Sábado, 2 de Maio de 2015

O Presente

     Para que não digam que só escrevo histórias de alcova aqui fica uma que pode mudar o seu pensamento sobre a vida e talvez também o seu mundo interior.

 

     Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital.

Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora todas as tardes para conseguir drenar o líquido de seus pulmões.

     Sua cama estava junto da única janela do quarto.

     O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas para a janela.

     Os homens conversavam horas a fio.

     Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, seus empregos, seu envolvimento no serviço militar, locais onde eles passavam as férias.

     Todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo descrevendo ao seu companheiro todas as coisas que ele podia ver do lado de fora da janela.

     O homem da cama do lado começou a viver para aqueles períodos de uma hora, em que o seu mundo era
alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora.

     A janela dava para um parque com um lindo lago de patos e cisnes brincavam na água enquanto
crianças com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores e uma bela vista da silhueta da cidade podia ser visto na distância.

   Quando o homem perto da janela descrevia isto tudo com detalhes requintados, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava estas cenas pitorescas.

     Uma tarde quente, o homem perto da janela descreveu um desfile que passava.

     Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele podia vê-lo no olho da sua mente como o
senhor a retractava através de palavras descritivas.

     Dias, semanas e meses se passaram.

----------------------------

     Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha morrido tranquilamente em seu sono.

     Ela ficou muito triste e chamou o intendente para que levassem o corpo.

     Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela.
     A enfermeira ficou feliz em fazer a troca, e depois de ter certeza que ele estava confortável, ela deixou-o sozinho.

    Vagarosamente e pacientemente, apoiou-se em um cotovelo e virou-se para a janela para tomar o seu primeiro olhar para o mundo real.

     Fez um grande esforço e lentamente a olhar para fora da janela além da cama.

     Ele enfrentou uma parede em branco.

     O homem perguntou à enfermeira o que poderia ter levado seu companheiro falecido, que tinha
descrito coisas tão maravilhosas fora dessa janela.

     A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede.

     Ela disse: “Talvez ele só quisesse encorajar você”.

Epílogo:


Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas.
A dor compartilhada é metade da tristeza, mas a felicidade quando compartilhada, é dobrada.

O que aquele homem sego deu ao seu companheiro de infortúnio foi um PRESENTE.

----------------- FIM -----------------

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

               Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação” (cn-269)

             Para maiores de 18 anos

                 © Nelson Camacho
2015 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 00:04
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1 comentário:
De Francisco a 4 de Maio de 2015 às 20:36
Olá, desculpa só aparecer aqui agora

;D

Abraço

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