Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015

Amor de mãe

Quem dera que todas as mães fossem assim

 

 Carlos era o príncipe lá de casa. A Irmã mais velha já tinha casado e abandonado o lar dos pais para constituir a sua própria família. Para que aqueles velhotes já reformados, refizessem as suas vidas tentando goza-la com as reformas que tinham até ao final do seu tempo aqui na terra andavam desertos que ao seu príncipe também resolvesse a sua situação e encontrasse uma mulher e lhes desse netos, já que a filha nunca mais resolvia esse situação.

Quando se falava no assunto o Carlos dizia sempre que tinha tempo para se enforcar mas nem namorada o rapas apresentava aos pais.

Quando a filha com o marido ia lá a casa almoçar ou jantar a conversa era sempre a mesma. Acabava sempre com os pais pressionarem-nos com o desejo de serem avós. Diziam eles que ainda morriam sem terem netos e a desculpa da parte do casal era sempre a mesma: - A situação económica do país não estava em condições para mandar vir filhos no momento. Quanto ao Carlos nem queria falar nisso. Ia curtindo com uma ou outra namorada e estava tudo bem. Quando chegasse aos trinta logo pensava nisso.

A pressão era grande e um dia, o Carlos depois de um jantar de família resolveu contar que tinha encontrado uma situação para deixar os pais à vontade e poderem auferir das sua reformas e viajarem sem preocupações.

E qual é a situação? Perguntaram todos muito confiantes no rapaz.

 

Tenho um colega lá no emprego que se divorciou e já arranjou casa na Amadora, mas para cobrir todas as despesas é um pouco complicado e sabendo das pressões cá em casa e também não estando interessado para já em casar-me convidou-me a partilhar o apartamento e assim ficavam todos os problemas resolvidos.

 

- Então vais viver com um homem? Ode é que já se viu isso? – Comentou o pai.

 

A mãe sempre atenta, respondeu:

 

- Ó homem!.. Até parece que não és deste mundo. No estrangeiro, é natural duas raparigas ou dois rapazes racharem como eles dizem as despesas de um apartamento.

- Também é natural quando estudantes vão para o estrangeiro por razões económicas fazerem o mesmo. – Comentou prontamente a irmã.

- Eu enquanto estudante em Coimbra de uma vez estive numa “republica” e de outra vez só com um colega. – Atalhou o genro.

 

Naquela noite e estando todos de acordo ficou resolvido que o Pedro no fim do mês iria de malas e bagagens para uma nova situação.

 

Naquele período de tempo todos ajudaram o Pedro a mudar-se para o apartamento da Amadora e conheceram o Mário. A casa praticamente estava mobilada menos um quarto que seria o do Pedro e para onde levaram a mobília de solteiro daquele.

 A mãe Isaltina até se prontificou durante algum tempo a ir-lhes fazer o jantar pois segundo ela dizia, “dois homens na cozinha devia ser uma desgraça”. Os rapazes foram-se habituando até chegar a altura que D. Isaltina deixou de lá ir e aproveitou para fazer uma viagem a Espanha, França e Inglaterra com o marido. Estas merecidas féria duraram mais de dois meses. Quando voltaram para entregar as prendas que tinham trazido, fizeram um almoço de Domingo e convidaram a família incluindo o Mário.

Mesmo à portuguesa, fizeram a festa e deitaram os foguetes e o Mário, pelo convite sentiu-se na obrigação de convidar os pais do Carlos depois de combinar com ele, a irem um dia lá a casa jantar.

 

No dia aprazado, o Sr. João que ainda não estava muito habituado com aquela coisa de dois homens viverem na mesma casa, independentemente de ter sido ele na altura da mudança a ajudar no transporte dos móveis do filho e todos ficarem cientes que cada um tinha o seu quarto, não foi ao jantar.

 

Quando D. Isaltina chegou. Um pouco bisbilhoteira, a primeira coisa que fez foi dar uma volta pela casa para ver se tinha havido coisas novas e algumas alterações. Surpresa das surpresas. O quarto do Mário estava muito arranjadinho com a cama de pessoa só e feita e uma escrivaninha com o computador. Enquanto o quarto do filho estava todo desarrumado com uma cama de casal e toda desfeita.

 

Isaltina, nada comentou directamente mas foi perguntando se agora trabalhavam em casa.

Os rapazes adivinhando o porque da pergunta, esquivaram-se sempre e tentaram que aquela noite fosse o mais agradável possível 

Isaltina ia reparando numa certa intimidade e cumplicidade entre os dois e não deixou a certa altura de comentar.

 

- Nota-se que vocês são mesmo muito amigos.

 

Carlos apercebendo-se da curiosidade de sua mãe logo disse:

 

- Mãe!.. Eu sei o que está pensando e pode esquecer, somos só amigos e nada mais.

 

Aquela noite tinha sido perfeita e sem mais observações da velha senhora e sem quaisquer explicações da parte dos rapazes.

Se a velha senhora levava ou não algo por traz da orelha era lá com ela.

 

Um mês depois

 

Quando foi a altura das limpezas gerais o Mário reparou que no sítio onde devia estar uma travessa de prata estava outra de loiça onde Isaltina tinha levado um Bolo naquele jantar e comentou para o Pedro.

 

- Epá, já tinha achado algo de estranho aqui no aparador mas agora confirmei. No local da travessa de prata está uma de loiça. Será que tua mãe inadvertidamente as tocou?

- Desculpa lá mas nem na cabeça do menino Jesus caberia tal desaire. Ma vou já tratar do assunto.

Sentou-se ao computador e escreveu um e-mail  

 

"Olá Mãe… Não estou dizendo que você trocou a travessas de prata de minha casa pela de loiça onde trouxe o bolo, mas o facto é que ninguém cá esteve desde aquele jantar, sabe de alguma coisa? Beijinhos. Seu filho” 

 

Alguns dias depois recebeu a resposta também por e-mail onde dizia:

 

"Querido filho, Não estou dizendo que você dorme com o seu amigo, e nem dizendo que não dorme com ele, e você sabe que eu te amo de qualquer maneira. Mas o facto é que se ele estivesse dormindo na cama do quarto dele, ele teria encontrado a travessa debaixo do travesseiro. Quando vocês dois vêm aqui jantar? Beijos, Tua Mãe."

------------------- Fim ----------------------

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

                    Nelson Camacho D’Magoito

           “Contos ao sabor da imaginação” (mc-260)

                       Para maiores de 18 anos

                           © Nelson Camacho
        2015 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 02:16
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