Quinta-feira, 12 de Março de 2015

A Mãe que queria ter um neto

Isabel do Carmo tinha nascido na província. Filha de lavradores abastados um dia por imposição dos pais acabou por casar com um regente agrícola também de bastantes posses. Isabel foi educada no regime fascista e como seria normal na época, bastante temente a Deus, Tanto na escola como na igreja que frequentava os seus horizontes de vida não passavam dos conceitos cristãos existentes na época.

Um dia o marido fez-se sócio de uma empresa dedicada à agricultura e vieram morar para Lisboa.

Vieram para um condomínio fechado onde todos os seus habitantes também eram pessoas bem na vida e mais ligados aos negócios que à Igreja onde ela tinha sido criada ou seja: Pessoas de mentes mais abertas.

Por força das circunstâncias começaram a conviver com os outros condóminos. Até davam festas num salão existente para o eleito naquele condomínio. Quando de bom tempo também se juntavam na piscina comum, até que por natural da vida as mulheres foram tendo os seus filhotes. Inclusive a nossa amiga por força do destino teve um filho no mesmo dia e na mesma clinica que a Helena que habitava a vivenda mesmo ao lado.

Durante vários anos aquilo foi uma festa e as criancinhas foram crescendo e como seria natural quase como irmãos. Até entraram no mesmo infantário e mais tarde na mesma escola, não passando um sem o outro.

Anos depois

 

O Pedro e o João eram como o ”O Roque e o amigo” Estudavam ora em casa de um ora em casa do outro. Em dias de piscina lá estavam eles dando espectáculo nos seus saltos acrobáticos para delícia dos seus progenitores e vizinhos com quem se davam.

Com prévia autorização dos pais lá começaram a sair há noite sem ninguém se preocupar para onde iam.

Só D. Isabel de vez em quando, perguntava se eles ainda não tinham arranjado namoradas às quais eles respondiam que ainda era cedo para isso, Primeiro queriam curtir a vida.

O tempo e os anos foram passando até que atingiram os dezoito anos. Ambos os casais fizeram uma grande festa e então sim naquele dia de verão lá apareceram muitos colegas Rapazes e raparigas e todo o mundo curtiu a piscina. Alguns quase em pelota, fazendo uma “Rave” com Dj e tudo. D. Isabel nunca tinha visto tal e tanto desaforo, principalmente das raparigas que só em bikini se atiravam à água.

Tratando dos comes e bebes D. Isabel e D Helena na cozinha iam-se queixando da falta de namoradas dos seus filhotes. D. Izabel até comentava já andar a preparar o enxoval para o seu mais que tudo, enquanto os papás se entretinham no churrasco e olhando de soslaio para as raparigas, lembrando-se como era no seu tempo e comparando com suas mulheres que também já tinham sido assim, só que com mais recato e roupa.

Chegou quase a fim da festa quando os papás mandaram juntar todo o pessoal para dar a boa nova, ou seja, as prendas para os rapazes. Ouviu-se grandes buzinadelas de carros na rua e todo o mundo foi ver o que se passava.

Eram as pendas que chegavam. Nada mais nada menos que dois carros iguais.           

Os pais dos rapazes então depois de uma prelecção adequada à ocasião entregaram-lhes as respectivas chaves e um envelope a cada um onde por fora dizia “Para a Carta de Condução”

A alegria esfusiante de todos seguidos de palmas e beijinhos aos progenitores e depois de irem ver as “Bombas” voltaram aos saltos na piscina.

As acrobacias não paravam, principalmente dos nossos rapazes.

De repente o Carlos mais afoito subiu ao último lance e com uma pirueta lá se atirou. Calhou-lhe mal o cálculo e foi bater com a cabeça no fundo da piscina. Ninguém nutou o sucedido menos o João sempre atento ao que o amigo fazia e notando que algo de estranho se passava e não vendo o Pedro à tona, atirou-se à água e foi buscar o amigo levando-o para a borda da piscina.

Foi quando todo o mundo nutou que algo de estranho se passava fazendo uma roda à volta dos mesmos.

Pedro soltou alguma água que tinha bebido e João muito aflito, beijo-o longamente na boca comentando logo a seguir:

 

- Epá! Pregaste-me um susto dos diabos. Não voltes a fazer esta brincadeira.

  

Enquanto todo o mundo batia palmas os pais dos rapazes aproximaram-se para ver o que tinha acontecido mas só chegaram na parte final ou seja, no memento em que o Carlos era beijado pelo João. Ficaram tão confusos com a situação que até D. Isabel, muito atreita a cheliques, julgando ser outra coisa, acabou por desmaiar, passando a ser ela a socorrida.

 

Entretanto ao que parece o Pedro gostou do beijo do João e segurou-lhe na cabeça sendo desta vez ela a beijar o amigo.

Esta cena criou uma perplexidade estranha entre todos de tal forma que em uníssono com as palmas ouviu-se um borborinho Ahhhhhhhhhhh.

 

 Depois de todos recompostos com o sucedido praticamente acabou a festa.

  1. Isabel acompanhada pela amiga recolheu-se aos seus aposentos.

Os colegas dos rapazes enquanto se preparavam para se irem embora ouviam-se em surdina, alguns comentários.

 

As raparigas comentavam que eles eram mal empregados para seres gays e os rapazes, a sorte que eles tinham em terem pais ricos e lhes terem oferecido os carros.

 

Depois daquela cena D. Isabel em conivência com a vizinha começou junta da direcção da escola onde os rapazes andavam a tentar saber os nomes e moradas das mães das raparigas, colegas dos filhos, com a finalidade de marcar reuniões e chás canasta em casa de Isabel. Resultado: Passados algum tempo essas reuniões começaram sendo o intuito primário a realização de festas com colegas dos rapazes sendo a maioria dos convidados, raparigas.

Isabel que tinha sido casada por imposição dos pais, queria fazer o mesmo para seu filho arranjando-lhe namoradas pressionando-o constantemente que queria ver a casa cheia de netos.

Isabel não se conformava com os tempos de mudança que se estavam a passar na juventude actual.

Os jovens de hoje não são os mesmos de há quarenta anos. Têm as suas próprias opções quanto ao casamento.

 

Os tempos foram-se passando e com tantas pressões, os rapazes lá foram arranjando as suas namoradas, mas sem quando se tratava de viagens de recreio de noitadas ou viagens de estudo andarem sempre juntos.

 

Já tinham carta de condução e embora cada um ter o seu carro, raramente viajavam cada um com o seu. Normalmente faziam-se conduzir num ou noutro  

 

Chagaram as férias e os nossos rapazes para fugirem a todas aquelas pressões resolveram ir passar quinze dias ao Algarve. Quem tratou do hotel foi o Pedro e na véspera da partida foram curtir a noite para o Bairro Alto.

 

Quando Isabel foi tratar do quarto do filho tratando-lhe das malas, despertando-lhe a curiosidade foi abrir-lhe a pasta do filho onde encontrou o Voucher do Hotel e achou estranho no documento constar a marcação somente de um quarto. Telefonou para a amiga Helena a perguntar se sabia qual o Hotel onde o filho iria ficar no Algarve e ele confirmou ser o mesmo do Pedro.

 

- Mas eu estou a ver aqui o Voucher e só está marcado um quarto.

- Amiga!.. Mas isso é normal. Já quando vamos todos eles ficam sempre no mesmo quarto.

- E acha isso normal? Dois homens ficarem no mesmo quarto?

- E porque não? Primeiro são amigos desde que nasceram, segundo a relação entre o meu filho e o seu, cá em casa nunca nos preocupou.

- Desculpe lá!... Mas relação? Que quer dizer com isso?

- Lembra-se quando foi o aniversário deles e a queda do Pedro na piscina e o beijo que eles deram?

- Sim!... Lembro-me perfeitamente.

- E você não desconfiou de nada?

- Mas desconfiar de quê?

- Desculpe amiga, mas você das duas, uma. Ou anda atrasada no tempo ou não quer ver o que está mesmo debaixo no nariz.

 

Isabel, se naquele dia tinha desmaiado? Naquele momento simplesmente desligou o telefone. Aquele seu desejo de encher a casa de netos tinha acabado.

Naquela noite depois de contar ao marido o que tinha descoberto nunca mais conseguiu dormir e ainda mais depois do marido ter comentado o facto:

 

- Deixa lá os rapazes. Desde que não andem para ai a dar nas vistas e sejam felizes é lá com eles e também pode ser que seja uma faze passageira e que um dia sigam outro rumo.

- Quer dizer que tu já sabias?....

- Saber não sabia. Mas também não sou parvo. E com a desculpa de estudarem à noite em casa de um ou do outro e acabarem por adormecer nos seus quartos. Ó mulher!.. Não me digas que nunca desconfiaste?

 Isabel perante a atitude do marido não conseguiu dormir mesmo e foi para a sala a fim de ver quando o seu mais que tudo chegava, mas teve azar. O Rapas quando entrou já vinha com o pequeno- almoço tomado e com o amigo. Só vinha buscar as malas.

 

- Então tu não me vais dar netos!... É isso? E tu? João vais na mesma!...

 

Os rapazes olharam um para o outro e só comentaram:

 

- Estamos lixados!... Já fomos descobertos.

 

Sem mais qualquer comentário de ambas as partes, subiram para o quarto e rapidamente desceram com as malas que faltavam. Ambos deram um beijo na Isabel que ficou como petrificada no meio da sala.

 

- Isto não vai ficar assim!...  – Comentou Isabel enquanto os rapazes saiam porta fora.

 ----------------------- Fim -----------------------

  Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

                Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação” (cn-267)

               Para maiores de 18 anos

                 © Nelson Camacho
2015 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 14:44
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