Quinta-feira, 28 de Novembro de 2013

O vizinho do 1º andar – II Parte

Uma janela da nossa cidade

II Capítulo

(ver I Parte)

 

     Depois daquele jantar em casa dos Almeidas os laços de amizade ficaram mais apertados como bons vizinhos. Ficaram a saber de tudo ou quase tudo uns dos outros e como não podia deixar de ser de alguns vizinhos inclusive a que horas faziam limpezas nas suas casas.

 

Tês meses depois

 

     Já tinha passado três meses desde a mudança dos Almeidas para o Bairro Alto onde encontraram gente simpática e afectuosa. O ambiente era do melhor e raras vezes saiam do bairro. Ali há de tudo. Mercearias peixarias, talhos lojas de roupa, restaurantes, bares e cafés, casas de fado e até um clube desportivo. Não há supermercado mas também não fazem falta pois todos se governam do comércio local.

 

     Toda aquela gente naquele espaço de tempo as suas vidinhas continuaram normais sem qualquer nota especial.

     Os Almeidas era trabalho casa, casa trabalho. O Carlos continuava à procura de trabalho e algumas noites lá ia tomando uns copos no bar onde o João trabalhava.

 

     Talvez?... Por solidariedade para com o vizinho, o João por vezes convidava-o para o acompanhar nas idas ao cinema com a namorada. O convívio entre os três foi-se aproximando cada vez mais até que chegou o dia em que houve uma avaria nos computadores do escritório do pai da Josefa e pediram ao Carlos para lá ir ver qual a situação. O trabalho foi feito a contento de tal forma que o rapaz acabou por ser convidado para trabalhar a tempo inteiro para aquela empresa seria uma mais-valia pois admitiam um contabilista que percebia de computadores. É os chamados dois em um e com a crise de trabalho a que o Carlos estava inserido pois ainda não tinha encontrado um trabalho da sua área, sempre era melhor aquele dois em um que nada. È como diz o chinês 5% de muito é muito mas 100% de pouco é nada.

 

     Estava tudo a correr bem. Todos tinham trabalho e companheiros até chegarem as férias da Páscoa.

     Os Almeidas tiverem oito dias de férias. O João também tirou uns dias de férias e o escritório do Sr. Albuquerque também aproveitou para uns dias de descanso e depois de tudo bem combinado, foram passar esses dias à casa de província do Sr. Albuquerque, que ainda não foi aqui apresentado mas era o pai da Josefa namorada do João e dono do escritório de contabilidade.

 

III CAPÍTULO

As Férias no Norte

 

Uma casa rustica em pedra para férias

     A casa do Sr. Albuquerque era uma casa rústica e ampla em pedra na zona norte do país.

     No r/c havia salões, zona de refeições e acesso à piscina e churrasqueira assim como uma copa, wc para convidados e respectiva cozinha.

     No 1.º andar haviam três suites que eram destinadas aos donos da casa e mais dois quartos destinados a convidados.

     Assim que chegaram a Josefa fez as honras da casa mostrando toda a habitação e o Sr. Albuquerque como pai divorciado fez a distribuição dos quartos.

 

     Os avós e o casal Almeidas tinham à sua espera cada um o seu quarto. Quanto ao Carlos como era rapaz e não havia outro quarto disponível ficaria na suite do João.

 

     Poderíeis dizer que aquilo não seria propriamente dito uma simples casa de campo mas um palacete.

 

     Depois de os quartos serem distribuídos e as malas arrumadas. A avó Susana logo se pendurou na namorada do neto e fez questão de a ir ajudar na preparação do jantar com condimentos que previamente tinha levado em combinação com D. Helena

 

     Embora o S. Albuquerque tenha um caseiro que com o filho lhe tratam da casa na sua ausência e a mulher deste quando os proprietários estão já uma ajuda à Josefa na cozinha e outros afazeres caseiros, não era hora para lhes ir bater à porta.

 

     Assim as mulheres daquele clã entre fazerem as camas e o jantar daquele dia tudo fizeram como se estivessem em suas casas.

 

     Os homens juntaram-se no salão de jogos onde havia uma garrafeira, conversando em coisas banais misturadas com uns copos lá da lavra.

 

     O Francisco Almeida, curioso ou talvez não como quem não quer a coisa perguntou ao Albuquerque pela sua mulher.

 

        - Sou divorciado. Fiquei com a minha filha e com a empresa.

        - Ora assim é que você está bem! Pois eu tenho saudades do meu tempo de solteiro. Não é que não goste da vida que tenho mas por vezes fico sufocado com a falta de umas saídas à noite. Vou saindo com o meu filho mas às vezes gostava de sair sozinho. Quando o faço, é sempre uma pequena guerra em casa.

         - Você mesmo assim tem sorte em ter o seu filho para o acompanhar mas eu aos locais que frequento não dá para levar a minha filha.

         - Lá na terra também tenho uns locais onde não levo o meu filho, mas agora em Lisboa quero ver se descubro outros.

 

     A jogar aos matraquilhos estavam o Carlos e o João que reparando naquela conversa entre os cotas que parecia muito animada comentaram que os cotas se estavam a dar bem.

     O avô Mário homem da velha guarda que nunca ajuda em nada nem se mete em conversas de diz que disse, recostou-se num sofá lendo o jornal que tinha levado e dando uma olhada para a televisão.

      Entretanto chegou da cozinha a Josefa informando que o jantar estava pronto e na mesa só faltavam os vinhos.

      Os Cotas como estavam junto à garrafeira, prontificaram-se a escolher os vinhos para a refeição e leva-los para a mesa.

      Os rapazes acabaram a jogatana e foram todos de debandada 

 

         - Já não era sem tempo! Estou cheio de fome! A esta hora já tinha jantado. – respondeu o velhote resmungando um pouco.

 

     Todos se riram.

 

     A refeição foi feita com muitos agradecimentos às cozinheiras pois estava uma delícia e no final até ouve beijinhos à avó Susana.

 

         - Pois! Respondeu a avó. Agora quero ver é quem se prontifica a lavar a loiça! Eu e a Helena já fizemos a nossa obrigação. A Josefa vai namorar. Assim só faltam os homens para fazerem alguma coisa.

 

         - Ó mulher! (Respondeu o avô) mas tu julgas que está na Casa dos Segredos da TVI?

 

     Gargalhada geral.

 

         - Para lavar a loiça posso fazer eu! É só meter na máquina e para arrumar estou cá eu e o Francisco como mais velhos. Respondeu o Albuquerque.

 

         - Ainda bem que todos têm que fazer. Só falta a Josefa que tem a mania que me ganha sempre ao bilhar, vamos ver se também é melhor que o Carlos e vamos fazer uma partida o três disse o João.

 

      Afinal com tudo isto já a noite ia lá no alto. Estavam um pouco cansados da viagem. A refeição tinha sido a gosto de todos. Já não se ouviam os passarinhos mas as badalados da meia-noite dadas pelo relógio do salão lá os ia alertando que o melhor era caminha. Assim, pouco e pouco cada um foi-se recolhendo a seus quartos.

 

O acordar ao som dos passarinhos

 

     Naquela manhã todo o mundo acordou tarde com excepção dos cótas lá de casa.

     A primeira a levantar-se foi D. Helena que quando se dirigiu à churrasqueira já lá estava o marido e o dono da casa, preparando o lume e o pequeno-almoço.

 

         - Isto é que é de homens! Já a trabalhar! Nem dei por te levantares.

         - Pois! Também dormiste que nem uma santa. Levantei-me durante a noite para beber um copo de água e também nem deste por isso.

         - O filho… Estes ares é o que fazem. Tu também quando te deitaste não me ligaste alguma, portanto foi uma noite santa.

 

         - Ó vizinha estes ares é o que dão. – Retorquiu o Albuquerque.

 

     Entretanto entrava Josefa de biquíni pronta para um salto na piscina e ouvindo a última parte da conversa comentou:

 

         - Pois é o meu pai quando vem à terra e tem amigos faz sempre questão de preparar o pequeno-almoço e levanta-se sempre cedo. A propósito!.. Os rapazes ainda não se levantaram?

         - Ao que parece a cama deve estar quentinha. Disse o Francisco.

         - Eles são novos precisam de descansar. – Comentou o Albuquerque.

 

     Josefa interrompeu a conversa:

 

         - Eu vou lá acorda-los, e ver se querem dar uns mergulhos. Já são onze horas e de aqui a pouco é hora de almoçar.

 

      Um pouco atrapalhado – não se sabe porquê, ou talvez sim – O Francisco atalhou:

 

        - O melhor é não ir!.. Sempre são rapazes e podem estar descompostos. Vou lá eu.

        - Também acho, - atalhou D. Helena.

-----------------------------------------------

     Francisco subiu as escadas e foi bater à porta do quarto onde estavam os rapazes. Ninguém respondeu. Bateu novamente e nada. Até que resolveu voltar para os seus afazeres comentando aos convivas que não tinham aberto a porta e com um ar malicioso dirigido ao Albuquerque atirou: Devem estar no descanso dos guerreiros. Este passou por ele e sem ninguém dar por isso segredou-lhe: Não me digas que tal pais tal filhos! Ambos deram sorrisos comprometedores.

 

      Josefa insistindo na ideia de pelo menos com o namorado dar uns mergulhos subiu escada a cima e em vês de bater na porta, abriu-a escancaradamente.

boys dormindo de conchinha

 

     Alguém mais, naquele espaço de horas se tivesse um buraco mesmo ali cairia dentro dele desamparadamente. O seu namorado estava dormindo de conchinha com o Carlos todos descascados em tremendo Love como nunca tinha acontecido com ela.

     Dez alvorou porta fora. Ia tão incomodada com o que tinha visto que nem reparou nos avós que saiam do quarto tropeçando neles e foi-se deitar num maple do salão chorando.

     Perante aquela correria que tropeçou nos velhotes, estes preocupados chegaram junto dela e questionaram a jovem com o que se tinha passado para estar naquele pranto.

         - Não é nada! É a vida que se nos depara com momentos estranhos e que nunca imaginamos nos poder acontecer.

         - Mas que foi filha? – perguntou D. Susana.

 

      Josefa continuava chorando.

 

      Os avós que o não eram mas simples vizinhos do r/c mas que tinham grande afecto por ela, até porque era a namorada de seu neto tentaram conforta-la o melhor possível não adivinhando o que se tinha passado.

 

         - Vamos filha!.. O teu pai e os vizinhos já têm o pequeno-almoço pronto. – disse o Santos.

 

     Logo atalhou a Susana:

 

         - Não ias tomar um mergulho? Já foste chamar o meu neto?

 

     Josefa ao ouvir falar no seu namorado e depois de ter visto o que viu, entrou novamente num pranto de choro.

 

     Entretanto entraram na sala o Pai com o Francisco que iam à adega.

 

     Então filha o que se passa? – Perguntou o Albuquerque.

 

         - Não é nada pai.

 

         - Já foste chamar os rapazes? – Perguntou o Francisco.

 

      Este diálogo foi interrompido por D. Helena que sem saber do que se passava vinha perguntar se não iam tomar o pequeno-almoço e ao mesmo tempo informar que tinha chegado um rapaz que dizia ser filho do caseiro.

 

         - Sim! É o Pedro… Filho do caseiro que toma conta da casa quando não estamos por cá. Até admira não ter aparecido mais cedo pois quando detecta que nós estamos aparece logo e ao que julgo gosta da minha filha mas derivados às distâncias não se têm encontrado muito e a minha filha também não gosta muito da província. Gosta mais da vida de Lisboa.

 

     Josefa logo que ouviu que o Pedro tinha chegado, logo arrebitou da sua nostalgia. Já tinha com quem desabafar, pois sendo aquele rapaz seu amigo desde sempre também tinha algum afecto por ele alem de ser seu confidente.

 

     Levantou-se e lá foi direito ao Pedro a quem deu um grande beijo e estando ele de calções perguntou-lhe se não queria fazer um mergulho.

 

     É nesta altura que entram o Carlos e o João com ar de cumplicidade.

     Dão os bons dias a toda a gente e João reparando que a namorada se banhava com grande alegria com o Carlos comentou para o Carlos:

 

         - Ali está ela com o meu concorrente. Cada vez que vimos cá é velos alegres e satisfeitos.

         - Não me digas que tens ciúmes do tipo? Quem é ele?

         - É um moço cá da terra que toma conta da casa e ao que parece tem grande afeição pela Josefa.

         - Tás com sorte que o gajo mora longe. Olha para a tua cara, estás mesmo com ar de ciumento. Afinal ela é tua namorada só ou já tiveste alguma coisa com ela?

         - Eu?... Achas?... Com tantas garinas lá no bar alguma vez me ia prender com esta?

         - Garinas e garinos!...

         - Porque dizes isso?

         - Já te esqueceste do que aconteceu esta noite?

         - E pá… Não me esqueceu. Mas não sei porque aconteceu. Foi a minha primeira vez.

         - Se foi a tua primeira vez que já tens o génese o que farei eu que não sei o que de deu para o fazer.

         - Mas afinal o que é isso de já ter o génese?

         - Não te preocupes pois certamente eu também tenho.

         - Mau!.. Está a deixar-me preocupado com essa conversa.

         - Deixa que logo falamos no assunto.

 

     A conversa ficou por ali pois a Josefa e o Carlos entretanto estavam a sair da piscina e ela com ar malicioso comentou para o João:

         - Então ainda estão cochichando? Não chegou a noite? Estou cheia de fome.

     Deu a mão ao Carlos e encaminharam-se para a churrasqueira.

(Siga para III Parte)

 

As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

 

        Nelson Camacho D’Magoito

   “Contos ao sabor da imaginação”

            © Nelson Camacho
2013 (ao abrigo do código do direito de autor)

 

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 21:39
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