Quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Pieces of life – I Acto

os restos de uma igreja

Pedaços de vida

Um conto em III actos

I Acto

 

     Mais uma vez estava a acontecer o mesmo só não era a mesma escada e o momento não era de satisfação mas de raiva e as lágrimas iam caindo face abaixo. Fechei os olhos e aconteceu um Flash do que tinha acontecido até aquele momento

     A primeira vez que tinha estado sentado numa escada foi quando fiz a comunhão. Todo vestido de branco como anjo sentado na escadaria da Igreja depois do sermão a missa cantada durante mais de duas horas dada por vários padres a acólitos aos meninos e meninas da freguesia para o seu baptismo.

     Já tínhamos passados por vezes uns por outras vezes outros, várias horas de sábados na sacristia, onde nossos pais nos levavam religiosamente.

     Para além da escola das 8 às17 para aprendermos tudo o que fosse literacia pouco restava para conviver com outros colegas. A história era sempre a mesmo. De Segunda a sexta, escola e ao sábado lá me levantava um pouco mais tarde mas o resto do dia era passada na catequese. Até parecia que a ideia de meus pais era encaminharem-me para padre.    

     Umas vezes era o padre, outras, o sacristão que nos ensinava tudo o que fosse religioso sem nos preparar para a vida terrena. Conclusão; até ao crisma fui sempre tratada como barata tonta. Sempre pela mão de meu pai e debaixo das saias de minha mãe. Como é uso dizer-se.

     Meus Pais até tinham um relicário no quarto onde faziam as suas orações permanentes.

     Não tinha amigos ou amigas pois o tempo de convívio entre pares era diminuto e sempre com os olhares atentos dos pais.

     No dia do casamento com Cristo (parece que é assim que se diz quando se realiza o baptismo) enquanto meus pais falavam com os padres na sacristia, eu fiquei sentado na escadaria da igreja. Junto a mim vieram sentar-se uma rapariga e um rapaz que já os tinha visto mas nunca tinha-mos chegado à fala.

 

        - Então? Estás à espera de quê? – Perguntou a rapariga.

        - Estou esperando meus pais que foram falar com o padre. E vocês?

       -Também nós. Nossa mãe vai ter um bebé e precisam de uma casa maior e foram falar com o padre para saber se sabem de alguma aqui perto.

         - Olha meu pai é construtor e é capaz de saber de alguma.

 

     Qual não foi o meu espanto quando vejo sair da igreja meus pais em amena cavaqueira com outro casal que por coincidência eram os pais dos meus novos amigos.

 

     Aquele dia foi de festa. Os pais dos meus novos amigos também eram muito tementes a Deus e fomos todos para minha casa. Ao que me deu a entender pela primeira vez meus pais se tinham ligado a outro casal. Ao que soube mais tarde deveu-se a um precisar de casa e outro estar a construir uma idêntica à nossa na mesma rua do condomínio fechado onde vivíamos.

 

Um ano mais tarde

 

     Depois daquele conhecimento de meus pais com os pais do Carlos e da Isabel a vida lá em casa não teve quaisquer alterações. Os meus pais, trabalho casa, casa trabalho. Quanto a mim, escola casa. Casa escola. Só ao domingo saiamos de manhã para ir à igreja onde nos encontrávamos com o tal casal e seus filhos. Como entretanto já tinha acabado a catequese os meus amigos e amigas ficavam-se pelos colegas da escola, até que vieram as férias e também a entrega da casa já pronta aos pais do Carlos e da Isabel.

     Fizeram para comemoração um churrasco no quintal dos novos amigos. Foi também a inauguração da piscina. Coisa que na nossa casa não havia portanto não tinha nenhuma experiência de natação. Contrariamente a Isabel e ao Carlos que frequentava a piscina municipal, assim naquele dia resolveram dar uns mergulhos, Emprestaram-me uns calções e tive a minha primeira experiência em natação aos treze anos.

    Ia morrendo. Ao terceiro mergulho baralhei-me todo e não fora o Carlos que ao ver a minha aflição não se atirasse à água para me salvar. – Foi necessário fazer-me respiração de boca-a-boca ao mesmo tempo que me fazia movimentos cardíacos.

     O Carlos na altura tinha mais um ano que eu e a Isabel mais dois.

    Naquele dia foi uma aflição para todos. Fui levado para o quarto do Carlos que embora a aflição fosse muita entre todos, foi o único que me deu apoio psicológico com a sua irmã Isabel.

     Aquele dia ficaria marcado para o resto da minha vida e o Carlos passou a ser o irmão que não tinha e confidente amigo.

 

     Meus pais depois desta situação, ao fim do dia resolveram que fossemos para casa e acabou o churrasco.

A partir daquele que poderia ter sido um dia fatídico os laços de amizade entre os todos mais se aproximaram.

     Entramos na rotina. Durante a semana casa trabalho, trabalho casa e aos domingos os dois casais e nós filhos a caminho da Igreja.

     Quando chegou o novo ano escolar ouve uma reviravolta na minha vida. Passei a frequentar a mesma escola do Carlos e embora houvesse uma diferença de idade de um ano entre nós por cauda do mês de nascimento andávamos no mesmo ano ou seja, entramos ambos no quinto ano escolar e por coincidência na mesma turma. A Isabel já lá andava no sexto ano.

 

     Foi assim que aos catorze anos comecei a desabrochar para a vida.

     Tínhamos ginástica, canto coral e outras actividades desportivas.

     Derivado aos estudos os três também começaram a frequentar mais as casas uns dos outros.

     Já não acompanhávamos nossos pais todos os domingos naquele ritual da igreja, pois tínhamos sempre outros colegas a frequentarem nossas casas, principalmente a do Carlos pois tinha piscina.

 

     Um dia a Isabel pegou-se de namoro com um rapaz e eu com o Carlos passamos a ter mais tempo para as nossas actividades desportivas.

 

Os tempos foram-se passando.

 

     A Isabel com o namorado e eu com o meu amigo lá fomos passando os anos não sem tantos os meus pais como os do Carlos de vez em quando criticarem o facto de a Isabel já ter namorado e nós andarmos na boa-vai-ela sem namoradas.

 

No dia dos meus quinze anos

 

     Como fazia anos no mesmo ano do Carlos com diferença de meses, nossos pais resolveram festejar o aniversário de ambos no mesmo dia.

     Foi uma festa de arromba. Muitos convidados tais como alguns colegas nossos e até o Padre da freguesia foram convidados.

     Quando chegou a altura dos discursos O Sr. Padre alvitrou como estávamos próximos da nossa maioridade fossemos todos passar um fim-de-semana a Fátima para que Aquela abençoasse a nossas vidas futuras.

     Nossos pais de imediato tementes a Deus como eram aceitaram a ideia ficando no ar onde ficaríamos pois éramos muitos.

     O Sr. Padre resolveu logo a situação pois prontificou-se a arranjar alojamento para todos num convento.


     Quando chegou as férias da Páscoa lá fomos todos para Fátima. Até o namorado da Isabel foi convidado.

Fátima

 

     A primeira coisa a fazermos quando da chegada a Fátima foi a padre indicar-nos o convento onde iríamos ficar.

 

     Foram distribuídos os quartos: Um, apara cada casal, outro para a Isabel e outro para nós rapazes.

 

     Durante o dia. Lá fomos há igreja rezar e queimar as velas da praxe.

     Depois do jantar e porque estávamos num convento, não tivemos direito a sair à noite. Resultado! Fomos para a caminha cedinho.

     No nosso quarto só havia duas camas. Não havia televisão e o nosso entretenimento foi uma jogatina de cartas e beber uns whiskies que o Jorge (namorado da Isabel tinha levado às escondidas).

Romance Gay “Juntos nós somos bonitos”

 

http://www.youtube.com/watch?v=YQ0vbeZNd9k

 
 

As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

Segue para o II Acto

 

       Nelson Camacho D’Magoito

   “Contos ao sabor da imaginação”

           Para maiores de 18 anos

            © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

 

 

Estou com uma pica dos diabos:
publicado por nelson camacho às 20:23
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