casal” nunca são usadas. Está tudo subentendido. À pergunta “alguma vez ponderou casar-se”, Goucha responde: “Claro que não! Gosto muito de ser solteiro com o Rui, tenho uma relação de grande amizade e cumplicidade”. E depois explica que tanto ele como o companheiro vai fazer testamentos para herdarem os bens um do outro. Nas fotos, incluindo a que fez capa, o apresentador da TVI aparece ao lado de Rui Oliveira, companheiro e sócio em negócios de restauração.

 

     Não foi a primeira vez que uma figura pública assumiu a sua homossexualidade através da imprensa. Mas foi seguramente a primeira vez em Portugal que uma revista daquele género apresentou um casal gay com a mesma naturalidade com que apresenta um novo namorado de uma qualquer mulher famosa – confirmou à Time Out a directora da Lux, Felipa Garnel.

 

     Será que a partir de agora a imprensa cor-de-rosa portuguesa vai passar a estar mais atenta ao tema? E será que a assunção de Goucha abre a porta a que outras figuras públicas façam o mesmo? Tudo indica que não. E não é por causa do respeitável princípio da protecção da intimidade. É por ser um tabu.

 

     “O público que consome a imprensa do social é muito conservador e, em princípio, não aceita bem a homossexualidade”, observa Vanessa Amaro, ex-jornalista da Nova Gente e redactora do site Sapo Fama. “Logo, os jornalistas e as direcções das revistas autocensuram-se e não falam sobre isso”. A homossexualidade e o consumo de drogas são, aliás, os dois maiores tabus das revistas sociais, diz Vanessa Amaro. Para ela, a entrevista de Goucha foi uma excepção. “Há muitos mais famosos que são gays e aos quais ninguém pergunta, nem passará a perguntar, com quem vão de férias ou se pensam ter filhos”.

 

     O apresentador da TVI diz à Time Out que a entrevista à Lux foi “uma maneira civilizada e elegante de tratar o assunto” e sublinha que “todas as palavras foram bem medidas”. Goucha, não quer voltar a falar do assunto, mas entende que “todos os temas podem não ser fracturantes se forem tratados com categoria” e que “as pessoas da televisão e do espectáculo têm obrigação de ser cultas e de estar acima do preconceitos e falsos pudores”. Felipa Garnel concorda e acha que a Lux “abriu um procedente”. Mas não consegue prever se as outras revistas cor-de-rosa vão acusar o toque. “Estamos abertos a todo o género de casais que queiram falar de sentimentos e acho que só quem está muito desatento ao mundo em que vive é que pode ter uma atitude contrária”, diz Garnel.

 

     A prática ensina que em Portugal a profissão exercida está directamente relacionada com a assunção da homossexualidade. Quanto mais independente a situação no trabalho e mais liberal o ambiente que nele se vive, maior a facilidade com que se assume. Não é por acaso que são os artistas e os intelectuais os primeiros a sair do armário. Muito de vez em quando, aparecem pessoas como Goucha ou a apresentadora de televisão Solange F. Mas ambos ligados à representação, sublinhe-se – ela estudou teatro, ele já foi actor.

 

     Como actualmente ser gay tornou-se moda e vir para a praça pública também. Quem virá a seguir? Aceitam-se apostas.

     Não sou homofóbico nem tenho nada a ver com o que cada um faz no conforto do seu lar.

 

     Casarem-se e adoptarem crianças estou totalmente de acordo mas fazerem disso publicidade estou como diz o Herman José num dos seus bonecos “Não há nexixidade!”

 

     Desculpem qualquer coisinha mas é a minha opinião.

 

 

       Nelson Camacho D’Magoito

             “Direito à Opinião”

             © Nelson Camacho
2013 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 03:02
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