Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2014

Os Motas – III Capitulo

Antes de continuar veja como tudo começou clicando aqui (I Capitulo)

Meses depois

 Mais uma vez houve uma grande festa em casa dos Motas. Desta vez também estava presente O Mário, já considerado como familiar, pois passava grande parte do tempo lá em casa a estudar com o Luís e nos últimos tempos também acompanhava a família nas pequenas miniférias.

Tanto Dª Isabel como O Sr. Mota gostavam muito do rapaz, que estava já num consultório de advogados a estagiar.

Principalmente o Mota sempre foi um pouco interesseiro e talvez por aquele rapaz ser já estagiário para advogado, o aceitava de bom grado no seu seio familiar, pois era o seu conselheiro num berbicacho que tinha arranjado quando despediu o Jorge por ser Gay. Estava com sérios problemas pois não o podia despedir por ser homossexual.

 Segundo a lei

(art. 13º, n.º 2 da Constituição da Republica Portuguesa)

“Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”.

 

Mas não sendo um homofóbico assumido perante os outros, lá no fundo não queria aceitar como ele dizia “Essa coisa” Os Homens são para procriar e nada mais.

 

Naquela festa os Motas iriam começar a ter os seus maiores desgostos começando por uma afronta.

Mais uma vez aquela festa foi servida pela mesma empresa de catering como era habitual.

Entre o pessoal do catering, quem havia de estar? O Jorge e o Cândido.

O Mota quando os viu foi direito ao chefe e perguntou porque razão tinha ao seu serviço aqueles dois rapazes.

Com o maior dos desplantes para o Mota, foi informado que o Cândido já era um seu empregado antigo e o Jorge trabalhava com ele nas horas vagas fazendo uns biscates pois tinha sido despedido mas andava em tribunal com o ex patrão. Enquanto o assunto não estivesse resolvido como era bom rapaz e vivia com o Cândido não lhe parecia nada mal.

 

 – Sabe… Temos de ajudar os mais necessitados e eles para manterem uma casa têm de trabalhar.

- Mas o Sr. Sabe quem eles são na realidade? O patrão que despediu o Jorge, sou eu!...

- Desculpe mas eu não sabia e não me meto na vida dos outros.

- Mas o Senhor até disse que eles vivem juntos!.. E não sabe o que é que eles são?

- Desculpe lá Sr. Mota!... Onde quer chegar com essa conversa?

- Eles são homossexuais!

- E depois?... Não têm direito a comer como os outros? Não são homens como o senhor ou como eu? Eles têm as mesmas necessidades e preocupações que nós. Se foi o Senhor que despediu o Gorge por ter uma opção sexual diferente dos outros!,. Pois fique sabendo que vou disponibilizar-lhe o meu advogado e já agora o mesmo advogado entrará em contacto consigo se me quiser colocar em tribunal pois eu e o meu pessoal vamos abandonar de imediato a sua casa, pois da minha comida o Sr e seus convidados não comem mais. Boa noite….

 

                    Desta é que o Mota não esperava.

Foi o maior escândalo da sua vida ao ver todo aquele pessoal passados minutos saírem porta fora com todo o serviço. Todos os convidados ficaram com os pratos na mão estupefactos sem saberem o que se tinha passado.

 

Dª Isabel quando deu pelo que se estava a passar foi junto ao marido perguntar o que tinha acontecido na realidade.

O Mota ainda estupefacto não soube explicar e remeteu a resposta para mais tarde.

O Mário e o Luís que estavam no quarto deste, quando sentiram o burburinho das pessoa a comentarem o que se tinha passado e alguns a vestirem os seus abafo para se retirarem, desceram as escadas e também quiseram saber o que se tinha assim de tão grave.

Todo o mundo foi mais rápido a sair do que a entrar, deixando pratos, copos e comida espalhados pelo chão, como se fosse uma lixeira.

 

Os Motas estavam descorçoados e envergonhados com tudo aquilo e só o Mota pai sabia o que tinha acontecido na realidade. Não respondia às perguntas dos familiares escondendo-se num grande copo de Whisky.

 

- Mas pai!...  Que aconteceu na realidade?

- Não viste o Jorge a servir?

- Não… Não vi!... Mas como?

- O Jorge com o maior dos desplantes foi pedir trabalho na empresa de catering e andava aqui a servir com o amante.

- Não me diga! Andava com o Cândido a servir?

- Tu conheces esse Cândido?

- É o moço que eu te disse que há um ano entrou no carro do Jorge.

- Mas como se conhecem?

- Vi ambos nos escritórios do Mário

- Agora também vais ao escritório do Mário?       

- Bem!... Já estiveste a falar melhor!... Agora o que é que uma coisa tem a ver com a outra?

 

Dª Isabel meteu-se na conversa e também comentou:

 

- Também gostava de saber o que é que uma coisa tem a ver com a outra?

 

Eu explico!.. E o Mota contou tudo o que se tinha passado com o dono do catering.

Então foi a vez do Mário se meter na conversa.

 

- O Sr. Desculpe mas anda a meter-se numa grande alhada com essa coisa da homofobia. Primeiro. Já sabe que vai perder em tribunal a história de ter despedido o Jorge se ele provar que foi despedido por ser gay. Agora, vai ter à perna a Empresa de catering que o pode meter em tribunal por razões idênticas.

 

- Mas ó homem!... O que é que te deu para estares assim tão perturbado. Despedires um rapaz porque ele é homossexual e quereres proibir que outra empresa tenha no seu pessoal pessoas com tendências sexuais diferentes? De bem me lembra uma vez expliquei-te que essas pessoas não são diferentes de ti ou do nosso filho.

 

- Eu já disse por várias vezes ao Pai para não se meter netas confusões, até o Mário já disse que ele estava-se a meter numa grande confusão e vai ser pior quando for a tribunal.

- Mas achas que o Jorge ou dono do catering me vão meter em tribunal?   

- Mas não tenha dúvidas, até porque o advogado do Gorge está empregado numa das melhores empresas de advogados e quem está a tratar do assunto é o Mário. E ele não perdoa a pessoas como tu.

- Se calhar é como eles. Admira-me ser teu amigo.

 

Mário que estava atento à conversa entre pai e filho pousou o copo que tinha na mão numa mesa, dirigiu-se a Dª. Isabel pediu desculpas e disse que não se sentia bem com aquela conversa e que se iria embora.

Luís observou a atitude do amigo e dirigiu-se a ele:

 

- Por favor, não te vais embora. Desculpa o meu Pai. Creio que ele tem um trauma qualquer sobre o assunto.

- Em tribunal a gente vai ver quais são os seus traumas.

- Mas tínhamos combinado que ficavas cá.

- Está descansado que eu falo com ele. Uma vez ele começou com uma conversa comigo e disse que tinha um segredo que iria com ele para a cova. Dever ser qualquer coisa relacionada com o assunto. Depois eu falo com ele. Vamos mas é dormir que já passa da meia-noite.

Luís colocou a não no ombro do amigo e dirigiu-se para as escadas enquanto dirigindo-se ao pai:

 

- Amanhã. Nós falamos.

 

Perante tal atitude o Mota ficou perplexo e olhando para a mulher encolheu os ombros e por segundos ficou parado no meio da sala olhando para o filho que já ias ao fim das escadas com o amigo em amena cavaqueira.

 

O que se passou naquela noite no quarto do Luís com o Mário não interessa nada, como diz a outra. Só sabemos que de manhã quando o Pai foi abrir a porta com a ideia de os chamar para o pequeno-almoço, deparou com os dois nus e agarrados de conchinha. Não era preciso dizer nada. Recordou a sua juventude e ficou a saber que o filho e o amigo eram homossexuais. Bateu a aporta com grande estrondo, desceu as escadas e atirou-se para o sofá de sua predilecção com um grande copo de Whiskies.

 

Com aquele barulho os rapazes acordaram sobressaltados e lembraram-se que não tinha fechado a porta à chave.

 

- Parece que fomos apanhados!

- Se foi pela minha mãe a coisa pode ficar feia, mas passa-lhe. O pior é se foi o meu pai…

- Estamos tramados… Homofóbico como ele é… ainda me poi na rua…

- E hera agora ao fim de tantos anos que nós íamos acabar com a nossa amizade? O meu pai só tem que compreender. Pois parece-me que ele também tem rabos-de-palha. Vamos vestir e descer e logo se vê….

 

Os rapazes depois de se vestirem beijaram-se e ao saírem do quarto comentaram ao mesmo tempo “Vamos à guerra” e desceram as escadas de mãos dadas.

 

O velho Mota ainda estava refastelado no seu sofá predilecto com o copo já meio de whiskies.

  1. Isabel que nada sabia do que se tinha passado, entrava no salão e comentou ao ver o marido bebendo logo pela manhã e o filho descer as escadas de mãos dadas com o amigo. – Algo de estranho se passava e comentou -:

 

- Finalmente o meu filho tornou-se homem…

 

Todos olharam para a senhora e ficaram de boca aberta com tal exclamação. O primeiro a dizer algo foi o Luís.

 

- Mas mãe!... O que queres dizer com isso?

- Sabe meu filho… A uma mãe que adora o seu filho como eu, há coisas que não passam despercebidas e quando vi que nem tu nem o Mário tinham namoradas mas uma grande cumplicidade entre os dois foi só somar dois e dois, principalmente quando o Mário começou a ficar cá com a desculpa que era para estudarem.

 

Os rapazes por momentos ficaram espectados no fundo das escadas enquanto o Mota se levantava meio furioso e se lhe dirigia:

 

- Mas tu já sabias? Que o nosso filho era amante do Mário e o faziam cá em casa? Nas minhas barbas?

 

  1. Isabel depois daquele desaforo do marido deslocou-se junto do filho abraçando-o conjuntamente com o Mário e beijando-os, perguntou:

 

- Vocês são felizes? Pois que assim seja… Quanto ao teu pai esqueçam porque sei a razão de ele se mostrar homofóbico e que esteja caladinho.

- Mas mulher!.... Que queres dizer com isso?

- O nome de Zaca, diz-te alguma coisa?

 

O Mota ao ouvir aquele nome corou deixou cairo copo que tinha na mão e voltou a sentar-se ao mesmo tempo meio atrapalhado comentou:

- Mas como e de onde conhecias o Zeca?

- O Zeca era namorado de uma amiga minha que tinha uma irmã que namorava contigo e sei o que se passou naquele fim-de-semana no Alentejo e sei que o Zeca foi um grande amigo teu até nos casarmos. E sei também que foi ele que ao fim destes anos todos te apareceu e pediu para dares trabalho ao Jorge.

- Mulher!... Tu não sabes nada…

- Sei sim e sempre soube! Para mim não fez qualquer diferença essa tua amizade pois amava-te e ainda te amo.

- Esperem aí!.. – Meteu-se na conversa o Luiz e dirigindo-se ao pai – Então é esse segredo que um dia me disseste que irias levar para a cova?

 

O Mota mais atrapalhado que nunca sentiu as lágrimas correrem-lhe pelas faces e sou pode balbuciar:

 

- Desculpem a forma como tenho procedido com vocês ao longo dos anos mas foi um período de tempo da minha juventude que queria esquecer mas que não deixa de me atormentar.

- Eu sei meu querido e sei por que razão, tens noites que não dormes bem.

 

Todos se juntaram abraçando-se com lágrimas escorrendo.

 

Se isto em vez de um conto fosse uma peça de teatro o pano de cena tinha-se fechado rapidamente.

Estava tudo dito…….

------------------------------- FIM -------------------------------

   Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

 

           Nelson Camacho D’Magoito

        “Contos ao sabor da imaginação”(cn-248)

             Para maiores de 18 anos

                 © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 12:06
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