Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Afinal ele tinha outro

Afinal ele tinha outro!

 Normalmente sou um tipo pacato. Não sou muito ligado às coisas que me rodeiam, vivo sozinho, faço a acama, lavo a loiça e a roupa, faço as minhas alimentações e até por vezes faço uns banquetes para os parcos amigos que tenho.

Quando alguém fica em minha casa gosto de lhe fazer o pequeno-almoço e levá-lo à cama (são coisas de quem vive só).

Os amigos que tenho, gerem-se na vida pelos mesmos parâmetros. Gostam de estar em pequenos grupos, e quando nas festas alguém se afasta é para continuarem em grupo, mas a dois.

Todo este preâmbulo para dizer que nos meus tempos de ócio, os tenho só, bebendo uma bica e lendo um jornal em qualquer café, preferencialmente à beira mar onde as ondas do mesmo me dão um alívio de alma espiritual para combater as agruras da vida que são muitas. Foi na esplanada de um hotel frente ao mar na Praia Grande um dia uma moça simpática e atraente me pediu lume para acender o cigarro. Também estava só na mesa ao lado. Vestia uma T-shirt rosa e uma saia tipo mini pelo qual se podia vislumbrar umas pernas bem torneadas. Não era uma rapariga totalmente atraente mas simpática no todo da sua aparência.

Olhando melhor, verifiquei que acendia cigarro no próprio cigarro, um a traz do outro o que me deixou um pouco perplexo, pois só tinha visto estas situações em homens e principalmente com alguns problemas psicológicos. Matutei, matutei, pensei, pensei, o que se passará com a moça? Não sendo meu hábito meter conversa com a primeira “ galinha “ que se me depara pela frente, tirei-me dos meus caprichos e aí estou eu a meter conversa com a dita. Aproveitando o facto de existirem os tais anúncios contra o tabagismo nos maços de tabaco, disse-lhe assim, à laia de chofre:

 

- Desculpe amiga (foi um tratamento à laia de alentejano) você já leu bem o que diz no seu maço de tabaco? -“Fumar prejudica gravemente a saúde!” –

 

Ela olhou para mim, e num ar triste repondeu:

 

- Há coisas na vida que matam mais depressa amigo.

       

Foi o início de uma conversa muito interessante principalmente para mim, que já deixei de ter pachorra para aturar “ galinhas “.

Nesta conversa em que não quis ser o galo da capoeira, deixei-a falar o que valeu que mais tarde, passou a ser uma grande amizade.

 

O contexto da conversa é que foi deveras interessante. Ela estava para ali a curtir não uma dor de corno, mas um sentimento que não sabia se era de culpa sua ou não. A história resume-se em poucas linhas:

 

A Idália, é assim que ela se chama, estava para casar e não casou.

Namorou durante dois anos um rapaz bem-apessoado, filho de boas famílias e de um extracto social bastante invejável, nunca quis ter relações com ele enquanto namorados pois queria dar-lhe como presente a sua virgindade.

Passearam juntos durante aqueles dois anos inclusive por Portugal inteiro e estrangeiro, mas quando chegavam aos hotéis ficavam sempre em quartos separados, era ponto assente da parte dela a tal prende da virgindade para a noite de casamento, pela parte dele também nunca fez pressão para que outra situação acontecesse, portanto, estavam os dois de acordo, aparentemente.

Ela por boa-fé, nunca pensou como era possível um rapaz de vinte anos não querer ter relações inclusive, nem com qualquer outra rapariga o que seria natural. (Ela das duas uma, ou era cega ou gostava de facto muito dele, e gostava!).

Um dia, chegaram à conclusão e depois de conferenciaram com os respectivos pais como mandam os ‘canhenhos’, resolveram marcar o casamento.

Para tal era necessário uma casa e como os pais dele tinham posses, compraram uma casa e começaram a mobila-la.

Ora vai um, ora vai outro lá a casa colocar mais um apetrecho para o lar dos pombinhos. Marcaram a data do casamento e a boda toda raffiné, numa quinta dedicada ao Jet-Set. Fizeram os convites em conjunto, marcaram o fotógrafo e o câmara-men para as filmagens. Estava tudo pronto para o dia aprazado.

Na véspera do casamento e porque faltava arranjar a cama para a noite de núpcias, ai vai ela com a mãe ao seu ninho de amor. Abrem a porta, entram para o salão, a mãe de colcha embrulhada ao regaço, (a mesma que lhe tinha servido a si na sua noite maravilhosa), e ela com uma moldura com a fotografia do seu futuro mais que tudo marido.

Estão na sala ainda em amena cavaqueira falando do casamento, quando dos fundos ouvem umas vozes estranhas.

 

-Ai que nos estão a roubar, disseram.

 

A Mãe, mais afoita, antes de correram casa fora, ainda pega num candelabro e lá vão as duas direitas ao local de onde vinham as vozes estranhas. Abriram a porta do quarto, e na cama, estava o seu noivo com um primo (atenção que era um primo, não uma prima) em pleno acto sexual. Inebriados pelo amor com que estavam, só descobriam que tinham sido apanhados quando a Idália começou aos gritos e a mãe desmaiou.

Afinal ele tinha outro! E ainda por cima o primo dela.

 

Depois deste relato, fiquei a perceber porque ela fumava um cigarro após outro. Coitada da moça, estava de rastos, de tal forma e porque me achou simpático, logo no primeiro encontro casual, contou-me todos estes seus azares.

Eu por mim, agora digo como o brasileiro, de facto; “ Tem Pai que é sego “.

 Ficámos amigos e hoje é uma das minhas melhores amigas no entanto, ainda não está em condições psicológicas de arranjar um novo namorado.

Por vezes saímos à noite a um bar ou cinema até já a levei ao Finalmente, um bar gay, para ver que são pessoas normais, somente a sua tendência sexual é que é diferente da nossa, e até os há casados e até com filhos.

Se ela tivesse chegado a casar até podia ser que fossem felizes.

Idália ainda está è espera de um milagre.

É que hoje é difícil para uma mulher arranjar um homem atraente e que esteja bem na vida, pois os livres, são casados ou são Gays.

Fim

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

           Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação” (cn-250)

             Para maiores de 18 anos

                 © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 01:23
link do post | comentar | favorito
|

.No final quem sou?

.pesquisar

 

.Fevereiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28

.posts recentes

. Namorados

. A Intrusa

. Sábado chato para um amig...

. Um Recado

. As Borboletas

. Estou na prisão do tempo

. As minhas procuras no Nat...

. Pequenas coisas

. A história do Pátio do Ca...

. Finalmente libertei-me.

.arquivos

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Janeiro 2009

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

.tags

. todas as tags

.favorito

. Sai do armário e mãe pede...

. Eurovisão

. Depois de "All-American B...

. Raptada por um sonho ...

. Crónica de um louco senti...

. Terminei o meu namoro!!‏

. Dois anjos sem asas...

. Parabéns FINALMENTE!!!!

. Guetos, porque não?

. “Porque razão é preciso t...

.A Tua visita conta

web counter free

.Sempre a horas para criticar

relojes web gratis

.Art. 13, n.º 2 da Constituição

Ninguém pode ser privilegiado, benificiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
blogs SAPO

.subscrever feeds