Domingo, 4 de Maio de 2008

Mãe! Queria dar-te flores

          Hoje é o teu dia, Mãe

.

    Queria voltar a cantar-te “Estrela da Minha Vida” e dar-te flores.

     Não posso, estás longe! Longe fisicamente mas sempre no meu coração.

     Há uns anos que te não vejo, restam-me as fotografias espalhadas pela minha casa e a saudade do teu carinho, afago e compreensão. Foste a única tábua de salvação que tive até hoje

      Quando partiste e talvez porque quando o fizeste estavas em meus braços, levaste todo o amor que havia em mim, senti no teu hálito o sabor da morte e é esse hálito que espero voltar a sentir para me juntar a ti.

     Diz-se que enquanto há vida há esperança, mas esperança de quê, Todos se foram embora e os que não estão ainda junto a ti, estão longe fisicamente. Espera-me a barca para me levar para a outra margem.

     Queria voltar a dar-te flores e em troca ouvir os teus conselhos.

 

     Hoje é dia da Mãe!

 

     Que saudades tenho de ti. Não é só nos dias menos bons ou alegres que me vens à memória, tu estás sempre presente na minha vida

 

Foste a mulher da minha vida.

 

 Aquela que me compreendeu, que me acarinhou, que me deu conselhos, que para que o meu prato estivesse sempre cheio, o teu, nem sempre o estava. Foste a mulher que passaste noites em claro com um petisco sempre pronto à minha espera.

 

     “Havia um sofá na sala onde ias durante as noites de espera, costurando um boneco, uma saia ou uma blusa e se eu chegava a altas noites com uma companhia, só perguntava se tínhamos fome, dizias que o petisco estava na cozinha e desaparecias de cena depois de dares as boas noites.”

     Foste a única mulher a sério da minha vida. Também estou bem comigo, pois quando te troquei por outra, nunca te deixei na realidade. A outra já se foi, porque nunca conseguiu ser Mulher e Amante. Também tem sido uma boa Mãe para o nosso filho, mas só isso e nada mais.

 

     Hoje é dia da Mãe! Mas só tu, foste Mãe, mulher e amante.

 

     Mãe, porque abandonas-te a tua condição de mulher, para dedicares a mim e só a mim, todo o teu amor.

     Mulher, porque me trataste, da roupa, da comida, do meu bem-estar, das minhas e dos meus amigos, como se mãe delas e deles fosses.

     Amante, porque estiveste sempre ao meu lado, nos bons a maus momentos, nas alturas da riqueza e de pobreza. Me acompanhaste sempre em tudo e em todas as ocasiões.

 

Pregaste-me uma partida!... partiste para os Céu nos meus braços, e não me deste tempo para te pedir perdão.

 

Foste uma “Mãe Coragem”. Concebeste-me num acto de amor, amor que se prolongou durante toda a tua vida mesmo depois de esse, nos ter deixado tinha eu dois anos.

     Durante nove meses trouxeste-me dentro de ti, fazendo parte integrante do teu ser, zelando sempre cuidadosamente para que viesse ao mundo perfeito. Para te reconhecer sempre, lá ias afagando-me e cantando umas cantigas.  

     Durante toda a tua vida, falámos sobre a possibilidade de voltarmos a estar juntos para sempre, não foi possível, embora tenha tido a felicidade de algumas vezes nos termos encontrado. Criaste-me com todo o amor e dificuldades que uma mãe sozinha tem, mas fizeste de mim um homem.

Obrigado!

 

     Mãe não é uma mulher qualquer.

     Ser Mãe não é quem quer ou quem pode.

     Ser Mãe é dos actos mais nobres de todos os seres.

     Parir não é dor, é amor! E amar eternamente!

 

     Mãe!...  Foste tu!...  Obrigado!

     Queria voltar a dar-te flores.

 

     Nelson Camacho D’Magoito

 

 

Para as verdadeiras Mães da nossa terra, um Poema de Eugénio de Andrade

 

Poema à mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...


Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."


Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Boa noite. Eu vou com as aves!

 

 

Nelson Camacho D’Magoito

 

Estou com uma pica dos diabos:
música que estou a ouvir: Estrela da minha vida
publicado por nelson camacho às 00:01
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