Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

A Primeira vez do Jorge - I Parte

Praia de são julião - Sintra em dia de temporal

Praia de São Julião - Sintra ao fim do dia

 

     O céu estava dividido em dois. De um lado. Lá para os lados da montanha estava escuro como a adivinhar trovoada do outro lado nuvens algumas brancas, outras cheias de água prontas a descarregarem uma carga. Estas mesmas lá no fundo abriam-se para entrar uns raios de sol que reflectidos na ondas altas que se vinham espraiar na praia que já fora pois a areia já tinha sido comida na praia mar deixando ficar pedras e rochas que nem sabia haver naquele local paradisíaco nas épocas de verão.

     Cá do alto sentado num banco de pedra olhando o mar onde vou buscar inspiração para a transpiração de formar histórias e personagens que existem mas contestadas por alguns. Estava nas minhas divagações quando senti alguém sentar-se a meu lado.

Olhei e vim um moço de aparência credível brincando com uma chaves que se notava ser de carro e virando-se para mim comentou.

 

        - É de facto um espectáculo o mar visto daqui!..

 

     Não estava muito para conversas pois absorvido com aquele espectáculo a minha mente ia engendrando situações em contos para o meu livro que tinha entre mãos mas olhei mais atentamente e lá estava o meu amigo de ocasião.

 

     Não teria mais de vinte cinco anos. Com uma barbicha bem cortada como se usa agora. Olhos louros e reluzentes e inquiridores. Testa alta como dizendo ser pessoa inteligente. Orelhas pequenas e lábios carnudos numa boca entreaberta dava um sorriso como a pedir conversa e quiçá beija-lo. Foi a minha primeira tentação mas não! Não só não o conhecia de lado algum como não era o local próprio para isso e refreei os meus intentos, no entanto todo o meu corpo estremeceu e as tais borboletas no meu estômago deram sinal que estava a haver um klic qualquer e iniciámos conversa:

 

        - Sim de facto este local não só é espectacular pela sua quietude como é brilhante pela sua paisagem se se pode chamar de paisagem este mar imenso que nos leva a outras paragens.

        - Mas isso é muito poético. Não me diga que é escritor.

        - Se escrever uns contos e histórias do dia-a-dia é ser escritor então sim! Sou!

        - Que bom é vir encontrar alguém que escreve. Nunca tive muito jeito para a escrita, mas desde Balzac a Saramago, quando posso não perco um bom livro.

        - Mas os autores que mencionou não são os mais lidos por jovens como você.

        - Sim! Não ligo muito a livros de guerra, policias e ladrões ou folhetins de faca e alguidar. Prefiro ler livros que me contam história de vidas passadas ou presentes.

        - Já leu alguma coisa de Leon Toltói? Por exemplo “Guerra e Paz”?

        - Já ouvi falar mas disseram que é um livro bastante grande e ainda não me deu para o comprar

        - De facto é uma das obras mais volumosas da história da literatura universal. Narra a história da Rússia à época das  guerras napoleónicas. A riqueza e realismo de seus detalhes assim como suas numerosas descrições psicológicas fazem com que seja considerado um dos maiores livros da História da literatura. De Fyódor Dostoiévski ?

        - Pelo nome parece-me Russo.

        - Sim é um dos maiores romancistas Russos que no seu livro “Crime e Castigo”descreve a história de um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido pela incapacidade de continuar sua vida após o delito.

        - Vê-se que você é entendido na matéria. Que tipo de romances escreve?

        - Vou escrevinhando história de vida que vou conhecendo ou conheci devidamente ficcionada. Algumas até passadas comigo.

        - Quer dizer que o nosso encontro pode dar tema para um conto?

        - Se houver justificação para tal, porque não?

        - Quer dizer que se lhe contar um pouco da minha vida será um bom pretexto?

        - Nem sempre isso acontece mas se tiver algo que ache interessante para ser transposto para uma folha de papel, porque não?

       - De facto, tirando a parte de gostar de um bom romance e da minha namorada me ter trocado por outro, faço uma vida simples. Casa trabalho, trabalho casa e mais nada.

        - Quer dizer que você é um solitário.

        - Mais ou menos. Não sou tipo de sair há noite para curtir e não tenho muitos amigos. Refugio-me na solidão do meu quarto lendo.

        - Então e namoradas? Já que uma lhe deu com os pés?

        - Isto está mal. Vou batendo uma com a mão até encontrar uma nova.

        - Quer dizer que joga nos “Cinco a um”!,,

 

     O rapaz riu-se e comentou:

 

        - Nunca tinha ouvido essa expressão dos “Cinco a um”

        - Pois !.. Há essa dos “cinco a um” e a outra dos “Cinco a dois”

        - Essa, não entendo...

        - Também não é para entender, mas pode ser que um dia venha a entender.

 

      Esta conversa da treta lá ia passando sem quaisquer resultados aparentes até que voltamos a falar de livros e escritores.

 

        - Você há pouco falou do livro “Guerra e Paz” já ouvi esse título algures mas nunca encontrei o livro.

        - Não sou muito de emprestar livros mas por acaso tenho dois porque tive um amigo que não sabendo que já o tinha ofereceu-me. Se quiser e tiver tempo, moro aqui perto e tinha muito gosto em lho emprestar depois de ler um ou outro parágrafo e se ficar interessado.

        - Mas tempo, porque é sexta-feira e amanhã como não trabalho tenho todo o tempo do mundo.

 

     Aquelas borboletas no meu estômago começaram a voar ainda mais como a dizer-me que o resto do dia ia se bastante proveitoso e então convidei-o a ir a minha casa e como já se aproximava a hora de jantar convidei-o para o mesmo, o que ele aceitou prontamente, aproveitando também para nos apresentar.

 

         - Eu sou o Jorge. Tenho vinte cinco anos bom rapaz desinibido e solteiro.

         - Eu sou o Nelson. Celibatário, um pouco mais velho, gosto de uma boa aventura e de conversar com pessoas que me entendam.

 

     Depois das apresentações formais como ambos tínhamos carro pedi-lhe que me seguisse.

 

     Entramos em casa e como fazem aos pobrezinhos mostrei-a ficando para o fim a biblioteca que é também o meu canto de escrita e biblioteca onde também tem um bar e um sofá para ocasiões especiais e perguntei-lhe se queria beber algo. Ele aceitou um café. Depois procurei no meu Inventário digital do computador onde se encontravam aos tais livros.

 

        - Você tem tudo muito bem organizado até parece uma biblioteca a sério.

        - É pá com tantos livros LPs, CDs e Lps é difícil encontrar um. Tenho de ter tudo informatizado.

 

     Entretanto lá encontrei o livro que no seu caso é dividido em dois.

 

        - Toma senta-te no sofá e vai-o lendo enquanto vou tomar um duche e fazer o jantar. Gostas de Bacalhau com Natas? É uma cena rápida. É de compra congelada mas de boa qualidade e acrescento-lhe sempre mais natas para não ficar tão ceco.

        - Já tenho comprado mas nunca lhe acrescentei natas. Quero experimentar.

        - Pois! Cá em casa há sempre algo de novo para experimentar.

 

     É óbvio que naquela altura já estava a pensar noutra coisa. Não de comida de prato mas de comida sexual. Aquele gajo tinha de ser comido desse lá para onde desse e com o puto que já era um homem iria com jeito alinhar lá fui para os meu afazeres.

 

     Quando voltei já tinha feito o jantar, posto a mesa tomado duche besuntar-me com um perfume bastante activo e vestido um robe de seda branco apresentando-me assim frente a ele que olhando-me de alto a baixo comentou.

 

         - Tens um robe muito bonito.

         - Desculpa o meu a vontade mas estou em casa. O robe é de seda pois escorrega melhor e tu também podes ficar à vontade, Cá em casa não há preconceitos. Estás a gostar do livro.

         - Estou!.. Estou a dar uma olhada em um ou outro capítulo e vou aceitar o teu empréstimo já que tens dois.

         - Bem… Vamos jantar? Já são horas.

 

      Preparei dois Portos entreguei-lhe um e segurando com uma mão o outro coloquei a outra nas suas costas e encaminhei-o para a sala de jantar. Ao entra-mos ele olhou primeiro para a mesa e depois para mim e comentou.

 

 . Champanhe num frapê e velas? Até parece um jantar romântico entre dois namorados.

 - A tua namorada nunca te apresentou uma mesa assim?

 - Não nem ninguém o fez para mim. Isto é cana de filme.

 - Pois tanto pode ser uma cena de um filme como o primeiro capítulo de uma história de amor.

 - Sim… Mas uma história de amor entre dois homens nunca tinha visto.

 - Nem nas telenovelas actuais em que versam o tema da homossexualidade? Ao que me deu a entender até aqui és um moço de mente aberta.

 - Não me digas que és Gay? Não tinha dado por isso. E tudo isto tem a finalidades de praticarmos sexo?

 - Se pensas assim, seria um primeiro passo para fazeres uma experiência e ficarias a saber aquela história dos “cinco a um”.

 

     O Jorge nada mais comentou nem eu. Pousamos os cálices do Porto, abri a garrafa de champanhe e começámos a comer.

 

Fim da I Parte

Segue para a II Parte.

 


Cena da Batalha de Austerlitz no romance “Guerra e Paz”

Batalha de Austerlitz no romance Gierre e Paz

Quadro de Francis Gerard

 

As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

 

            Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação”

                 © Nelson Camacho
     2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 20:03
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