Domingo, 17 de Abril de 2016

Amorzinho gostoso

Aconteceu a meio de uma caminhada

 

As coisas do amor são estranhas, quem vai entender? Ora estamos bem, ora não; e ora brigamos, mas depois ficamos bem de novo tudo porque amamos. Vamos do ridículo ao fofo. O engraçado é que não queremos viver longe dessa montanha russa de altos e baixos. E aprendemos muito com isso tudo.

Hoje pela manhã enquanto fazia a minha caminhada matinal com o meu namorado, dei de caras com um tipo que me “comeu” com os olhos de cima a baixo. Disfarcei e fiz que não o vi, lógico... Mas de repente deu-me um piscar de olhos e eu correspondi com outro.

O Pedro ao aperceber-se do que se estava a passar, logo tratou de encarar o malandro com a pior das caras que só ele sabia fazer.

 O “fulano” passou do lado dele, mas ele me afastou de imediato quase para fora do passeio. Com a situação achei graça com aquela cena de ciúmes ri-me e ainda olhei de soslaio para o dito fulano que ao mesmo tempo que caminhava ia-se virando para traz a fim de observar a cena.

Lógico que o Pedro não gostou nem um pouco dessa minha atitude. Olhou-me bravo e disse:

– Porque estás rindo? Gostas-te do piropo do gajo? Já agora não queres o número de telefone dele?

Quanto mais ele falava, mais eu ria, porque era uma mistura de nervoso com achar engraçada a situação.

– Amor o que eu fiz? Estou rindo da bobeira, não fiz nada, nem olhei pra ele. – e continuei rindo de escondido.

– O que fizeste? Quase te jogou para ele com esse teu sorriso namoradeiro.

E continuou brigando comigo baixinho na rua pra não chamar atenção. Ele é muito discreto, disso não posso reclamar. Às vezes falava um pouco alto, mas era só para chamar a atenção dele no seu jeito maneirado do seu tom. Ele estava mesmo muito bravo, e comentou:

– Queres saber mais? Vou pra casa, fica tu por aí. A caminhada para mim acabou.

Eu parando de ri disse:

– Amor pára.. Pára com isso, volta aqui, vamos conversar vai. Volta pra perto de mim.

– Não tem conversa, em casa a gente se entende.

E fomos assim, ele bravo na frente caminhando feito soldado a marchar, batendo os pés, com a cara brava  e seus cabelos ao vento da tarde; e eu um pouco mais atrás, o contemplando. Tentando achar uma forma de mostrar que eu o amava, de pedir desculpas.

Não preciso dizer que ele ficou o dia todo emburrado comigo.

Sentou-se frente da TV e não saiu mais, olhos fixos, pensamento longe. O que será que ele pensava? Será que ele batia no malandro? Será que batia em mim? Não, acho que este não. Será que ele se sentia pequeno? Não sei o que ele pensava ou sentia, só sei que ele mal piscava. Eu passei algumas vezes na frente da TV pra ver se o olhar dele se voltava para mim, para tentar um diálogo, mas ele calado e com os olhos fixo, todo estirado no sofá, não disse absolutamente nada. Sua cara estava péssima, mas seu olhar triste. Estava com uma cena de ciumeira só porque troquei olhares com outro garoto com que nos cruzamos na nossa passeata matinal.

Estávamos sós em casa. A senhora das limpezas já tinha saído. Eu cheguei por traz do sofá e disse:

– Estou indo dormir vens?

– Já, já eu vou, podes ir.

– Ok!.. Não demores, está a ficar tarde e amanhã temos que nos levantar cedo.

– Ok, eu sei.

Então já ao sair da sala ainda o chamei:

– Pedro…

Ainda sem me olhar, com os olhos fixos na TV me respondeu  bravinho:

– O que?!...

– Desculpa-me mas eu amo-te mesmo – Boa Noite.

E sem olhar para traz, ainda assistindo a TV, ele não me retornou a saudação. Então continuei, subi as escadas, por onde a luz da lua, que adentrava pelas janelas do alto, iluminava de azul e sombras escuras o meu caminho.

Eu estava-me sentindo péssimo também, culpado por rir com a situação.

Deitei-me e fiquei esperando por ele.

Ele não se demorou. Desligou a TV e logo subiu atrás de mim.

Eu estava de costas para a parte dele na cama, quando entrou no quarto e tirou a roupa para se deitar. Mesmo brigados, dormíamos nus. Acho que isso já era um hábito nosso. Eu dei uma espiadela ao virar para traz e admirei aquela bunda linda dele. Todo nu, de costas pra mim. Como eu amava aquela bunda desnuda e sem pelos que atrapalhassem minha língua e meus lábios quando a beijava

Ele se deitou ao meu lado, calado, e fixou o olhar no teto.

Eu me virei e encarei o de frente. Ele fechou o olho. E eu continuei ali o olhando, neste momento ergui meu corpo de forma que meu rosto ficasse sobre o dele.

E o perguntei:

– E ai?

Ele deu um sorriso como não se segurasse, e sem abrir os olhos me perguntou:

– E ai o que?

– Vai continuar assim comigo? Já te pedi desculpas.

Então ele apenas abriu os olhos e fitou os meus. Vi seus olhos lacrimejar. E eu disse de seguida:

– Porra!.. Não fiques assim. Eu te amo muito, não cabe outro na minha vida além de você. Aquele tipo, que se cruzou connosco é um coitado sem respeito algum por nada e ninguém. Mais um destes que leva a vida com uma camisinha no bolso, porque tudo que ele fizer se resume em cama e sexo e que anda no engate. Não tem nada a ver connosco. Superficial, não carrega nada em si, a não ser vários prazeres momentâneos, mas isso aqui, que eu e você estamos tendo agora. Isso, ele não tem. E isso, ele não pode tirar de nós. Deixa-o achar que isso é tudo, a melhor parte temos nós. E sabe qual é a minha melhor parte?

Pedro ainda com o olhar fixo em mim, com as sobrancelhas me perguntou “qual?” E eu o respondi:

– Você é a minha melhor parte. E eu quero ser a sua. Porque eu sem você não vivo. Podem-me oferecer tudo, mas tudo não significa nada se eu não tiver você. Acredita nisso?

Então ele me abraçou bem forte, chorou, e dizendo que me amava me beijou com tanto amor, que olhar algum, de homem algum na rua, pagaria.

E terminamos a nossa noite num “amorzinho gostoso”, como ele sempre chamava nosso “fazer amor”.

 

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

              Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação” (nc288)

               Para maiores de 18 anos

                   © Nelson Camacho
2016 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos: Feliz por amar
publicado por nelson camacho às 19:01
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2 comentários:
De Tiago a 17 de Abril de 2016 às 19:43
Achei uma história linda com emoção tens um dom de por as pessoas coladas a ler pelo menos eu quando leio tenho que ler até aulas fim como se fosse hipnotizado
Obrigado ;)
De nelson camacho a 19 de Abril de 2016 às 18:03
Meu caro Tiago nem calcula o prazer que me dá estes comentários. Há muito que escrevo histórias de vidas reais tanto neste post como no outro ao lado “ historias & historietas eróticas “ É sempre com a intenção de chegar mais perto da “malta” uns que se escondem outros que entendem o que se passa na realidade sem ofender seja quem for. Espero que continues a ler-me e irás encontrar muitas situações (e porque não, já vividas ou que gostarias de viver) Obrigado eu. Nc

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