Domingo, 2 de Março de 2008

Um dia como tantos outros

Um dia como tantos outros!

 

     Passámos à poucos dias por mais um fim de ano, estamos em Fevereiro de 2008. Podíamos estar em 2005, 2006 ou 2007 a treta é a mesma. Está um frio de rachar e chove lá fora. Por dentro dos vidros de minha casa as gotículas da condensação do ar são permanentes. É o bater da chuva nos vidros da janela do meu quarto que me faz sentir que estou vivo, “estarei?” sim, estarei vivo não no sentido lato da palavra mas no sentido da vida propriamente dito? Eu explico melhor:

 

São onze horas da noite ou seja, 23 horas do dia. Um dia como qualquer dos outros que já me vou habituando.

Eram oito da manhã quando acordei ainda estremunhado com o sonho que tivera durante a noite. Foi mais um sonho como tantos outros que me acontecem. Situações que gostaria de ter tido nas horas e dias normais nesta vida que nada mais é que uma pequena passagem no tempo da eterna eternidades do espaço e tempo. Sonhei que tinha encontrado o meu amor, como é costume dizer-se, a minha cara-metade. Era alguém lindo! De corpo esbelto, olhar penetrante, cabelo louro e comprido que quando atirado para a frente cobria sua tês nem branca nem escura mas sim como queimada pelo sol. Quando nos beijámos, aqueles cabelos compridos misturavam-se com os meus, entrelaçando-se num afago permanente e constante. Seu cheiro não a flores ou a qualquer essência química de perfume, mas a lavado, que misturado com aquele odor do corpo jovem atlético e fugas, nos inebria não por uma fracção de segundos que é o tempo do orgasmo quando conseguido a dois, mas o odor que nos inebria todas as sensações de revitalização. Aquele ser não só tinha todos os predicados para uma mancebia eficaz como todas as outras virtudes que são necessárias para um companheirismo de longo prazo. Não sabia o que eram drogas, leves ou fortes, não se vestia de gangas rotas como é moda na nossa juventude, não bebia exageradamente, não dizia palavrões, não se fazia ou queria fazer passar por aquilo que não era ou era. Era culto, discutia de tudo, desde a música à pintura, passando pela política mais generalizada. Era perfeito e até tinha um bom emprego. (Isto de facto, nos tempos que correm, só em sonhos).    

Para quem vive afastado de tudo e de todos, nestes dias de solidão em que a chuva bate na janela ininterruptamente e o único calor que nos rodeia é aquele ocasionado por um bom aquecimento central dentro de casa, sonhos destes transformam-nos em mais um móvel que para ali está atirado para um canto da casa, embora bom e com muito boa apresentação, continua á espera de uma mão amiga que o limpe de todo o seu pó adquirido pelo tempo que dista entre uma e outra limpeza.

  Além do calor ambiente, tenho uma escalfeta que me vai aquecendo os pés para em frente ao computador estar mais confortável e ir teclando algo que na memória me vai surgindo. Surgiu mesmo, o contar-vos todo este dia diabólico em que pelas tais oito da manhã acordei ao som da chuva batendo na janela do meu quarto e o típico frio da noite tinha feito a tal condensação da minha respiração, talvez ofegante por aquele sonho que não me saiu da memória contrariamente a outros.

Levantei-me, procurei uns chinelos, calcei-os e lá fui até ao banheiro. Foi nessa altura que senti estar mesmo frio, voltei para traz e procurei um robe que vesti para ficar mais confortável, pois durmo como se diz, “em pelota”. Não se admirem as minhas amigas e amigos desta minha mania, mas acho ser muito mais higiénico dormir sem qualquer roupa e sentir o meu corpo envolto nos lençóis, por vezes até de seda. Não, na cama não tenho frio porque esta também tem aquecimento central (são manias). 

Depois daquele duche reconfortante o desfazer da barba e toda a restante higiene, lá fui fazer uns ovos mexidos, torradas e uma taça de leite com Corn Flakes. É assim que normalmente começo o dia, segundo dizem os entendidos a primeira refeição deve ser a de maiores vitaminas, as outras serão conforme o que se fizer durante o dia. Depois de colocar a loiça usada no dia anterior e ao pequeno-almoço na máquina de lavar, pois não tenho muito jeito para lavar à mão (à mão gosto de outras coisas), voltei ao quarto para me vestir e sair.

Sair para onde? Aí estava o problema. Só de olhar para a “sopa” que ia lá fora a vontade de sair ficou-se pela vontade. Olhei para a máquina de ginástica, una passadeira eléctrica que tenho no quarto e ai vai ele fazer um quilómetros que no fim é o mesmo que andar a correr na rua armado em parvo e recebendo os cheiros que demandam no ambiente.

Ao fim de meia hora estava pronto para voltar ao duche e então já com outra forma de encarar o dia, lá me fui vestir. A chuva entretanto já tinha passado e como o carro estava na garagem não necessitei de enfrentar o temporal.

Como sou um pouco comodista, e por causa do tempo que fazia, fui até à praia, mas não sai do carro. Como já eram duas horas da tarde, resolvo ir ao cinema, daqueles que estão nos Centros Comerciais e têm garagem. Não gosto muito deste tipo de comércio, ao fim de meia hora já me sinto com claustrofobia, gosto mais do comércio tradicional é mais desafogado, encontram-se coisas mais baratas a atenção dos empregados é muito melhor e até faz melhor à vista por tudo o que se encontra pelo caminho, mas nestes dias os Centros, até dão jeito, “saímos de uma casa e entramos noutra sem necessidade de apanhar-mos chuva”.

E assim fui ver um filme que por sinal era uma estopada e se querem que lhes diga o nome, já me esqueci.

Como o filme não me despertou qualquer interesse, não encontrava qualquer conhecido, o tal sonho não me saia da cabeça, resolvi ir lanchar à havanesa, local onde já não ia à muito, mas como diz o Malato: ”Já fui muito feliz”.

Fizeram-me uma festa, pois era cliente assíduo daquele local “Vip” mas há muito que por lá não passava. Troquei algumas impressões com o gerente, pessoa amável conhecedora e reconhecida dos seus clientes (contrariamente ao que se passa nos centros Comerciais), depois passou-me o serviço a um outro e novo empregado, também muito delicado e simpático. (levou uma boa gorjeta com a promessa de lá voltar o mais breve possível).

Na rua, já não chovia, o tempo estava a passar-se a uma velocidade tal que os pensamentos de raiva pela vida em que a própria me tinha largado já se misturavam com o sonho que tinha tido na noite anterior. Aproximava-se a hora de jantar a indecisão estava patente nos meus movimentos e pensamentos, não sabendo já se continuaria a pé pela avenida procurando em cada olhar o tal olhar do sonho se voltaria para o carro e ai sim, como dono e senhor de algo que ao olhar de alguns cria uma certa inveja e ao mesmo tempo é pólo de atracão de outros.

Naquele momento não estava virado para nada de especial, embora o tal sonho não deixava de me atormentar, achei que não era dia do “caçador”, e fiz-me à estrada.

 Como a distância de Lisboa a cidade onde fui criado e adorava mas já não a conheço por todas as tropelias que esta sociedade tem feito dela, são de alguns quilómetros até à minha casa à beira mal plantada, resolvi voltar para esta.

A IC 19 é um martírio para qualquer cidadão ao qual obrigaram a sair da Lisboa do antigamente que infelizmente já não tem condições para se viver. Já me tinha esquecido como é doloroso o seu percurso nas chamadas hora de ponta mas lá fui calmamente até ao Magoito, local embora não seja paradisíaco mas é pelo menos sossegado.

A minha casa tem um quintal de onde vejo o mar, e o Sol é bastante acolhedor mesmo no Inverno, as plantas que ali foram plantadas, o churrasco, o bar, as mesas as cadeiras e as espreguiçadeiras, dão um certo ar campestre-praiano que muita gente gostava de ter e onde gosto de receber os meus amigos, (embora já sejam poucos são amigos verdadeiros).

Cheguei a casa, arrumei o carro na garagem, subi, coloquei um CD de música de Beethoven, e fui tomar um duche para limpar as más energias. Assim limpo, e como minha mãe me deitou ao mundo fui deitar-me, enrosquei-me na quentura dos lençóis, tapei a cabeça com estes e procurei voltar ao sonho da noite anterior, à espera de um milagre!

 

Nelson Camacho D’Magoito

           “O Caçador”

Estou com uma pica dos diabos: com frio de amar
música que estou a ouvir: Beethoven
publicado por nelson camacho às 21:30
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1 comentário:
De Anónimo a 5 de Março de 2008 às 14:22
PAIXÃO, GOSTEI MUITO DO TEU NOVO BLOG, UM BEIJO

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