Quarta-feira, 19 de Março de 2014

Sesimbra Uma visita guiada – I Parte

esimbra barcos de pesca artezanal

Um dia de sorte

 

     Um amigo meu depois de ter lido algumas das minhas aventuras à beira mar disse-me que em Sesimbra é que estava a dar. Eu sei por experiencia própria que em Setúbal há bom peixe para as minhas pescarias mas em Sesimbra só sabia que havia bom peixe daquele que se mistura e é cozinhado com água do mar a que lhe chamam de caldeirada.

     Prometi que iria até lá assim que estivesse bom tempo. Iria fazer pelo menos ida e volta 160 km, gastar uma pipa de massa em portagens mas como estava bem recomendado resolvi ir.

     A Primavera já despontava. O Mau tempo já se tida ido e o sol já convidava a fugir do marmasmo que o meu tempo me tinha colocado.

 

     Ainda não tinha preparado o meu kit de sobrevivência que no verão trago sempre no carro. Eu explico: O tal kit nada mais é que uma maleta pequena tipo trólei onde param duas mudas de roupa. Uma o mais simples possível e outra para ocasiões mais solenes na medida em que quando me meto à estrada como tenho todo o tempo do mundo, nunca sei o que vai acontecer. Consta também um kit de higiene pessoal com todos os apetrechos necessários para ocasiões especiais não esquecendo uma caixinha de preservativos. Conjuntamente com um pequeno cobertor e outros acessórios que constam sempre no bando de traz a coisa fica feita para o que der e vier.

 

     Esta mania já vem lá de traz. Quantas e quantas vezes saia do trabalho ao sábado – naquele tempo trabalhava-se aos sábados -, dava-me na mona e metia-me à estrada sem dizer a alguém e muitas vezes já em Madrid no Porto ou no Algarve é que telefonava – Não havia telemóveis - a minha Mãe dizendo onde estava e que não contasse comigo nesse fim-de-semana. Velhos tempos.

     Depois vieram outras vidas com outras obrigações e durante uns anos não pude fazer estas brincadeiras. Actualmente voltei a estar livre de obrigações e já não tenho a quem justificar seja o que for e voltei ao mesmo. A idade já não é a mesma mas o espírito da aventura ainda por cá anda e não vou deixar a vida passar. A “cana de pesca” está sempre pronta.

 

     Foi com esta vontade de voltar ao passado que deixei as praias cá do sítio e deambulei direito a Sesimbra, faz-se num instante sessenta minutos bastam. Sai de casa cedinho para não apanhar muito trânsito e ir lá tomar o pequeno-almoço.

 

     Mal cheguei quando estava a arrumar o carro aproximou-se uma daquelas senhoras que oferecem as habitações de verão. Agradeci e disse que não. Estava só por um dia ou talvez dois ao qual a senhora muito solicita logo informou que também tinha um pequeno anexo que alugava para fins-de-semana e sempre era mais barato que um hotel. Agradeci e fiquei com o cartão para qualquer eventualidade.

 

Sesimbra-calçadão-praia- zona de restaurantes

     Fui até ao calçadão e procurei um café para tomar o pequeno-almoço. Como não me sinto bem em recintos fechados e depois de qualquer refeição tenho a mania do cigarrito procurei um com esplanada. Tomei um leite com chocolate e uma torrada, Depois o café da praxe e o maldito cigarro.

 

        Sesimbra se nome original do Celtic origem era Cempsibriga , ou seja, o Burg (Briga) da tribo celta o sesim.

        Sesimbra é uma vila piscatória de ruas estreitas e íngremes e uma praia de águas límpidas e cheias de colorido pelos seus barcos. A comunidade vive principalmente da pesca que fornece em primeiro lugar os restaurantes.

        Para um bom acolhimentos dos turistas além de bons hotéis e casas particulares de aluguer num negócio paralelo também tem vida nocturna,

        O que dá vida a esta vila é o turismo com receitas significativas da pesca profissional e pesca desportiva (principalmente de peixe-espada) há também um local bastante popular de mergulho que é o naufrágio do rio Gurara, um navio de carga nigeriano, que afundou em 1989 com a perde de 45 marinheiros

        No topo da colina atrás da cidade, no local de uma fortaleza moura capturado em 1165, ergue-se o castelo medieval restaurado, construído no século 13 por Dom Sancho II . Suas cincos torres e muralhas protegerem algo ainda mais antiga, do século 12 igreja de Santa Maria , que oferece um exemplo de arquitectura religiosa popular, rural.

Espalhadas pela urbe encontramos várias Igrejas regularmente cheias de fiéis orando por uma boa partido e o retorno seguro de seus homens, e boa a captura diária que faz a tarifa em restaurantes de peixe locais tão populares.

 

     Depois desta mini história de Sesimbra claro está que dei uma voltinha por ruas e ruelas, algumas igrejas até que chegou a hora do almoço.

 

     Procurei um restaurante de peixe que me pareceu aprazível com esplanada e lá estava ele, num alargo a uma ponta do calçadão. Mais aprazível ficou quando o empregado que me veio atender tinha o aspecto de “Esta cara não me é estranha”

 

        - Boa tarde!.. Vem para almoçar ou tomar alguma coisa?

        - Boa tarde para si também e bom trabalho. Vim para almoçar. Como relativamente pouco mas mesmo assim vou apostar numa caldeirada de peixe.

        - Certamente que vai ser bem servido mesmo tomando em atenção que come pouco. E para beber?

        - Bem para beber é você que vai sugerir mas para já quero um Porto simples e frio.

 

     O moço atirou um olhar interrogatório e comentei.

 

        - Qual o problema? Não têm vinho do Porto?

        - Não!.. Desculpe é que o normal para antes das refeições é pedirem um Martini.

        - Pois… Amigo… Eu não sou normal!.. A propósito como se chama? Sabe… Detesto chamar um empregado por pssssss ou faz favor.

        - Chamo-me Emanuel.

        - Você deve ser bom rapaz para ter o nome Cristo.

        - É a primeira vez que me dizem isso.

        - Que é bom rapaz ou que tem o nome de Cristo.

        - Que sou bom rapaz muita gente tem dito, agora que Emanuel era o nome d Cristo é que não sabia.

        - Afinal sempre valeu a pena vir a Sesimbra para ensinar alguma coisa.

        - Certamente que me vai ensinar mais. – E riu-se com um sorriso maroto semi-serrando os olhos que vi serem castanhos brilhantes,

        - Então se me dá licença, vou à vida.

 

     E foi!.. Fiquei com aquela do “vou à vida” e pensei que talvez este dia tenha sido o meu “dia de sorte”.

     Pelo sim pelo não telefonei para a tal senhora e perguntei-lhe se ainda tinha o tal anexo para dois dias. A Senhora ficou toda contente e deu-me a morada e que fosse a que hora quisesse. Até tinha lugar para o carro.

  

     Estava absorto com tanta sorte quando o Emanuel se apresentou com o copo do Porto e um pires com meia dúzia de camarões já meio descascados acompanhados por fatias fininhas de pão torrado e uma bola de maionese, e disse:

 

        - A tapa é por conta da casa.

        - O seu patrão é muito gentil.

        - Por acaso a ideia não foi do meu patrão que é meu pai, mas foi minha.

 

     Engoli em seco. Besuntei um camarão na maionese e meti na boca ao mesmo tempo que bebi um pouco daquele Porto, com a língua saboreei aquela mistura. Ele não tirando os olhos de mim e com um sorriso maroto  retirou-se.

 

     Pronto… Pareceu que já não faltava tudo.

O almoço correu às mil maravilhas. Tudo a bom gosto acompanhado por um vinho verde branco

Veio a sobremesa e o café.

 

        - A acompanhar o café quer um digestivo?

        - Sim pode ser um Napoleão.

        - Então vai ficar por cá ou está de passagem?

        - Se tiver companhia para ir a um bar logo à noite fico por cá. Caso contrário, vou embora.

        - Porque não vem cá jantar? Tinha muito gosto em mostrar-lhe a noite cá do burgo.

        - A que horas é o jantar e a que horas sais?

 

     Já o estava a tratar por tu.

 

         - O jantar é a partir das vinte e eu saio às dez e meia.

         - Sendo assim, venho por volta das nove e meia.

         - Quer dizer que fica por cá.

         - Pelo sim pelo não já arranjei um apartamento em um anexo que tem garagem para arrumar o carro.

         - Posso saber quem é?

 

     Peguei no cartão da Senhora e mostrei-lhe.

 

        - Há! É a Tia Ermelinda. Conheço muito bem!

        - Quer dizer que é pessoa séria e não é careira.

        - É ainda minha prima afastada. Depois falo com ela quanto ao preço. È uma prima muito querida e depois de darmos uma volta pela noite cá da vila podemos acabar lá para tomar o último copo.

 

     Aquela coisa do “depois tomarmos lá o último copo” deixou-me com pulga atrás da orelha. Mas como é hábito dizer-se “Quem vai a Roma e não vê o Papa á burro ou não tem arte” Não quis passar por burro em Sesimbra e confirmei o meu jantar e fui dar uma volta pelas ruas e algumas igrejas da vila. Fui também ter com a senhora a quem tinha alugado o quarto aproveitando para deixar o carro.

     Quando contei à senhora onde tinha almoçado ela logo disse:

 

        - É gente muito boa. Foi atendido pelo Emanuel?

        - Sim foi ele que me atendeu e falou-me da senhora. Logo à noite vamos dar uma volta.

        - Esse menino é muito bom rapaz. Nem precisa de tirar o seu carro da garagem. Ele também tem um carrito e para darem uma volta é melhor irem no carro dele.

        - Vamos ver.

        - O Sr. quer que deixe algum petisco para quando vierem?

 

     Não sabia o que se passava entre tia e sobrinho mas logo desconfiei que ela seria a confidente do Emanuel a ao saber que ele me tinha convidado para dar uma volta pela vida nocturna da vila e então aproveitei a oferta:

 

        - Se possível deixe uns lagostins cozidos e uma garrafa de vinho branco.

        - Fica tudo preparado na mesinha do quarto.

 

     Porra! Era mesmo o meu dia de sorte.

     Despedi-me da senhora sem antes lhe deixar cinquenta euros para o petisco que ela recusou. Dizendo que depois fazíamos contas.

 

     Continuei a dar umas voltas até à hora do jantar sem antes ter descansado no quarto e ter mudado de roupa.

 

Já a seguir O jantar

 

Fim da I Parte

Para ler tudo o que aconteceu depois clique (aqui)

 

Como vai você de Roberto Leal

 

As fotos aqui apresentadas são livres de copyright e retiradas da Net.

Qualquer semelhança com factos reais é mera coincidência, ou não! O geral ultrapassa a ficção

 

       Nelson Camacho D’Magoito

     “Contos ao sabor da imaginação”

               © Nelson Camacho
2014 (ao abrigo do código do direito de autor)

Estou com uma pica dos diabos:
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publicado por nelson camacho às 18:16
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