Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2016

Não tenhais medo

     Já lá vai o tempo em que meninas e rapazes inseridos em sociedades um pouco mais abastadas frequentavam os salões de baile em Sociedades de Recreio tais como por exemplo a “Casa Entre Douro e Minho”, “Casa do Algarve” ou “Casa do Alentejo”. Era nestas sociedades que as meninas acompanhadas por suas mães desabrochavam para a vida conhecendo – sempre com a pré autorização e muito atentas das mães lá davam o seu consentimento para a dança pedida por um rapaz.

     Num dos bailes houve um concurso de vestidos de chita – tecido em voga na altura – em que cada menina se apresentava com o seu próprio modelo e feito por si própria.

     A nossa Isabel, costureira de profissão um dia apresentou-se a concurso num desses bailes e ganhou.

     No júri estava o França, fotógrafo de profissão e naquela noite nunca mais deixou a Isabel com a devida autorização de D. Estrudes, mãe da dita, dançaram toda a noite.

     Quando chegava a altura de “damas ao buffet” – A orquestra parava a era anunciado “damas ao buffet”, ou seja, o cavalheiro tinha de levar a dama com quem dançava e a respectiva mãe ao bar onde eram servidos alguns petiscos, gasosas, laranjadas, e copos de vinho (para os homens).

     Naquela noite o França por duas vezes teve de cumprir as regras o que ocasionou D. Estrudes conhecer melhor o França ao ponto de o autorizar no fim da noite de as levar a casa no seu carro.

     No dia seguinte e porque era Domingo, tocaram à porta e logo apareceu a criada – naquele tempo chamava-se criada (actualmente chamam-se empregadas domésticas) – a anunciar que estava um tal Sr. França à porta e que queria falar com as senhoras.

     Estrudes foi confirmar quem era e qual o seu espanto!.. Era o França de máquina fotográfica à Tiracol pedindo desculpa pelo atrevimento mas como era Domingo e estava um belo dia para as fotografias vinha-as convidar para um passeio a Sintra.

     Estrudes deixou o rapaz especado à porta e foi contar o que se passava a sua filha. Esta que na noite anterior tinha sentido algo de especial pelo rapaz concordou desde que levassem também a criada, não fosse o diabo tesselas.

     Sempre com o olhar atento de D. Estrudes e da criada lá foram dar o tal passeio.

     França já tinha tudo programado e no porta-bagagem já levava um cesto com algumas iguarias e bebidas assim como uma manta, tudo pronto para o Picnic.

     Chegados a Sintra depois da volta pela Vila acomodaram-se num jardim para o repasto e algumas fotografias.

    Aquele Domingo foi o início de um grande amor entre a Isabel e o França.

    O namoro durou um ano, até que marcaram o casamento.

    Passou só um ano dos nubentes darem o nó – parece que estavam com pressa – Nasceu o mosso amigo José França.

     A festa foi grande mas ausente da família pois o nosso rapaz tinha sido fabricado no Porto para onde tinham ido viver seus pais. Passado meses resolveram vir viver para Lisboa, onde o França que para além de fotógrafo também tinha a profissão de chapeleiro resolveu abrir um estabelecimento com fabricação dos ditos.

    O amor entre eles foi crescendo até porque existia o nosso travesso amigo José França.

     Há um ditado antigo que diz que “O que é bom não é para sempre” e assim aconteceu.

   Tinha já dois anos o nosso amigo quando uma empregada do França se meteu com ele e a coisa lá em casa descambou. Descambou de tal forma que aos três anos de idade, nosso amigo passou a ser criado somente pela Mãe e pela avó. O França tinha ido comprar cigarros e nunca mais voltou e só voltou mais tarde para se apresentar em tribunal para o divórcio abalando de seguida para Macedo de Cavaleiros com a amante.

     O nosso amigo foi-se criando rodeado pelo amor das mulheres da família. Mãe, avós, tias, primas, primos e tios.

     Os anos foram passando e o nosso rapaz tirou um curso Industrial e mais tarde o Instituto Industrial de Lisboa onde se formou.

     Nos entretantos, sua mãe criou uma sociedade de Espectáculos e Variedades – chamam-se hoje “Organização de eventos Shows e Publicidade” com os quais percorreu todo o país com os melhores artistas da época.

     Foi nessa época que o nosso rapaz se embrenhou no meio artístico passando a ser o técnico de som e também o apresentador-locutor dos programas. Mais tarde foi tirar um curso de actor e canto e embrenhou-se nas cantigas (como se chamava nesse tempo).

     A vida sempre correu bem numa situação económica bastante confortável, tendo sempre como apoio sua mãe que nunca mais agarrada ao seu amor antigo, conheceu outro homem. Como sua avó faleceu entretanto os dois Mãe e filho sempre seguiram durante anos numa cumplicidade completa. Isabel chegou a ser empresária e acompanhante do nosso rapaz inclusive por alguns países da europa não havendo segredos do meio artístico para a Isabel.

Já vedeta das cantigas e do teatro o nosso rapaz num espectáculo conheceu um outro rapaz que acabou no seu quarto.

     Naquela manhã quando a mãe bateu à porta do quarto para informar já serem horas para o pequeno-almoço, depois de a abrir deu com os dois na cama dormindo.

     A atrapalhação dos dois foi grande e mais tarde a explicação da presença do amigo foi de tal forma convincente, sem nunca tocarem no que tinha efectivamente acontecido. O tal amigo passado dias num fim-de-semana voltou a ficar lá em casa. A seguir aquele fim-de-semana, passado dias o amigo levou a mala da roupa e por lá ficou durante seis anos.

     A Mãe Isabel durante aquele tempo nunca falou ou fez alguma observação sobre aquela amizade passando a tratar o amigo do nosso amigo como um irmão do mesmo tratando-o como afilhado ao ponto se ser apresentado a toda a família como afilhado de baptismo.

      Como tudo na vida há coisas que não é para sempre e aquela amizade terminou.

     Como a vida tem de continuar dentro da chamada normalidade o nosso amigo acabou por casar e dar ao mundo um rebento.

      Foi um interregno na vida do nosso amigo que para se dedicar à sua nova forma de família acabou com as cantigas. Nos entretantos fez ainda com o apoio de sua Mãe, algum teatro e rádio, mas mais uma vez como tudo tem o seu fim, sua mãe faleceu assim como o casamento.

      Hoje não há mais casamento, cantigas, teatro ou rádio mas há belas recordações de ter vivido uma vida recheada de amor carinho e muitas saudades de sua mãe que nunca o confrontou com a sua vida privada.

      Só uma vez lhe disse “Não tenhais medo de enfrentar a vida como te der mais prazer”

     Obrigado Mãe.

 

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

              Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação” (cn283)

                Para maiores de 18 anos

                    © Nelson Camacho
    2016 (ao abrigo do código do direito de autor)

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